Por que ouvimos música triste quando estamos na fossa?

Antes de qualquer coisa, dê o play:

Agora vamos lá.

Você acabou de terminar um relacionamento? Foi demitido? Brigou com o melhor amigo? Bem, se a resposta foi sim para uma dessas perguntas, você pode estar a caminho de lugar onde todos nós já estivemos: a fossa. E nessas situações, nada mais comum do que ouvir aquela música triste e se debulhar em lágrimas. Mas por que não trocar a playlist, colocar um batidão e ver se não rola dar aquela animada? Porque, acredite, se deixar levar por melodias tristonhas modifica a química do cérebro e pode auxiliar na superação das dores de um coração partido.

A afirmação acima é de um estudo realizado na Universidade de Ohio, nos Estados Unidos. Segundo David Huron, professor responsável pela pesquisa, ouvir músicas melosas faz com que nosso cérebro produza mais prolactina, um hormônio que ajuda a reduzir a sensação de desconforto e angústia, entre outras coisas.

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— A prolactina é um hormônio proteico utilizado para ajudar a reduzir a dor, sendo liberado durante as atividades humanas básicas, por exemplo, quando comemos, quando as mulheres ovulam ou amamentam e, talvez o mais importante, quando fazemos sexo — explica ele.

Em 2014, cientistas revelaram à publicação especializada Plos One que músicas que tratam da angústia humana ajudam a aliviar a dor de quem acabou de colocar o ponto final em um namoro, por exemplo. Exatamente isso: se o romance desandou, é mais eficaz ouvir Someone Like You, da Adele, do que Happy, do Pharrell Williams. Depois de mapear os hábitos musicais e traços de personalidade de um grupo de 772 pessoas, pesquisadores da Freie Universität, da Alemanha, descobriram que as melodias tristes inspiram a nostalgia auxiliam os ouvintes a meditarem sobre os relacionamentos passados, mas também fazem (re)despertar outros sentimentos como alegria, paz e “emoções sublimes”.

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Mas não paremos por aqui. Você já ouviu a expressão “curtir uma fossa”? Isso existe e talvez seja esse o segredo de cantoras como a Adele, por exemplo. Hitmaker dos corações partidos, ela fez milhões de pessoas cantarem suas letras melancólicas a todo volume. A explicação desse comportamento está nos efeitos que “colocar tudo para fora” pode ter. O neurocientista canadense Robert Zatorre, da Universidade de McGill, fez um estudo no qual analisou voluntários que ouviam músicas tristes. Ele constatou que a cada acorde melancólico, uma quantidade maior de uma substância chamada dopamina era liberada no corpo.

E o que isso significa?

A dopamina é um neurotransmissor responsável pelo prazer. É liberada em situações agradáveis como comer, fazer sexo ou ingerir álcool. Em outras palavras, ouvir uma música triste quando se está na fosse pode ter um efeito mais promissor do que ouvir uma batida animada porque no fundo, a gente curte mesmo estar na fossa.

Agora dá o play nessa playlist que preparamos especialmente para sua fossa:

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