Bruna Marquezine na Grécia: o impacto das redes sociais no turismo

Não sobrevive a espécie mais forte, mas a que se adapta à mudança. É o que dizia Darwin, lá atrás, no século 19. E foi a frase que encerrou a palestra do Gramado Winter Season. O convidado era Carlos Ferreirinha, consultor de negócios e gestão de luxo, que é um poço de conhecimento e um cool hunter – que deve viver, pelo menos, um semestre à frente da gente (já que quando uma tendência chega à mídia, está prestes a ser batida).

Ferreirinha reforçou, obviamente, o ecossistema digital, e trouxe diversas questões a respeito das mídias online e o turismo – mas que servem para qualquer negócio que se esteja gerenciando atualmente (aliás, se tiverem a oportunidade, façam um workshop com este cara).

O grande exemplo da semana: Bruna Marquezine e Marina Ruy Barbosa na Grécia. A primeira, com seus mais de 30 milhões de seguidores no Instagram, a brasileira mais popular na rede social, e a segunda, com seus 26,5 milhões, também tem alguma influência, né?

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Ambas terminaram de gravar uma novela e picaram a mula para a Grécia. Em poucos dias de fotos maravilhosas em piscinas, pôr do sol e bons drinques à beira do Mediterrâneo, Tatá Werneck gravou um vídeo (para seus 24 milhões de seguidores) engraçadíssimo, se colocando no lugar de todos os brasileiros que só observavam as cenas pelas redes e sofriam por estar em casa, com o bronze vencido e passando frio. Resultado: meme.

Aos poucos, diversas celebridades começaram a realizar montagens toscas se encaixando nos cenários de Santorini e Mykonos, querendo se incluir na função. Dos famosos para o público em geral foi um pulo.


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Fui pra Grécia também. 🤣😂🤣

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Eu visitei há Grécia há 10 anos. A Grécia já fazia sucesso há 15. Por conta da forte crise que enfrentou a partir de 2010, viu o turismo, a economia e todo o luxo afundar no Egeu. Foi substituída, é claro – como quase tudo nessa vida.

Com o passar do tempo, as celebridades voaram para Ibiza, Saint-Tropez e, mais recentemente, Croácia. E aí, alguém bom em marketing entende: opa, vamos resgatar o que é nosso de uma forma um tanto diferente.

Foto: Arquivo pessoal

Foto: Arquivo pessoal

Possivelmente, o investimento do governo tenha sido em passagens, hotéis, algum passeio. Creio que não muito quando comparado à repercussão. Depositar grana e energia em digital influencers é jogar na bolsa, além de ter que contar com a boa vontade do Seu Zuckerberg e seus algoritmos, é preciso entender que se está lidando com uma pessoa real – trata-se da vida íntima (ou parte disto) na tela.

Lembro que uma agência de viagens que estava começando no mercado me chamou para um trabalho de dois meses de divulgação, e passou a me pressionar por vendas. Salientei: não se trata de venda direta, é comunicação de marca. Influencer não é vendedor, é um cara que dá um conselho para um amigo – e é muito importante que este conselho faça realmente sentido, senão, a estratégia vai por água abaixo.

Mês passado, após quase um semestre do término da ação, um seguidor entrou em contato para dizer que virara cliente da tal agência e estava extremamente feliz com o serviço. Bingo. No final, fez sentido.

A sugestão que tenho para quem está querendo jogar uns pilas nessas carinhas cheias de likes, mas tem receio: primeiro, entenda seu público-alvo, depois, compreenda a ação de cabo a rabo. Quem eu quero atingir? Como? Por quê? É serviço? É desejo? É comunicação?

Feito isso, busque conteúdo. Até o Instagram já entendeu isso e só dá vazão aos posts que “dizem” algo à audiência. E vos digo: a ação da Bruna e da Marina foi linda, mais uma dessas com fotógrafo profissional e resultado óbvio de likes e comentários, mas, muito menos teria acontecido se não fosse Tatá, de moletom e cabelo bagunçado, gravando um vídeo de dentro do seu quarto brincando com a situação. Certamente, não era parte da estratégia, mas bem que poderia, viu?

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