Entrevista! Clarice Falcão volta à Capital menos celebridade, mais focada e igualmente feminista

Foto: Lucas Bori, divulgação
Foto: Lucas Bori, divulgação

Em uma das raras pausas entre um raciocínio e outro, Clarice Falcão busca na memória o momento exato da decisão, tomada há cerca de um ano e meio.

– Cara, é difícil precisar um só, mas se fosse para escolher, acho que foi quando vi umas pessoas da plateia chorando ao tirar foto comigo, ainda na turnê do primeiro CD. Pensava: “Gente, eu sou só uma pessoa. Não é pra chorar, não” – lembra a cantora.

Por telefone, Clarice comenta em entrevista a Donna as mudanças de carreira e de vida entre aquela artista que veio pela primeira vez a Porto Alegre, há quatro anos, e a volta no próximo dia 8 de julho para mais um show da turnê de seu segundo álbum, Problema Meu. A principal diferença é de escala. Quando se deu conta de que a carreira estava em um crescimento desenfreado, e para lados em que ela não necessariamente se sentia confortável, a então atriz/roteirista/humorista/celebridade/cantora/compositora/polemista resolveu cortar as asinhas de alguns desses voos.

Talvez a “aterrissagem” de maior repercussão foi deixar o grupo Porta dos Fundos, que a projetou como atriz e humorista. Embora a maioria das pessoas tenha chegado ao primeiro álbum de Clarice a partir do sucesso estrondoso da trupe de comediantes, ela ressalta que o caminho foi o inverso. Foram os vídeos musicais em que encarnava uma personagem “meio romântica, meio psicótica” que levaram o grupo ainda em formação a convidá-la.

Foto: Lucas Bori, divulgação

Foto: Lucas Bori, divulgação

Só que alguns desses voos foram involuntários, ela jura. A verve polêmica, por exemplo. Clarice hoje dá risada da última delas, envolvendo o videoclipe de Eu Escolhi Você, que reúne uma porção de genitálias de homens e mulheres, todas sacolejantes e decoradas em frente à câmera. Embora tenha sido postado com todos os avisos possíveis, o vídeo acabou removido do YouTube. Entre as críticas, por ser “pornográfico”, “apelativo” ou até mesmo “infantil”.

– Se eu soubesse que ia dar essa repercussão toda, eu teria pelo menos feito com um diretor de fotografia (risos). O clipe é quase amador, feito por amigos um dia à noite na minha casa com adereços comprados ali na Saara (região popular de apetrechos e fantasias do Rio). E não acho ele gratuito, como foi falado. Tem tudo a ver com a música, que é sobre as pessoas que passam pela nossa vida com as suas características, suas imperfeições.

Antes de Eu Escolhi Você, Clarice já repercutira na mídia por outro clipe, uma regravação do hit Survivor com uma pegada feminista.

– O feminismo é uma bandeira que empunho com orgulho. Mas tem questões delicadas, né? Às vezes, não me julgo a pessoa mais apta para falar do assunto em uma mesa de discussão, por exemplo, mas sei que, se eu for a um determinado evento, pode dar mais projeção aos temas debatidos. Me criticaram porque quem sou eu, uma branca de classe média, para cantar que sou uma “sobrevivente”? Entendo e concordo até. Mas convidei uma série de mulheres fantásticas para o clipe porque tenho consciência disso, de que há batalhas maiores do que as minhas. No fim das contas, vou me equilibrando – avalia.

Foto: Lucas Bori, divulgação

Foto: Lucas Bori, divulgação

Nesse equilíbrio, Clarice vai tateando novas formas de produção e de rotina. O objetivo final é seguir como uma artista, mas uma “que pode postar que tomou sorvete no Instagram, sem virar notícia porque tomou sorvete no Instagram”. Além dos álbuns e shows, há outros projetos bacanas em curso. Um dos que a deixa mais ansiosa é um especial para a Netflix, previsto ainda para 2017.

– É um misto de show com stand up. Não sei se vai ficar esse título em definitivo, mas o provisório é Especial de Ano Todo, mexendo com essa coisa tragicômica das promessas do que vamos fazendo em cada fase do ano e tudo mais – revela a artista.

Embora Porto Alegre vá assistir ao show de uma cantora e compositora elogiada por um álbum mais maduro e sofisticado, Clarice se esforça para não perder o humor singelo do primeiro álbum e de toda a carreira. Porém, em vez de humorista, ela prefere outro termo como um elemento em comum entre tudo o que produz:

– Eu só vejo graça no que tem graça, sabe? E o erro é a grande graça da vida.

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