Mulheres no esporte: atletas profissionais contam seus dilemas

Craques como a jogadora de futebol Marta exigem igualdade de tratamento em relação aos atletas homens (Foto: Michaeker Kappeler/AFP)
Craques como a jogadora de futebol Marta exigem igualdade de tratamento em relação aos atletas homens (Foto: Michaeker Kappeler/AFP)

A maior artilharia da história da Seleção Brasileira: 100 gols, cinco a mais do que Pelé. Destes, 15 em Copas do Mundo. Na próxima, pode superar o alemão Klose, recordista com 16 gols. Prêmios de melhor do mundo Fifa, são cinco, o mesmo que o argentino Lionel Messi. Além disso, são duas pratas em três Olimpíadas disputadas. Marta é uma lenda do futebol independentemente de ser comparada a homens ou mulheres. Mesmo contando com uma atleta desse quilate, a Seleção Brasileira feminina permanente corre o risco de ser extinta. Tudo depende dos Jogos do Rio.

– O futebol feminino vai morrer se a gente não ganhar a medalha de ouro? Tem de plantar agora e colher depois de um tempo. Você não quer colher agora sem plantar nada, né? Aí não sai m… nenhuma – questionou a atacante em entrevista coletiva a cinco dias da estreia na quarta Olimpíada, contra a China.

Se os brasileiros valorizassem mais o futebol feminino, essa disparidade entre o tratamento das duas seleções seria diferente, certo? As atletas da Seleção dos EUA, campeãs do mundo em 2015, provavelmente discordariam. Cinco delas ingressaram com um processo contra a federação americana de futebol questionando o fato de, mesmo sendo campeãs do mundo e recordistas de audiência na TV, receberem menos do que o time masculino.

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– Sempre fui a chata que faz as perguntas que ninguém quer ouvir. Esse pensamento de que merecemos ganhar menos, de que o amor pelo esporte basta, é incutido nas atletas há muito tempo. Mas é minha obrigação construir um futebol nos Estados Unidos para as garotas que vierem depois de mim – declarou a goleira Hope Solo, em entrevista ao site Vox.

Hope reclama ainda que os comerciais e ensaios ressaltam sua beleza, e não seu desempenho atlético. Algo raro entre atletas masculinos top de linha.

– Agora mesmo, estou no dilema de fazer ou não uma capa de sutiã e colant em troca de dinheiro. Considerando me objetificar se quiser complementar minha renda como atleta – afirmou ao Vox.
Falar sobre Marta ou sobre Hope Solo, estrelas da Olimpíada que se iniciou nesta semana, pode parecer distante da realidade de mulheres praticantes de esportes de forma amadora ou até profissional Brasil afora, mas é menos do que parece. As lutas delas são a ponta de um iceberg da desigualdade de gênero que surge desde o início da prática de esportes, entre meninos e meninas.

A jogadora americana Hope Solo (Foto: AFP)

A jogadora americana Hope Solo (Foto: AFP)

Uma brasileirinha que é um fenômeno do futebol, como era Marta na infância em Alagoas, cresce sabendo que talento pode não ser o suficiente para garantir seu sustento. Um incentivo e tanto para desistir, não é mesmo? Ajudaria a ganhar mais dinheiro, talvez, ser uma beldade como Hope Solo. Ronaldinho Gaúcho passaria por isso?

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