Quando a pornografia é pensada e feita por elas para elas

À frente do Intimicisses, projeto de sarau e debates sobre relacionamentos realizado no Valen Bar, na Capital, a jornalista Gisela Sparremberger (que aparece nas fotos que ilustram esta matéria) percebe uma mudança de atitude nos casais em relação ao consumo de pornografia:

– Para começo de conversa, acho que quem diz que nunca assiste, mesmo mulher, está mentindo. E venho percebendo, de uns tempos para cá, que os caras curtem uma mulher que assiste junto a um filme pornô. Se isso já foi malvisto algum dia, acho que os caras perceberam a besteira que estavam fazendo.

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Com eles ou não, não faltam evidências do interesse feminino por conteúdo erótico em geral, não apenas o filme pornô. Uma delas foi o estrondoso sucesso do livro Cinquenta tons de cinza, adaptado para o cinema em 2015, e suas sequências. A empresária Cindy Gallop tem dois corações em relação ao romance da virginal Anastasia com o bilionário sadomasoquista Christian Grey, escrito pela britânica Erika Leonard James e lido por 125 milhões de pessoas:

– Tem três coisas que odeio e três coisas que adoro. Acho horrivelmente escrito, acho uma péssima história de Cinderela e vejo naquela trama entre os protagonistas todos os sintomas de uma relação abusiva. Por outro lado, serviu para apimentar relacionamentos, para provocar a discussão sobre modalidades diferentes de sexo e, mais do que tudo, para evidenciar o imenso interesse das mulheres por um conteúdo erótico quando é de bom gosto e tem uma mulher como protagonista.

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Em filmes pornô, bom gosto e protagonismo feminino são palavras-chave no trabalho de Erika Lust, a cineasta sueca pioneira em unir o feminismo à pornografia, filmando cenas explícitas menos estereotipadas e com foco tanto no prazer e nas fantasias das mulheres em cena quanto dos homens.

– Não quero tirar as mulheres da pornografia, quero colocar mulheres na pornografia. Nós precisamos de mulheres atrás das câmeras. Pornografia, hoje, é educação sexual, e é responsabilidade da nossa geração repensá-la – discursa Erika.

Pornô no feminino

No site da cineasta Erika Lust , os filmes da suas série mais famosa, X Confessions, podem ser baixados por 72 horas por 3,96 euros (R$ 15,30) ou em definitivo por 14,95 euros (R$ 58). São produções com cerca de 10 cenas eróticas cada e duração média total de duas horas. Disponibiliza ainda, gratuitamente em inglês e espanhol, o livro digital Vamos fazer um pornô – um guia prático para filmar sexo. Quem sabe uma produtora brasileira se anime a tentar.

Há ainda opções de assinatura de sites que prometem cenas “passionais entre casais, capturando intimidade genuína”, como diz a descrição do danejones.com, site de sexo explícito, mas com uma pegada menos apelativa do que o abundante conteúdo gratuito à disposição em portais pornô.

Os preços vão de US$ 1 (R$ 3,42) por dois dias até US$ 18 mensais (R$ 62), por seis meses.

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