Gramado: Murano é logo ali

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“Gente, nem parece Brasil”. Este comentário, frequentemente, faz-me rir. Acho engraçado esta mania dos brasileiros de desvalorizarem o que é original daqui. Depara com um cidadão educado e diz que é comportamento europeu, repara na roupa bonita do amigo e larga aquele pitaco “é de fora, né?”, ou paga muito mais caro em um rótulo de vinho, por exemplo, por ser importado. Desde que tenho circulado um bocado por este mundão, passei a prestar mais atenção no que é nosso de produção e tentando alertar quem está à minha volta de que também poder ser muito bom, às vezes, até melhor. Que me desculpe a Veuve Clicquot, mas gosto mesmo é de um espumante rosé de Pinto Bandeira, que fica aqui do ladinho. Mals aí, Vera Wang, mas prefiro um vestido sob medida com renda brasileira (e mais fácil de realizar as provas e os ajustes). Lembro de um italiano que encontrei em Fernando de Noronha e que há um ano havia passado férias no Taiti. Perguntei qual praia ele preferia: não soube responder. E me deixou envergonhada por ter priorizado visitar Miami a Pernambuco em algum momento na minha vida.

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Mas a história que venho contar é sobre Murano, a ilha de Vêneto, na Itália. Estávamos em Veneza e, como bons turistas, decidimos que deveríamos alugar uma lancha para dar um pulo na região vizinha, famosa pela produção de vidro e cristais. Compramos o passeio no hotel e rumamos em direção a uma das principais fábricas do mundo – a qual, confesso, não lembro o nome agora. A visitação durou algumas horas, nos apresentaram alguns processos de produção e acabamos realizando boas compras ao final da imersão. Foi bacana, mas menos intenso do que imaginávamos. Vendo que estávamos pisando na chamada “terra dos cristais”, esperávamos algo mais experiencial, surpreendente, talvez.

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Passaram-se 10 anos desta ocasião, já visitei a maior loja da Swarovski em Viena, e jantei no restaurante da Bacarat, na França, mas buscando vivenciar experiências com cristais, sem me ligar tanto à fabricação. Quiçá, por isto, quando me sugeriram para conferir a Cristais de Gramado, em Gramado, torci um pouco o nariz. Ah, não, pensei. Deve ser mais uma daquelas funções sem conteúdo, só para reunir turistas. Mas, como já aprendi bem na prática, a gente não deve falar daquilo que não conhece, certo? Neste caso, lá fui eu verificar este empreendimento um tanto inusitado para a Serra Gaúcha. E qual foi a minha surpresa ao perceber que o que temos ali é uma verdadeira aula de história acerca da fabricação do vidro e do cristal. A entrada é gratuita e os shows, que rolam a cada 20 minutos, lotam a plateia de curiosos para acompanhar a explicação dos operários que usam tal e qual a técnica de Murano.

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Mas, o mais divertido, foi poder participar da atração. Escolhi uma cor, assoprei o vidro e aprendi direitinho como confeccionar meu próprio vaso. Soube depois que esta prática é frequente para os artistas que passam por Gramado por conta do Festival de Cinema e o que o Kikito de Cristal – um dos prêmios mais relevantes do programa – vem direto de lá. Bom, afora isto, vale conferir as taças de espumante personalizadas, a imensa loja de joias e até a cafeteria, que tem um chocolate-quente supimpa. No final das contas, um programa fora do comum e inusitado para a Serra. Não é que foi legal?

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Para mim, foi mais interessante do que a visita à fábrica de Murano, lá atrás. Só comprovando mais uma vez que devemos desistir de lançar meios olhares para o que é daqui e prestigiar e aproveitar as oportunidades que colocam pertinho da gente.

*Texto em formato branded contente para o projeto Blogueiros Viajantes e Cristais de Gramado.