Cinco motivos por que Rogéria é um ícone da diversidade no Brasil

Foto: TV Globo, divulgação
Foto: TV Globo, divulgação

Aos 74 anos, Rogéria, a travesti da família brasileira, morreu na noite de segunda-feira, no Rio de Janeiro. A atriz, cantora e transformista foi vítima de uma crise compulsiva originada de complicações de uma infecção urinária.

Com bom humor e alegria de viver, a “católica filha de Iansã com Ogum”, como ela mesmo se intitulou em entrevista à revista Donna, foi uma pioneira ao abrir espaço no cenário brasileiro às travestis. Registrada como Astolfo Barroso Pinto e com passagens pela cena artística de Paris, Rogéria era a mais antiga transformista em atividade. E não à toa dizia que seu nome deveria ser Estrelíssima Rogéria.

1 – Ela foi pioneira

A carreira começou como maquiadora, já se vestindo de mulher. E foi durante o trabalho que recebeu um incentivo decisivo de Fernanda Montenegro para que se lançasse, aos 21 anos, como artista. Em plena ditadura militar, não demorou a levar sua persona ao público e se tornar uma das grandes figuras do showbiz brasileiro. Ao lado de nomes como Jane di Castro, Divina Valéria e Fujika de Hallidayé, foi responsável por dar luz à cena transformista e assim levar sua arte às famílias brasileiras.

2 – Esteve por tudo: do teatro de revista às novelas

De vedete travesti de boate carioca à convidada especial de novelas da Globo, Rogéria foi uma artista multifacetada. Seu primeiro espetáculo foi o “Les Girls”, o primeiro a abordar o tema transexual no Brasil. Deixando sua marca onde quer que fosse e conquistando cada vez mais fãs, atuou como atriz em filmes como O Homem que Comprou o Mundo, do diretor Eduardo Coutinho, e Gugu, O Bom de Cama, de Mário Benvenutti.

O furacão Rogéria não demorou a chegar à televisão: foi convidada para ser jurada em programas como Cassino do Chacrinha e Caldeirão do Hulk, participou de programas como Sai de Baixo e A Grande Família, e fez participações especiais em novelas como Tieta e Malhação.

3 – Caiu na graça do público

Com tanta visibilidade no rádio, na TV e nos palcos, Rogéria fez jus ao título que ela mesma se deu: a travesti da família brasileira. De crianças a senhoras, todos eram seus fãs.

– Eu sou a travesti da família brasileira mesmo, o cara que é honesto, é artista, e se veste de mulher querendo parecer mulher. Mas uma senhora me parou na rua e disse que não gostava quando me chamavam assim, porque eu era a artista da família brasileira, não a travesti.

4 – Foi um exemplo na defesa da diversidade

Como travesti, sentia na pela as dificuldades que os transformistas enfrentavam – e ainda enfrentam. Por isso, aproveitou diversas oportunidades para sair em defesa:

– Ser mulher é muito fácil para quem já é, mas pra quem nasce para ser João é um sacrifício a transformação.

Quando questionada sobre uma possível cirurgia de troca de sexo, deixava claro que não queria: “Nunca poderia ser transexual. Nunca pensei em ser mulher. Eu sou Astolfo Barroso Pinto, e quero continuar mantendo o pinto (risos). Imagina fazer aquela operação, sentir dores, e, no final, não ficar com uma vagina como a de uma mulher, mas com uma espécie de buraco negro”.

5 – Suas frases maravilhosas

Em entrevista, ao ser perguntada se tinha medo de morrer, respondeu: “Meu amor, eu vivi mais do que qualquer outra. Mais e melhor.”

“Os ativistas são muito importantes. Eu adoro que eles existam, e defendo até o fim. Mas não é a minha. Eu vim para divertir.”

“Engajada? Eu preciso ser engajada? Eu sou o engajamento em pessoa!”

“Eu fui o primeiro homem do mundo a fazer uma avó e uma mãe na novela das seis.”

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