Karol Esser, namorada do surfista Ricardinho, fala sobre a tragédia, a carreira de modelo e a vida na Califórnia

Por Mariana Goulart, equipe Revista Catarina

Linda, alta e platinada. Assim é Karoline Esser naturalmente. Quem vê a bela de 28 anos por aí talvez nem imagine que ela foi uma das protagonistas de uma história que comoveu o Brasil no começo deste ano. No dia 19 de janeiro, as férias seguiam tranquilas na praia da Guarda do Embaú, em Palhoça, quando uma discussão tomou grandes proporções e tirou a vida do surfista Ricardo do Santos. Karol, então namorada de Ricardinho, viu seu mundo desmoronar em apenas um dia. Ele consertava um cano na frente da casa do avô e depois de pedir a um turista – um policial à paisana – que retirasse o carro de onde estava estacionado para finalizar o trabalho, teve sua vida abreviada após levar um tiro, ali mesmo. Ricardinho foi levado ao Hospital Regional de São José, mas não resistiu e morreu. Karol e o namorado viviam uma sólida história de amor. Juntos havia seis anos, o casal planejava morar na Califórnia logo que trocasse alianças.

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Achar Karol em fotos poderosas na internet é fácil, afinal, atualmente ela se dedica ao seu blog e à carreira de modelo, que começou aos 18 anos e teve altos e baixos desde o início. Karol está morando na Califórnia, estudando inglês e tentando levar a vida numa boa. Em entrevista por e-mail para a revista Donna, Karol conta como é o seu dia a dia, sua rotina de beleza, fala sobre o documentário dedicado a Ricardinho e como está cicatrizando seu coração.

O que aconteceu com o Ricardinho foi uma tragédia e você foi morar em outro país, em um lugar onde vocês tinham planos de construir um futuro juntos. Como é viver nesse contexto atualmente? 
O fato de eu ter dado continuidade a esse nosso plano significa para mim continuar forte, passando para ele, onde ele estiver, que eu não abandonaria tudo simplesmente por ele não estar mais fisicamente presente. Sei que ele está aqui comigo, só que de uma outra forma. Creio que essa vibração positiva chega até ele, me vendo sorrir e conquistando os meus objetivos.

E como foi recomeçar a carreira de modelo?
Recomeçar foi uma tarefa nada fácil. Eu estava completamente desacreditada da vida. Eu sofri algumas consequências em virtude do grande estresse que passei com a perda do Ricardo. Emagreci cinco quilos em apenas uma semana, tive uma queda violenta de cabelo, e tudo isso fez com que a minha autoestima fosse parar lá embaixo. O primeiro trabalho após todo o acontecido veio por intermédio da minha sogra – eu tenho o costume de chamá-la assim ainda. Ela me indicou para uma amiga que recentemente inaugurou uma marca de biquínis na Suíça e precisava de alguém para modelar. Então resolvi voltar, meu corpo estava perfeito para fotografar biquínis, afinal, eu estava pesando 47 quilos. A partir daí, eu e Ysa Abbas, amiga e fotógrafa responsável pela maioria das fotos do meu blog, voltamos a conversar sobre algumas ideias de voltar com o site e firmar parcerias. Vi que precisava me ajudar e aceitar que a vida continua e tem duas alternativas: ou você cai ou você se levanta. E não há nada que as outras pessoas possam fazer, só você mesmo. E eu escolhi me levantar.

Existe assédio ou procura maior pelo seu trabalho por causa da tragédia com o Ricardinho?
Com certeza. O mundo do business lida com números e repercussão. Independentemente da sua história, eles querem divulgar os seus produtos onde mais existe possibilidade de retorno para eles. Eu, por um momento, fui o foco, e reconheço isso. Mas também não é algo de que eu tenha me aproveitado, pois trabalhei duro para que isso viesse a acontecer mais cedo ou mais tarde. Também fico tranquila, pois sei que o Ricardo apoiava tudo isso, tanto que o meu primeiro trabalho de retorno como modelo ele fez questão que fizéssemos juntos. Foi um trabalho lindo para a Billabong Brasil, do qual tenho muito orgulho.

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Você se sente incomodada quando as pessoas falam ou querem saber da sua história ao lado dele?
Não, nem um pouco, eu gosto de falar sobre ele ou sobre nós. Quem não gosta de falar sobre algo bom na sua vida? Claro, depende da abordagem das pessoas. Mas entendo que as pessoas têm curiosidade. Se eu sentir uma vibe boa eu falo, se não, peço desculpas e digo que não gostaria de falar sobre o assunto no momento.

Como foi o seu envolvimento no projeto do documentário Allianz Capítulo Perfeito, realizado recentemente pela Billabong?
Fui convidada para ir até Portugal receber uma homenagem para o Ricardo em nome da família dele. O documentário foi gerado por causa desse campeonato de surfe que tem o nome de Capítulo Perfeito, pois era um campeonato para o qual o Ricardo foi selecionado por votação na internet para representar o Brasil. Como muitos sabem, a especialidade dele era tube rider, e esse é um campeonato de tubos. Porém, ele veio a falecer alguns dias antes de partir para Portugal, e a organização do evento teve a iniciativa de homenageá-lo de várias formas. Todas as lycras do evento tinham o nome dele nas costas. Uma das homenagens foi feita na Câmara Municipal de Cascais, onde o prefeito, comovido, homenageou o Ricardo de forma muito emocionante. Fui convidada a assistir ao campeonato até o fim, e uma das premiações foi um troféu com o nome Ricardo dos Santos para a melhor performance do campeonato. Ele fizeram questão que eu entregasse o troféu ao vencedor. Foi muito lindo todo esse ato de carinho, e eles resolveram fazer um documentário do qual tenho muito orgulho de ter participado. Emocionante, mas foi apenas uma pequena
participação minha no documentário.

Qual a sua relação com a moda?
Eu nunca estudei sobre moda, apenas fico antenada nas tendências, leio bastante sobre o assunto, mas nada de ficar horas estudando. Prefiro ter um estilo próprio e, se o que está na moda me agrada, adapto ao meu estilo. Acho que se você se sente confortável com o que está vestindo, transmite confiança para as pessoas e acaba convencendo-as de que aquilo pode ser uma boa ideia e serve de inspiração para elas.

Como você começou a carreira de modelo?
Comecei aos 18 anos. Eu tinha um amigo que era modelo, ele sabia da minha afinidade com as câmeras e resolveu falar de mim para o seu booker. Foi quando tudo começou, mas não durou muito; continuei por mais dois ou três anos e resolvi seguir sozinha buscando trabalhos que tivessem mais a ver com o meu estilo. Mas quando você escolhe trabalhos e pessoas com quem gostaria de
trabalhar, tudo fica muito mais restrito, e cheguei a parar de trabalhar por uns três anos. Aos 25, tive uma conversa com o meu namorado, o Ricardinho, e trocamos uma ideia sobre a minha vontade de voltar a trabalhar como modelo. Nessa época, ele estava lançando a sua coleção junto com a marca patrocinadora, a Billabong, e precisava fazer as fotos da campanha, então decidimos fotografar juntos. Retomei a carreira e comecei a expor meus novos trabalhos pelo meu blog.

Quando surgiu o seu blog? Como você escolhe seus clientes e faz a curadoria dos assuntos?
O blog surgiu há mais ou menos dois anos. A ideia inicial era mostrar os meus trabalhos de modelo, como um portfólio online. Mas acabou que algumas pessoas me procuraram para fechar parcerias e divulgar seus produtos por conta da repercussão que teve. Com relação aos clientes, eles me procuram querendo divulgação e, na maioria das vezes, deixo claro que gostaria que escolhêssemos juntos as peças que têm a ver com o meu estilo. Se não tiver, tento ao máximo adaptá-las. Porém, sempre que vejo um produto de que gosto, sem medo me dirijo à marca e negocio uma parceria.

Como é seu dia a dia?
Bom, eu vim morar na Califórnia para aprimorar o meu inglês, e as minhas aulas são durante a semana. Quando não estou na escola, vou para a academia ou para a praia encontrar com os amigos. Tenho muitos amigos brasileiros que moram aqui, então procuramos sempre estar juntos, seja para contemplar o fim de tarde ou assistir ao surfe deles.

Quais são os seus cuidados com a beleza?
Uma coisa que prezo muito são os cuidados com o sol, principalmente com o meu rosto, então procuro estar com filtro solar e usar chapéu ou boné sempre que vou à praia. Aqui na Califórnia, por ser um deserto, o cuidado deve ser redobrado, por isso procuro sempre beber muita água para não me desidratar. Aqui é hard. Eu tive que aprender passando por uma desidratação assim que cheguei, pois estava em um lugar de clima seco e me esqueci de ingerir líquido. Fiquei de cama uma semana e meia com febre, e foi o suficiente para entender que não estava mais no meu país e que os cuidados comigo deveriam mudar radicalmente. Com relação ao corpo, tenho feito exercícios aeróbicos e musculação na academia, já que os alimentos aqui são mais enriquecidos com hormônios e isso exige que você dê o seu máximo nos exercícios, senão você se perde e engorda facilmente.

Seu pai é dentista e você trabalhava no consultório dele. Pensa em se dedicar a outra profissão?
Eu sou formada em Administração e a minha função lá no consultório é administrar. A minha carreira de modelo é algo que amo fazer, mas que fica em segundo plano, pois estou com 28 anos de idade e sabe-se que essa é uma carreira de curto prazo; logo terei que abandoná-la. Mas quem sabe continuo no mundo da moda, porém em outra área que não seja a de modelo, pois a beleza não dura para sempre.

Você tem alguma crença ou religião?
A minha família é católica, cresci nesse meio, mas nunca fui de praticar a religião ou estudá-la mais a fundo. Eu acredito que cada um tem a sua crença e que no fim das contas o que importa é quem você é e o que você faz, buscando sempre ajudar o próximo e fazer o bem. Diante da situação que passei recentemente com o Ricardo, tenho buscado me apoiar no que acredito. Algo importante que me ajudou muito foi o fato de eu selecionar bem as pessoas que estão ao meu lado. Acredito que a energia é que move o mundo, e que você participa dessa troca entre as pessoas constantemente, por isso eu aprendi a estar somente entre as que emanam boas energias. Cheguei a fazer um curso, quando aprendi a meditar, o que tem me ajudado bastante com essa questão
desde então.

Como você definiria a Karol?
Sempre que me fazem essa pergunta, fico um bom tempo pensando, pois é muito difícil se autodefinir. Acho que estou em constante mudança, sempre aprendendo diante das surpresas e das experiências da vida, e isso faz com que eu mude o meu ponto de vista e a minha postura de tempos em tempos, mas sempre tento me manter paciente e equilibrada.

Quais são os seus planos para o futuro?
Tenho alguns projetos para 2016 que estão em andamento. Um deles será desenvolvido no Havaí, estou embarcando para lá em dezembro. Esse é um projeto que envolve a minha história com o Ricardo, e estou 100% focada nele neste momento, já que é algo de muita responsabilidade para conseguir passar a mensagem correta a todos. Não poderei entrar em mais detalhes, mas é algo feito com o coração, com o intuito de passar algo muito positivo para as pessoas. Quanto a mim, volto para o Brasil em janeiro de 2016, onde ficarei por pouco tempo, e retornarei para a Califórnia mais adiante para retomar os estudos e colocar em prática os projetos novos que envolvem o meu trabalho como modelo.

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