Entrevista! Pai de quatro crianças, Mark Wahlberg estrela comédia sobre paternidade e fala da importância da família

Foto: Paramount Pictures/Divulgação
Foto: Paramount Pictures/Divulgação

Por Mariane Morisawa, de Los Angeles

Estrela de uma das estreias da semana, Mark Wahlberg volta aos cinemas em Pai em Dose Dupla na pele de um irresponsável pai de dois filhos. Depois de anos de ausência, ele ressurge bem quando o novo companheiro da ex-mulher, o dócil Brad (Will Ferrell), está tentando conquistar as crianças.

De bíceps estourando na camiseta preta justa, montado numa motocicleta, Wahlberg está o próprio “bad boy” que já foi um dia, quando era traficante e usuário de drogas, chegando a ser preso por brigas violentas. Essa imagem não poderia ser mais distante da sua atual realidade, aos 44 anos. Produtor bem-sucedido de séries como Entourage e Boardwalk Empire, ele é casado com a ex-modelo Rhea Durham, 37, com quem tem quatro filhos: Ella Rae, 12, Michael, nove, Brendan Joseph, sete, e Grace Margaret, seis.

Ele falou à revista Donna sobre sua experiência como pai e a importância da família e da fé em sua vida.

Donna – Você faz um pai um tanto irresponsável em Pai em Dose Dupla. Diria que, na vida real, ser pai é seu melhor papel?
Mark Wahlberg – Ah, com certeza. É também o mais desafiador, mas o mais recompensador. É muita responsabilidade tentar fazer o certo e dar a essas crianças as ferramentas para serem bem-sucedidas na vida e membros positivos e produtivos da comunidade e da sociedade.

Donna – Estava pronto para ser pai? Ou teve de esperar aparecer a mulher certa e então querer formar uma família com ela?
Mark – Definitivamente, não estava pronto até conhecer a minha mulher. Você não quer trazer uma criança ao mundo com a pessoa errada. Se não é um relacionamento com chances de dar certo, com pais que pretendem ficar juntos, pode ser mais difícil para os filhos.

Mark e a mulher com seus filhos | Foto: AFP

Mark e a mulher com seus filhos | Foto: AFP

Donna – O que Rhea tinha que fez com que você achasse que ela seria uma boa mãe?
Mark – Ela sempre quis ser mãe, sabe? Ela tinha seu trabalho, mas sua missão na vida era ser mãe. E ser uma esposa. Sabia também que ela me amava pelo que sou, era alguém em quem podia confiar. Compartilhamos os mesmos valores. Somos muito espirituais. Obviamente, a atração física não atrapalhou. Ela é sempre a primeira coisa. Mas não é isso que mantém um casal junto.

Donna – Quando você era mais jovem, entrou em várias confusões. Houve algum momento em que viu que não dava mais para viver daquele jeito?
Mark – Sim, em dado momento você precisa crescer. Mas o ponto transformador mesmo foi quando soube que ia ser pai. Eu já estava mais maduro naquele momento, mas tive de dizer a mim mesmo: “Ok, agora toda a loucura precisa acabar. Preciso realmente focar em ser um adulto maduro de verdade”.

markwahlberg

Donna – Que tipo de pai você é?
Mark – Espero não ser como Dusty. O bom é que Dusty aprende com Brad, e os dois se juntam por causa das crianças. As coisas mais importantes da minha vida são minha fé e minha família. Dei a meus filhos tudo o que jamais tive, mas o importante é criá-los da maneira certa, nesta cidade e neste mundo em que vivemos. Então, ainda tem muito trabalho a ser feito.

Donna – E como foi segurar sua primeira filha nos braços?
Mark – Alegria. Alegria. Amor. Medo, sabe? Todas essas coisas.

Donna – Ainda sente medo? Tem medo de tudo como pai?
Mark – Sim. Muitas coisas ruins podem acontecer. Eles podem se envolver com más influências. Há muito com o que se preocupar. Drogas, violência.

Donna – Você mora num dos estados mais liberais do país. Ensina a seus filhos sobre diversidade, tolerância?
Mark – Sim, com certeza. Acho importante dar a eles o exemplo de um pai e uma mãe ficando juntos. E que não há nada errado em ser normal. Claro que eles têm amigos na escola com pais e mães solteiros e entendem isso também.

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Donna – E quanto à questão dos pais de mesmo sexo? Eles ficam curiosos?
Mark  – Esse tema ainda não apareceu. Mas queremos que eles saibam e entendam que isso é normal também.

Donna – Só pergunto porque sei que você é cristão e segue a religião.
Mark – Sim. Olha, vivemos em 2016, sabe? É importante entender e aceitar tudo o que tem a ver com amor e respeito. Então casamento entre pessoas do mesmo sexo é uma coisa que eles precisam entender e ver como normal.

Donna – Qual o melhor conselho que teve de seu pai?
Mark – Ser homem é sair, trabalhar duro e honestamente, cuidar da sua família. Ter orgulho do que quer que você faça. E respeitar os outros.

Donna – Teve de entrar em forma?
Mark – O roteiro descrevia meu personagem assim, sarado. Tentamos rodar essas cenas primeiro, porque filmamos durante os feriados do fim de ano, quando gosto de comer e beber. Ser festivo!

Donna – A gaúcha Alessandra Ambrosio faz um papel muito pequeno. Ela está começando como atriz, deu algum conselho?
Mark – Bem, ela pareceu um pouco nervosa, mas é muito talentosa e natural. E cada vez que você está num set pode ser diferente. Mas todo o mundo era tranquilo, era um ambiente seguro. Queria que se sentisse confortável e que fosse ela mesma.

Donna – Você se identificou com isso? Porque também foi de modelo para ator.
Mark – Não chegamos a falar sobre isso. Conversamos mais sobre nossas vidas, famílias, filhos, porque a gente acaba se vendo em eventos e tal. Ela conhece minha mulher e tudo.

Donna – Assiste aos shows da Victoria’s Secret?
Mark – Não.

Donna – Verdade?
Mark – Não.

Donna – Já comprou na Victoria’s Secret?
Mark – Não. Mas já fui a um dos desfiles quando minha mulher estava na passarela. Fiquei empolgado, a gente tinha recém começado a namorar. Então queria que o show terminasse logo para ficarmos juntos.

Com Will Ferrell em "Pais em Dose Dupla"
Com Will Ferrell em “Pais em Dose Dupla”

Donna – O personagem de Will Ferrell chora muito. O que faz você chorar?
Mark – Filmes água com açúcar. Meus filhos sendo fofos uns com os outros. Eles tirando boas notas, porque eu nunca fui muito bom com provas.

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