Lição da viagem ao Marrocos: bonito é olhar para dentro

Lição da viagem ao Marrocos: bonito é olhar para dentro

Não é qualquer porta. Tem dimensões enormes, cores intensas, adornos bem trabalhados e até um trecho do alcorão lapidado. O interessante é que se destaca em meio a uma muralha ocre, sisuda, com torres ainda mais altas para dificultar o espiar dos curiosos. Assim é a arquitetura marroquina: fachadas que não entregam o que há do lado de lá, mas portas bem cuidadas para bem receber quem realmente merece ingressar.

marrocos

As paredes são grossas. Não importa se você estiver em meio à medina de Fez, com suas 9 mil ruas encruzilhadas e comércio que ferve: no pátio aberto, que fica no centro da casa rodeado por muros e corredores que levam aos aposentos, terá silêncio e uma fonte para se lavar e tirar as impurezas que vieram do lado exterior.

marrocos deserto do saara

Por ser o espaço mais importante da casa, há sempre dois “corredores surpresa”, um à direita e outro à esquerda, que blindam a visão de quem chega e não é convidado a passar da entrada. Azami, o guia que acompanhou o grupo da Agência Diário de Bordo ao longo de uma viagem desbravando Marrocos de norte a sul, revelou o lema do povo: para nós, o bonito é olhar para dentro.

Veja nosso vídeo em Casablanca, Rabat, Chefchaouen e Méknes:  

Bateu o pé para que conseguíssemos entrar em uma das prefeituras de Casablanca onde o guarda não se mostrava flexível. Já estávamos torcendo o nariz, afinal, era incompreensível aquele anseio todo por visitar um prédio do governo acinzentado e protegido por grades de ferro. Mas, ao atravessar o portão, um ambiente rico se revelou, cheio de detalhes, acessórios e traços que traduziam a história do local, antes a morada de um rei.

marrocos ida e volta

Na sua simplicidade – não confundir com simplório –, nosso instrutor explicou o que lhe parecia óbvio: a casa da gente é onde deveríamos passar a grande parte do nosso tempo, por isso, precisa ser o mais belo e confortável lugar para se estar. Além disso, a fachada deve ser uma redoma para o que temos de mais precioso: nossa família.

Isso me fez refletir sobre toda essa vontade de se expor. Sobre gente que joga a residência atrás de hectares de grama verde, jardins floridos e grades baixas. Que faz questão de colorir bem os muros e esquece de tirar o mofo dos cantos das paredes da sala de estar. Que investe todas as economias em paisagismo e não salva algum para tentar consertar a pia que pinga insistentemente na suíte e prejudica o sono à noite. Essa gente, normalmente, não considera necessário cultivar um tempo dentro de casa. Fica claustrofóbico, precisa logo colocar o pé para fora e buscar ar. Acha o sofá desconfortável, mas tem preguiça de trocá-lo. E fica perambulando pela rua até o relógio cansar, todos se retirarem, e não haver mais desculpas para evitar o retorno.

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Azami contou que, na cultura marroquina, quando se vai às compras, cobre-se a cesta com os itens adquiridos. Ninguém precisa saber quantos quilos ou qual tipo de carne você terá para o almoço, ou quantos metros de tecido será utilizado no próximo cáftan, por exemplo. A ideia é manter os bisbilhoteiros longe e afastar o mau-olhado. Todos mantêm os hamsas – ou mão de Fátima – bem à vista, na entrada das lojas ou das residências, contra a inveja. Engraçado é que, por estas bandas, é bem provável que se compre um quilo de filé mignon para forrar a cesta estrategicamente por cima e esconder a carne de segunda que está dando o volume embaixo. Seguindo pelo caminho oposto, a ideia é mostrar, compartilhar, impulsionar, publicar. E de tanto focar na fachada, vai-se camuflando os problemas de verdade que criam raízes no pátio interno.

Aliás, foi deixando o ninho dos meus pais, há quatros anos, que descobri que eu só teria vontade de voltar para casa no final dos meus dias, se me parecesse confortável. Para tanto, eu teria que lavar a louça, tirar o lixo e abastecer a geladeira. Exige um certo esforço, é verdade, mas só assim eu me sentiria livre para passar a convidar outras pessoas.

fernanda pandolfi

Veja nosso vídeo em Fez, Deserte do Saara e Marrakech: 

É mais ou menos por aí que caminha a filosofia marroquina. Cuidar do que é seu, em primeiro lugar, longe de ostentação. Além de valorizar as portas de entrada, zelar pelos acessos, deixá-los sempre atraentes, mas cadeados e guardados, sendo seletivo quanto a quem entregar a senha. Com isso, fecha-se uma equação básica de arquitetura funcional: a fachada é apenas para proteção, o acesso é imponente, mas sem arrogância, precisa se manter convidativo, sendo elemento fundamental da construção, e o interior é de uma beleza genuína, que de tão orgânica, transforma-se em sinônimo de paz. Depois disto, pode entrar, a casa é sua.

*A jornalista viajou a convite da Agência Diário de Bordo

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:: Marrocos: dicas de Fez, Deserto do Saara e Marrakech

Marrocos: dicas de Fez, Deserto do Saara e Marrakech

Marrocos: dicas de Fez, Deserto do Saara e Marrakech

Como a gente já havia alertado no post anterior, Marrocos deu muito pana para a manga e, por isso, estamos dividindo o conteúdo em duas partes. Depois de desbravar o norte (espia aqui), começamos a descer pelo país para a parte mais popular e turística. Confere aí as principais dicas:

Fernanda Pandolfi marrocos

Fez

Há quem diga que se trata do maior labirinto do mundo. A medina de Fez é feita de 9 mil ruas todas encruzilhadas e cheias de lojinhas, mercadinhos e restaurantes escondidos. A dica é ir cedo da manhã para evitar a muvuca e, se estiver a fim  de compras, investir nos couros, nas cerâmicas e nas pratarias. Lembrando sempre de barganhar, é claro. Um bom restaurante para almoço é o Café Clock. Fica escondido entre as ruelas, é bom estar com o Maps.me ou Google Maps a postos. Outro horário bacana a ser apreciado é o do pôr do sol. Saia da medina e suba no alto da cidade para assistir às cores do céu.

Fernanda Pandolfi no marrocos

Veja nosso vídeo da segunda parte da viagem:

Deserto de Merzouga

Não há quem vá ao Marrocos e não tenha curiosidade de visitar o Deserto de Saara. Uma boa entrada é por Merzouga, cidade bérbere, da legítima cultura local, que tem diversos acampamentos para se passar a noite. A experiência é única. Vale chegar ao final de tarde, fazer um passeio de camelo e dormir sob as estrelas do deserto. No dia seguinte, acorde antes do sol, suba a duna mais alta que encontrar, e assista à chegada do dia. É uma bagagem para a vida.

deserto do saara

Marrakech

Chegamos à capital turística do Marrocos. Aqui, são necessários, pelo menos, três dias inteiros para poder aproveitar tanto a parte moderna como a antiga da cidade. Bater o ponto no souq, tomar uma laranjada ou um suco de romã, assistir à cobra subir (risos) e, óbvio, fazer umas comprinhas são partes obrigatórias da experiência. Além disso, não dá para deixar de fora os atrativos turísticos, como a mesquita e a Menara e o Jardim Majorelle, antiga casa do estilista Yves Saint Laurent e do companheiro, Pierre Bergé. Falando nisso, em outubro de 2017, foi inaugurado o museu que homenageia o designer e suas criações. Outra parada obrigatória. Se tiver tempo de sobra, não deixe de fazer uma aula de gastronomia na La Maison Arabe e marcar um hammam, o banho árabe, em algum spa bacana. Dos restaurantes que eu indicaria, anote aí o Bô Zin, o Le Jardin (com direito à visita à loja da grife Norya Ayron) e o Nomad.

Marrocos

Enjoy it!

*A jornalista viajou a convite da Agência Diário de Bordo.

Vai ao Marrocos? De comportamento à gastronomia, veja dicas sobre o país

Vai ao Marrocos? De comportamento à gastronomia, veja dicas sobre o país

Se você tem planos de ir ao Marrocos, é bom saber que o país vai muito além de , viu? O ideal é reservar, pelo menos, uns 15 dias para tentar percorrer as diversas regiões e descobrir a cultura e a história tão rica desta parte do mundo.

Fernanda Pandolfi no Marrocos

Em roteiro com a Agência Diário de Bordo, de Porto Alegre, passei 10 dias na estrada desvendando um tantinho dos berberes, como são chamados os locais. E, para este post não ficar tão extenso (nem o vídeo), decidi dividir a exploração em duas partes. Comecemos pelo Norte:

Casablanca

É a capital econômica do país e a cidade mais moderna que visitamos. Com ampla hotelaria, prédios altos e restaurantes diversos, a ideia é a de uma cidade cosmopolita. Não tem como deixar de fora uma visita ao Rick’s Cafe (que não é o original do filme, é um cenário montado, mas remete às cenas de Casablanca) e à Mesquita Hassan II, que é a terceira maior do mundo. Para quem curte uma praia, também há a possibilidade de passear na orla ou parar em algum dos beach clubs à beira-mar.

Ida e Volta no Marrocos

Rabat

Nem todos sabem, mas a capital do Marrocos é Rabat. A cidade abriga as principais sedes do governo – e vale uma visita à prefeitura, que tem uma arquitetura incrível interior. Em Rabat, o bacana é visitar o Mausoléu de Mohammed V e aproveitar para almoçar no TyPotes, um charmoso restaurante com ares de bistrô francês e os melhores crepes da região.

Marrocos

ChefChaouen

Imperdível! Esta é a famosa cidade turquesa, que ganhou um charme indescritível ao ter toda a parte dentro das muralhas coloridas de azul. O local virou essencialmente turístico, então, não há escassez de bons restaurantes, bons hotéis boutiques – que são chamados riads e ficam dentro das antigas casas de família – e lojinhas mil (mas se você for a Fez ou Marrakech, guarde seus dirhams para comprar nas medinas). Aprecie o passeio, curta a paisagem, fotografe incansavelmente, e coma um típico tajine ou cuscuz.

Fernanda Pandolfi Marrocos

Méknes

Se você estiver de carro, não custa nada passar rapidamente por Méknes. A cidade tem aquela que é a considerada a porta mais linda de todo o Marrocos e o maior mercado de doces e azeitonas da região. Dá para gastar um tempinho escolhendo gostosuras e se deliciando com as curiosidades do souq.

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Veja nosso vídeo da primeira parte da viagem

Faz muito calor!! Tome sempre muita água – mas cuidado para que seja potável e evite gelo nas bebidas -, ande de chapéu e carregue sempre um hidratante corporal e labial para se manter bem. Calçados confortáveis também são fundamentais, pois o inchaço vem com tudo, hein?

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Negocie! Tem que barganhar. Nada é o que parece na medina. Jogue o preço para a metade do que o comerciante ofereceu e, aos poucos, vá subindo. Bons negócios podem ser feitos no mercado.

Se for mulher, cubra os ombros e os joelhos. Não, você não será presa se mostrar mais do corpo do que a religião deles permite, mas, é sempre de bom tom tentar respeitar a cultura local, né?

Lá, a mulherada ainda cobre o cabelo, mas estrangeiros não precisam chegar a tanto. Uma t-shirt e uma saia mídi ou calça jeans dão conta do recado. Ah, e se liga nas pashminas, que são verdadeiras joias e baratíssimas.

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Fique atento aos pickpockets. Quando na medina, o movimento e a oferta são tão grandes que, muitas vezes, o turista fica confuso e, quando percebeu, já levaram a carteira. Neste caso, mochila para frente, bem fechadinha e olhos abertos na função ao redor. 

Coma tajine, cuscuz e tome chá de menta e laranjada. Se você sair do país sem essas provinhas, certamente, vai faltar uma parte da experiência no roteiro. Mas, não esqueça de levar aquele estoque de remédios para o estômago. Não é difícil passar mal por conta da diferença de tempero.

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Poliglotas: os marroquinos falam diversas línguas, mas o mais tradicional é o árabe local e o francês. No entanto, é superfácil se virar no inglês e no espanhol também.

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Importante: as pessoas não gostam de ser clicadas no Marrocos. O ideal é sempre pedir antes de apontar a câmera ou evitar, já que muitos podem pedir dinheiro, sem aviso prévio, para se deixar fotografar.

Boa viagem!

*A jornalista viajou a convite da Agência Diário de Bordo.

Viena desbanca Melbourne e é eleita a melhor cidade do mundo para se viver

Viena desbanca Melbourne e é eleita a melhor cidade do mundo para se viver

Viena é a melhor cidade do mundo para se viver, segundo levantamento encomendado pela revista britânica The Economist. A capital da Áustria desbancou Melbourne, na Austrália, que esteve na primeira posição por sete anos consecutivos e agora ocupa o segundo lugar no ranking.

A pesquisa anual considera 30 fatores relacionados à segurança, saúde, recursos educacionais, infraestrutura e meio ambiente. Viena tem cerca de 1,9 milhão de habitantes, o que é relativamente pouco em comparação com outras metrópoles. E isso pode ser uma vantagem: cidades de pequeno e médio porte têm índices melhores.

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Viena me encantou. Não foi difícil me seduzir, já que a cidade abriga várias das minhas paixões, como a dança, a música clássica, a psicanálise e a obra de arte O Beijo, de Klimt. Tive uma impressão de ser uma Paris para idosos, sabe? Mais preparada e direcionada para a geração mais antiga. Entre as dicas que sugiro são o Palácio da Sissi, Belvedere, a Escola Espanhola de Cavalaria e uma ida à Ópera de Viena.

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Volta ao Mundo: como eu decidi sobre a última palestra

Volta ao Mundo: como eu decidi sobre a última palestra

“Ontem, quando hoje era amanhã, era muito dia para mim”, diz o Ursinho Pooh (sim, é isso mesmo que você está lendo) em uma das passagens do filme Cristopher Robin – Um Reencontro Inesquecível, que aqueceu minha alma em um domingo à noite de chuva e frio. Veio ao encontro da decisão que havia tomado ao longo da semana quando recebi cerca de 60 convidados para aquela que seria a minha última palestra de volta ao mundo.

Quando aterrissei da viagem, compreendi que eu tinha a missão de devolver ao universo as oportunidades que havia recebido. Como? Compartilhando os aprendizados que colhi ao longo de 270 dias de estrada e gritando aos quatro ventos: viagem, busquem autoconhecimento, tentem se encontrar.

Foto: Dinarci Borges

Foto: Dinarci Borges

Sendo assim, formatei três tipos de palestras para acolher públicos e situações diferentes. E, pelos últimos oito meses, desde que joguei a mochila encardida no armário, realizei 12 bate-papos, com gente mais introspectiva, outros perguntadores, gente que chorou, riu, identificou-se, que me levou presente, que me pediu fotografia para registrar o momento, que estava prestes a fechar a mala para partir ou que só precisava de um empurrão para uma mudança pequena na vida.

Não saí do Rio Grande do Sul, fiquei por aqui, entre quatro cidades, e, se você me perguntar se acho que a palestra chegou ao limite, vou lhe segredar que não. Acredito que outras tantas pessoas poderiam ser beneficiadas com um trecho ou outro do que tenho a contar. Mas precisei ser um tantinho egoísta. Vou explicar por quê.

Foto: Ale Pinho

Foto: Ale Pinho

Com o passar do tempo, comecei a perceber que ao terminar a palestra eu ficava exausta. Demorava dois dias para me recompor, meu corpo doía inteiro e me batia um sono forte. Como se toda a energia ficasse por trás daqueles slides. O motivo era revisitar e reviver cada alto e baixo do ano mais importante que já vivi nestas três décadas. Voltava à depressão, sentia novamente a solidão, lutava para me descobrir enquanto escritora e afundava em saudades de quem eu amava para, no final, descobrir a importância de ser tolerante, empático e amável – no sentido de permitir que alguém te ame.

E, se no início, era importantíssimo para mim essa vivência, com o virar do calendário, passou a se tornar um tanto melancólica. Como se eu ficasse incapacitada de saltar para fora do passado.

Fotos: Rafael Willms

Fotos: Rafael Willms

Foi assim que decidi. Cabe a nós – só a nós – entender quando uma fase está vencida. Se permitir fechar portas e dizer alguns “nãos” em prol de “sins” ainda inexistentes é de uma força tremenda.

Eu já havia compreendido que a palestra se tornara um produto e estava prestes a decolar. Um dia, quem sabe, ela volte – se a barca sobe, tem que descer. Mas, recentemente, estava se transformando em um poço nostálgico no qual eu não me sentia preparada para mergulhar.

Preciso dar este check-out antes de virar um mural de lamúrias e lamentações pelo que vivi e deixar o trem do agora passar sem nem tentar subir no vagão. E aí, tomo emprestada outra frase clichê do filme de Pooh para finalizar: “A cada vez em que me afasto mais do lugar em que estava, aproximo-me mais do lugar onde quero chegar”. Que venha a nova fase. Que seja leve.

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Bruna Marquezine na Grécia: o impacto das redes sociais no turismo

Bruna Marquezine na Grécia: o impacto das redes sociais no turismo

Não sobrevive a espécie mais forte, mas a que se adapta à mudança. É o que dizia Darwin, lá atrás, no século 19. E foi a frase que encerrou a palestra do Gramado Winter Season. O convidado era Carlos Ferreirinha, consultor de negócios e gestão de luxo, que é um poço de conhecimento e um cool hunter – que deve viver, pelo menos, um semestre à frente da gente (já que quando uma tendência chega à mídia, está prestes a ser batida).

Ferreirinha reforçou, obviamente, o ecossistema digital, e trouxe diversas questões a respeito das mídias online e o turismo – mas que servem para qualquer negócio que se esteja gerenciando atualmente (aliás, se tiverem a oportunidade, façam um workshop com este cara).

O grande exemplo da semana: Bruna Marquezine e Marina Ruy Barbosa na Grécia. A primeira, com seus mais de 30 milhões de seguidores no Instagram, a brasileira mais popular na rede social, e a segunda, com seus 26,5 milhões, também tem alguma influência, né?

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💙🌸

Uma publicação compartilhada por Bruna Marquezine ♡ (@brumarquezine) em

Ambas terminaram de gravar uma novela e picaram a mula para a Grécia. Em poucos dias de fotos maravilhosas em piscinas, pôr do sol e bons drinques à beira do Mediterrâneo, Tatá Werneck gravou um vídeo (para seus 24 milhões de seguidores) engraçadíssimo, se colocando no lugar de todos os brasileiros que só observavam as cenas pelas redes e sofriam por estar em casa, com o bronze vencido e passando frio. Resultado: meme.

Aos poucos, diversas celebridades começaram a realizar montagens toscas se encaixando nos cenários de Santorini e Mykonos, querendo se incluir na função. Dos famosos para o público em geral foi um pulo.


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Fui pra Grécia também. 🤣😂🤣

Uma publicação compartilhada por Evaristo Costa (@evaristocostaoficial) em

Eu visitei há Grécia há 10 anos. A Grécia já fazia sucesso há 15. Por conta da forte crise que enfrentou a partir de 2010, viu o turismo, a economia e todo o luxo afundar no Egeu. Foi substituída, é claro – como quase tudo nessa vida.

Com o passar do tempo, as celebridades voaram para Ibiza, Saint-Tropez e, mais recentemente, Croácia. E aí, alguém bom em marketing entende: opa, vamos resgatar o que é nosso de uma forma um tanto diferente.

Foto: Arquivo pessoal

Foto: Arquivo pessoal

Possivelmente, o investimento do governo tenha sido em passagens, hotéis, algum passeio. Creio que não muito quando comparado à repercussão. Depositar grana e energia em digital influencers é jogar na bolsa, além de ter que contar com a boa vontade do Seu Zuckerberg e seus algoritmos, é preciso entender que se está lidando com uma pessoa real – trata-se da vida íntima (ou parte disto) na tela.

Lembro que uma agência de viagens que estava começando no mercado me chamou para um trabalho de dois meses de divulgação, e passou a me pressionar por vendas. Salientei: não se trata de venda direta, é comunicação de marca. Influencer não é vendedor, é um cara que dá um conselho para um amigo – e é muito importante que este conselho faça realmente sentido, senão, a estratégia vai por água abaixo.

Mês passado, após quase um semestre do término da ação, um seguidor entrou em contato para dizer que virara cliente da tal agência e estava extremamente feliz com o serviço. Bingo. No final, fez sentido.

A sugestão que tenho para quem está querendo jogar uns pilas nessas carinhas cheias de likes, mas tem receio: primeiro, entenda seu público-alvo, depois, compreenda a ação de cabo a rabo. Quem eu quero atingir? Como? Por quê? É serviço? É desejo? É comunicação?

Feito isso, busque conteúdo. Até o Instagram já entendeu isso e só dá vazão aos posts que “dizem” algo à audiência. E vos digo: a ação da Bruna e da Marina foi linda, mais uma dessas com fotógrafo profissional e resultado óbvio de likes e comentários, mas, muito menos teria acontecido se não fosse Tatá, de moletom e cabelo bagunçado, gravando um vídeo de dentro do seu quarto brincando com a situação. Certamente, não era parte da estratégia, mas bem que poderia, viu?

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Volta ao Mundo: as 10 perguntas que mais fazem sobre a viagem que durou 270 dias

Volta ao Mundo: as 10 perguntas que mais fazem sobre a viagem que durou 270 dias

Ando com saudades. Saudades embrulhadas em melancolia. Saudades de pessoas que não verei mais, de risadas que ficaram soltas em um arrozal do Laos em que perdi meu chinelo na lama, do gelado do chão do aeroporto, de caminhar sem rumo, do diálogo com a minha mente, eu e ela. Ela e eu.

Ando nesta nostalgia doída. Passados oito meses de retorno da Volta ao Mundo, começo a perceber que ficou lá atrás. Puxa, terminou mesmo.  Já são lembranças.

É que agora a vida começou a se apresentar para mim novamente. Dar a cara nas obrigações, ter planos para o futuro, definir o que será hoje, depois e depois. E é estranho para quem passou um ano vivendo apenas o instante. O presente do presente. Sem saber nem qual seria a próxima refeição.

Fernanda Pandolfi/Arquivo pessoal

Fernanda Pandolfi/Arquivo pessoal

O sabático acabou de acabar. Na semana que vem, o Ida e Volta completa dois anos de história. Vocês acreditam? Dos 56 países que conheço, 43 foram visitados nestes 720 dias. Não consigo dimensionar o tanto que isto representa nesta vida de três décadas. E a cada aniversário, eu paro para refletir sobre o que está por vir – sim, foco lá adiante.

A minha alegria é saber que agora tenho as páginas da Revista Donna para deixar registado todas essas andanças. Costumo dizer que falar sobre minhas viagens é fonte de energia renovável. A cada volta mental a um destino me reabasteço com os meus reais valores e faço girar a máquina.

Fernanda Pandolfi/Arquivo pessoal

Fernanda Pandolfi/Arquivo pessoal

Por isso, ao fechar deste ciclo, reuni as 10 principais perguntas que me propuseram ao longo destes oito meses – e as que mais se repetem – para comemorar com vocês. Vamos?

O que lhe inspirou a fazer a viagem?

Mais um site de viagem? Mais um? Não, não será só um site de viagem. O foco não são as dicas, são os insights que tenho ao sair do meu lugar de comum. Eu defendia o conceito do Ida e Volta com unhas e dentes, mas sabia que, para ser respeitada, eu precisava de um grande projeto. Nisto, um amigo muito especial, me ligou certo dia – quando eu ainda trabalhava na redação de Zero Hora – para me dar a ideia da Volta ao Mundo. Ele havia realizado e achava que era a minha cara. Pensei: “é isto!” Comecei a ir atrás das informações e, em cinco meses, já estava na estrada para colocar em prática o projeto, que eu acreditava seria de trabalho, mas era de vida.

Como montou seu roteiro?

Sabia que não queria repetir países que já conhecia (mas, confesso, por forças do destino, acabei repetindo) e queria passar pelos cinco continentes. Assim, comprei a passagem de Volta ao Mundo – sim, existe uma, vou explicar mais abaixo – e, ao lado da minha agente de viagens, decidi as 10 principais paradas ao longo do ano. Não tinha hospedagens, hostels ou chegadas internas dentro dos continentes programadas. Ao desembarcar no destino, eu tirara o  primeiro dia para sentar em um café e fazer um planejamento para o período baseado em preços de hospedagens (Booking e Airbnb) e de passagens baratas (Skyscanner).

Qual o valor médio da passagem de Volta ao Mundo e como funciona?

Na época, e paguei US$ 5 mil pela Star Alliance – mas a One World também vende. Fiz o orçamento com ambas empresas, e optei pela primeira por uma questão de destino. Há regras para essa passagem. O viajante tem que andar sempre em sentido horário, não pode voltar nunca, e tem que terminar e começar no mesmo lugar (no meu caso, Brasil). Há um prazo para terminar a viagem e um limite de paradas. Quando você embarca, os seus destinos já estarão todos escolhidos e não poderão ser modificados, mas adiar ou adiantar a viagem é possível sempre, quantas vezes quiser, sem multa. Bom, né?

Costuma usar aplicativos de viagem? E qual chip de celular recomenda?

Rá! Dizem por aí que sou uma digital influencer, mas eu sou a pessoa menos tecnológica que você conhece. Antes de sair em viagem, eu saí de todos os grupos de WhatsApp, e, lá pelas tantas, desativei o perfil @fepandolfi e fiquei só com o @idaevoltaoficial. Então, vocês podem imaginar, que não tenho muitas dicas interessantes neste sentido. A não ser: não compre chip de celular. Viva de Wi-fi. Sim, se liberte. Acredite: eu dei a volta ao mundo sem chip – apesar de saber que existe um mundial. Só usava o telefone no hostel ou em restaurantes. Queria evitar ao máximo estar mais no virtual do que no real. Sobre apps: Maps.me me ajudou muito. Trata-se de um Google Maps que funciona sem internet, só no GPS, baixem! Uber salvou minha vida em diversos países e, é claro, Skyscanner, AirbnbBooking.

Como mulher, viajando sozinha, tem alguma dica em especial? Sentiu preconceito?

Na primeira etapa da viagem – Américas e Europa – foi supertranquilo. Na chegada a África e seguindo para a Ásia, a situação ficou um tantinho mais complicada. Não posso dizer que senti preconceito, mas estranhamento por parte das pessoas, de verem uma mulher, de 30 anos, solteira e viajando sozinha. O questionamento maior era “mas por que você não é casada?”. Entendi que era uma questão cultural e não me senti ofendida, confesso. Dica que dou para mulheres que gostam de desbravar o mundo sozinhas: estudem um pouco antes sobre os hábitos locais, tentem se vestir no padrão (infelizmente, é uma maneira de proteção) e evitem a noite. Eu acordava cedinho, batia perna o dia todo e , à noite, me recolhia – a não ser que tivesse alguma companhia. Ah, e confie na Uber. Foi fundamental para me transportar com segurança – os táxis ainda são um problema em determinados países.

Como começou teu planejamento para a Índia e quanto tempo passou lá?

Dentre os poucos países que eu queria visitar, a índia era um dos poucos que eu tinha certeza desde que decidi partir. Inspirada no filme Comer, Rezar, Amar e nas práticas de yoga que vinha realizando no Brasil, queria passar um tempo em um ashram. Busquei auxílio de pessoas que entendiam do negócio e fui parar no sul da Índia, em Madurai, para um retiro espiritual de 15 dias. Foi uma das experiências mais inesquecíveis da viagem. Depois, encontrei um grupo de mulheres – que saiu do Brasil para me encontrar lá – para percorrer o Golden Triangle, ou seja, os lugares mais conhecidos do país. Foi um mês de aprendizado intenso. Costumo dizer que a Índia não é para qualquer um, mas como disse um indiano que conheci por lá: “precisa ter cabeça aberta para vir para cá, o coração a gente se responsabiliza de abrir”.

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Qual o país que tu me gostou?

Gente, não me façam essa pergunta – é a que vocês mais fazem. É difícil demais! Mas, vamos lá, vou escolher um em cada continente tá? Canadá, Noruega, Tanzânia, Índia e Nova Zelândia.

Fernanda Pandolfi/Arquivo pessoal

Fernanda Pandolfi/Arquivo pessoal

Tem algum país que tu não voltaria?

Nenhum país que me oferecessem uma passagem eu recusaria, entende? Todos tiveram seu devido valor e encantamento. No entanto, o Vietnã, eu fiz de cabo a roca, de norte a sul, de moto, de barco, a pé, de sleeping bus, de carro e acho que já vi o suficiente. Eu estava em um momento difícil ao longo da minha parada no país dos vietcongues e, por ser um lugar com uma história pesada, não consgui tornar mais leve. Acho que já dei o check por lá. Mas, vamos lá: é lindo e vale muito a visita. Não me arrependo de forma alguma.

Qual o lugar mais paradisíaco pelo qual tu passou?

Sendo bem clichê: Maldivas. Fiji também foi maravilhoso, mas as Maldivas têm um contexto de areia branca e mar azul que não vi em nenhum outro lugar pelo qual passei. É um verdadeiro paraíso, sim.

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O que esperava satisfazer na tua vida com a Volta ao Mundo? Correspondeu?

Sendo sincera, quando saí para rodar este mundão eu estava focada em um projeto profissional. No entanto, descobri que estava muito mais atrás do meu ano sabático e em busca dos meus valores do que qualquer prova de texto ou vídeo. Lá pelas tantas, em alguma curva, me encontrei, me embrulhei na mala e me trouxe de volta. O trabalho foi árduo, teve seus altos e baixos, mas valeu cada segundo. Cada alto e cada baixo. Como repito com frequência: nunca teria a ousadia de indicar um ano sabático para qualquer pessoa. Exige dinheiro, tempo e organização – fatores que nem sempre estão ao nosso alcance. Mas, indico autoconhecimento. Busca pessoal. Livros, terapia, cursos, viagens, os recursos são diversos. Ainda nesta semana eu terminei de ler A Coragem de Ser Imperfeito, da francesa Brené Brown, e fiquei com uma frase martelando aqui: “Viver é experimentar incertezas, riscos e se expor emocionalmente. A vulnerabilidade não é uma medida de fraqueza, mas a melhor medição de coragem”.

Aos velhos guerreiros de estrada: obrigada, por me acompanharem nestes dois anos. Aos novos: sejam bem-vindos, apertem os cintos e vamos juntos. Sigam por perto, questionando, impulsionado e compartilhando, vocês são a fonte da minha energia renovável.

Aproveito para deixar um convite: na próxima quarta-feira, 15 de agosto, dia oficial do nosso aniversário, estarei no Gramado Winter Season, em Gramado, participando do evento Mesa de Cinema – Comer, Rezar, Amar. A ideia é falar sobre a viagem e dividir a mesa de jantar com vocês. Espero todos.

OBS: Deixo aqui a promessa, em escrito, de lançar o livro com todas as proezas de viagem o quanto antes. Se a gente não joga para o universo, não realiza, certo?

Fernanda Pandolfi/Arquivo pessoal

Fernanda Pandolfi/Arquivo pessoal

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6 dicas para transportar grandes bagagens para casa

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Lembro da minha primeira viagem para a Bahia, quando o guia do ônibus alertou: “gente, não compre um berimbau. Não compre. Depois, vocês não vão saber usar e ainda terão um problemão para levar de volta para casa no avião”. Ok, não comprei um berimbau. Mas já tive vontade de comprar um chapéu tailandês, por exemplo, um Buda gigante, em Bali, e um quadro, lindo, lindo, que vi em Portugal – a minha cara – mas que só o frete já custava o dobro do valor da obra.

Foto: Unsplash

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Quando fui a Murano – já contei a experiência em outro post por aqui -, comprei. Pô, não teve como aguentar. Comprei carnavalescos de Veneza e uma dupla de cavalos que dão orgulho de ostentar na estante. Mas foi função. Eita, que foi. Pensa enrolar isto em plástico-bolha, socar dentro da mala e orar para Deus para cultivar nossos euros em forma de vidro? É adrenalina pura.

Por isso, fiquei contente da vida ao visitar a Cristais de Gramado, em Gramado, óbvio, e perceber que eles operam com opção de frete e translado com taxas bem amigas e em prazos ótimos. É uma solução de compra sem adrenalina e a garantia de que a peça chegará 100% para brilhar na prateleira, né? Ainda mais quando se trata de cristal. E, no mais, dá para lotar a mala com outros souvenirs.

Foto: Unsplash

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De qualquer forma, resolvi separar algumas dicas bacanas aqui para quem gosta de ousar nas compras ao redor do mundo e depois quebra a cabeça para entender a melhor maneira de despachar. Vamos lá?

  • Não coloque as compras nas laterais da mala. Acomode no centro, proteja com as roupas (o ideal é até enrolar as peças com roupas usadas) e com os sapatos para evitar deslocamento e possível quebra.
  • Se você se conhece e sabe que não resiste a uma comprinha, passe em um supermercado e garanta plástico-bolha, papel pardo e fita adesiva e já leve na mala.
  • Antes de ter a Monstra, minha mochila companheira de volta ao mundo, era fã número 1 das malas rígidas. E sei que, para quem gosta de comprar artigos delicados, esta é a melhor opção e a mais segura – mas, atenção, tem que preencher bem o espaço para que as compras não se movimentem lá por dentro e corram o risco de quebrar.
Fernanda Pandolfi e a Monstra

Fernanda Pandolfi e a Monstra

  • Se o propósito for mesmo uma viagem de compras, coloque duas caixas de sapato vazias dentro da mala para já reservar o espaço do que voltará a mais com você e não correr o risco de lotar a bagagem já na ida.
  • Não seja aquela pessoa que paga mico e tem que refazer a mala na fila do check-in. Confira os quilos permitidos pela companhia aérea (lembrando que varia de voos nacionais e internacionais), pese a mala antes de sair do hotel e redistribua o conteúdo caso necessário.
  • E uma diquinha extra: coloque uma sacola vazia no fundo da sua mala. Na volta, ela pode retornar carregada e ser a sua bagagem extra. E faça os cálculos, dependendo, vale mais a pena comprar uma mala a mais do que pagar o excesso de bagagem, viu?

Have a nice trip!

*Conteúdo em formato branded content para Blogueiros Viajantes e Cristais de Gramado.

Vale a pena ver de novo: Parque Estadual do Caracol

Vale a pena ver de novo: Parque Estadual do Caracol

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Perguntas se repetem nas minhas palestras. É normal. Uma volta ao mundo ou a vida de uma viajante suscita dúvidas semelhantes: qual o lugar você mais gostou? Foi difícil viajar sozinha sendo mulher? Teve alguma situação de risco? Pelo menos uma dessas três estará lá, saindo de dentro de algum dedo, na plateia. Já sei bem como responde-las, óbvio, mas a primeira ali me incomoda um pouco (e é a mais frequente). Sempre rebato com um: posso escolher um lugar em cada continente? E lá vai – Peru, Canadá, Noruega, Tanzânia, Índia e Nova Zelândia.

Mas é complicado. Da mesma forma que é difícil relatar qual o lugar que menos gostei, por exemplo. Acredito que os lugares e as pessoas – sempre relacionados – vivem fases e estão suscetíveis a momentos. Barcelona não me agradou. E teve leitores que vieram quase de facão atrás de mim quando relatei isto. Estava muito quente, muito cheio, clima estranho – e uma semana depois de eu ir embora, a Las Ramblas sofreu um atentado, olha que loucura. Talvez, se eu tivesse visitado a cidade catalã mais nova, mais velha, acompanhada ou em outra época do ano, a experiência teria sido diferente.

Parque Caracol 3

Os lugares também estão muito propensos à fase que nos encontramos e à direção que o nosso olhar quer focar. Por isso, sou a favor de voltar – como vocês já estão cansados de saber. Se tem algum lugar que eu não voltaria hoje? Tem, mas prefiro não comentar. Não me sinto segura para tal. Sei o quanto eu estava vulnerável quando o visitei. E lugares para os quais eu voltaria imediatamente? Diversos! Principalmente aqueles que me remeteram a alguma pessoa especial e que gostaria de dividi-lo.

Há dois meses longe do Exterior, tenho viajado bastante pelas bandas do Rio Grande do Sul. E, principalmente, revisitado lugares. Um deles, que encheu meu coração de nostalgia e alegria, foi o Parque Estadual do Caracol. As escadarias famosas que levam até a beira da cascata, cartão-postal da cidade de Canela, estavam fechadas para manutenção, o que me colocou a pensar novas maneiras de apreciar aquela baita paisagem. Estou para dizer para vocês que me diverti bem mais do que nas três vezes que desci – e SUBI – aqueles 730 degraus. Aproveitei para percorrer diferentes trilhas pela mata nativa, que levam a imagens diferentes do Caracol, espiei os mirantes com mais cuidado e desbravei o lado esquerdo do parque. Sim, o povo só vai para o lado direito e esquece de dar a seta na encruzilhada.

Parque Caracol 1

Eis que percebo que há um espaço bacana para churrasco, redes para descanso, muito gramado para a criançada se divertir ou para se esticar no final da tarde e um museu megabacana sobre a história do espaço, apresentando cada detalhe da flora e da fauna da região. Perdi uma boa horinha lá dentro entre textos e fotos. Foi bom este passeio visto de outra perspectiva, sem estar toda suada, e mais cultural do que natural. É tudo ponto de vista, né? Por isso que eu digo, voltar é tipo um filme: sempre há um detalhe que você deixou passar na ansiedade da estreia.

*Texto feito em formato branded content para Blogueiros Viajantes e Prefeitura de Canela.

2 maneiras diferentonas de passear por Gramado e Canela

2 maneiras diferentonas de passear por Gramado e Canela

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Você é daqueles que acha que conhece Gramado e Canela de cabo a rabo e não tem mais nada de novo para descobrir por lá? Então, bate aqui. Eu também era esse ser. Minha família tem apartamento em Gramado há uns 15 anos, pelo menos, e passo boa parte dos invernos passeando pela Rua Coberta, batendo ponto nos meus restaurantes preferidos e tomando chimarrão no Lago Negro. Mas, na minha visita mais recente à Serra, recebi uma proposta para observar Gramado e Canela de outro ângulo, mais de cima, se é que vocês me entendem. Abaixo, eu revelo toda a experiência:

Voe tri - Gramado

Gramado e Canela nas alturas

Dá um certo friozinho na barriga em pensar em decolar em um helicóptero, né? Por isso, a turma da Tri Táxi Aéreo cuida para relaxar os passageiros já na recepção. Um lounge com sofás, espumante ou outras bebidinhas fica à disposição enquanto o voo é preparado e todas as dúvidas são respondidas. No momento do voo, é só alegria. É bacana interagir com o piloto pelo microfone e se sentir por dentro de uma cabine de comando. E, com certeza, é uma maneira bem diferente de observara as duas cidades mais visitadas do Rio Grande do Sul. A dica é pegar um voo de manhã cedinho, para pegar uma luz incrível na Cascata do Caracol, ou ao entardecer, com o crepúsculo e o acender das luzes da cidade e das igrejas. É tão tranquilo que quando termina a gente fica com gosto de quero mais. Já estou de olho no próximo passeio – agora, para os cânions, com direito a piquenique.

Vista Gramado - Voe tri

Por dentro de Gramado e Canela

Quem aqui sabia que “hop on hop off” entre Gramado e Canela? Gente, tudo bem que eu fiquei um ano fora, e estou um pouco desatualizada, mas amei essa novidade. Acredito que o estilo de ônibus de dois andares – que ganhou fama em Londres – eleva o nível de turismo dos lugares. Não é o status, é a facilidade e a praticidade que oferece aos viajantes. Na falta de metrô, apostei muito neste estilo de transporte ao redor do mundo. E, claro, fui experimentar o BusTour, da Brocker Turismo, entre Gramado e Canela. Adorei! Além de circular pelo atrativos mais conhecidos, passei por regiões que eu não conhecia, como as mais residenciais e antigas, com arquitetura original da colonização, é uma “mão na roda” para quem está sem carro na cidade – ou até de carro, já que estacionar em Gramado virou uma gincana. A dica é baixar o app para smartphone e ficar de olho nos horários em que o ônibus passa em cada parada. Ah, garanta o ticket do dia todo, vale a pena no desce e sobe de atrativos turísticos. Fiz o percurso inteiro porque sou dessas.

Bustour - Gramado

*Texto escrito em formato branded contente para Blogueiros Viajantes, Tri Táxi Aéreo e Brocker Turismo.