Apresentadoras do “Saia Justa” respondem 3 perguntas sobre feminismo

Time do
Time do "Saia Justa": Barbara Gancia, Astrid Fontenelle, Maria Ribeiro e Mônica Martelli |Foto Eliana Rodrigues, divulgação

Porto Alegre será a primeira parada da turnê Saia Justa Por Aí, que vai levar o programa de debates do GNT para diferentes cidades do país. A gravação do programa na Capital gaúcha será no dia 24 de maio, no Teatro do Bourbon Country (Túlio de Rose, 80), com ingressos esgotados.

Aproveitamos a deixa para fazer três perguntas sobre feminismo e feminino para Mônica Martelli, Barbara Gancia e Maria Ribeiro, que compõem o time de apresentadoras, ao lado da mediadora, Astrid Fontenelle

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Sororidade é uma conquista a ser celebrada ou uma meta para as mulheres?
Mônica Martelli – É uma meta a ser promovida. Mas acredito que esse é um sentimento ancestral entre as mulheres. A ideia de rivalidade feminina é uma construção social que é muito difundida. Trabalhar para desconstruir esses clichês nos fortalece. O pacto entre os homens é conhecido como fraternidade e reconhece parceiros excluindo as mulheres, a sororidade é o pacto entre as mulheres que se reconhecem como irmãs, união e companheirismo com uma dimensão política e prática do feminismo atual. Devemos nos apoiar, para alcançar objetivos em comum.

Barbara Gancia – Sororidade é uma palavra muito estranha, que antes se aplicava apenas à Madre Superiora e suas comandadas. Hoje, tenta despertar uma nova consciência nos jovens, tanto nas meninas, quanto nos meninos. É um conceito que está sendo posto em prática. No momento, a celebrar, só o fato de que existe um monte de gente de boa vontade tentando mudar o lamentável estado atual das coisas, em que a mulher ainda continua sendo vista como “menos”, por conta do estado paternalista em que vivemos. Estado este, diga-se que é incentivado tanto por homens, quanto por mulheres sem consciência política ou ideia do significado de igualdade.

Maria Ribeiro – Acho que ainda é uma meta, mas já demos passos importantes. Os movimentos do ano passado, “Meu Primeiro Assédio”, e “Agora É Que São Elas” foram muito importantes.
Todos e todas ou todxs? Você defende a neutralidade de gênero na linguagem?
Mônica – A língua é uma entidade viva, não é algo que está pronto e terminado. Nós estamos frequentemente criando novas expressões, para expressar novos pensamentos. No Brasil, tivemos a discussão entre o uso de presidente ou presidenta. A língua não só reflete, mas também transmite os estereótipos e papéis considerados adequados para mulheres e homens em uma sociedade. Todos e todas agora viram “todxs” ou “tod@s”. Uma nova grafia do prenome “todos” começa a ser utilizada por aqueles que defendem igualdade de gêneros. Se vai ser adotada pela sociedade de uma maneira ampla, ainda vamos ver. Acho muito válido porque levanta uma discussão.

Bárbara – Nos EUA eles usam o Miss, Mrs ou Ms e a mulher escolhe como quer ser chamada. Na França, aboliram o virginal “mademoiselle” e passaram a usar apenas “madame”. Faz parte do pacote neofeminista a mudança no léxico. A presidente Dilma tentou enfocar a questão com seu “presidenta”. Tivesse ela sido um pouco menos impopular, quem sabe não teria conseguido emplacar a mensagem? Dou um exemplo concreto sobre essas mudanças que parecem detalhe, mas não são. Veja, chamar mulher de “senhorita” até que ela adquira o sobrenome do marido, enquanto os homens são sempre “senhor”, “doutor” ou “coronel” (estou provocando) desde a tenra idade e não necessitam de rito de passagem para ser considerados um cidadão pleno, parece coisa da época do onça.

Maria – Não, não. É bonito ser diferente, o importante é o respeito às diferenças.
Parece mentira, mas ainda é um desafio para as mulheres...
Mônica – …igualdade no mercado de trabalho, maior participação na política, luta contra a violência doméstica, equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Barbara – … serem remuneradas com salários que se equiparem aos dos homens. Até em Hollywood andam questionando isso, não?

Maria – …ter coragem de não seguir um modelo. Não ter filho, não casar, não ser coadjuvante.

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