Hotel Le Burgundy: Place Vendôme é o quintal de casa

* A jornalista se hospedou no Hotel Le Burgundy a convite da Agência Diário de Bordo.

Eu me encantei por Paris bem antes de aterrissar, há 10 anos, no Charles de Gaulle. Quem flechou meu coração foi um cupido chamado Claude Chauvin. Um professor de francês completamente apaixonado pela profissão e por suas origens, que além de trazer à tona verbos, dicionários e dicções, abria mapas e livros da cidade e descrevia cada canto com uma narrativa impecável.

paris-ida-e-volta(1)

Enquanto eu terminava as tarefas na mesa posicionada em frente a um fogão à lenha em desuso gastronômico, mas carregado de vasos de flores paparicadas com esmero, preparava um café crème – daqueles que eu deveria pedir acompanhado de um pain au chocolat quando visitasse a Cidade Luz. Para não me abandonar no período em que estivesse dosando o açúcar e o café exato de sua receita na cozinha, selecionava um disco de música clássica para tocar. “Chopin”, gritava ele, “viveu até sua morte no Place Vendôme”.

Ao som de Tristesse, equilibrando a xícara antes de depositá-la ao meu lado, apontava entre os monumentos em miniatura: “Ele morava ali ó, e Chanel também…”. Vez ou outra, não satisfeito, dobrava o mapa e guardava junto ao meu material de estudo na mochila. Para apreciar em casa. Claro, que eu nem o abria nos dias de folga. Mas estava ali. Andando comigo, para cima e para baixo. Como hoje.

fe-pandolfi-frança

Quando desembarquei pela primeira vez por estas bandas, senti como se visitasse um velho amigo. Estava em casa. Sabia que rua deveria pegar e qual ponte atravessar para encontrar o sorvete maravilhoso. Mas suspirei quando deparei com o Place Vendôme e a Rue Saint-Honoré. A história e a moda caminhando juntas. Não sei se vocês sabem, mas a moda faz sentido. E completa a história.

frança-fernanda-pandolfi

Por isso, minha alma se encheu quando cheguei ao Hotel Le Burgundy e reconheci que estava onde deveria: na esquina da Honoré com o Place. Bem menor que os grandes hotéis de redes renomadas que a gente vê por aí, o cinco estrelas é do jeito que a gente gosta. Intimista, com uma equipe gentil – que, cá entre nós, sabemos que não é o forte dos parisienses -, e o serviço impecável.

No meu primeiro dia, estava trabalhando um bocado e, como não tem cafeteira no quarto, pedi alguns bules de café em horas. No final, fizeram questão de não me cobrar, foi uma cortesia. É um detalhe. Mas não é isto que pega? No final de semana que gastei por ali, obviamente, não deixei a região. Aproveitei para caminhar nos arredores, jantar e almoçar em lugares estratégicos e aproveitar o que é intitulado “coração de Paris”. Diria que o Burgundy é uma válvula discreta no sistema cardiovascular que ainda lhe recebe com um SPA após um dia de circulação. Pas mal.

PARIS-FRANÇA-IDA-E-VOLTA

Antes de fechar a mochila e rumar para outros lados de Paris – não tão longe, confesso – passei em uma destas cafeterias de esquina, com as cadeiras voltadas para o movimento da rua. Entrei, saudei, pedi uma mesa para um, por favor, vou comer, sim, a omelete pode ser com tomate?, tá bem, então, uma omelete, por favor, para beber?, água da torneira está ótimo, obrigada. No final do serviço, o garçom questionou: não reconheci o sotaque, de onde você é? Sorri e respondi: sou brasileira. No que ele rebateu: sério? O seu francês é muito bom, mora ou morou aqui? Merci, respondi. Morei, sim – mas, definitivamente, não foi isso que fez a diferença, pensei. Antes que ele se afastasse, brindei: monsieur, l’addition! Ah, je vais prendre aussi un café crème et un pain au chocolat, sil vous plâit.

Algumas dicas da região do Hotel Le Burgundy:

Ferdi – o restaurante é um dos mais descolados de Paris e ficou ainda mais famoso depois que Kanye West e Kim Kardashian disseram bater ponto por lá. O carro-cheffe da casa é o hamburguer, mas tem que chegar cedinho, já que são produzidas apenas 50 unidades por dia.

Le Soufflé – um restaurante que só serve soufflé. Exatamente! Se você é fã, não pode deixar de conhecer. A receita é perfeita – variam os tamanhos e sabores.

Ladurée – são várias espalhadas pela cidade, mas tem uma bem pertinho do hotel. É parada obrigatória para os apaixonados por chás e doçuras.

Jardin des Tuileries – este será o seu parque pertinho do hotel. Nada mal, hein? O jardim fica localizado perto da roda-gigante e da Praça Concórdia e fica especialmente cheio aos finais de semana. A dica é passar a manhã por lá e aproveitar o almoço em algum dos restaurantes.