Tudo o que você queria saber sobre vinhos…

Achando (errado) que eu entendo grandes coisas de vinho, alguns amigos desavisados me perguntam que vinho devem comprar. Digo que devem comprar, sei lá, o que quiserem. Mas, como o dinheiro parou de crescer em árvores desde antes de eu nascer, resolvi pesquisar pra dar uma mão pra galera e pra mim mesma, que não posso andar aí torrando meus suados pilas. E também não tô aí pra tomar vinho ruim, né? Então, aí vai o que consegui descobrir sobre a coisa toda.

Como te chamas?
Para começar a conversa, vamos dar nomes aos bois, digo, aos vinhos. Vinho fino é feito com uvas viníferas e o aroma e paladar são resultado do processo de vinificação, ou seja, ele não tem açúcar para estabilizar seu sabor. Já os vinhos de mesa são feitos com outras espécies de uva e podem conter açúcar em sua fórmula. Aquele vinho suave, do garrafão, que o seu avô adora, bem, aquele é de mesa. Bom igual, só depende do gosto de quem bebe. Aliás, curiosidade: o Brasil é um dos poucos países que fabricam vinhos com as uvas chamadas de americanas (ou de mesa). Em muitos, a legislação que rege o setor só permite que se elabore vinhos com uvas da espécie vitis vinífera.

Sou super pop!

Sou super pop!

Tu é feito de que?

Todo mundo sabe que vinho é feito de uva. Mas qual? Aí vem a dúvida cruel estampada no rótulo. Que uva eu escolho? Muitos vinhos não especificam no rótulo a casta predominante em sua fórmula. Essa prática não é comum em muitos países como Portugal, Espanha e França. Já na América do Sul é super usual ver o tipo de uva destacado logo embaixo (ou em cima) do nome do vinho. São mais conhecidos como vinhos varietais, ou seja, bebidas em que se acentuam as características e a personalidade da uva de que são feitas. Cabernet Sauvignon, Merlot, Malbec, Pinot Noir… são muitos. Aí, meu amigo, é ir bebendo e conhecendo o seu próprio paladar. Eu, por exemplo, gosto de todas e acho que depende de onde os vinhos são feitos e da sua qualidade.

Uva + Arte = Vinho

Uva + Arte = Vinho

Pode ser uma mistureba de uvas?
Pode sim. Esses são os assemblages, ou seja, vinhos feitos com uma mistura de castas. E isso não significa que eles são menos bons! Pelo contrário. Há grandes vinhos que resultam da mistura de cepas. Os produzidos na região francesa de Bordeaux, por exemplo, são, na sua maioria, elaborados a partir de um corte de uvas cabernet sauvignon, merlot e cabernet franc, podendo ou não entrar a petir verdot nesta conta. O próprio champagne, aquele feito na França, é um vinho espumante de corte, feito com chardonnay, pinot noit e pinot meunier.

Esse é um assemblage dos nossos, bem gaúcho.

Esse é um assemblage dos nossos, bem gaúcho.

Me Reserva um, então!
Agora a coisa complica. Reserva o quê, cara pálida? Bom, em muitos países, o termo reserva tem um significado estabelecido por lei. Na Espanha, para ser Reserva, o vinho precisa ter passado pelo menos 12 meses em barricas de carvalho, amadurecendo e adquirindo aromas. Depois disso, ele precisa passar dois anos ou mais na garrafa antes de ser comercializado. Se ele quiser ser Gran Reserva fica ainda mais demorado: 18 meses em carvalho e três anos na garrafa. Na Itália, os vinhos Riserva amadureceram por pelo menos três anos. Na América do Sul (incluindo os vinhos brasileiros), o termo não é regido pela legislação, então, pode significar muito ou absolutamente nada. Normalmente, as vinícolas engarrafam sob o título de Reserva os seus vinhos mais apurados, as melhores partidas da safra. Então, teoricamente, um vinho com esse nome tende a ser melhor do que os demais rótulos. Mas lembre-se: como a legislação não rege essa nomenclatura por aqui, tudo pode acontecer. Até nada.
E, por fim, tem os Reservados. Esses aí, normalmente, não querem dizer nada.

Um reserva chileno que faz juz ao nome. É maravilhoso!

Um reserva chileno que faz juz ao nome. É maravilhoso!

Vem de onde?
Quem gosta de vinho normalmente sabe que o lugar onde ele é feito interfere no resultado final que encontramos ao abrir a garrafa. Isso por que o terroir (que é a junção de fatores como solo e clima, posicionamento solar, etc.) é decisivo para determinar como as uvas vão se desenvolver. E disso depende o produto final, o vinho que tanto amamos. Muitos lugares no mundo são conhecidos por favorecerem a produção de uvas ideais. Com o passar do tempo, os vinhos produzidos nesses locais adquire características únicas, que o identificam como oriundo dali. Quando isso acontece, os produtos são valorizados e a região, dependendo da legislação local, passa a ser reconhecida como qualificada para a fabricação de vinhos. Vêm daí as indicações de procedência e as denominações de origem (identificadas como IP ou DOC nas garrafas)

Eu inventei essa história. Sabe quem eu sou?

Eu inventei essa história. Sabe quem eu sou?

A primeira Denominação de Origem no mundo foi instituída em 1756 pelo Marquês do Pombal, em Portugal, para demarcar a região vinífera do Douro, onde é feito o famoso vinho do Porto. Desde então muitas outras ao redor do mundo surgiram – inclusive para outros produtos, como queijos. No Brasil, a primeira Denominação de Origem Controlada para vinhos é o Vale dos Vinhedos, que identifica os rótulos elaborados de acordo com uma série de regras, na Serra Gaúcha.

Olha um Denominação de Origem Vale dos Vinhedos aí!

Olha um Denominação de Origem Vale dos Vinhedos aí!

E aí, aprendeu alguma coisa? Então larga da internet e vai beber um bom vinho, pelamordedeus!