Separada e com filhos? Livro e site dão apoio a quem está passando pela mesma situação

Foto: Pexels
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Camila Saccomori

E então eles se casaram, tiveram filhos e foram felizes para sempre… Só que não. Independentemente dos motivos que levam ao divórcio, a separação de um casal com uma ou mais crianças em casa acaba gerando um sem número de questões a serem resolvidas. Desde as mais práticas (guarda, pensão, rotinas) até as emocionais. E é comum ficar perdida nos primeiros momentos e não ter com quem compartilhar os pensamentos mais íntimos.

Ao procurar pessoas que estivessem passando pela mesma situação, após uma década de casamento e com dois filhos pequenos, a relações-públicas Juliana Silveira, 38 anos, não encontrou quase nada de material de apoio. E como havia muito a dizer, resolveu criar um espaço para escrever – sem falar que agora havia um tempo novo a ser preenchido, aquele em que as crianças iam passar com o pai. Assim surgiu o portal New Families – Cuidado Compartilhado (newfamilies.com.br), com crônicas voltadas a dividir as dificuldades do novo estado civil: separada, com filhos.

– Rolou muita empatia. Quando comecei, não imaginava quantas pessoas iriam me procurar dizendo se sentir acalentadas com minhas histórias. É inacreditável que, ainda nos dias de hoje, a gente sofra tanta retaliação por não estar dentro dos padrões familiares julgados “normais” – conta Juliana.

A vivência do fim do relacionamento, a construção do diálogo com o ex-marido e a exclusão de determinados círculos sociais são temas que geram identificação com quem já passou pelo mesmo tipo de rompimento. Além das experiências pessoais de Juliana, um time de colaboradores ajuda a ampliar os tópicos comuns da maternidade pós-separação: o New Families traz textos e dicas da coach comportamental Isabel Silveira, da advogada e mediadora Durga Curtinaz e da psicóloga e psicanalista especializada em causas de família Christiane Ganzo.

Foto: Divulgação

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As culpas e os preconceitos relatados de coração aberto pela mãe Juliana deram origem a um livro para ajudar outras famílias. Lançado no mês passado, Divórcio, a Construção da Felicidade no Depois (Editora Albatroz) traz 120 páginas sobre os temas mais acessados do site, incluindo a construção da atual configuração familiar de Juliana. Há quase três anos, ela conheceu Leandro, que de “amigo da mamãe” passou a “Tio Lê”, “namorado da mamãe” e a “pai afetivo” – porque, não, a palavra “padrasto” não é a mais adequada, mas isso é papo para outra matéria. Agora, eles se dedicam a cuidar da recém-nascida Antonella, terceira filha de Ju e primeira de Leandro, já acumulando novas histórias para compartilhar em um segundo livro.

Foto: Arquivo Pessoal

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TRECHOS DO LIVRO

A hora de contar sobre o divórcio
“Mesmo os nossos filhos sendo muito jovens, decidi não tratá-los como bobos. Pais não precisam brigar para que os filhos percebam que as coisas não vão bem. Eu e o pai da Joana e do Joaquim não brigávamos. Em um almoço de verão nos encontramos em casa. Para digerirmos juntos o que não tinha mais remédio. Para o que é, ou que não é. E, no nosso caso, não era mais. Fizemos os quatro um círculo na cama e de mãos dadas contamos aos nossos filhos que o namoro do papai e da mamãe havia acabado. Explicamos que eles jamais estariam sós. Que estaríamos para eles, por toda a vida, juntos nessa empreitada. Juntos, mesmo que separados. Eles tinham quatro e cinco anos. Jamais vou esquecer o choro calado da minha pequenina.”

Estado civil: separada
“Ninguém deseja se separar. Nossa cultura condena há séculos o divórcio como o movimento de destruição da família. A mulher separada é tema de filmes dramáticos que normalmente retratam a luta, a falta de recursos, os filhos problemáticos e a solidão desta condição. E é a partir destas fotografias que me vi no universo das divorciadas. E isso não aconteceu do dia para a noite. Assim seria bom. Aconteceu na hora do questionamento sobre o meu estado civil em um balcão de cartório na venda do meu carro. Depois no banco, depois na assinatura da compra do meu primeiro imóvel como divorciada, depois no crediário da loja de departamentos. (…) Chegar a este status não define o que uma pessoa é. Não define que ela é menos forte, menos determinada ou tem valores menos admiráveis.”

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