Das passarelas para a telinha: bate-papo com Mariana Weickert, que apresenta três programas na TV

Comunicação nunca foi um problema para Mariana Weickert. Ainda adolescente, mais alta e magra do que as amiguinhas, virou modelo graças à curiosidade diante dos ensaios de um desfile do Supermodel Brazil em Blumenau, sua terra natal. Foi colocada na passarela meio por acaso, ficou em segundo lugar no concurso da Ford Models e fez parte de um time de meninas que, junto com Gisele Bündchen, conquistou o mundo no finalzinho dos anos 1990. Ao lado de Carol Ribeiro, Isabeli Fontana, Carol Trentini, Adriana Lima e Alessandra Ambrosio, entre outras tops, a catarinense andou pelas principais passarelas e posou para incontáveis editoriais nas publicações mais estreladas do planeta.

O tempo passou, ela desistiu da carreira internacional e, boa de lábia, se tornou apresentadora de tevê no Brasil. Começou em 2005 com uma atração de verão na extinta MTV ao lado de Marcos Mion. Atualmente, aos 32 anos, vive o momento mais intenso diante das câmeras com três programas em dois canais diferentes. No GNT, a blumenauense é uma das maiores audiências desde 2008, apresentando o Vamos Combinar Seu Estilo e o reality Desafio da Beleza, além da transmissão das semanas de moda de São Paulo e do Rio de Janeiro. No ano passado, estreou como uma das repórteres do jornalístico A Liga, na Band.

— A moda faz parte da minha vida, me tornei mulher na moda, a moda vai estar comigo pra sempre, querendo ou não. Pra mim (apresentar um programa de moda) é extremamente confortável. Quando surgiu o convite d’A Liga foi muito sedutor. Porque eu sou curiosa, entro num táxi e já pergunto tudo sobre o motorista, se ele trai a mulher, se tem filhos, eu sou metida. Foi muito natural nesse quesito, pela minha personalidade. Só que existem ali pautas muito além do que eu imaginei, fora da minha bolha. Tudo o que eu vivo é muito próximo, mas ao mesmo tempo muito distante da minha vida. É paradoxal. Ter este tipo de vivência e poder entrar na bolha dos outros é extremamente enriquecedora. Claro, às vezes tenho que entrar em realidades muito distintas, muito sofridas. Tem que ter uma entrega absoluta. Eu fico arrepiada, esqueço que estou gravando — comenta, sentada no lobby de um hotel na capital catarinense, horas antes de estrelar um talk show promovido por Paulo Borges, criador do SPFW, e apresentado no Floripa Shopping.

Quem estava acostumado com uma Mari Weickert descontraída diante de estilistas e modelos, se surpreendeu com a versão mais hard news. No programa jornalístico, a loira de pernas esguias encara noitadas na Cracolândia, celas abarrotadas em presídio feminino e dias de diversão em uma espécie de piscinão de Ramos em Belém, no Pará, entre outras pautas espinhosas:

— De todas as vivências, a que eu tive um break down, eu saí de lá chorando e era um choro diferente, foi a da cadeia (ela passou 24 horas no presídio feminino da Paraíba). Às vezes, estamos correndo algum risco, mas eu nem penso. Essa verdade é o que deixa o programa interessante. Quando eu levei pro meu analista, me aprofundei, me fez pensar muito — revela.

A análise junguiana, mas nada radical, é feita há sete anos. Se na tevê aberta ela se prepara para mais uma temporada de aventuras, no GNT o futuro se aproxima com novidades, ainda em fase embrionária. Mariana quer outras propostas, novo nome, tudo novo para 2015. A moda, claro, deve seguir como fio condutor.

Quando busca na memória as lembranças do início de carreira, Mari reencontra uma versão dela própria em construção.

— Não faço esse exercício, que é tão bom, a vida está tão corrida. Lembro de uma infância muito feliz, de uma cultura diferente por Blumenau ser um polo têxtil muito forte, fazia parte brincar com as amiguinhas de desfile, tudo isso sempre foi muito orgânico. Eu lembro muito do Valmir (Beduschi, na época colunista do Jornal de Santa Catarina) como um propulsor da minha carreira, ele era uma das pessoas que mais acreditava, ele trazia à tona essa segurança em mim. Lembro muito da saída de Blumenau com milhões de incertezas e muita vontade. Foi muito difícil, não foi fácil, tive vivências bem complicadas. Mas é nostálgico e gostoso relembrar.

Mariana cruzou a passarela de etiquetas poderosas como Alexander McQueen, Calvin Klein, Chanel, Gucci, Roberto Cavalli, Stella McCartney, Marc Jacobs, Givenchy, Louis Vuitton, Versace e Armani. Ainda estampou seu carão em publicações como W, The Face, Visionaire e algumas Vogues, além de um prestigiado calendário da Pirelli, clicado por Mario Testino. No Brasil, fez campanhas para a Ellus — entre elas, uma das mais icônicas da marca, ao lado de Carol Ribeiro e Thalita Pugliesi —, Riachuelo, Rosa Chá e Dudalina.

— Eu lembro dessa da Ellus, para quem fiz várias campanhas, porque nós somos muito amigas, a gente era muito infantil. Éramos muito diferentes das modelos de hoje em dia, muito focadas, já sabem a festa que precisam ir, com quem encontrar. Éramos um bando de crianças brincando — comenta, aos risos, com a simpatia que é uma de suas marcas-registradas.

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Foto: Felipe Carneiro

Raio-x

Estilo

Eu noto uma preocupação maior, um cuidado maior. Quando eu trabalhava como modelo era tão avessa, com cabelo e maquiagem todos os dias, sempre arrumada. Quando não estava trabalhando, desencanava. Vivia de tênis, jeans e camiseta, sem maquiagem nenhuma. Hoje em dia eu entendo que faz parte do meu trabalho em tempo integral. E tem uma cobrança maior, na minha época não tinha internet, por exemplo, as redes sociais. Para ter uma ideia, eu morava em NY e trocava cartas com as minhas amigas de Blumenau. Demorava um mês para saber o que rolou na festinha. Claro, eu pessoa física continuo daquele jeito, sou mais largadinha, mas sou menos preguiçosa, menos do que eu era. Hoje eu tenho ciência do que as pessoas esperam de mim.

Fotógrafo: Jandyr Nascimento

Fotógrafo: Jandyr Nascimento

Cabelo

Tenho muita sorte. Dizem que é a mesma vitamina do cabelo também é da unha. E a minha unha é muito fraca, mas meu cabelo é muito forte. Ele é saudável por tudo o que ele passa. Faço uma hidratação duas vezes por ano quando vou ao cabeleireiro.

Corpo

Eu tento treinar, vou me adaptando. Hoje, por exemplo, estava com saco (de malhar) nenhum. Mas fui lá e fiz meia horinha. Sou dessas que inveja essas meninas disciplinadas, que comem frango, batata doce, whey protein, que ficam com a bunda na nuca. Invejo. Sei que eu não serei assim, porque eu adoro comer e beber. Faço para ter saúde e amenizar a culpa, além de ter um personal que é superflexivel. Podia estar melhor? Podia. É o que temos. Tem que aceitar que dói menos.

Sensualidade

Eu não me enxergo assim. Não me vejo um mulherão. Não passa por aí e não é hipocrisia. Se acaba sendo, é por razão de uma espontaneidade, talvez por isso as pessoas enxergam alguma sensualidade. Para a foto estou acostumada, agora eu querer fazer uma linha morro de vergonha nem consigo (risos).

Floripa

Todas as minhas amigas daqui estão morando em São Paulo. Uma das minhas melhores amigas veio pra cá aos 15 anos estudar e, consequentemente, quando eu vinha pra Blumenau, tentava dar essa escapada. Tô em casa. Floripa pra mim é praia e amigos. Quer coisa melhor? Ah, e caipirinha e camarão também. Estou até pensando em comprar camarão naquela lojinha do aeroporto.

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