Singapura: roda-gigante de empatia e educação

Eu diria que o sucesso de Singapura é um reflexo da diversidade. Não uma diversidade daquelas que a gente depara em cidades cosmopolitas como Nova York ou Londres, com misto de tribos, modas e extravagâncias. É diferente. É uma diversidade na essência que resultou neste país que dá certo. Sabe aquela palavrinha que está na moda? Empatia? Vamos por aí.

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Singapura não tem raça. Fica na Ásia, mas foi colonizada pelos britânicos, fez parte da Malásia antes da independência, e, atualmente, conta com 72% de chineses na sua população. Não tem origens ou tradições bem definidas e gosta disto. Ostenta um orgulho de seus bairros étnicos – que são réplicas dos países vizinhos, como Índia, Malásia e China – e fala a língua que der na telha, tendo sempre como base o inglês. Visionário.

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Religião? A que quiser. Templos, sinagogas, mesquitas e igrejas estão espalhadas para dar conta da fé dos 5 milhões de habitantes. Cada qual com a sua. É o tal do respeito que funciona bem por lá. Amém.

Não é fraqueza aceitar a ideia alheia. Se determinados povos asiáticos não podem andar na roda-gigante que gira no sentido anti-horário por conta da superstição, por que não mudar a engrenagem? Não é uma metáfora, o ajuste foi realizado.

É de pequenino que se torce o pepino. Os estudantes são direcionados para escolas e faculdades por meritocracia e convivem desde cedo com obras de Botero, Dalí e Miró pelas esquinas. Aliás, a arte está liberada. Na arquitetura dos prédios, nos jardins e em qualquer canto que se preze há uma intervenção. Basta ficar atento à volta. Depredação? Sem chances. Há uma política forte de multa. Lixo no chão, alimentar os pombos, fazer xixi no poste, tudo isto custa bem caro, e, de cara já basta a cidade – considerada uma das mais do mundo.

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Os meninos singapurenses têm chances altas de se transformarem em adultos bem resolvidos, sem preconceitos e com a cabeça aberta. Trata-se de uma fusão do investimento na educação com a convivência multicultural agradavelmente imposta. Apesar da melhor universidade do mundo estar situada por lá e estar aberta para todos, dos índices quase nulos de violência e de 92% dos habitantes terem casa própria, o que, para mim, torna Singapura o país modelo é a tolerância e a vontade genuína de compreender o outro. Mesmo que tudo isto pareça fluir em círculo.