O que todo mundo deveria saber aos 15 anos: um guia para facilitar a vida na adolescência

Parece que tudo está acontecendo ao mesmo tempo e você não sabe como lidar com isso? Quem já passou por essa situação pode ajudar.

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Thalita Rebouças, escritora

DN002004160430_12153959_7Sobre aparência

“Nunca olhe com lente de aumento para o que você chama de defeito, porque às vezes uma mancha, uma pinta ou alguma coisa que você acha estranha pode acabar se tornando sua marca registrada. Lembro que eu odiava meu cabelo porque ele era comprido e cheio, e hoje morro de saudade. Mas, como eu não gostava, fui lá e cortei e tudo mudou. A gente fica com medo de ousar, de ficar feio, e, quando a gente se permite mudar, esta mudança pode trazer coisas inimagináveis de dentro de nós. Se você acha que uma coisa está ruim, valorize outra. Se não gosta dos dentes, valorize os olhos; se os olhos estão ruins, valorize a boca. Principalmente para as meninas: vocês têm que se aceitar como são, dizer ‘Eu sou assim, me deixa’.”

Sobre autoestima

“Não se importe com que os outros pensam de você. Acho que quanto mais cedo a gente aprender a se amar, mais cedo a gente aprende a lidar com os problemas. Se amar é a coisa mais importante da vida. Na adolescência, a gente se odeia e odeia várias coisas na vida. Quando mais cedo se aprende que isso não vai resolver nada, melhor para nós.”

Sobre bullying

“Não se deixe abater e não demonstre que está abatido. Lembro que alguns apelidos (tipo Thalita palita) me irritavam e eu fingia que não para pararem de me chamar assim. Chegava em casa e ficava chorando, mas, na escola, ignorava totalmente. É impressionante como, quando você desdenha do bullying, ele desaparece. É muito importante não se deixar abater, porque, às vezes, quem faz bullying é a pessoa que está sofrendo a mesma coisa em casa e quer atenção. Lembre-se: se você não olhar com lente de aumento para as coisas ruins, tudo vai ficar muito melhor.”

No dia 16 de maio, chega às livrarias o novo livro de Thalita Rebouças: Confissões de uma Garota  Excluída, Mal-amada e (Um Pouco) Dramática. O lançamento da editora Arqueiro fala de autoestima e bullying: Tetê é uma menina que se sente solitária e acha que é tratada de um jeito estranho pela família. Até que ela muda de escola e faz amizade com um pessoal excluído que nem ela.

Diana Corso, psicanalista e escritora

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Sobre o corpo

“Dizem que você está lindo, incrível, na melhor forma que terá na vida. Mas o espelho parece aqueles de parque de diversões, não dá pra saber se está gordo ou magro, que tipo de roupa fica melhor, com que quer se parecer. O problema é que nessa época a gente se olha demias, tanto mais quanto não sabe como interpretar o que enxerga. O que realmente queremos saber é como somos vistos pelos outros. Somos desejáveis? Transparentes? Vulgares? Temos uma imagem particular ou somos mais um na massa? O
legal é lembrar que em nenhuma fase da vida o corpo fica do mesmo jeito: criança cresce todo dia e adulto envelhece todo dia – e ainda dizem que o adolescente é que muda de corpo de um jeito mais abrupto! O que realmente acontece, e deixa todo mundo meio atrapalhado é o fato de que surgem, durante a puberdade, seios, pelos, músculos, enfim, todas aquelas coisas que sugerem a maturidade sexual. E, creio que você já percebeu que tudo o que envolve a sexualidade deixa as pessoas bem loucas, né?”

Sobre os pais

“Os pais falam da adolescência como um período horroroso, em que os filhos tornam-se intratáveis e não param de lamentar a troca da criança simpática que amava estar com eles por uma figura emburrada
e suspirosa. Ficar com a família é difícil, a voz dos pais é insuportável e, quando enchem de perguntas, você quer acabar aquela conversa logo. Os pais acham que vai virar instantaneamente um perdido na vida, quando você só suspira pela pele que está uma porcaria e pelo desânimo que não vai embora. O tédio afeta todo mundo e ficar com os amigos é compartilhar a chatice. Com eles compartilha-se tudo. Os pais novamente imaginam muita coisa e em geral não está rolando nem um milésimo do que eles temem. Acontece que a adolescência é uma espécie de menina dos olhos dos adultos de hoje: eles imaginam que é uma espécie de época de ouro da vida, quando se é lindo, cheio de desejos sexuais, disposição física para grandes aventuras e ousadias. Que nada, tudo é meio travado, não levamos muita fé em nós mesmos, não sabemos o que queremos, nem o que está certo querer, e, principalmente, se vale apostar em alguma coisa. As famílias querem certificar-se de que seremos vencedores e não uns inúteis. Mas as chatices dos pais são inseguranças deles. Não têm certeza de ter oferecido a você a educação
e o carinho suficientes. Quando tinham um filho criança parece que estavam ainda em tempo de prover tudo o que ele precisava para fazer dele alguém de quem pudessem se orgulhar, mas agora que você cresceu, e só se abre e se diverte com seus amigos. Compreenda, fale com eles um pouco, tranquilize-os, é difícil abandonar a infância dos filhos. Seus pais estarão doídos, culpando-se pelas coisas mais  ridículas, imaginando que fizeram tudo errado e que você será uma catástrofe por culpa deles. Tudo o que a gente imagina é maior do que quando realmente acontece, isso vale para você e para eles.”

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Reprodução

Mica Rocha, blogueira

DN002001160430_12153960_7Sobre autoconfiança

“A gente se compara muito com os outros, compara nossos pais com os pais dos outros, corpo, fotos, namorados… e a gente fica muito pra baixo. Tem essa sensação de que todo mundo é melhor. E, mais tarde, a gente vê como pode ir por esse caminho ou pode escolher se ver como é. Claro que a gente não vai se dar bem em tudo, mas as fraquezas têm a ver com o fato de todo mundo ser diferente. A gente se foca muito no que não consegue e esquece as qualidades. Minha dica é escrever cinco qualidades suas em um papel e, depois, tentar colocar mais cinco. Se você tiver dificuldade, pode perguntar para as pessoas à sua volta que características que definem você. Assim, você vai sempre lembrar que tem pelo menos 10 qualidades. A gente não pode pensar que nosso defeitos nos refletem; eles fazem parte de quem somos, mas as nossas qualidades é que são nosso espelho.”

Sobre relacionamentos

“Sei que é superdifícil essa dica, mas diria que as desilusões amorosas nessa idade fazem com que a gente veja nossas escolhas erradas e possa refletir sobre isto. Quando mais cedo a gente passa por coisas que nos fazem sofrer, melhor mais pra frente pra podermos fazer uma avaliação crítica e ver que tudo é um aprendizado”.

Fabrício Carpinejar, escritor

DN002003160430_12153958_7Sobre amigos e identidade

“Na verdade, a adolescência é uma mutação genética, tu te transformas, tudo é um incômodo: o teu pé, o teu peso, a tua voz. Tenha curiosidade. Não precisa sofrer com a culpa: compartilhe essa cumplicidade
com os amigos. A amizade nessa época é muito importante, porque essas relações vão durar a ivda inteira. Esse também é o período do erro, do excesso, da criatividade, da viagem, dos idiomas, dos dialetos. Aproveita pra criar a tua linguagem, as tuas coisas.”

Sobre os pais

“Em primeiro lugar, critique abertamente os pais: eles precisam ouvir e entender isso. Na adolescência, tu deixas de ser criança e começa a ver que tudo não é tão bom assim, que nada é idealizado como achava que era. Também começa a exercitar a ironia, o deboche – e como tu vais aparender a se defender dos outros se não for com os pais? É por isso que ocorrem as maioria das brigas, porque vocês vão aprender a se defender do mundo se defendendo dos pais.”

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