Sexismo na final do US Open: Serena Williams pede para que atletas homens e mulheres sejam tratados iguais

Foto: AFP
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A final do US Open, um dos principais torneios de tênis do mundo, disputada no último sábado, 8, foi marcada por uma polêmica envolvendo a tenista Serena Williams e o árbitro português Carlos Ramos. Na partida, vencida por Naomi Osaka, de 20 anos, a primeira japonesa-haitiana a conquistar um troféu de simples em um dos quatro torneios mais importantes do planeta, Serena discutiu com o juiz e sofreu três punições.

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A primeira delas aconteceu após ele acusá-la de “coaching”, que é quando tenista e técnico se comunicam durante o jogo. Um tempo depois, Serena atirou e quebrou a raquete no chão, irritada por errar um lance, e recebeu uma nova punição do árbitro.

Foi quando a tenista reclamou e discutiu com Ramos. “Você roubou um ponto meu. Você é um ladrão”, disparou a americana. Por causa disso, o árbitro aplicou mais uma penalidade, desta vez por abuso verbal, e Serena perdeu pontos. “Porque eu sou mulher você vai fazer isso comigo. Isso não está certo”, afirmou ela chorando. Pelas infrações, Serena foi multada em 17 mil dólares (cerca de R$ 69 mil).

Na cerimônia de premiação, Serena abraçou Osaka e a parabenizou pelo feito. Ela pediu que o público, em maioria formado por americanos, aplaudissem a vencedora.

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Após o jogo, na coletiva de imprensa, Serena apontou o sexismo como o principal motivo das decisões do árbitro.

“Eu não posso sentar aqui e dizer que ele não é um ladrão, eu acho que, sim, ele tirou um game de mim. Pois eu já vi outros homens discutirem com árbitros de cadeira. E eu estou aqui para lutar pelos direitos das mulheres e pela igualdade em todas as áreas. Para mim, ter me punido por eu dizer ‘ladrão’ foi algo sexista. Ele nunca puniu um homem por ter feito o mesmo e isso me deixa incrédula. Mas eu vou continuar lutando pelas mulheres e para que a gente seja tratada da mesma forma”, disse Serena aos jornalistas.

Veja a entrevista completa:

O episódio gerou polêmica e uma onda de comentários na internet. Serena ganhou apoio de entidades do tênis.

O diretor-executivo da Associação de Tênis Feminina (Women’s Tennis Association), Steve Simon, disse que o árbitro “mostrou a Williams um nível diferente de tolerância”. Em nota, a WTA afirmou que não deve haver diferença no tratamento sobre as emoções expressadas por homens e mulheres.

“A WTA está empenhada em trabalhar para garantir que todos os jogadores sejam tratados da mesma forma, e não acreditamos que isso tenha sido feito na noite passada”, diz o texto.

A chefe da Associação de Tênis dos Estados Unidos (USTA), entidade que organiza o US Open, também se manifestou. Katrina Adams disse que “os homens fazem isso o tempo todo e nada acontece”. Ela se referia à fúria de Serena ao quebrar a raquete em quadra.

Serena também ganhou apoio de ex-atletas. A ex-estrela do tênis Billie Jean King se manifestou no Twitter.

“Quando uma mulher é emocional, ela é ‘histérica’ e é penalizada por isso. Quando um homem faz o mesmo, ele é ‘sincero’ e não há repercussões”, escreveu.

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