Shana Müller lança DVD nesta terça no Theatro São Pedro e celebra a chegada do primeiro filho

Some o sétimo mês de gestação de uma mãe de primeira viagem + a finalização do primeiro DVD + os últimos ajustes do show de lançamento + uma rotina intensa de trabalho antes da licença-maternidade + uma obra em casa. O resultado é igual à correria atual na vida de Shana Müller, que sobe ao palco do Theatro São Pedro nesta terça. Mas a cantora e apresentadora do Galpão crioulo, na RBS TV, garante que é assim mesmo que ela funciona: tudo ao mesmo tempo agora.

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Na prática, foram duas gestações, a de Gonçalo e a do DVD Canto de interior. E, em meio a tudo isso, uma história de amor. Em maio do ano passado, Shana, 36 anos, estava em Santa Maria no dia seguinte a um show, quando alguém lhe cutucou: era um amigo dos tempos de infância no Alegrete que não via há anos. Colocando o papo em dia, Juliano Chibiaque, hoje médico residente em cirurgia digestiva, contou que havia ido na apresentação da noite anterior, mas não conseguira falar com ela porque atendera ao chamado de um dos hospitais onde atende. Foi o que bastou para retomarem o contato.
Quatro meses depois, às vésperas do 20 de setembro, Shana estava de partida para um compromisso no Alegrete em uma rara folga na data quando Juliano a convidou para participar do desfile farroupilha na cidade onde haviam se conhecido. Ela, por sua vez, ganhou a estrada direto de um show e chegou lá cedinho. E assim, em pleno feriado gaudério, começou o namoro dos pais do Gonçalo. E namoro sério.

– Eu queria ser mãe, ele também já queria ser pai… E aí decidimos deixar acontecer: se for para ser, vai ser.

E era. Em 12 janeiro, Shana descobriu que estava grávida.

– Ser mãe sempre foi uma certeza. Cada vez que a gente faz um disco, uma música, pensa: “Ah, vai ficar para a posteridade”. Mas um filho é a continuidade da tua existência, a memória dele vai levar adiante o que tu fizeste, o que tu foste. Esta é de fato a herança que a gente deixa.

Mas, antes de Gonçalo, nasce o DVD, gravado em um show com direção musical de Duca Leindecker e direção de Rene Goya e muitas participações especiais, na fazenda dos pais de Shana em Val de Serra, localidade de Júlio de Castilhos. Canto de interior é também o título da única composição de Shana no repertório, ao lado de Paulinho Goulart e Zelito.

– Esta música é um resumo de tudo o que o álbum quer mostrar: fala de um interior artístico e cultural, da minha própria história, de ter vivido em muitas cidades do Interior e ter enxergado esse Estado, tão diferente em cada região, mas representado por uma cultura única fora daqui – avalia Shana. – E o quanto voltar para casa propicia voltar para o interior da gente mesmo. Então, não é coincidência no interior de mim ter um novo ser.

E filho de cantora de música regional, regionalista é – ou, espera-se, vai ser. Gonçalo já tem uma coleção de bombachas e alpargatas, que Shana vai ganhando de fãs e amigos, inclusive do parceiro de Galpão, Neto Fagundes. O chá de fraldas foi temático: o Galpão de Gonçalo. O quarto tem ovelha, gauchinho, vaquinha… E o acaso pode ser, de novo, decisivo. Se foi em um 20 de setembro que Shana e Juliano se aproximaram novamente, talvez no próximo feriado eles possam finalmente ter o filho nos braços.

Foto: Felix Zucco

– Não é que fecho 40 semanas no dia 22 de setembro? Aí todo mundo fala: “Tu vais marcar para o dia 20, né?”. Não, né, gente! Imagina, o guri é capaz de querer sair tatuado do hospital (risos). Vai dizer: Ah, não, mãe apresentadora do Galpão crioulo, cantora de música nativista, pai gaúcho que adora “pra fora”, cria gado, e eu ainda vou nascer no dia 20 de setembro? – brinca Shana.
E completa: – Que seja no dia 21, né? Até porque, dia 20 a mamãe geralmente trabalha…

Música regional gaúcha X mulheres

“Somos poucas cantoras, quase nenhuma compositora, instrumentistas mulheres menos ainda. De fato há poucas mulheres no nativismo. As causas ainda são uma incógnita, merecem um estudo mais aprofundado. Talvez porque as temáticas sejam mais voltadas para o masculino: a força bruta, o trabalho no campo, a história forjada em cima das figuras masculinas, a nossa cultura muito baseada na Revolução Farroupilha, nas guerras… Tu vais pincelar poucas personagens femininas no meio disso tudo. Quando um compositor faz uma música, traz muitas vezes esses personagens, e não vai chamar uma mulher para cantar.
Avançamos no meio tradicionalista como se avançou em toda sociedade. Mas talvez a gente tenha que usar mais a ferramenta da música como transformação… Mas o fato de eu estar lá no Galpão crioulo depois de 30 anos com apenas homens apresentando o programa tem um significado. Não é só a minha presença: uma visão feminina acaba entrando no conceito do programa, na concepção, no texto e no que ele representa.”

Assista ao vídeo:

O SHOW
Shana Müller apresenta seu primeiro DVD, Canto de interior, hoje, dia 2, às 21h, no Theatro São Pedro (Praça Marechal Deodoro). Ingressos a partir de R$ 30.

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