Apresentador de “Tempero de Família”, Rodrigo Hilbert fala sobre sua paixão pela culinária

Foto: Guga Millet, divulgação
Foto: Guga Millet, divulgação

Rodrigo Hilbert atende ao telefone e se desculpa pelo fato de a entrevista ter sido remarcada na tarde anterior. Na data inicial prevista, passara o dia intercalando reuniões de trabalho com as funções de pai.

– Filho com febre, dor de garganta, fiquei todo enrolado, levei para o hospital, uma correria danada – resumiu. Para evitar que um irmão passasse o mal-estar para o outro, João e Francisco ficaram cada um em quartos diferentes. “Tadinhos”, completou. Na semana seguinte, viria o diagnóstico de mononucleose (e aí seria a vez de Fernanda Lima ficar cuidado do filhote em casa, como você lê na nossa entrevista com a atriz).

Às vésperas de estrear a sétima temporada de Tempero de Família (GNT, dia 10, às 20h30min), Rodrigo comemora ter voltado às suas origens, em Orleans, Santa Catarina, para mostrar a vida de pequenos produtores rurais e utilizar essa matéria-prima para desenvolver novas receitas.

– Nunca gostei de sair para procurar restaurantes. A comida mais fresca que você pode encontrar é na sua casa, você realmente sabe o alimento que está consumindo, 100% de certeza – defende o catarinense de 35 anos.

Nos 13 episódios do programa, que serão exibidos até 2 de junho, Rodrigo segue com sua fórmula descontraída de apresentação dos pratos estilo “comfort food” e com ingredientes acessíveis. Pouco mudou desde a época em que era responsável por servir o almoço à família quando piá e, anos depois, comandava as refeições coletivas para os grupos de amigos modelos em São Paulo.

A carreira de ator, com 10 novelas e três filmes na bagagem, ficou de lado desde 2013, quando seus dotes na cozinha deixaram de ter apenas Fernanda Lima e os gêmeos como “cobaias” frequentes. Seu estilo ficou conhecido no Brasil todo pela TV e até em livro (As Deliciosas Receitas do Tempero de Família, Editora Globo, 2014).

A seguir, Rodrigo fala sobre seus points preferidos no Estado natal, a rotina em família e suas outras paixões além da culinária.

Donna – Quais são os destaques da nova temporada de “Tempero de Família”?
Rodrigo Hilbert – Fomos para a Serra do Rio do Rastro mostrar parte da minha região, Orleans, São Ludgero, Urussanga. Minha cidade, Orleans, apesar de ter só 15 mil habitantes, tem um território muito grande, há muitos colonos. Nossa ideia era focar nestes pequenos produtores rurais, que são muito importantes ali, um movimento que está começando nas cidades grandes. Tem aqui perto da minha casa no Rio uma feira de pequenos produtores. E com produtos orgânicos e não orgânicos, há feiras assim também em São Paulo. Queríamos buscar os alimentos direto da fonte, conhecer estas pessoas, ver o valor que dão a esse cultivo. São produtores que não ganham muito dinheiro, mas vivem muito feliz com pouco e com qualidade de vida. Fizemos programas lindos, principalmente no Rio do Rastro, um lugar do Brasil que muita gente não conhece e que não sabe da sua existência, um dos mais lindos do país, sou apaixonado por aquela serra.

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Donna – Isso que você falou da qualidade de vida das pessoas no interior é tema do “Globo Repórter” de hoje, aliás (19 de fevereiro, data da entrevista).
Rodrigo – Sim, acho que tem muito isso em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul mesmo. Pergunta para essas pessoas se elas querem sair destes lugares e ir para cidades grandes. Não, hoje as pessoas querem ficar lá, manter a vida que têm. Cada vez mais estou me interiorizando, cada vez mais voltando para as minhas raízes, tenho meu sitiozinho (em Teresópolis), minha plantação, vivo na cidade grande porque, óbvio, gosto, sou apaixonado pelo Rio de Janeiro, meu escritório é aqui. Mas é muito importante na vida de uma pessoa. Agora no verão levei as crianças para a casa da minha tia, em Ipuã, uma praia de Laguna que fica do lado do Farol de Santa Marta. Ficamos 15 dias ali, foi muito legal para repor as energias. Olhava para meus filhos correndo no chão de terra, brincando até tarde da noite, sem eu estar preocupado, sem ficar olhando, na rua de casa, com outras crianças na praia, jogando bola na estrada, os carros que vinham tinham que parar para eles continuarem jogando bola. Nossa, isso é impagável. E eu assim: “vambora?”. E eles: “Não, pai, vamos ficar mais um pouquinho”. De lá, fomos para Atlântida/RS, já era mais movimentado, mas eles curtiram muito. A vó deles (dona Tereza, mãe de Fernanda) é um moleque, adora brincar, comprou duas bicicletas, andaram de um lado para outro. Essa coisa de interior eles tiveram um certo contato mesmo agora. Minha infância foi inteira assim, como eles passaram essas duas semanas.

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Donna – Sair do interior para viver a cidade grande gerou muito estranhamento?
Rodrigo – Nossa, foi muito difícil. No dia em que fui embora, minha família inteira lá na porta da casa do meu vô, me dando tchau, e eu garotão adolescente forte não queria chorar. Entrei no carro do meu primo e depois comecei a chorar igual a um louco. Desespero. Pensava: “O que estou fazendo, não sei quem vou encontrar”. Na rodoviária, peguei um ônibus, 13 horas depois estava em São Paulo. “Cheguei, e agora, meu Deus do céu?”. Eu era um menino do interior, da roça, o lugar mais longe que eu tinha ido tinha sido Florianópolis até os 18 anos. Fui cair na rodoviária do Tietê, com três malas, uma de roupa de cama, outra de comida, uma de roupas. Minha mãe mandou queijo, salame, pão de milho, tudo da colônia. Não sabia o que teria para comer lá, né? Cheguei na agência e não tinha lugar para onde ir. Dormi escondido lá nos primeiros dias. Depois com outros modelos conseguimos alugar um apartamento, mas era vazio, não tinha nada. Minha cama era um monte de papelão um em cima do outro para ficar fofinho. Foi assim por uns 15 dias até conseguir comprar colchão, geladeira, fogão. Éramos quatro modelos chegados do Sul. Começamos a fazer uns testes, pegar trabalhos, pintou um dinheiro, mas o dinheiro que eu achava que iria aparecer não aparecia, porque descontavam a grana do carro, do teste, do book, não sobrava quase nada. A gente vai vivendo e aprendendo. Graças a Deus passei por tudo isso, foi o que me ajudou a crescer e me fez saber o que eu queria fazer da vida. Procurei as pessoas certas pra estar do meu lado e me distanciei das erradas. Na cidade grande tem muita gente boa e muita gente do mal. Desde 1998, meus amigos me acompanham. Minhas amizades são longas.

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Donna – Como foram os primeiros contatos com o mundo da moda?
Rodrigo – Sou meio bicho do mato. Nunca fui para a moda pelo glamour. Depois de uns dois anos, já abandonei a moda. Na verdade, nunca abandonei porque trabalho com isso até hoje, mas fui para outro caminho, a interpretação, o teatro, a TV. São Paulo não era a cidade que eu queria. Em vez de viver o glamour, não gostava daquilo. Não fazia parte de mim, não era eu, queria algo mais consistente. A moda é muito legal, mas é para quem tem esse ideal de vida. Vim para o Rio, fiz um teste de TV, pensei “Nossa, é isso que quero fazer”. Mas eu era muito despreparado, um garoto do interior sem noção nenhuma de TV. Procurei um curso de teatro, que foi esse do Antonio (Amâncio), fiz um curso, depois com Gaspar Filho, fiquei anos fazendo peças de teatro. Fui chamado para um teste de novela. Antonio me disse: “Tu não está preparado”. Continuei fazendo teste de comercial até que um dia peguei um personagem. Depois outro e outro. Vieram uns bacanas, outros nem tanto, procurei me aperfeiçoar mais, e sempre trabalhando com moda ao mesmo tempo.

Donna – Como se deu a evolução da carreira de ator até chegar a um programa de gastronomia?
Rodrigo – Tenho essa coisa inquieta, né? Estava lá fazendo novela, tudo certo, tranquilo, contratado pela Globo, maravilhoso, estava em Fina Estampa e tinham me chamado para outra novela. Esse projeto aconteceu de surpresa. Sempre cozinhei, desde moleque. Minha mãe trabalhava fora e tinha que alimentar a família. Chegava em casa da aula (Suzete era professora e lecionava em três turnos), preparava a comida, deixava pré-pronta. No dia seguinte, eu ou meu irmão tínhamos que finalizar a comida. Como eu era mais novo e ele mandava em mim, sobrava para mim. Aí aprendi muita coisa. Em São Paulo eu cozinhava muito para a galera. Quando eu e a Fernanda ficamos juntos, também sempre cozinhei para nós. Um dia eu estava fazendo uma galinha ensopada com macarronada e salada de batata, que é meu prato predileto e até hoje tem isso todos os domingos na casa da minha mãe. Fernanda tinha chamado uma amiga dela para gravar, era a diretora e produtora Gisele Matta. Ela chegou lá em casa, a gente começou a brincar, zoar, ela pegou uma escada, amarrou uma câmera em cima e com outra na mão andava atrás de mim, eu ali fazendo almoço. Ela editou o vídeo, botou música, ficou muito maneiro. A Gi mandou para um amigo no GNT, o canal adorou e foi assim que começou. Fizemos a primeira temporada no Sul, ela foi a diretora. Aí teve uma história trágica. Gisele estava saindo aqui de casa um dia (em abril de 2013) e foi atropelada (estava de bicicleta) na esquina e morreu. Foi o maior baque na nossa vida, uma pessoa maravilhosa, e nem chegou a ver o sucesso do programa. Ela que me descobriu. Porque desde que as crianças nasceram, a gente não tinha empregada de noite, aos finais de semana, e aí, como é que faz? Não gosto de sair, então era tudo comigo, inventava pratos e mais pratos. Eu mexo com a Fernanda dizendo que ela voltou a comer muito bem comigo, eu provoco, ela diz “você tá louco, você acha que eu não comia?”, brincando. Sem falar que ela era vegetariana até a gravidez. Quando voltou a comer churrasco, eu comemorei, “ô, que beleza”, era todo final de semana.

Foto: Agnews

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Donna – Como você equilibra o hábito dos lanches e da alta gastronomia? Prefere o meio termo?
Rodrigo – Minha forma de fazer é a gastronomia mais tradicional, mas eu gosto muito da alta gastronomia. Adoro sentir sabores sem ter a cara do alimento. Isso tem muito lá no Maní, o restaurante da Fernanda (cuja chef é a gaúcha Helena Rizzo, amiga de Fernanda). Vou te dar exemplo de um prato: eles têm uma feijoada lá que é um pratinho pequeno, são umas esferas de feijão, você bota na boca e sente o gosto de uma feijoada completa. Meu Deus, como é que conseguem fazer isso? Sou fã dessas pessoas, porque não consigo, não estudei para isso. Mas acho lindo. Outra coisa é a urgência do dia a dia. Como você vai se alimentar bem tendo que acordar às 6h da manhã, mandar os filhos para a escola, ir para o trabalho, não voltar para casa, comer na rua, chegar em casa de noite, fazer janta para os filhos, dormir e no outro dia a mesma rotina? É muito difícil, por isso que as pessoas vão para o lanche, principalmente aqui no Rio. É o exemplo da cidade que vive de lanche. As pessoas saem da praia e passam ali no açaí, a gente chama tudo aqui de açaí, em cada esquina tem uma casa de sucos. Isso você não tem muito aí no Rio Grande do Sul, né?

Donna – Não, aqui é só xis em cada esquina mesmo (risos).
Rodrigo – É verdade, aí tem isso do xis, pelo menos aqui é um pouco mais saudável (risos). Apesar de eu amar um prensado, um xis salada, um bauru, adoro. A primeira receita que fiz na vida foi xis, fazer a carne de hambúrguer e até o pãozinho, e mais a maionese caseira, que também faz parte da minha tradição. Esse negócio do lanche a gente tem que ter cuidado, pelo menos em uma parte do dia tem que ter uma refeição mais completa, feijão, arroz, isso não pode se perder. As pessoas estão começando a ter consciência disso. Muita gente me para na rua para falar “Nossa, como eu voltei a cozinhar depois de ver o teu programa”. É um baita retorno. Não é só aquela coisa “Vi teu programa” e bate uma foto comigo. A pessoa fala da receita. Muitos estão voltando o cozinhar em casa, até porque a gente vive numa crise, não se pode almoçar e jantar fora de casa todo santo dia, é muito caro você fazer isso. Jantar aqui no Rio não se consegue por menos de R$ 250 a dois. Você faz o que com essa grana? Compras para cozinhar a semana inteira. No Sul ainda se come bem pagando menos, mas aqui é muito difícil. Prefiro tipo fazer um puta jantar em casa, você gasta muito menos e é muito mais feliz. Cozinhar em casa aproxima a família, traz a família para perto, as crianças ao meu redor, Fernanda conversando comigo, amigos na cozinha e na sala próximos, fala sobre a comida, espera ficar pronto, vai para a mesa… Como você faz isso no restaurante? Você senta, você come, você paga e vai embora.

Donna – A que fatores você credita o sucesso do programa?
Rodrigo – Não saberia fazer de outra forma. Acho que é porque as pessoas se identificam muito. Dizem “adoro quando você lambe o dedo, adoro quando você bota o dedo na comida, a tua mãe te dando bronca…”. Muita gente voltou a não ter medo de cozinhar. Porque cozinhar virou um medo. A receita tem que ser tal, a medida tem que ser tal… A cara dos programas de culinária também mudou. Jamie Oliver vem há anos fazendo isso. Todo mundo meio que indo para o caminho dele. Ontem ainda eu estava rindo que ele coça a cabeça, quase tira uma catota do nariz (risos). Me inspiro muito nele, e ele inspirou muita gente. Até os programas mais chiques estão mais largados. A Nigella também faz a mesma coisa.

Donna – Você falou da bronca da tua mãe. Como é sua relação com ela?
Rodrigo – Nasci dois meses depois que minha irmã faleceu (a primogênita da família morreu aos 13 anos, de leucemia). Meu pai sofreu muito com isso e se afastou da família um pouco. Minha mãe me botou embaixo do braço e aí foi meio “ninguém toca”. Virou uma leoa na selva com um filho que ninguém iria tirar dela de jeito nenhum. Me protegeu muito a vida inteira, e eu sempre do lado dela. Minha criação masculina é mais por parte do meu avô, e a feminina pela minha mãe e minha vó. E o que elas faziam? Cozinha o tempo inteiro. Hoje minhas paixões derivam disso. Meu avô (seu Aine, falecido em 2008, aos 86 anos, ex-prefeito de Orleans nos anos 70) era serralheiro e torneiro mecânico, uma lenda na cidade, mestre na arte de moldar ferros. É uma coisa muito bruta e difícil, mas ele tinha a delicadeza de mexer com ferro. Minha primeira profissão foi soldador, aprendi aos 12 anos. Com 14 anos não queria sair de casa com meus amigos para ficar com a minha mãe, porque ela era minha protetora e eu não conseguia deixa-la sozinha, tinha medo. Depois de grande, né, fui fazer muita terapia para poder resolver essas questões, hoje está tudo certo (risos). Tenho uma oficina no meu sítio, com solda e torno, faço várias peças de ferro, brinco, monto, desmonto, quebro, sou meio engenhosozinho. Nada em casa eu chamo alguém pra consertar, tudo quem arruma sou eu, acredite.

Donna _ Acredito, ainda mais considerando que muitos homens mal saber fazer miojo ou trocar lâmpada (risos).
Rodrigo – Eu não troco lâmpada. Eu vou lá em cima no forro e conserto toda a fiação elétrica (risos). Sim, tenho muito orgulho disso, tenho muito prazer de poder chegar e te dizer isso, que faço as duas coisas que mais amo na vida, a serraria e a cozinha. Mas vejo pelos meus primos que também tem muitos outros homens que sabem fazer essas coisas, aprendemos com nosso avô.

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Donna – Gosta de cozinhar muito, e obviamente gosta também de comer. Muito?
Rodrigo – Olha, sou apaixonado por vôlei de praia e ciclismo. Há dois anos comecei a participar de competições e tenho um treinador. Vou fazer a Brasil Ride, a segunda prova mais difícil do mundo. São sete dias na Chapada Diamantina, 600 quilômetros. Treino todos os dias, saio às 6h de casa, faço meu treino na Mesa do Imperador, vou até o Cristo, pedalo e chego em casa 8h30min, 9h, tomo café com a família. Gasto muita energia com isso, então como muito para me manter treinando. Isso é unir o útil ao agradável. Para mim nunca é um problema comer muito, é um pedido do meu treinador. Opa, então deixa comigo (risos). O problema é quando se canaliza isso da ansiedade para o lado da comida. Todo mundo é ansioso, não tem quem não seja. Trato minha ansiedade com ciclismo, ioga, esporte. Meu terapeuta diz que ansiedade não faz mal a ninguém. Quem não tem ansiedade é que tem problema. Mas tem gente que quebra a ansiedade inteira em cinco barras de chocolate, em três pratões de comida ou come o dia inteiro, aí vem um excesso que começa a fazer mal para sua saúde. Se você não fizer nenhum tipo de esporte você vai comer mais sempre. Experimenta acordar amanhã e fazer um exercício de manhã e ir almoçar. Vai ser de uma forma bem diferente, com mais consciência, comparado a você acordar e não fazer nada.

Donna – Como é a rotina de vocês em família?
Rodrigo – A gente mora sozinho, eu, Fernanda e os dois. Aí no Sul é maravilhoso, porque se tem a família sempre perto, né? Às vez penso “Nossa, como eu queria a minha mãe morando aqui no apartamento do lado, na esquina, minha vó, minha tia, qualquer parente aqui perto. Tem que sair? Deixa as crianças na casa de um parente. No Sul tem muito isso, fui criado dessa forma. A mãe tem que ir para algum lugar? Beleza, casa da vó. Ah, tem que ir não sei onde? Beleza, casa da tia. Aqui a gente não tem isso. O que a gente faz? Tentamos equilibrar nosso dia. A gente optou por deixar nossas manhãs livres, pois as crianças não têm muita atividade e estudam à tarde, então sempre marcamos tudo a partir de meio-dia, que é a hora que a gente consegue almoçar, botar eles no carro e levar pra escola. Depois disso a gente faz a nossa vida. Óbvio que praticamente todas as semanas tem um ou dois dias que a gente não consegue seguir o plano. Segunda, terça e quarta eu estive em São Paulo. Ontem e hoje fiquei praticamente o dia inteiro com as crianças. Mas aí no fim de semana vou trabalhar de noite. Quando cheguei. Fernanda embarcou para SP. Estamos revezando. Quando a gente não está gravando, fica bem mais fácil de organizar. Teve uma época da vida que não dava para fazer isso, por exemplo, fazer novela e ter que cuidar dos filhos é praticamente impossível. Você fica oito meses numa novela, sai de manhã, volta à noite, muitas vezes até no domingo.

Fotos: Agnews

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Donna – Como vocês se dividem nas tarefas e na educação dos guris?
Rodrigo – Eu me considero um cara bem criado, Fernanda também foi bem criada, temos essa coisa meio família, esses valores que as pessoas daí têm com a região, com a família, com a terra, com a casa. Família não é simplesmente pai, mãe e filhos, a família é avós, são tios, primos, a gente leva dessa forma assim. Temos poucos e bons amigos, que têm filhos também, e a gente acaba procurando pessoas parecidas com a gente. A gente educa de uma forma que tem que tentar ver o que está acontecendo com o mundo também. Não podemos ser rigorosos demais, mas o mundo como está hoje temos que deixar uma certa liberdade pra conhecer nossos filhos, deixarem que eles descubram o que querem. Educação é estar perto, estar junto, deixar a criança se expressar, estar perto, orientar, e não simplesmente você dar a resposta pronta, falar que é isso aquilo e acabou. Elas têm que seguir o fluxo que está acontecendo no atual momento, a gente tem que estar sempre ao lado para cuidar. Óbvio que às vezes a gente erra, e erra muito. Cada um é cada um, e a gente descobre uma coisa diferente sobre eles todo dia e tem que se adaptar.

Donna – As personalidades deles muito diferentes?
Rodrigo – Totalmente. Engraçado porque isso mudou desde que eles nasceram. Um era mais do esporte, outro mais intelectual. Aí virou. E isso também pode mudar ali na frente tudo de novo. É um exemplo dos mais simples que eu posso te dar, mas é isso: são pessoas diferentes que querem coisas diferentes. Isso é importante também quando se tem dois filhos, principalmente gêmeos. Você tem que mostrar para eles que cada um é cada um. Não pode querer fazer uma coisa com um e outro fazer também. Cada um faz o que quer. Um quer jogar bola, o outro não precisa ir junto. Se quiser ficar lendo um livro em casa, OK. Depois do jardim de infância, cada um foi para uma sala de aula. É bom para eles. Cada um tem sua turma, seus amigos, e no final de semana todo mundo se junta.

Fotos: Agnews

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Donna – Como você e a Fernanda se veem no papel de pais?
Rodrigo – Fernanda é maravilhosa como mãe. Eu sou manteiga derretida, ela é mais séria, segura a onda, mas muito amorosa. Eu tive uma criação mais amolecida, minha mãe me protegeu muito. O pai da Fê (Cleomar) era mais tipo “Ah, é? Quer ir? Então vai, vai tomar porrada na cabeça, vai, vai lá e faz isso aí” (risos). Ela me ajudou a ser mais assim também. É uma mãe e mulher maravilhosa, sou fã número 1, apaixonado, não tenho nem o que falar dela. Esses dias me pediram: “Fala aí da Fernanda”, e eu respondi: “Vou falar o que aí, irmão, vou ficar falando da minha mulher por aí? Eu, hein?” (risos). Costumo agradecer muito a ela. Me deu um rumo na vida, né? Foi um exemplo de vida para mim. Pago um pau para ela impressionante, não vejo ninguém no mercado tão dedicado como ela a tudo que faz. Sou 10% do que ela é e já basta.

Fernanda fala sobre Rodrigo:
“Rodrigo é muito generoso quando fala isso de mim, pois ele também é uma força da família. Ele tem uma voz ativa com as crianças. O que a gente tenta é, como um tem mais facilidade do que o outro em cada parte, acaba se tornando o papel de cada um. Eu sou mais a função do dia a dia, organizar a firma, horários, regras, pegar pesado com eles a questão da alimentação, das tarefas, o dever de casa, essas coisinhas do dia a dia que são chatinhas de fazer. O papel do Rodrigo é fundamental, eu não conseguiria criar as crianças como elas estão sendo criadas sem ele. O papel do pai é tão fundamental quanto o da mãe. É um baita de um paizão.”

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