Meghan Markle quebra protocolos e esbanja atitude: por que a noiva do príncipe Harry é tão popular

Foto: AFP
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A arte imita a vida ou a vida imita a arte? Vejamos. Por muito tempo, as meninas imitavam as princesas dos contos de fada. Sonhavam com vestidos, bailes e, sobretudo, com o dia em que o príncipe chegaria – metáfora do sonhado casamento com um bom partido. Décadas se passaram e até a Disney concluiu que não era mais isso que as meninas de hoje almejavam. Era preciso princesas com outros perfis e ambições: surgiram guerreiras como a Valente, a amizade entre as irmãs de Frozen, a aventureira Moana… até a Bela ganhou uma nova versão com ares feministas na pele de Emma Watson.

Em 19 de maio, chegará a hora de a vida imitar a arte mais uma vez: o dia em que o príncipe britânico Harry se casará com a notável Meghan Markle.

Meghan é uma figura inusitada pelos mais diversos vieses. É três anos mais velha do que Harry – tem 36 anos, mesma idade da concunhada, Kate Middleton -, e já foi casada. Após seis anos de namoro, se casou em 2011 com um produtor de cinema, de quem se separou amigavelmente em 2013. As origens de Meghan são uma salada étnica: é norte-americana criada no Canadá, filha de mãe negra e pai branco de origens germânica e irlandesa.

Profissionalmente, a futura Duquesa de Sussex já era uma atriz conhecida pelo seriado Suits. Graças aos seus looks na série, que gira em torno do mundo da advocacia, Meghan assinou uma linha de roupas na Reitmans, marca canadense de fast fashion. Além disso, mantinha um site com dicas de viagem, moda e estilo de vida.

– Sim, ela é ótima. Em que pese isso, acredito que mesmo se fosse desejo da família real que o príncipe se casasse com uma mulher de perfil mais tradicional, seria complicado. É cada vez mais raro encontrar mulheres interessantes sem essa multiplicidade de interesses e ambições. E ainda que houvesse uma abundância delas, não acho que interessariam alguém como Harry – comenta a jornalista Gabi Chanas, que cobriu o casamento entre o príncipe William e Kate e está de passagens para Londres compradas para maio.

Conforme observa Gabi, apesar da “fama de fanfarrão”, o príncipe Harry é uma figura que vem ganhando cada vez mais carinho do povo britânico. Sob menos pressão, já que é praticamente nula a chance de ele ser rei (a linha de sucessão é o irmão, William, seguido do sobrinho, o pequeno George), o príncipe ruivo sempre foi um tipo despojado, namorador e, por vezes, polêmico.

Com o tempo, deixou para as capas de tablóide e hoje é popular pela simpatia e por ter exposto fragilidades em entrevistas recentes, como um episódio de depressão depois da morte da mãe, a princesa Diana. Ele também ganhou pontos com os plebeus pela dedicação recente a trabalhos humanitários na África, interesse em comum com Meghan.

Enquanto Meghan é embaixadora de uma ONG canadense relacionada a água potável em Ruanda, Harry tem trabalhos vinculados a educação infantil em Losoto e ambientais em Botswana – país que também foi o destino da primeira viagem romântica dos dois, um acampamento sob a luz das estrelas. Um amigo em comum (até hoje não confirmado) percebeu as semelhanças entre os dois e agendou um “encontro às escuras” em julho de 2016, quando um não sabia praticamente nada sobre o outro. Acertou em cheio. Mesmo enquanto Meghan morava no Canadá, o casal nunca passou mais de duas semanas sem se encontrar. O noivado veio em novembro do ano seguinte.

Meghan já foi porta-voz da ONU Mulheres e apoia iniciativas de igualdade de gênero. Isso, desde muito cedo. Aos 11 anos, incomodada com o texto de um comercial de detergente voltado a mulheres, Meghan escreveu uma carta à empresa de produtos de limpeza. O texto do comercial mudou de “mulheres” para “pessoas” e a pequena Meghan foi parar no noticiário do canal infantil Nickelodeon. O vídeo, de 1992, viralizou recentemente no YouTube.

– Acho importantíssimo ter alguém desse perfil em uma família real de verdade pelo exemplo que projeta às meninas – avalia a educadora Lisiara Rocha, que promove cursos de “desprincesamento”. No curso, as educadoras “plantam a sementinha” de um questionamento a estereótipos de gênero, como o de as meninas serem frágeis.

– A questão não é ser princesa, a questão é ser só princesa. Não atacamos as princesas. O conceito é desconstruir para construir outro no lugar.

Problema é que, a partir do noivado com Harry, Meghan passa por um “princesamento” que pode ser asfixiante. Ela já abdicou da carreira de atriz e de seu site. Suas redes sociais, na semana que passou, também foram encerradas. A divulgação do seu cotidiano passará pelo crivo da realeza, e será publicado apenas nos perfis oficiais. Espera-se que Meghan encontre formas de se expressar mesmo dentro de tantas amarras e protocolos. E protocolos não faltam: semanalmente, Meghan quebra alguns deles, como usar um coque de cabelo proibido ou participar de um evento sem meia-calça.

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– Por lá, se acredita que Meghan possa ser importante para aumentar o diálogo com os britânicos via redes sociais. Algo, de carta forma, parecido ao que a rainha Elizabeth fez ao decidir passar sua mensagem de Natal via TV em vez do rádio, conforme mostra esta temporada do seriado The Crown (da Netflix) – compara Gabi Chanas.

Sem dúvida, um desafio. Mas o perfil realizador de Meghan é tão reconhecido que, nos bastidores de Suits, a atriz ganhou o apelido de “MSH Megan”, de “make shit happen” (algo como “Megan Faz Acontecer”). Até aqui, a família real e a mídia é apenas elogios à futura membra. Até os famosos cães da rainha simpatizaram com ela.

– Pelos últimos 33 anos eles latiram para mim. Essa aqui entra e absolutamente nada! Apenas rabinhos balançando – comentou Harry em entrevista à BBC.

Quatro corgis não podem estar errados.

E O VESTIDO?

Estão abertas às apostas sobre qual estilo de vestido de noiva Meghan Markle escolherá. Só o que é certo é que o modelo ditará moda por pelo menos três anos. Estilista internacional de vestidos, a gaúcha Solaine Piccoli se gaba de ter acertado “cerca de 70%” do modelo escolhido por Kate Middleton para o casamento com o príncipe William em 2011. O que mais ditou tendência foram as mangas longas, que praticamente ressuscitaram e são requisitadas em vestidos de noiva até hoje.

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– Errei o cabelo. Não imaginei que ela fosse se casar de cabelos soltos, pois o cabelo preso simboliza compromisso – conta Solaine.

O cabelo solto, na visão da estilista, pode se repetir com Meghan. Solaine aposta ainda em um modelo com decote, mas sem ser vulgar, e em algum toque moderno surpreendente para combinar com a sua personalidade inusitada, como uma sobressaia, por exemplo, cobrindo um modelo mais ajustado ao corpo.

Pode (ou não) ser uma pista, mas a personagem de Meghan já se vestiu de noiva em Suits. Se o modelo servir como inspiração, Solaine terá acertado em cheio no decote.

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