Sonho de uns, realidade de outros: quem trabalha em casa precisa de técnicas para fazer a agenda funcionar

Susiani Silva, especial

Trabalhar em casa é uma realidade para muitas pessoas, seja pelo perfil de certas profissões (autônomos e profissionais liberais, por exemplo) ou como opção pessoal para ganhar (supostamente) mais tempo livre. Ter a possibilidade de tocar a vida profissional de dentro do conforto do lar é uma tentação, mas é preciso organização e disciplina para fazer o job render.

—  Sempre digo que o modelo de home office permite muita qualidade de vida, mas há também uma quantidade maior de estímulos para desconcentrar — opina o coaching Gabriel Carneiro.

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A promessa de um lifestyle mais despojado, já que trabalhar em casa permitiria controlar melhor seus próprios horários e ficar mais próximo da família, encontra barreiras ligadas à produtividade. Há uma tendência a perder o foco. No meio de um relatório, o síndico toca a campainha e o assunto se prolonga. Durante uma ligação, o cachorro começa a latir loucamente (e você fica tentado a sair para dar uma voltinha e acalmá-lo). Estas interrupções — imprevisíveis, ressalte-se — manifestam-se de outras formas no espaço corporativo, é claro. Uma reunião inesperada, um telefonema sem fim. O que diferencia as duas situações é a lista de tarefas a ser cumprida nos prazos pré-determinados. Sem um chefe fisicamente presente, quem irá cobrar de você a produtividade será você mesmo.

— Na prática, é difícil. Tem muita gente que não consegue mesmo se adaptar a esse formato. É muito mais fácil ter alguém dizendo o que precisa ser feito. Tal coisa às 10h, tal coisa às 11h.

(Marcelo Donadussi/Divulgação)

(Marcelo Donadussi/Divulgação)

A boa notícia, porém, é que a habilidade de fazer o home office funcionar pode ser desenvolvida avaliando seu perfil.

— Não existe modelo certo ou errado, e sim um modelo que funcione melhor para cada um. Mas, em geral, o principal é organizar tudo o que precisa ser feito ao longo do dia. Distribua o tempo para cada atividade e determine a forma para realizar todas as tarefas — indica Gabriel.

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O tempo que se economiza ao deixar de enfrentar o trânsito de manhã cedo — um dos principais benefícios em grandes cidades — pode escoar pelo ralo caso a pessoa não tenha as ferramentas para gerenciar sua agenda diária. Um exemplo clássico seria o lento despertar, sem a transição demarcada de “agora comecei meu expediente”. Raros são os que rendem trabalhando de pijama.

— Acordar e não trocar imediatamente de roupa pode funcionar para alguns perfis de pessoas, mas em geral é preciso uma representação física. Tirar a roupa da noite e colocar uma, mesmo casual, dá uma “cara de trabalho”. Porém, nada disso adianta se a pessoa seguir com a TV ligada ou sentado no sofá enrolando — diz Gabriel.

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O momento da transição

Insatisfeitas com seus modelos de trabalho, muitas pessoas cogitam migrar para o home office em determinado momento de vida. Para a psicóloga e coaching Taís Bonato, é comum nesta época do ano, após a virada do calendário, cada um fazer um balanço da sua vida profissional e pessoal. Percebido um desequilíbrio ou quando estão insatisfeitas, repensam a maneira como vivem _ e, muitas vezes, trabalhar em casa passa a ser uma opção viável na busca por felicidade.

— Muitos percebem que poderiam ser mais completos e produtivos se tivessem um trabalho que pudesse ser realizado dentro do seu lar, com flexibilidade de horário e com mais autonomia — avalia.

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Montando o casulo

O local onde será instalado o espaço de trabalho também é importante. Para não truncar a concentração, o ideal é um ambiente mais afastado do living caso outras pessoas fiquem em casa nos horários em que você trabalha. Escolhido o espaço, o mobiliário precisa ser confortável. As sócias do escritório Arquitetando Ideias, Carla Tortelli e Luana Fernandes, elencam os principais fatores a prestar atenção quanto ao ambiente. Se a verba estiver curta para montar um escritório novinho em folha, é possível reaproveitar itens de outras peças da casa, desde que sigam os seguintes pontos. A organização da mesa de trabalho também gera mais produtividade, pois a poluição visual incomoda.

— Hoje em dia, os fios estão sendo exterminados. Aleluia! Opte por modelos de teclado, mouse e impressora sem fio — indica Carla.

Mesa

A altura da bancada ideal é de 75cm. Mesas de cozinha e jantar costumam ter esta mesma altura. Se a mesa for mais alta e ficar desconfortável, é possível utilizar uma cadeira com regulagem de altura e junto um descanso elevado para os pés. O importante é que os pés fiquem sempre apoiados no chão.

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Equipamentos

Independente de usar monitor ou notebook, o ideal é que a tela fique na altura dos olhos. Para isso existem suportes para os dois casos. No caso de notebook, teria que usar um teclado adicional.

Cadeira

Os modelos com braço são mais indicados, pois proporcional o apoio do cotovelo, para evitar lesões de esforço repetitivo. O modelo estofado (nunca muito fofo) e com apoio para a lombar.

Iluminação

O ideal é que exista uma iluminação geral do ambiente, vinda do forro, e uma iluminação mais direcionada, que pode ser uma luminária de leitura articulada na bancada (pode ser com lâmpada dicroica de LED branca).

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