Donna Indica: como ser uma porto-alegrense

Foto: Félix Zucco/Agência RBS
Foto: Félix Zucco/Agência RBS

Não basta se mudar para a Capital. Você tem que viver Porto Alegre com a intimidade dos locais. Como canoense que adotou a cidade há 18 anos, compartilho os pequenos prazeres, hábitos e descobertas que fizeram eu me sentir mais porto-alegrense.

Ter ido a pelo menos um show marcante no Araújo Vianna

O mais querido auditório da cidade (foto acima), encravado no meio do nosso parque mais tradicional, é ponto obrigatório para quem quer ganhar o título de porto-alegrense. Não estou entre os felizardos que viram João Gilberto por lá, em 1996. Mas sempre vou lembrar com carinho do lindo show de Jorge Drexler de 2013, em que ele cantarolou que o nosso Araújo Vianna era como um disco voador.

Foto: Rafaela Enes

Foto: Rafaela Enes

Provar dois cachorros-quentes clássicos

Eu me senti muito porto-alegrense quando finalmente provei o tradicional e delicioso cachorro-quente da Confeitaria Princesa (acima). Mas não é o suficiente. Para você se ver como um local meeesmo, tem também de comer o Cachorro do R, o tradicional, da carrocinha em frente ao Colégio Rosário.

Foto: Ossip/Facebook

Foto: Ossip/Facebook

Adotar um bar do coração

Para além de ser seu bar preferido, tem que ser aquele onde você nem precisa olhar o cardápio para fazer o pedido, sabendo de antemão quem vai encontrar. Mais: é motivo de brincadeira entre amigos por eles já intuírem que é lá que você vai sugerir que o grupo se encontre. No meu caso, é o Ossip, na Cidade Baixa, que frequento desde os tempos de faculdade, onde sempre peço a pizza tradicional (que vale a pena, mesmo eu tendo de tirar as azeitonas da minha parte). E também a razão pela qual minha amiga Deise diz que eu não mudo nunca.

Foto: Jean Pierre Kruze

Foto: Jean Pierre Kruze

Ter feito pelo menos uma festa ou piquenique em um dos parques da cidade

Os porto-alegrenses estão cada vez mais curtindo os programas ao ar livre pela cidade: feiras de marcas independentes, food trucks e, claro, comemorações entre amigos. Já vi até piquenique de casamento na Redenção. Mas meu cenário favorito mesmo para estender a toalha é o Jardim Botânico.

Foto: Patrícia Rocha

Foto: Patrícia Rocha

Ter uma calçada favorita para chamar de sua

Essa eu inventei porque amo calçadas – a ponto de fotografar as minhas preferidas. No Centro Histórico, vale muito a pena olhar aonde pisa: tem calçadas lindas. Adoro a do Theatro São Pedro, mas minha preferida é a do Palácio da Justiça (acima), cheia de grafismos – está até em um quadro na minha sala.

Chamar as ruas pelo primeiro nome

Porto-alegrense pega a ERICO, passa em um bar na LIMA, passeia pela OSVALDO, marca um encontro na NILO e por aí vai.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Tomar suco servido no liquificador na Lancheria do Parque

Se você ainda não experimentou, vá. A lanchonete clássica da cidade mantém a tradição de servir o suco direto no liquidificador para acompanhar o xis. (Pode ser no mesmo dia em que você vai ao show no Araújo.)

Foto: Júlio Cordeiro/ Agencia RBS

Foto: Júlio Cordeiro/ Agencia RBS

Ter um lugar favorito para ver o pôr do sol

O point agora é da frente da Fundação Iberê, melhor ainda se tiver um showzinho rolando. E depois do fim das obras na orla do Guaíba, o Gasômetro e seus arredores serão um cenário e tanto. Mas tem gente, como eu, que também adora ver da janela de casa.

Foto: Adriana Franciosi/ Agencia RBS

Foto: Adriana Franciosi/ Agencia RBS

Ter uma loja de rua preferida

Sabe aquela loja que conquista desde a vitrine e que você sempre dá um jeito de colocar no seu roteiro de caminhadas? Pois a minha é a Mistura Urbana, na foto acima (Osvaldo Aranha, 910), que fica na vizinhança e é um deleite para quem gosta de decoração. Mas tenho outra sugestão de loja para chamar de sua, a Coletivo 828 (Visconde do Rio Branco, 828), que reúne marcas de moda autoral e sustentável daqui e tem um atendimento muito querido.

Diminuir todas as palavras possíveis

Não basta se reunir no fíndi para fazer um churras, tomar uma ceva ou um refri. Porto-alegrenses vão além. Apresentam o NÁMOR para amiga QUERI da FACUL. E podem dizer apenas “TUDO?”, deixando o “bem” subentendido. Como diz Luís Augusto Fischer, autor do Dicionário de Porto-alegrês, há uma “forte tendência a cortar sílabas”.

Leia mais:
:: O melhor de Porto Alegre: gente que conhece tudo na Capital dá dicas do que fazer por aqui
:: Mapeando POA: projeto de quatro gurias mostra o que há de legal para se fazer em Porto Alegre
:: #DonnaIndica: 3 novidades para curtir em Porto Alegre

Leia mais
Comente

Hot no Donna