Cíntia Moscovich conta a experiência de mulheres de diferentes gerações se unirem para fazer pão

Foto Andrea Graiz
Foto Andrea Graiz

Pelo terceiro ano consecutivo, diferentes gerações de mulheres da comunidade judaica de Porto Alegre se encontraram em um evento que se repete mundo afora: preparar a muitas mãos o pão servido no dia de Shabat e em festividades. Realizado na última quarta-feira (13), na Casa NTX, o Mega Challah Bake é vivido não só como uma celebração cultural e espiritual, mas também do feminino. A escritora Cíntia Moscovich, que esteve entre as participantes, conta como foi a experiência:

O Mega Challah Bake – o evento que reúne as mulheres para fazer o pão trançado ritual para as festas do início do ano judaico – se tornou um acontecimento consagrado e muito querido em várias capitais do mundo.  

Rico em símbolos, capaz de reunir em festa milhares de mulheres de todas as idades, o Mega Challah é, por mais que possa parecer paradoxal, uma evocação da simplicidade: ao transformar elementos prosaicos como farinha e água em alimento, descobre-se que a raiz do precioso e santificado não custa muito e está sempre na ponta dos dedos.

Preparar o pão, e os alimentos, é uma das obrigações confiadas tradicionalmente às mulheres judias. No Mega Challah Bake, filhas, mães, avós, bisavós, tias, primas, amigas, conhecidas, desconhecidas, reúnem-se em torno das muitas mesas dispostas no salão, cada qual com os ingredientes com os quais fará o pão. São mesas de mulheres iguais mesmo sendo diferentes – todas fazemos o mesmo pão – e nos ajudamos com os aventais, amarramos os protetores de cabelos, fazemos espaço nas mesas para que todas possamos trabalhar a massa: cuidamos umas das outras. Logo separamos farinha, sal, açúcar, fermento, ovos, potes com água e com azeite. Não demora, o salão está fervendo de uma alegria cheia, uma intimidade feliz, e logo é uma concentração de mergulhar os dedos na massa e sentir que a substância que fermenta e cresce corresponde ao calor de nossas mãos. Enquanto a massa descansa e, ao mesmo tempo cresce, haverá cantos, rezas e danças.

Foto Andrea Graiz

Foto Andrea Graiz

Nós todas sabemos que a força e a energia de vida de cada uma se soma e se amplia na união de todas nós, muito mais quando nossas mãos compõem o alimento. Nesse momento, formando o corpo de um grupo feminino, há um grande vínculo e uma grande empatia – e uma força tremenda. Eu tenho certeza que, junto a mulheres de nossas famílias e junto a mulheres que sequer conhecemos, se junto a elas nossas mãos têm a capacidade de misturar ingredientes e de sovar a massa, nossos corações são capazes de se unir e de engendrar um presente de estupenda harmonia.

Leia também:

:: Cíntia mosocivh indica cinco escritoras gaúchas para conhecer já
:: Conheça mais a vida e a obra de Cíntia Moscovich

Leia mais
Vídeos recomendados
Comente

Hot no Donna