Os limites da intimidade do casal: o que você faz (ou não) na frente do parceiro?

Foto: Unplash
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Camila Maccari, Especial

Ficar agarradinho vendo série no sofá, cozinhar com uma companhia e uma garrafa de vinho ou aquele sexo matinal meio preguiçoso: morar junto com o parceiro é uma experiência cheia de delícias. Mas nem só isso. No meio de todos esses momentos maravilhosos em que você pensa que sorte poder dividir a vida com quem ama, também tem a toalha molhada em cima da cama, uns cabelos acumulados no ralo do banheiro ou a surpresa de flagrar o outro ser humano fazendo suas necessidades. Aquela coisa chamada intimidade que é ótima, mas que também pode ser um porre.

Muitos casais tiram de letra, mas para outros a intimidade acaba sendo um elefante na sala, compara a coach comportamental Dulce Ferreira. Isso acontece porque os limites não são construídos juntos, os hábitos podem acabar colidindo e alguém fica desconfortável dentro de casa.

– Cada um de nós tem seu próprio sistema de crenças e valores, coisas que geralmente desenvolvemos na primeira infância com o que vemos e ouvimos, em especial dos nossos pais. Desta forma, para uma família pode ser supercomum andarem na frente uns dos outros com roupas íntimas, e para outra esse ser um hábito horrível – explica.

No ponto de vista da psicóloga e terapeuta de casal Cristina Villaça, o que vale é observar o parceiro – e também ter muito claro para si mesma quais são seus próprios limites. Isso porque a intimidade também pode ser um acordo, algo novo construído por duas pessoas que já formam uma nova família. Para ela, o assunto tem a ver com poder conversar sobre assuntos íntimos. Se, para você, tomar banho de porta aberta ou ver o parceiro fazendo xixi é algo desconfortável, vale poder falar sobre isso. Se você observa que ele é quem fica desconfortável quando você faz isso, vale tentar entender. Para Cristina, é preciso analisar se o que incomoda faz parte de padrões prestabelecidos que podem ser desconstruídos ou de um desconforto que tem a ver mesmo com os limites que a pessoa aprendeu durante a vida.

– Acho que a nossa cultura tem um tipo de controle de comportamento que está mais sobre a mulher do que sobre o homem. Desde a infância, homens têm menos restrições sobre usar o banheiro, andar pelado pela casa ou arrotar na frente de qualquer pessoa. Já as mulheres são, desde cedo, condicionadas a ter comportamentos mais socialmente aceitáveis. É fechar a perna para sentar, não arrotar ou soltar pum. Essas coisas podem ter reflexo no casamento: homens acabam achando inconveniente alguns comportamento femininos porque eles cresceram com essas meninas que eram bem mais comportadas e as mulheres temem que, na rotina e nessas coisas normais de qualquer ser humano, o tesão acabe se perdendo por causa do contato com essa realidade – exemplifica Cristina.

Converse sobre o assunto
A comunicação é a chave para começar a resolver qualquer atrito em qualquer tipo de relacionamento. Nesses casos, Cristina indica que ela seja a mais clara e simples possível.
– Comunicação cuidadosa, mas que aconteça. É preciso ser capaz de falar sobre o que é bom ou não e também ser capaz de escutar o outro. Sem acusações, mas de uma forma tranquila e fluida. Só pode haver alguma mudança quando todas as partes estão cientes do que está acontecendo.

Busquem um lugar de conforto para os dois
É importante para o casal que ele se reconheça nas suas próprias características.
– Como é esse casal, como são essas pessoas que formam esse casal? Depois que você tem isso claro, passa a se preocupar menos com as regras gerais que vêm de fora e não precisam se aplicar a sua vida e ao seu relacionamento. Se os dois se sentem à vontade indo ao banheiro de porta aberta, tudo bem. É íntimo e ninguém tem nada a ver. Se um dos dois não se sente, repensem isso. Tem que ser confortável e tranquilo para os dois – explica Cristina.

Respeite os acordos
Para Dulce, a intimidade exige esforço de todas as pessoas envolvidas. Seja honesta com relação a isso.
– A intimidade diz respeito ao casal, exige a dedicação de ambos. Isso vale desde questões como comentar com amigos e parentes algo que lhes aconteça, até algo da intimidade mais reservada. Quando o acordo estabelecido pelo casal é respeitado, as coisas fluem com muito mais facilidade e naturalidade.

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