Entrevista: Mariana Ximenes fala sobre carreira, relacionamento e fama

Caiuá Franco, divulgação
Caiuá Franco, divulgação

Na ficção, ela se rendeu ao amor de infância na última terça-feira, quando foi ao ar o final de Haja coração, novela das sete da Globo. Fora das telas, vive há dois anos um relacionamento com o empresário italiano Filippo Adorno. Mariana Ximenes, 35 anos e há 18 crescendo sob os holofotes, é daquelas artistas discretas, que não se deslumbram com a fama e tampouco se queixam do assédio.

Na TV, a personagem anterior a Tancinha foi a vedete Aurora Lincoln em Joia Rara, de 2013. Desde então, a atriz havia focado seus últimos trabalhos no cinema. Uma das seis produções das quais participou nos últimos anos a faz recordar de Porto Alegre com carinho: quando rodou, em 2014, o longa Prova de coragem, baseado no livro Mãos de cavalo, de Daniel Galera.

Nos últimos dois meses, experimentou a dupla exposição no horário noturno da TV, algo pouco usual na emissora para evitar superexposição do elenco. No ar ainda com o seriado Supermax, exibido às terças-feiras, Mariana se empolga ao falar do assunto. Seriadomaníaca assumida, listou para Donna durante a coletiva de imprensa da trama, no Rio, suas narrativas preferidas: True Detective, The Walking Dead, Stranger Things, Downton Abbey, Homeland, House of Cards e Breaking Bad são suas dicas para quem ama o gênero.

A PAIXÃO POR SERIADOS INSPIROU VOCÊ A COMPOR A PERSONAGEM DE “SUPERMAX”?

Não diretamente a compor a personagem, mas o gênero ajudou, sim. Esta é uma série bem diferente da linguagem de novela, distinta da cinematográfica também, mas ter feito muito cinema me ajudou bastante nesse estilo. Acho que cheguei a este ponto em que, depois de ter feito uma imersão de dois anos fazendo só filmes, agora estava pronta para outro mergulho.

VOCÊ ESTEVE SIMULTANEAMENTE COM DOIS PAPÉIS NA TV. COMO É VER ESTE TRABALHO DE PERFIS DISTINTOS?

São linguagens extremamente diferentes mesmo e com personagens muito distintos. Acredito que esta é uma oportunidade de demonstrar versatilidade.

Em cena de Supermax. Foto: Caiuá Franco/divulgação

Em cena de Supermax. Foto: Caiuá Franco/divulgação

A TANCINHA DE “HAJA CORAÇÃO” TEVE MUITO SUCESSO COM AS CRIANÇAS. COMO FOI ESSA REPERCUSSÃO?

Eu me surpreendi muito e adorei, pois amo crianças. Sabe de onde acho que surgiu isso? É que ela era coração puro, quase uma criança, isso toca a criançada.

VOCÊ FALOU QUE ADORA CRIANÇAS, HÁ PLANOS DE TER FILHOS EM BREVE?

Tenho muita vontade de ser mãe, mas não tenho um tempo certo, o tempo traz na hora que tiver que vir. Enquanto isso, tenho quatro afilhados e contato com crianças, os filhos dos meus amigos… Tenho estes quatro pimpolhinhos para cuidar, para chamar de meus também. Aprendi que, na vida, não dá pra planejar muita coisa. Temos que ter sonhos, metas, mas também jogar com o fluxo natural das coisas.

VOCÊ É SUPERDISCRETA NA VIDA PESSOAL, ALGO DIFÍCIL HOJE EM DIA. COMO LIDA COM O ASSÉDIO?

Já aprendi a conviver com isso. Moro no Rio há 18 anos, desde os 17 comecei a fazer novela na Globo e já faz parte da minha vida. Não me incomodo, acho que faz parte. Sou uma pessoa que gosta de manter uma certa privacidade, mas as pessoas sabem quem eu sou também. Está tudo certo, não tenho nada para esconder.

COMO VOCÊ E O NAMORADO LIDAM COM UM RELACIONAMENTO À DISTÂNCIA?

A distância na verdade foi mais quando um estava no Rio, outro em São Paulo. Agora ele mora um pouco lá, um pouco aqui. Ficamos lá e cá, mas também eu estou sempre para lá e para cá, sou paulistana e sempre fico nessa divisão. A gente se encontra mais do que só no fim de semana.

FILIPPO COMPREENDE SUA VIDA DE ARTISTA?

No começo foi mais difícil, porque a vida de atriz não tem rotina, não tem horário, a gente não tem sábado, não tem domingo, não tem feriado e quem trabalha com a gente é assim também. É muito difícil para quem não está nesse meio (artístico) entender, mas nada como o tempo. O tempo vai amaciando e o amor também supera todas as dificuldades.

VOCÊ COMENTOU SOBRE O DIREITO DE SER SEXY. COMO É SUA RELAÇÃO COM O FEMINISMO?

Acho que a mulher precisa ter livre arbítrio sobre o seu corpo. A Tancinha foi uma boa personagem para explanar isso no sentido de que ela tinha uma sensualidade sem ser vulgar. Mas isso não quer dizer que ela estava disponível para homens a cantarem.

QUAIS SUAS LEMBRANÇAS DO PERÍODO QUE PASSOU NO SUL?

Tive em Porto Alegre um dos momentos mais felizes da minha vida quando fiz a peça Os altruístas no Theatro São Pedro. Fiquei encantada, tive uma emoção muito grande de ver aquela casa cheia de gente e aquele teatro histórico, com uma gaúcha que adoro, a dona Eva. Depois promovemos um debate com psicanalistas e todo mundo participou. Era um público muito interessado, interessante, fiquei comovida com os gaúchos. Me lembro de comer cacetinho com chimia, uma delícia! No Rio Grande do Sul, fiz também A casa das sete mulheres, Chocolate com pimenta e o filme Prova de coragem. Aliás, uma homenagem bonita que quero fazer é para a gaúcha Monica Schmiedt, produtora do filme que faleceu pouco antes do lançamento (em março deste ano). Uma pessoa extraordinária que lutou muito pelo cinema, então deixo meu beijo a ela.

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