Conheça as 10 indicadas ao 3° Prêmio Donna Mulheres que Inspiram

Foto: Andréa Graiz
Foto: Andréa Graiz

Às vésperas do Dia Internacional da Mulher 2018, Donna tem o privilégio de apresentar as finalistas ao Prêmio Donna Mulheres que Inspiram. Nesta 3ª edição, destacamos personalidades que deixaram sua marca dos confins da galáxia às celas de um presídio. Em meio à diversidade de perfis, trabalhos e origens, um ponto em comum: todas assumiram uma missão de vida e, com seu trabalho, tocaram outras muitas vidas. Para chegar aos 10 nomes a seguir, pedimos indicações a mais de cem profissionais de diferentes áreas, como empreendedorismo, cultura, moda, ação social e ciência. Uma comissão definiu as finalistas, entre as quais três serão anunciadas vencedoras. Conheça um pouco mais das histórias de Doris, Ernestina, Gabriela, Giane, Joanna, Madgéli, Maria Teresa, Natalia, Roberta e Thaisa. Que elas inspirem vocês como nos inspiraram.

Reportagem: Caue Fonseca
Imagens: Andréa Graiz
Make: André Guerrero e Fernanda Martins
Cabelo: Mateus Costa (todos do RhedCo)
Agradecimentos: Locare (cadeira do cenário)

Doris Spohr

Dias antes de completar 80 anos, Doris Spohr não para. Logo depois de fotografar para a Revista Donna, se preparava para subir a Serra e convencer empresários de Caxias do Sul a participar da próxima edição do RS Moda, evento mobilizado por ela e que, em 2017, reuniu mais de 40 marcas gaúchas e pôs lojistas, indústrias, estudantes e profissionais de moda a debater os rumos do setor têxtil no Estado. Neste ano, a função será em maio.

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– Não pode este Estado ser reconhecido nacionalmente pelas malhas e nós não termos expositores disso, concorda? Vou lá ver se eles se convencem de uma obviedade dessas.

Após dois mandatos à frente do Sindicato da Indústria do Vestuário (hoje ela é vice-presidente), Doris vê em si mesma uma virtude que acredita ser também o principal problema dos gaúchos: a incapacidade de dialogar em prol de um bem comum.

– As pessoas não conversam, sabe? Isso é uma coisa que a idade me deu. A capacidade de olhar nos olhos para expor uma ideia, fazer um convite. Falta muito isso para o Rio Grande do Sul retomar um papel de liderança e referência nacional nessa área. Hoje, esse é meu grande projeto de futuro – explica.
Paralelamente, Doris trabalha na criação do Instituto Rui Spohr, que leva o nome do seu marido estilista.

A ideia em construção é um local com museu e espaços de aprendizagem onde também serão catalogadas, além de peças marcantes de autoria do estilista, documentos como desenhos, colunas de jornal, fotos e outras muitas relíquias que Doris vem coletando há seis décadas, desde quando era a secretária do artista. Com o tempo, descobriu a veia empreendedora que ajudou a construir a marca Rui e hoje luta para reaquecer o setor têxtil gaúcho:
– Na época dos desfiles, era a Doris do Rui pra lá, a Doris do Rui para cá. Agora, ele está experimentando um pouco ser o Rui da Doris – diverte-se.

Ernestina Pereira

Na certidão, Ernestina Pereira tem 59 anos. Na verdade, tem quase 62. Foi registrada já quase adolescente e com a data errada. É uma amostra da precariedade do início da vida no interior de Pelotas, no Quilombo do Algodão. Era um tempo em que, por exemplo, crianças negras não frequentavam a escola. Só pisou em sala de aula aos 13 anos, quando foi morar na cidade. Hoje, mesmo aposentada, trabalha voluntariamente como sindicalista naquele que talvez seja o ramo em que a informalidade é mais disseminada: é presidente do Sindicato dos Empregados Domésticos de Pelotas.

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– São pessoas que precisamos, antes de mais nada, conscientizar de que têm direito a alguma coisa – reflete Ernestina, que passou 35 anos trabalhando em casas de família e descobriu o sindicato quando era ainda uma associação, em 1987, funcionando em uma salinha na Paróquia Nossa Senhora da Luz.

A evolução como uma figura de liderança, Ernestina atribui à formação pastoral. Cita como fundamentais, por exemplo, as Campanhas da Fraternidade de 1988, que lembrava os cem anos de escravidão, de 1990, dedicada à mulher, e 1991, dedicada ao trabalho.

– Foi quando eu tomei consciência da minha luta de classe como trabalhadora doméstica e da minha negritude. As coisas se acumularam na minha cabeça. Um aspecto triste do trabalho doméstico é que na maioria das vezes é uma exploração de mulher para mulher. Uma mulher sobrecarregada de trabalho que não tem tempo para as tarefas domésticas e explora outra mulher, sem dar os devidos direitos – avalia Ernestina.

Por isso, também como uma das diretoras da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas, Ernestina avalia como fundamental criar ferramentas para as patroas se informarem dos direitos das domésticas, como um aplicativo desenvolvido em parceria com a ONG Themis, o Laudelina.

Gabriela Guerra

Nas eleições municipais de 2012, Gabriela Guerra comandou o movimento Porto Alegre Como Vamos, que tinha como uma das iniciativas um aplicativo para ajudar o eleitor a escolher seu candidato. O perfil agregador e mão na massa de Gabriela levou a empresa desenvolvedora do app, a ToughtWorks (TW), a contratá-la no ano seguinte ainda sem saber o que fazer com a jovem formada em Administração e sem conhecimento algum de softwares.

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Logo, Gabi se identificou com um dos três pilares da empresa: “Advogar apaixonadamente em favor de justiça social e econômica”. Enquanto esteve na diretoria nacional e depois global desse setor na TW, Gabi trabalhou em programas de conscientização e inclusão. Uma das medidas foi mudar as imagens e a linguagem das vagas no material de comunicação da empresa, a fim de atrair pessoas de origens, gêneros e perfis diversos. Hoje, na TW, 44% da equipe é de mulheres e 31,9% de pessoas negras (pretas e pardas).

– Quando representamos uma pessoa geek, por exemplo, por que tem de ser um homem branco na frente de um computador? Algumas coisas são simples, mas muito representativas de como um estereótipo se cria e se fortalece. Não se atrai, contrata e retém pessoas de grupos sociais minorizados sem que isso seja um pensamento constante de toda a organização, sobretudo da diretoria – avalia Gabi, que desde 2015 é diretora executiva da TW no Brasil.

Ela manda um recado às meninas dispostas a ingressar no ramo de tecnologia:

– Tenho o maior orgulho e quero dizer que precisamos muito delas. Gosto de lembrar que a primeira programadora da História foi uma mulher (Ada Lovelace, nascida em 1815), como outras tantas depois dela. Quando se tornou uma profissão rentável e reconhecida como ciência, as mulheres desapareceram. Precisamos retomar esse espaço.

Giane Vargas Escobar

Professora do curso de História da Unipampa em Jaguarão, Giane Vargas Escobar sabe exatamente a quantidade de professores negros que teve ao longo da vida: foram uma professora no Ensino Fundamental, uma no Ensino Médio, nenhuma na graduação, nenhuma na pós-graduação.

Se eu, uma mulher negra de 50 anos, alcancei o topo de uma carreira acadêmica, é porque teve a luta de outras tantas. Dentro e especialmente fora da academia: minha mãe, minha avó, minha bisa… Quando uma cresce, puxa a outra. Espero, em sala de aula, fazer exatamente isso.

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A contribuição de Giane à cultura negra, todavia, não se limitou ao exemplo aos alunos e alunas. Hoje frente ao Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas da Unipampa, ela lembra com carinho do projeto abraçado em 2001 em Santa Maria, sua cidade natal para onde recém havia voltado após seis anos para uma pós-graduação em Museologia. Em meio aos estudos, descobriu o Treze de Maio, clube de cultura negra em completo estado de abandono.

– Quando nós da comunidade negra interessada entramos no prédio pela primeira vez, encontramos paredes escuras de umidade, documentos debaixo d’água e o prédio precarizado pela falta de manutenção. Em seguida, assumi a diretoria técnica do espaço decidida a reerguê-lo como um museu – relembra.

O reconhecimento pela revitalização veio em 2014 com o International Museum Prize Winner 2014. O prêmio pelo “fortalecimento da identidade brasileira, destacando sua rica diversidade cultural e a memória das lutas sociais” foi entregue a Giane em cerimônia em Gotemburgo, na Suécia.

Para tristeza da pesquisadora, embora o prédio que o abriga tenha sido tombado, o Treze de Maio está temporariamente fechado em meio ao cenário de trocas de governo e crise econômica.

Ainda sonho que a comunidade local volte a abraçar e administrar o espaço. Estudar a cultura negra é iluminar pessoas ocultas da História – reflete.

Joanna Burigo

Joanna Burigo brinca que, quando a terceira onda do feminismo chegou em 2015, ela já estava no mar sentadinha na prancha havia bastante tempo. Aos 20 e poucos anos, descobriu na casa de um tio falecido O Relatório Hite: um Profundo Estudo Sobre a Sexualidade Feminina, livro da sexóloga norte-americana Shere Hite.

– Pensei, nossa que alívio! Já existe toda uma produção acadêmica e de pesquisa sobre algo que sempre pensei. Digo que eu não me descobri feminista, eu me reconheci feminista, porque encontrei neste termo a materialização de tudo o que já pensava – conta.

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A partir daí, a publicitária se aprofundou no assunto. Quando contava a amigos brasileiros, em 2010, que estava fazendo um mestrado em gênero, mídia e cultura em Londres, costumava ouvir de volta: “Gênero de quê? De livro? De música?”. De volta ao Brasil, em 2014, Joanna começou a ver o assunto sair do nicho acadêmico e ativista e ganhar os debates na rua e nas redes sociais:

– Eu digo que enxerguei o swell (o mar se recolhendo para formar a onda) dessa onda. No ano seguinte, quando ela explodiu, eu já estava com a Casa da Mãe Joanna pronta para funcionar como uma das engrenagens desse movimento.

O site casadamaejoanna.com é definido como um “experimento feminista”. Um local para trocas, discussões, publicação de artigos e o que mais existir em torno do tema com apenas duas restrições: “não cagar regra” e “não detonar feminismos diferentes do seu”. Embora feliz por ver a luta por igualdade de gênero disseminada, Joanna, hoje com 38 anos, deixa claro não se tratar de uma tarefa prazerosa. Seu trabalho é, justamente, provocar desconforto:

– Quem aborda esse assunto, seja profissionalmente como eu, ou mesmo em um ambiente de família, de trabalho, deve ter plena consciência de que vai arcar com a consequência. Dando a cara a tapa, vai receber o tapa. Eu recebo ameaças, xingamentos, então é preciso estar preparada para receber esse ódio.

Madgéli Frantz Machado

Não é exagero dizer que a juíza Madgéli Frantz Machado, 46 anos, e titular do Juizado da Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Porto Alegre, é a mente por trás de uma das medidas mais eficientes para coibir a violência contra a mulher no país. E o fez estendendo a mão aos agressores. Por iniciativa de Madgéli e do seu braço direito, a psicóloga Ivete Machado Vargas, o Tribunal de Justiça do RS oferece desde 2011 os grupos reflexivos de gênero: são espaços de educação e reabilitação para homens que cometeram violência.

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– Lidando no dia a dia das audiências envolvendo esse assunto, a gente percebe que muitos homens não se reconhecem como agressores. Eles se sentem injustiçados, pois também foram criados em ambientes assim. Para eles, é o normal. Nos encontros, se enxergando uns nos outros, reconhecem o problema – conta a juíza natural de Dom Pedrito, que começou na magistratura com 25 anos e passou por comarcas de três cidades antes de chegar à Capital.

Nesse meio-tempo, Madgéli testemunhou o crescimento da violência, que se refletia na explosão do número de audiências judiciais.

– Os grupos reflexivos são uma iniciativa que mostra que o Poder Judiciário pode e deve ser atuante na sociedade. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, só o lado penal não dá conta de resolver um problema – avalia.

Os números dos grupos impressionam. Dos mais de 500 homens que passaram pelos 12 encontros com outros agressores e profissionais da saúde, 97% não voltaram a cometer violência. O sucesso fez com que o TJ promovesse cursos que já capacitaram 90 profissionais a atuar em comarcas do Interior.

– O retorno que temos deles é de uma sensação de pertencimento e agradecimento. Por isso, digo: se essa violência é fruto de uma construção histórica e cultural, é possível desconstruir também – diz a juíza.

Maria Teresa Campos

A decisão de se engajar no trabalho voluntário veio para a psiquiatra Maria Teresa Campos em 2007, depois de um período de quatro anos vivendo no Canadá e nos Estados Unidos. Com o retorno, veio o choque de voltar a viver em uma cidade com crianças pobres a olhos vistos.

– Resolvi que era o momento da vida de fazer algo prático sobre isso. Como a minha família sempre teve uma formação musical, me uni a um amigo, o Cesar Franarin, e resolvemos promover aulas de música no Pão dos Pobres. Começou pequeno, para 50 pessoas.

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Foi o início da ONG Sol Maior, que, ao longo da primeira década de vida, deu dois saltos importantes. O primeiro em 2012, quando Eva Sopher convidou a ONG para trabalhar no anfiteatro do Theatro São Pedro – o que passou a render lindas apresentações de final de ano. O número de alunos cresceu de 70 para 150. O segundo foi em 2015, quando passou a atuar também dentro da Associação das Creches Beneficentes do Rio Grande do Sul, no bairro Humaitá. Hoje, são 410 alunos de sete a 17 anos atendidos. Ao longo da sua história, passaram pela Sol Maior mais de 1,2 mil crianças e adolescentes.

– Começamos com a ideia de formar músicos, mas, com o tempo, vimos que o importante mesmo é formar cidadãos. Deixamos de fazer testes de aptidão. Qual instrumento vai tocar ou se tem afinação para um coral é o de menos. O importante são as relações que se formam ali, a aproximação quase automática das famílias. Muitos alunos jamais se distanciam da ONG. Dizem: “Poxa, é aqui que estão os meus amigos” – conta Maria Teresa, hoje aos 52 anos.

O ano passado, além da comemoração pelos 10 anos da ONG, trouxe uma boa notícia: a Sol Maior foi uma das três instituições gaúchas apoiadas pelo Criança Esperança. O investimento permitiu, por exemplo, dobrar o número de aulas no Humaitá.

– Ainda assim, recebemos mais de 10 telefonemas diários de pessoas interessadas em ingressar na ONG. Atendemos todas as que podemos – conta.

Natalia Guasso

Há sete anos, Natalia Guasso atua frente a um problema do mundo contemporâneo que só aparece quando os armários de casa lotam – ou, como foi o caso da publicitária porto-alegrense, quando temos uma mudança de lar pela frente. Foi ali, diante de um closet abarrotado de roupas (muitas novas), que caiu a ficha:

Era muita roupa, muita coisa, muito consumo. Como eu não me dava conta de que aquilo era um excesso? Olhando para trás, a gente entende como isso estava latente. Como era preciso com urgência repensar a moda e o consumismo como um todo. Pesquisando, você descobre que é uma das indústrias que mais polui, que mais faz uso de mão de obra escrava, que construiu uma fachada glamourosa escondendo coisas absurdas.

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Nasceu assim, do closet de Natalia e das primeiras parceiras, o Brick de Desapegos, uma feira de moda sustentável que congrega expositores dispostos a repassar suas peças a preços camaradas, brechós itinerantes e marcas autorais sustentáveis. Além da venda de roupas, a cada edição um conteúdo sobre moda sustentável é tema de debate. Já há 21 eventos agendados até dezembro de 2018.

– A gente nunca teve curadoria, qualquer pessoa pode expor. É provável que algumas das tuas amigas já tenham desapegado no Brick. O evento virou algo bem além de uma feira para comprar roupas. É bacana como as pessoas gostam de contar e de ouvir a história das peças que estão sendo repassadas, por exemplo. Muda aquela lógica da compra por impulso porque estava em liquidação no shopping.

O Brick dos Desapegos também faz parte do Fashion Revolution, movimento internacional para disseminar a conscientização e o ideal de uma moda mais justa e sustentável. Enquanto isso, Natalia comemora o esforço das grandes marcas em se reinventar depois dessa tomada geral de consciência.
– Agora, elas vão ter de repensar, porque a gente acordou.

Roberta Arabiane Siqueira

Após seis anos de obras, em 2016, a Penitenciária Estadual de Canoas 1 enfim estava prestes a ser inaugurada e ter suas 393 vagas ocupadas. Então, a procuradora do Estado Roberta Arabiane Siqueira perguntou aos colegas de diferentes órgãos do Estado e a si mesma:

– Então, a cadeia está pronta. Vamos entregar aos criminosos como todas as outras?

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Começou assim o projeto pelo qual, no final do ano passado, Roberta recebeu o primeiro lugar do 14º Prêmio Innovare, o mais importante da Justiça brasileira. Ela explica o que está por trás do nome pomposo “Responsabilidade compartilhada: uma via para a humanização do sistema prisional e para proteção social”:

– O que fizemos foi colocar para conversar na mesma mesa gente da Susepe, do Ministério Público e do Judiciário para evitar medidas contraditórias. Evitar, por exemplo, que um mandasse comprar sem o outro ter o dinheiro para pagar. Integrar quem está na dianteira das ações. De quebra, afastar a política das decisões do dia a dia da cadeia.

A integração, mediante intermediação atenta da procuradora, ajudou a fazer com que a penitenciária se tornasse uma das melhores do país, com índice de reincidência abaixo de 20% e a presença total de Estado no fornecimento de comida, uniformes e itens de higiene, além de trabalho e atendimento médico. Roberta reconhece a dificuldade de a população entender a necessidade de tratar apenados com dignidade como uma estratégia de proteção social:

– Eu entendo a revolta das pessoas. Elas só querem se sentir seguras andando na rua. Mas é preciso que elas abram a mente para a ideia de que um criminoso só vai aprender a dar valor à vida dos outros se a dele também tiver algum. Se, em vez de tratamento digno e uma via de recuperação, ele receber acolhimento de uma facção na cadeia, quem pagará no futuro é a sociedade.

Thaisa Storchi Bergmann

Quem visitou Paris em 2015 provavelmente passou por uma fotografia da astrônoma da UFRGS Thaisa Storchi Bergmann, 62 anos.

O aeroporto Charles de Gaulle foi um dos locais da capital francesa que exibiu em enormes cartazes as cinco vencedoras do prêmio internacional L’Oréal-Unesco para Mulheres na Ciência, considerado uma espécie de Nobel exclusivo para mulheres.

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Natural de Caxias do Sul, Thaisa chegou a ingressar na Arquitetura em 1974 influenciada por uma prima, mas calhou de as aulas da Física serem no mesmo instituto. Olhando para os laboratórios, lembrou da menina que gostava de poções e de espiar bichinhos no microscópio. Queria ser cientista. Ao final do primeiro semestre, pediu transferência ao curso vizinho. Com o tempo, o microscópio foi trocado por telescópios de metros de diâmetro. Para utilizá-los em observatórios de localidades como o Chile e o Havaí, é preciso fazer um pedido com meses de antecedência, por vezes concedido em períodos como férias, feriados e outros tantos momentos em família perdidos. Ainda assim, Thaisa teve três filhos.
É complicado conciliar, mas com o apoio da família, não é impossível. Não raro, era a única mulher nessas observações. Uma vez, insisti que era impreterível conciliar a observação e a amamentação do meu bebê. Transformaram uma casinha de máquinas em berçário e levei ele e uma babá – recorda a cientista.

Thaisa tornou-se conhecida internacionalmente quando publicou um estudo em 1993 no qual fornecia indícios de que havia um buraco negro supermassivo (140 milhões de vezes mais do que o sol) em atividade no centro de uma galáxia a 50 milhões de anos-luz da Terra. Buracos negros são regiões do espaço onde a gravidade é tão forte que nada lhe escapa, nem a luz. Daí o nome. A descoberta se deu após décadas de estudo aplicando o principal conselho que Thaisa deixa para inspirar jovens cientistas meninas:
– Mantenham-se curiosas. Sempre curiosas.

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