Pesquisa da ONU Mulheres aponta que 81% dos homens consideram o Brasil um país machista

Foto: Reprodução/Instagram
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Pouco a pouco, o feminismo está fazendo avançar o debate sobre questões de gênero no Brasil. Além de mobilizar as mulheres na defesa de seus direitos, o movimento vem conscientizando os homens sobre os efeitos do machismo em suas vidas. É o que mostra uma pesquisa realizada pela ONU Mulheres e o portal PapodeHomem com o apoio do Grupo Boticário. Divulgado nesta terça-feira (dia 25), o estudo integra o movimento ElesPorElas (HeForShe) e resultou no documentário Precisamos falar com os homens? Uma jornada pela igualdade de gênero, cujo lançamento online está previsto para novembro.

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O levantamento consultou especialistas, influenciadores e mais de 20 mil pessoas online em todo o país para entender como a sociedade pode evoluir para o diálogo e a igualdade entre os gêneros. O estudo indicou que 95% das mulheres e 81% dos homens entrevistados consideram o Brasil um país machista. Segundo o relatório final da pesquisa, eles ainda demonstram dificuldade de lidar com as mudanças na organização social – e por isso, buscam constantemente reafirmar a sua masculinidade.

– As mulheres mostram a convicção de que a igualdade é benéfica para todas as pessoas, ao passo em que elas afirmam ser as pessoas mais afetadas pela violência e pela desigualdade de direitos em relação aos homens. Por sua vez, eles evidenciam como o machismo condiciona as masculinidades, restringindo-lhes a relação com as mulheres e com os próprios homens por meio de comportamentos e atitudes machistas – explica Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil.

De acordo com o estudo, a necessidade de se encaixar no estereótipo de “herói durão”, viril e provedor, gera pressão e sofrimento nos homens: 45% dos entrevistados disseram que não gostariam de se sentir inteiramente responsáveis pelo sustento do lar, e 45,5% gostariam de se expressar de forma menos agressiva, mas não sabem como. Ainda, 56,5% dos homens ouvidos gostariam de ter uma relação mais afetuosa com os amigos, e 54% desejam ter mais liberdade para explorar hobbies não associados ao seu gênero.

O levantamento também sugere ações que podem auxiliar no processo de transformação da identidade masculina. Promover debates sobre a saúde do homem e a própria masculinidade – além de se direcionar às mulheres com respeito e consideração – são alguns exemplos.

– O que está sendo combatido é apenas a masculinidade tóxica, não o masculino como um todo. Assim como o machismo é prejudicial às mulheres e aos próprios homens, a igualdade de gênero é benéfica para todos nós. Por isso acreditamos que há espaço para envolver os homens nesse movimento, sempre respeitando o protagonismo das mulheres – afirma Guilherme Valadares, fundador e diretor de
conteúdo do portal PapodeHomem.

Veja o trailer do documentário produzido a partir da pesquisa:

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