Programação para curtir a Serra Gaúcha fugindo do óbvio

Juro que não iria fazer este post. Não iria. Só por que vocês não confiaram em mim e não se juntaram ao projeto Intercity Escapes Caxias do Sul, que foi mais do que legal, e aí, quando viram as postagens nas redes sociais, morreram de vontade de passaram a implorar para que eu abrisse o roteiro aqui para vocês. Maaaaaa (como diz um mestre meu), repensei e vou dividir todas as dicas por aqui. E mais: às vésperas de feriadão, que é para vocês terem tempo o suficiente para curtir tudo de mais legal que a nossa Serra tem – fugindo do óbvio de Gramado e Canela. Partiu?

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A base

A primeira dica para poder alcançar todas as cidadelas que vou citar aqui é fincar base em Caxias do Sul. No Intercity, é claro. O hotel é bem localizado e tem um café da manhã que é uma sacanagem com a dieta: com direito a sonho, cuca, pão caseiro e cueca-virada. Deus é pai. Começou a comilança. Dali, é só se programar para todos os dias visitar um cantinho da região.

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Bento Gonçalves

Vinícola Almaunica – foi a nossa primeira parada. A vinícola é pequena comparada às gigantes do ramo, mas tem alguns dos melhores vinhos que degustei ao longo da viagem. Vale o tour e as comprinhas, viu?

Mamma Gema e Pizza Entre Vinhos – Ambos os restaurantes são do chef Pessali, que é um cozinheiro de mão cheia e capricha no ragu, na polenta, nas carnes assadas e massas. De babar. A Pizza Entre Vinhos já pode ser considerada a melhor pizzaria do Sul, acredita? Não dá para deixar de provar a de cordeiro. Já estou salivando.

Bettú – Este cara é a lenda do vinho gaúcho. Aos 71 anos, o enólogo produz suas safras em um laboratório dentro de casa e só recebe grupos de até oito pessoas para degustação. Ao longo da degustação, Bettú vai contando suas anedotas e não tem como não se deliciar com os sabores da bebida, mas também com a essência das histórias deste gringo legítimo.

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Caminho de Pedras

Casa da Erva-Mate – é até vergonhoso, eu sei, mas eu, com toda esta bagagem de viagem nas costas, ainda não conhecia o famoso Caminho de Pedras. Trata-se de uma região de Bento Gonçalves com casas datadas dos anos 1800, que foi recuperada pela família Dall’Onder e hoje abriga um tanto da história da imigração italiana e da cultura gaúcha, como no caso da Casa da Erva-Mate. Além do local ser um charme só, é legal acompanhar o processo de fabricação artesanal da erva que ceva nosso chimarrão de cada dia.

Bez Batti – artista renomadíssimo, Bez Batti se esconde atrás de um muro de pedra que ele mesmo construiu e recebe os amantes de arte que batam na sua porta para espiar suas esculturas. As obras estão todas expostas dentro de sua sala de casa e o ateliê fica no jardim. Uma delícia também passear por lá e valorizar a história deste cara que é craque em trabalhos com basalto.

Casa Vanni – Este restaurante não pode ficar de fora do roteiro. O risoto de carne de panela é um dos carros-chefes da casa, que também é dos anos 1800, e guarda um tanto da cultura italiana. O legal é chegar um pouco antes para apreciar o jardim, a área verde, tomar uma espumante ou vinho com aperitivo e espiar o córrego.

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Pinto Bandeira

Cave Geisse – Vinícola especializada unicamente em espumante, a Geisse é responsável por uma das melhores bebidas da nossa terra. A minha sugestão é apostar na Gave Experience, que se trata de um passeio em um 4X4 em meio aos vinhedos, com direito a parada para degustação com vista para a cachoeira. Vale!

Don Giovanni – Do ladinho da Geisse, a Don Giovanni tem o por-do-sol mais lindo da Serra. Vá ao mirante e peça uma rosé bem gelada para acompanhar as cores da natureza. Ah, se tiver a oportunidade, passe uma noite na pousada da Don Giovanni. Também em uma casa antiga, os quartos foram decorados por artistas plásticos e o café da manhã é supercaseiro.

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Caxias do Sul

Igreja de São Pelegrino – Além de ser a paróquia do padroeiro dos viajantes, o que já sai em vantagem com quem adora a estrada, a São Pelegrino é o lugar que guarda uma coleção imensa de obras de Aldo Locatelli. Vale a pena contratar um guia para entender cada um dos traços pintados nas paredes. Além disso, uma réplica da Pietá produzida no Vaticano foi dada pelo Papa para a igreja. Não é pouca coisa, viu?

Praça Dante Alighieri – É a praça mais famosa da cidade e tem uma estátua de Beatrice, companheira de Dante, em tamanho real, no banco da praça. A peça foi trabalhada em argila por Dalva Conte, que tem ateliê na cidade e faz peças lindas.

Fabbrica – para quem gosta de um agito noturno, a dica é o complexo cultural e gastronômico Fabbrica, que abriga alguns dos bares e restaurantes mais descolados da cidade. Vale ir para o jantar e alongar a noite.

Design sem nome (6)

Estrada do Imigrante

Casas Bonnet – Vá no meio da manhã, faça a colação (um café colonial um pouco mais econômico) e aproveite para fazer o passeio de carretão. A ideia é voltar no tempo e entender os costumes dos imigrantes italianos, que pegavam o transporte para ir trabalhar na roça. Após o passeio e a visitação às casas antigas da região, almoce no restaurante da Casa Bonnet, com direito a capeletti, massa caseira e bufê de sobremesas caseiras, com sagu, pudim e chico balanceado.

7

Flores da Cunha

Vinícola Luiz Argenta – Uma das vinícolas mais incríveis que já visitei no mundo. E olha que não foram poucas. A empresa investe em tecnologia e a decoração, a cave e o ambiente de convivência têm o design caprichado e cada detalhe automatizado. Depois de fazer a visita e se encantar com os modelos das garrafas premiadíssimas, não deixe de almoçar ou jantar no restaurante Clô, um dos mais deliciosos e refinados da região.

8

Ana Rech

Barlavento, Morangos Hidropônicos  – um pedacinho da praia na Serra. É quase isto que a plantação de morangos hidropônicos que atrai turistas e mais turistas a Ana Rech representa. O que começou como uma brincadeira para a família proprietária, acabou se tornando um negócio e, atualmente, acumula filas no restaurante Barlavento por conta dos milk-shakes, geleias e delícias do cardápio preparado com morango. Destaque para a Hospedaria Rio do Vento, que é uma casa pertinho da plantação, com poucos quartos disponíveis, mas um mimo só. Bem ao estilo antigo. Ahhh, como se não bastasse, a família agora também investe no cultivo de cogumelos shitake.

Farroupilha

Cervejaria Artesanal Blauth Bier – Já é point da galera da Serra. Aos finais de semana, o deck com vista panorâmica fica lotado de amantes da boa cerveja que curtem  a vibe, a música e o por-do-sol. Aos mais curiosos, vale apostar na visita guiada na fábrica com direito à degustação. Há menos de um mês, o Le Grand Burger inaugurou seu “foodtruck” nos jardins da cervejaria. Os sanduíches são deliciosos, mas esteja preparado para enfrentar a fila.