Perfil! Jornalista Bruno Astuto conta como ficou conhecido entre os famosos

Por Camila Saccomori

Há cinco anos no “Mais Você”, da Rede Globo, o jornalista Bruno Astuto conta como ficou conhecido entre os famosos trabalhando intensamente: “Não sentei na janelinha”

Já no primeiro contato com Bruno Astuto, no aeroporto de Guarulhos, um breve aborrecimento que tiraria qualquer pessoa do sério deu a prova de que etiqueta não é apenas um tema teórico entre os tantos abordados pelo colunista nas suas descontraídas participações semanais no programa Mais Você, atração matinal da Globo que o tornou famoso em todo o Brasil.

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Estava prestes a embarcar para Londres em uma viagem de imprensa por ele ciceroneada com blogueiras de moda e jornalistas de diversas capitais do Brasil, incluindo Zero Hora. Ao fazer o check-in, uma das it girls do grupo, Heleninha Bordon, descobriu que alguém havia despachado malas em seu nome. Bruno tomou a dianteira para resolver o problema. Elegante, mas firme no trato com todos os envolvidos (e foram vários durante o imbróglio), comprovou na prática que com educação – e paciência – tudo se resolve. Tendo sido editora do caderno de TV de ZH por dois anos, presenciei ataques de estrelismo de celebridades em certas ocasiões de trabalho, incluindo o chilique de uma estrela com (justificada) fama de barraqueira em um aeroporto no Rio por causa de um drama bem menor, a troca de assentos. Observar Bruno tirando de letra aquela estressante situação, com direito até a um fino senso de humor, confirmou um de seus lemas de comportamento ensinados na TV: se não sabe como fazer algo, aprenda com quem sabe.

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Ao vivo ao lado de uma de suas melhores amigas, Ana Maria Braga, o jornalista comenta toda semana, há cinco anos, notícias que vão da vida de celebridades e noções de etiqueta a dicas de cultura e lifestyle internacional, assuntos que refletem uma trajetória pessoal e profissional construída degrau por degrau no Rio de Janeiro.

Na cidade onde nasceu, seu nome já era indissociável de colunismo social, tendo ficado mais de uma década no jornal O Dia, até a participação no programa da Globo apresentar sua figura a todo o país. Ao tomar café da manhã com Louro José e Ana, Bruno se comporta como em qualquer outro lugar: nada é ensaiado, tudo é espontâneo, dando ao telespectador a sensação de estar efetivamente participando daquele despojado bate-papo na TV.

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– Ana me disse uma única coisa antes da minha primeira participação: “Seja exatamente como você é, não mude nada”. Desde lá tem sido assim – conta o jornalista de 37 anos, também colunista das revistas Vogue, Época e GQ.

E qualquer encontro com ele é desta mesma forma, como comprovei in loco nos quatro dias seguintes da viagem ao seu lado. O sorriso aberto e constante é a marca de sua personalidade expansiva. Somado ao domínio de línguas (seis idiomas) e a um profundo conhecimento cultural (bibliófilo com mais de 10 mil livros em casa, formado em Direito, especialista em história das monarquias, autor de livros e curador de exposições sobre princesas e rainhas), seu carisma o faz transitar em universos exclusivos, como os círculos das celebridades, da high society e da alta-costura.

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A entrada nestes nichos, porém, não foi facilitada por nenhuma porta tradicional, seja a dos bem-nascidos ou a dos bem-casados – ainda que hoje esteja muito bem casado, obrigado, com o estilista Sandro Barros e prestes a comemorar um ano de união civil. Bruno Astuto Amendola Alves de Barros – os últimos dois sobrenomes são do marido, oficialmente incorporados ao registro – perdeu a mãe aos quatro anos, vítima de leucemia, e o pai aos 10, de infarto. Cedo viu que precisaria se virar e garantir o próprio sustento para não sobrecarregar a dedicada tia Iva Maia, a quem chama de Mimi, hoje com 85 anos, sua segunda mãe.

O francês, aprendido de forma autodidata, virou ferramenta de trabalho: aos 13 anos, dava aulas particulares para crianças e adolescentes. Formou também um grupo com empregadas domésticas do bairro da Lagoa e ensinava português e matemática na sala de casa. Não demorou a incluir os próprios colegas de turma no rol de estudantes: aos 16 anos, com um método próprio de ensino, ajudava possíveis repetentes a passar de ano. Era chamado de “resolvedor”.

– Sempre detectei um gap na maneira de passar a lição nas escolas. Os alunos não aprendem a assimilar. O método educacional hoje é obsoleto.

Bruno credita a vocação de educador ao DNA dos pais, ambos professores, curiosamente primos-irmãos.

– O primeiro presente que ganhei do meu pai foi um atlas. Ele dizia que eu precisava de duas aptidões: escrever bem e conhecer o mundo. Cobrava de mim uma redação impecável e ciência de todos os acidentes geográficos, todas as fronteiras ou capitais de países – recorda.

Sua fama de “passador de ano” se espalhou, e Bruno passou a dar aulas para filhos de famílias abastadas do Rio e até de São Paulo. Poupou dinheiro para desbravar a Europa sozinho. O encontro com a França foi arrebatador: emociona-se e vai às lágrimas ao lembrar da primeira vez que pisou lá, há 20 anos. Era como se já conhecesse cada ruela de tanto que estudara o país.

Esta cultura geral o levou a outra ocupação quando voltou ao Brasil: as mães ficavam tão impressionadas com o renovado desempenho intelectual das crianças que pediam para o jovem complementar a educação formal recebida. Virou preceptor, incumbido de preparar alunos que iriam estudar fora e também o contrário, recebendo estrangeiros que vinham morar no país.

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Uma destas famílias era a da socialite Narcisa Tamborindeguy: Bruno deu aulas para Marianna – filha de Narcisa com o diretor de televisão José Bonifácio de Oliveira, o Boninho – e para Catharina – da união com o empresário Carlos Johannpeter. Compartilhando da mesma sintonia, ficaram amigos, frequentando o jet set com propriedade. Foi com Narcisa que, aos 24 anos, Bruno estreou no colunismo social em O Dia. Ficaram um ano juntos, desentenderam-se e saíram do jornal (hoje voltaram a se relacionar, ressalve-se). Meses depois, Bruno retornou como titular da coluna. Já conhecia todos a quem era preciso conhecer.

– Sou muito comunicativo, pego intimidade rápido – justifica.

– Mas não sentei na janelinha, foi um processo lento. Virava noites, cobria eventos, não tinha nem equipe.

Seu diferencial, aponta, foi detectar uma transição: o colunismo social tradicional havia morrido. Com a posse de Lula, em 2003, e a criação de redes sociais (o Orkut, por exemplo, é de 2004), “não fazia sentido ter um operário como presidente e continuar falando de almocinho, jantarzinho, frufruzinho da elite fechada no cocoon (casulo)”, analisa.

– Muitos veículos não sacaram isso e seguiram com um ar imperial, distante da realidade. Com a internet, todo mundo virou colunista de si mesmo. Hoje, as festas estão todas no Instagram. O que uma coluna tem a oferecer? Mostrar o lifestyle, o aspiracional. Gosto de transportar a pessoa para os lugares aonde estive.

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Tal conceito de trazer o público para os bastidores dos relatos é aplicado também em seus perfis virtuais. Não há distinção entre a persona íntima e a pública: agora na onda do Snapchat, Bruno anda com dois smartphones (um de DDD 11, outro 21) registrando em vídeo momentos da sua nada monótona rotina. Com frequência surgem fotos ao lado de amigas como Glória Maria, Preta Gil, Sabrina Sato ou Giovanna Antonelli. Na carona chegam os haters, logo banidos: já bloqueou 8 mil pessoas no Instagram, em que é seguido por meio milhão de pessoas.

– Não admito comentários como “sua gorda, feia, malvestida”. Cada um se expressa do jeito que quer, mas, se na minha casa não deixo gente mal-educada entrar, por que deveria autorizar em outros espaços?

Comentários racistas e homofóbicos o incomodam tanto quanto insultos ao estilo alheio. Antenado com o universo blogger, elogia o que as novas personalidades fashion na internet representam.

– Acho fascinante uma menina, do nada, virar uma estrela, vinda de Uberlândia (Thassia Naves), de Recife (Camila Coutinho), uma mãe de 40 anos de Goiânia (Roberta Santos), com milhões de fãs, dando voz a um Brasil que não era representado. As blogueiras promovem um redescobrimento do Brasil.

Nos dedos de uma mão

Se é verdade que somos uma média das cinco pessoas com as quais mais tempo passamos, a personalidade de Bruno é um mix de tia Iva, Sandro, Donata, Nizan e Jô. A saber: Sandro é o estilista Sandro Barros, autor de fabulosos vestidos de festas, o preferido das noivas da sociedade, com quem Bruno se casou em outubro do ano passado tendo Ana Maria Braga como oficiante da cerimônia. O segredo da felicidade no casamento? Apoio mútuo e irrestrito.

– Na vida você encontra gente balão ou âncora, que o leva para cima ou bota para baixo. Sandro é meu balão, e vice-versa.

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A união civil, para 300 convidados e com 18 madrinhas, foi na icônica Casa Amarela, antiga residência de Assis Chateaubriand no Jardim Paulistano, atual lar do casal Donata Meirelles e Nizan Guanaes, a diretora de estilo da Vogue Brasil e o empresário dono do maior grupo publicitário do país. Nizan, aliás, define Bruno como um “colunista Havaianas, que vai do pé do pedreiro ao da madame”, referindo-se ao trânsito indistinto do jornalista entre classes sociais.

Entre os presentes ao enlace, nomes como Regina Casé, Mariana Ximenes, Bethy Lagardère, Adriane Galisteu, Flávia Alessandra, Costanza Pascolato, Marina Ruy Barbosa e Alicinha Cavalcanti. E também toda a bateria da Grande Rio, escola na qual Sandro, que tem formação lírica, foi um dos puxadores no último Carnaval do Rio.

Por fim, a quinta figura mais próxima é Jô, Georgina dos Santos, empregada da família de tia Iva há 30 anos e que ainda hoje arruma a casa de Bruno duas vezes por semana.

– Depois destas cinco, convivo muito com as aeromoças da Tam – brinca, referindo-se às horas que passa em aviões, a trabalho ou a passeio, ainda que nunca esteja desconectado. – Não digo que sou workaholic, pois denota vício. Também odeio a palavra férias: em 12 anos, nunca deixei de fechar colunas. Finjo que tiro, mas nunca paro. Texto é o meu tanque de roupa e louça a lavar.

Causa social

Bruno tem outra faceta pouco conhecida, a filantrópica. Presidiu, por uma década, a instituição Nosso Mundo, voltada ao atendimento de pessoas com necessidades educacionais especiais. Lá estudava Emi, sua irmã de coração: era filha de Angélica Wantuil, namorada do pai de Bruno. Quando a madrasta morreu, Bruno assumiu a instituição junto a Sandra Wantuil, a outra filha da fundadora.

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Emi, apesar de mais velha, era tratada como filha por Bruno: Esportista, pintora e pianista, sua morte, em 2010, aos 53 anos, desestabilizou o jornalista.

“Ninguém me amou de uma maneira tão profunda, pura e irrestrita, fazendo com que eu e todos que a cercaram nos sentíssemos verdadeiramente únicos”, escreveu em uma coluna para a revista Época.

Todo mundo que vale a pena conhecer

Ao ser convidado para estrelar esta capa de Donna, Bruno admite que raramente costuma dar entrevistas. Falar de si mesmo não é um hábito.

– Depois do Mais Você, sei que a curiosidade do público aumentou. O amor das pessoas por Ana Maria, rainha absoluta há 40 anos na TV, se estende para mim. Mas minha função é o contrário, é ser o entrevistador.

Tantas celebridades já foram entrevistadas por ele, aliás, que fica difícil manter atualizada a lista no HD mental. Um exemplo: enquanto caminhava em direção ao Hyde Park, na tarde de 27 de junho, para o show de estreia da turnê 1989, de Taylor Swift, foi desafiado pela it girl Camila Coutinho a citar o trecho de qualquer música da cantora. Falhou na missão: não sabia nenhuma. Digitou rapidamente o nome de Taylor no smartphone e encontrou no Google uma entrevista que ele próprio havia feito com a pop star. Gargalhou com a piada involuntária.

Já o currículo das personalidades brasileiras ele domina com detalhes, a ponto de saber “quem vende e quem encalha” capas de revistas. Responsável por escrever perfis de famosos para publicações como Época, Vogue e GQ, entre outras, foge de coberturas rasas com respostas prontas. Certa vez, chegou a dizer para uma atriz global que a “entrevista ensaiada” recém-feita seria descartada por conta da chatice: “Você me deu sono”, argumentou para ela.

– Boa parte da cobertura de celebridades na mídia hoje não faz sentido. Tenho pavor de coisas como “fulano toma sorvete”, “fulano atravessa a rua”, “fulana ajeita o biquíni”. A internet clama por isso, mas prefiro estar sintonizado com outro tipo de audiência. Sou old fashion na minha linha editorial, assim como na vida pessoal.

O fato de ser amigo de personalidades que são retratadas em suas pautas é um processo guiado por sua ética para não gerar conflitos. Uma dura situação enfrentada foi quando relatou, em primeira mão, o resultado de um teste de DNA a respeito da paternidade de uma jovem, filha de João Gilberto. Bruno acompanhou de perto também a adoção das filhas de Glória Maria – inclusive é padrinho da mais nova, Laura – e só noticiou o fato quando estava tudo concluído, após viagens com a amiga à Bahia.

Dada a afeição pelo universo da realeza, uma entrevista que realizaria um desejo seu seria com Kate Middleton.

– Mas ela é muito inteligente. Sabe que não deve dar entrevistas. Quem é o protagonista é o seu marido. Eu a respeito muito, assim como respeito o legado de Lady Di, que humanizou a monarquia, antes tão austera.

Ter espaços na mídia o torna exposto a toda sorte de bajulações e interesses, algo que não o incomoda por saber diferenciar as situações.

– Me perguntam se eu não tenho medo do interesse das pessoas. Claro que não, é normal, é humano. É a força do trabalho. Isso não é demérito. Eu também tenho interesse em pessoas justamente pelo que elas fazem: se é uma atriz, tenho interesse nela por causa do trabalho dela. Sei quem são meus amigos.

Um outro tipo de assédio frequente diz respeito ao incessante fluxo de pedidos de convites para o Baile da Vogue, uma das festas mais exclusivas do país, promovida pela publicação, da qual Bruno é apresentador ao lado das mulheres mais famosas da cena artística, fantasiadas para o evento de gala.

– Chega perto da data e meu telefone não para de gente pedindo para ir. Já aviso aqui: não tenho nada, nunca recebo convites. Só fico lá nos bastidores, nem curto direito a festa – brinca.

Paixão pela monarquia

Conto de fadas moderno, o casamento do Príncipe William e da plebeia Kate Middleton na Abadia de Westminster é considerado um “divisor de águas” na carreira de Bruno na TV. Além de comentar o tema no Mais Você nos dias que antecederam o evento, em 29 de abril de 2011, o jornalista também participou ao vivo da transmissão da boda pelo GNT e pela Globo. Surpreendeu a todos com seu conhecimento enciclopédico, ainda que traduzido em linguagem superinformal, sobre a realeza britânica. No vídeo abaixo Bruno dá uma aula-show sobre a Dinastia Tudor, da era de ouro da monarquia inglesa.

O primeiro contato com a história das dinastias ocorreu aos 16 anos, ao ver o quadro da Infanta Margarita, de Diego Velásquez. Ficou hipnotizado. Depois, nos palácios do Vale do Loire, descobriu Catarina de Médici e se jogou a pesquisar tudo o que podia sobre aquele sombrio personagem, lançando uma biografia da soberana francesa em 2001. Seu interesse por rainhas e princesas vem de um desejo de investigar como as mulheres lidam com o poder quando nem sempre o protagonizam.

– Observo como as mulheres se comportam em situações que sempre foram discriminatórias. Quando a Dilma venceu, e sequer votei nela, fiquei emocionado de ver uma mulher no poder. A imagem dela recebendo a faixa presidencial me fez chorar. Pena que eu continuei chorando desde então, mas por outros motivos – diz Bruno, aos risos.

E, para não fugir ao tema da realeza e da política, quem Bruno escolheria para governar o Brasil na atual conjuntura? Um nobre: o príncipe Dom Joãozinho de Orleans e Bragança.

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