Abu Dhabi: dicas de passeios, hábitos e pré-viagem

Se a palavra extremo tivesse um lugar como sinônimo, certamente seria os Emirados Árabes. Ao primeiro olhar, tudo parece excessivo: dinheiro, ostentação, regras, luxo, machismo, religião, deserto. No entanto, logo depois de quase cegar e espremer os olhos para se acostumar com tanto brilho, a gente vai percebendo a falta que tem em tudo aquilo que ainda é imaturo, mas capricha na maquiagem e no salto alto para parecer mais velho e aparentar sabedoria e imponência.

Pensa cá comigo: Dubai e Abu Dhabi, que são os dois pedaços que conheci, são mais novos que os meus pais. Ambos se tornaram independentes em 1971 e começaram esta busca louca pelo turismo em um tempo recente. Não tendo história, que é o principal atrativo para viajantes do mundo todo, resolveram adotar as palavras maior e mais como prefixo obrigatório em tudo que construíssem. Então, prepare-se para a grandiosidade, arrume o espaço no bolso e, como regra básica de qualquer viagem – principalmente a outro continente -, vá de mente e coração aberto. Respeite. Tente entender. Esforce-se. Aprenda. Divita-se, afinal. Assalamu Aleikoum!

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Dicas de Abu Dhabi

Pré-viagem

Já vá com o hotel reservado, não deixe para última hora. Lembre-se de que apesar de ser voltada também para o turismo, Abu Dhabi tem menos da metade da área de Porto Alegre, por exemplo, o que torna o espaço restrito e, com grandes eventos, lota tudo rapidinho.

Visto: brasileiros precisam encaminhar o visto de turista, trânsito ou visitante com uma agência de viagem – se a ideia é ir dentro de um mês, talvez seja necessário encaminhar um visto de emergência. Ah, caso você esteja indo de Emirates, a companhia aérea faz o serviço. Nada mal.

Roupas: você está indo para o deserto, né? Leve roupas leves, mas focando que o país é praticante do islamismo e mulheres não devem “expor a figura”. Calças mais soltas, saias longas e camisetas de manga curta são as melhores pedidas. Aquele lenço amigo para cobrir a cabeça nas mesquitas também é importante. Rasteirinhas facilitam na questão do tira e bota de calçados ao entrar em lugares sagrados e, caso tenha, uma bota de trilha cai bem para os passeios no deserto. Óculos escuros, chapéu e muuuito protetor solar – que é sempre mais barato comprar no Brasil.

Hábitos e costumes

A tal da burca: gefernanda-em-abu-dhabinte, não dá para se chocar. Faz parte. O estilo das burcas – mais tapadas ou menos – varia conforme a tradição de cada família, por isso você verá desde mulheres que usam só o lenço cobrindo o cabelo até mulheres que deixam só os olhos à mostra e colocam ferros em frente à boca. O cabelo sempre será coberto, pois é considerada a parte mais sensual da mulher. E vou dizer: você pode sentir pena, achar estranho, querer se revoltar por elas, mas a maioria gosta da tradição – ou está acostumada. E, caso você não sabia, a burca só é vestida no momento de sair de casa, quando elas estão em família ou entre amigas vestem roupas normais.

 

Mulher sem burca: acostume-se a ser o alvo dos olhares masculinos. Mesmo que só a panturrilha esteja de fora, eles vão olhar como se você estivesse de traje de banho. O motivo é óbvio: não é normal, somos diferentes, ousadas, fora dos padrões. Ninguém vai abordar você, mas se você se incomoda muito com o assédio, é interessante não andar sozinha, sempre acompanhada de um homem. De qualquer forma, para evitar a fadiga, não custa se tapar um pouquinho.

Bebida alcoólica: obviamente, por questões religiosas, beber na rua nem pensar. Da mesma forma, encontrar bebidas alcoólicas para vender fora dos hotéis e restaurantes pode ser um tanto difícil, não é hábito. Quando você encontra, prepare-se para o preço nada acessível. É tipo especiaria.

Final de semana: é diferente dos nossos. O dia “santo” deles é a sexta-feira e não o domingo, como no cristianismo. Fique atento para não marcar de ir a parques, shoppings ou atrações que podem estar fechadas às sextas e, talvez, nos sábados.

Boas-vindas: sempre que você chegar a um lugar que tiver café e tâmaras, aceite. É um sinal de boas-vindas da casa e, quando você recebe, está dizendo sim ao afeto.
Dito isso, vamos às dicas de passeios? (Antes de mais nada, deixo uma quente aqui: contratamos uma guia romena que falava português perfeitamente e sabia muito sobre a cultura local. O nome dela é Silvana Ramona, segue aqui o Facebook dela para contato direto.

Grande Mesquita Sheikh Zayed: sem dúvidas, o principal atrativo turístico de Abu Dhabi. Vá de manhã, sempre melhor ir cedinho para evitar as filas e a lotação. É importante ir com a roupa adequada – calça, manga comprida e lenço na cabeça. Minha mãe estava com uma calça jeans estilo rasgadinha e foi barrada, precisou comprar uma burca e gastar uma banana. Se possível, contrate um guia para lhe explicar tudinho daquele lugar, que é uma das construções mais impávidas do mundo.

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Palácio dos Emirados: palácios não faltam por estas bandas. O Palácio fica lindo iluminado à noite – por dentro não achei lá essas coisas, confesso. Atualmente, funciona como um hotel, então também é possível reservar um dos restaurantes internos para um jantar ou almoço. Talvez seja a melhor maneira de aproveitar o espaço – se não hospedado.

Yas Marina Circuit e Parque Ferrari: apaixonados por carros e velocidade não podem excluir esses dois pontos da programação. O primeiro é um dos principais autódromos do mundo e há a possibilidade de dirigir em um carrão pela pista. O segundo é um parque de diversões temáticos da Ferrari e tem a montanha-russa mais veloz do mundo.

Hospital dos Falcões: não consegui visitar esta atração, mas estava nos meus planos, fiquei frustrada, admito. É um lugar para cuidar dos falcões – que andam aos bandos na cidade – e onde você pode interagir com os bichinhos, tirar fotos e aprender mais sobre a espécie.

Mercado do ouro: Insha’Allah! Muito ouro e por preços do bem. Se você é chegado em joia ou quer presentear alguém importante, reserve um momento para passar pelo Gold Souq, onde a barganha rola solta e as peças são lindas de viver.

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Jumeirah + Rays Bar: quer uma vista especial da cidade? Vá ao entardecer no Rays Bar, no rooftop do Jumeirah hotel. Escolha uma mesa perto dos janelões e curta Abu Dhabi de cima.

DesertoOBRIGATÓRIO. Essa é a programação mais interessante para quem vai aos Emirados Árabes. Basta reservar o passeio com o concierge do hotel ou com alguma agência e se organizar para passar o dia fora da parte urbana, andando em uma 4 X 4 nas dunas e aproveitando o pôr do sol nada básico no deserto. Vai ter camelo, show de dança do ventre, janta típica em tendas no deserto e aquela tatuagem de henna – que dura 15 dias mesmo, então pense bem antes de fazer. Experiência completa! Turistão, mas vale a pena.

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Se sobrar tempo: vá a Dubai. É pertinho e rola um bate-volta para conhecer o Emirado irmão mais famoso. Também vale. Já que está por aquelas bandas mesmo, né?

Extras: shoppings mil, todas as marcas do mundo, restaurantes para todos os gostos, mercadinhos de rua, pimentas, sabores, doces. Experimente de tudo.

Ufa! Acho que temos. Se ficar com alguma dúvida, manda e-mail que a gente responde ou deixa teu comentário logo abaixo.

Have fun!