Quando o homem falha: especialistas indicam como reagir no momento e ajudar o parceiro com problemas de ereção

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Rossana Silva, especial

A noite, até então, está maravilhosa. Já rolaram drinks, amassos e tudo se encaminha para acabar em grande estilo – só que não. O parceiro falha na hora da transa. O levantamento Mosaico 2.0 mostra que a maior parte dos adultos brasileiros já viveu uma situação semelhante. A pesquisa entrevistou homens e mulheres para entender como eles reagem diante da falha na ereção – e as respostas foram parecidas.

– As reações mais apontadas à falha são bastante adequadas. Há uma predominância de mulheres que tentaram ajudar o parceiro em relação às que se sentiram culpadas e irritadas – diz a psiquiatra e sexóloga Carmita Abdo, coordenadora da pesquisa e do Projeto Sexualidade (ProSex) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

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A maior parte das mulheres que já testemunharam a situação (25,3%) disseram terem sido compreensivas e conversado com o parceiro sobre o assunto – especialmente as da faixa dos 51 e 60 anos. Outra parcela, equivalente a 18,8%, diz ter ajudado o companheiro a recuperar a ereção. Entre as mais velhas, dos 61 aos 70 anos, há predominância das que fingiram não ter percebido o que aconteceu (4,8%). As entrevistas realizadas com os homens sobre a percepção de suas parceiras diante da falha apontam números semelhantes: 28,7% disseram que a companheira conversou e foi compreensiva e 19,2% afirmaram terem sido estimulados por ela a tentar mais uma vez.

– Percebe-se uma parceria muito grande da mulher em relação a essa dificuldade masculina. Tanto a mulher é parceira quanto o homem percebe que ela é. São números muito mais robustos os que falam da ação positiva delas perante a falha de ereção – explica Carmita.

Reunimos dicas da sexóloga e do urologista João Afif Abdo sobre como auxiliar o companheiro com dificuldade de ereção.

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Identifique o que está acontecendo

O primeiro passo é admitir que a falha está acontecendo. Se você quer ajudar, fingir que não percebeu não é uma boa saída:

– O homem percebe antes da mulher que a ereção não está boa e começa a ficar preocupado, pois é algo extremamente importante. Da próxima vez, ele vai ficar com medo e até evitar a parceira – explica Abdo.

Carmita aconselha que, nessa situação, as mulheres procurem se sintonizar com o companheiro que falhou e imaginar o que ele preferiria fazer: ficar na sua, tentar outra vez ou buscar outras formas de prazer.

– Cada casal sabe como reagir naquela hora – afirma.

Os especialistas ressaltam que uma falha esporádica não é motivo para se preocupar ou criar clima entre o casal, a menos que a dificuldade de ereção passe a ser recorrente. Se o problema acontece com frequência, deixa de ser um episódio natural dentro de uma rotina atribulada e passa a merecer atenção da parceira e incentivo para buscar tratamento. Daí, partimos para um outro ponto.

O problema não é com você

Diante da falha do parceiro, muitas mulheres tendem a julgar que ele já não sente desejo por ela ou até que pode estar se relacionando com outra pessoa. Esqueça isso: os homens falham por uma série de questões físicas e psicológicas, nas quais a falta de atração pela companheira é apenas uma entre dezenas de possibilidades.

– A companheira que contesta o parceiro achando que ele tem outra ou que ele não gosta mais dela faz diferença de forma negativa. Só piora as coisas – diz Abdo.

Entre as questões físicas que podem motivar a dificuldade de ereção, há doenças como a diabetes não tratada, hipertensão, problemas cardíacos, na próstata ou relacionadas à insuficiência renal. No campo psicológico, estar deprimido, ansioso ou estressado dificulta a ereção. Se aparentemente não existe nenhum desses problemas e o relacionamento entre vocês está bom, é importante investigar a fundo o que está impedindo a ereção. Essa é uma tarefa dele, mas, se você se sentir à vontade, pode tentar ajudá-lo.

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Não banalize o uso de medicamentos

Assim como ajudam, os medicamentos facilitadores de ereção podem, em alguns casos, apenas disfarçar ou piorar o problema, segundo Carmita. É comum o paciente não procurar o médico e ir diretamente à farmácia, sem a recomendação de um especialista.

– Todo mundo sabe que existe esse tipo de medicamento. É comum comprá-lo sem orientação do médico, e isso não é bom, porque ele não sabe como usar. O remédio não provoca a ereção, facilita. E é o médico quem deve recomendar, segundo a necessidade do paciente, qual remédio é o indicado para ele – afirma o urologista.

Por isso, não encare os comprimidos que seu parceiro está tomando como a solução de todos os problemas.

Os especialistas afirmam que a maior preocupação não deve ser com o uso do remédio em si, mas com o motivo pelo qual ele se faz necessário.

– Se o homem não consegue ficar sem o medicamento, é preciso investigar. Porque, como já esclarecemos, ele buscar conhecer a origem dessa falha – explica Carmita.

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Apoie e incentive a busca por tratamento

Diferentemente das mulheres, que estabelecem uma rotina preventiva de cuidados com a saúde, os homens não veem necessidade de ir ao médico até que uma doença já tenha se desenvolvido – ou até que esteja provocando dor. Assim, muitas vezes parte delas o incentivo para que o companheiro procure ajuda especializada.

– Muitas mulheres nos contam que elas mesmas marcam consultas para seus parceiros. Se elas tentam convencê-los a fazer uma consulta, por vezes o homem não está interessado, é constrangedor para ele admitir, mesmo diante de um médico, que está falhando. Se ela marcar a consulta, já ajuda. Ela também é a interessada não só na ereção, mas na saúde dele para a vida – diz a sexóloga Carmita.

O urologista Abdo destaca que a situação exige um cuidado ético por parte do médico e aconselha que sejam dispensados profissionais que prometem tratamentos milagrosos. Embora afirme que todos os casos tenham tratamento, ele explica que a resolução do problema se inicia por um procedimento de primeira instância. Caso não dê resultado, parte-se para opções mais avançadas. Um implante de prótese peniana, por exemplo, só será utilizado se nenhuma das alternativas anteriores tiverem efeito.

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