Bibi Ferreira canta sucessos de Frank Sinatra em dois shows em Porto Alegre

William Aguiar, divulgação
William Aguiar, divulgação

Por Patrícia Rocha

Bibi Ferreira chega a Porto Alegre neste fim de semana (dias 5 e 6/dezembro) para renovar duas paixões. A primeira, um amor antigo que ela celebra no palco: um show inteiramente dedicado ao repertório de seu cantor favorito, Frank Sinatra. E tanta gente quis ver grandes clássicos como Strangers in the Night e My Way na voz da diva brasileira que, além do show marcado para sábado, às 21h, no Teatro do Bourbon Country, foi aberta uma sessão extra neste domingo, às 20h.

Em entrevista por telefone, a artista de 93 anos declara seu amor por Sinatra, revê momentos de seus mais de 70 anos de carreira e explica por que não usa celular. E a segunda paixão que Bibi vai celebrar em Porto Alegre? O Laçador.

Donna – A senhora chega a Porto Alegre com o repertório de Frank Sinatra. Como é dedicar um show a seu cantor favorito?
Bibi Ferreira – Não é somente meu cantor favorito, ele é considerado a voz do século. Desde que eu era muito mocinha, sempre tive uma grande admiração por ele. Tudo dele é maravilhoso, a maneira como canta e como expõe o sentimento.

Donna – A senhora disse que não queria encontrá-lo pessoalmente por medo de se apaixonar.
Bibi – Ah, sim, tenho certeza de que se eu o encontrasse pessoalmente iria me apaixonar perdidamente. O Sinatra era um homem apaixonante, tinha um sex appeal incrível, era elegante, simpático e de um talento todo especial. É natural que qualquer mulher se apaixonasse por ele. Ele tem um público enorme, não sou só eu.

Donna – Este show marca a celebração de seus 93 anos, completados em junho. Em quase um século de vida, quais os grandes momentos no palco que a senhora destaca?
Bibi – Primeiro, minha estreia com meu pai. Foi uma data realmente memorável, dia 28 de fevereiro de 1941 – e perigosa porque eu não tinha absolutamente nenhuma ideia do que era o teatro. Outra data memorável foi a estreia do grande musical My Fair Lady (1962), a primeira vez em que se fez um grande musical no Brasil. Foi com nosso saudoso Paulo Autran, e um momento muito importante na minha vida pela qualidade do espetáculo que conseguimos dar para o público, com uma esplêndida e enorme orquestra. Era com o Paulo e também o Jaime Costa – eu estava muito bem rodeada como poucas vezes estive no teatro na minha vida.

Donna – Nos últimos anos, vem crescendo a onda de musicais no Brasil. A senhora tem acompanhado essa movimentação?
Bibi – Acho muito válida, e o público brasileiro cada vez mais se interessa por musicais – não só os estrangeiros, mas os nossos também. Isso é muito, muito bom. Quando comecei minha carreira, o musical não era tão importante assim. Ao contrário: quando o público ia assistir a um musical, ficava meio ressabiado porque não gostava daquele momento em que o ator para de representar e começa a interpretar uma canção.

Donna – A senhora planeja voltar ao palco como atriz ou diretora?
Bibi – Se eu conseguir uma peça à altura, com a qualidade, por exemplo, da última que eu fiz, As Favas, do Juca de Oliveira, aí volto. Agora, voltar com uma peça qualquer, não, é muito arriscado. Tenho que voltar para o palco quando encontrar uma peça de muita categoria, se possível cômica porque prefiro as engraçadas.

Donna – E fora do palco, que momentos na sua trajetória a senhora destaca?
Bibi – Levo uma vida muito simples, por isso não tenho muito a destacar da minha vida particular. Posso destacar que sou católica apostólica romana, vou à igreja, rezo toda noite e dou muito valor à minha reza. E minha melhor prova é a maneira como me comporto na vida, uma maneira muito simples, muito amiga dos meus, dos que me rodeiam.

Donna – A senhora é, então, adepta da simplicidade no dia a dia?
Bibi – Sou assim, que vou fazer. É muito importante não complicar.

Donna – E hoje as pessoas complicam bastante, não?
Bibi – Sim, e isso é complicado (risos).

Donna – A senhora costuma usar internet ou celular?
Bibi – Não.

Donna – Por quê?
Bibi – Porque eu facilito a minha vida. Os outros fazem isso e me contam (risos). Não sei se você sabe, falar ao telefone para quem canta é muito ruim, porque descoloca a voz. E não gosto de futrica, de mexerico, de ficar o dia inteiro pápápápá no telefone, comentando coisas com uma amiga. Não tenho como nem por quê. Não faz meu gênero.

Donna – A senhora é referência por sua carreira tão longeva.
Bibi – Levei uma vida muito simples, muito correta. Estar a postos nas minhas obrigações parece muito corriqueiro e simples, mas é verdadeiro: você deve ter respeito por seu trabalho. É isso que me conservou Bibi Ferreira até hoje, esses 75 anos de carreira. Minha correção, meu respeito a tudo que rodeia minha carreira e minha vida.

Donna – E o segredo de sua vitalidade?
Bibi – Não gosto muito de falar, não é muito bom a gente estar sempre lembrando as coisas boas que Deus e o destino nos deu. Acho que é boa saúde. Tendo saúde, você tem tudo. É só fazer um pouco de esforço e vai trabalhar, vagabundo, né (risos)?

Donna – Quais são os seus planos para 2016?
Bibi – Vou lhe dizer uma coisa: eu não faço planos. Organizo quando tenho de organizar minhas turnês, meus trabalhos. Mas nunca tive planos nem sonhos, penso só nas coisas práticas da vida, o que vou fazer a seguir. Tenho de me apresentar em Porto Alegre e pretendo estrear bem, e com isto vou, cheia de entusiasmo. Inclusive porque, como meu pai já dizia, essa é a melhor plateia do Brasil.

Donna – Quando a senhora vem a Porto Alegre, há algum lugar que faça questão de rever?
Bibi – Acho a coisa mais bonita e sensual aquele gaúcho maravilhoso, aquela estátua que a gente vê quando salta do aeroporto. Tenho paixão pelo Laçador, demonstra todo o vigor e a virilidade do homem gaúcho.

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