Bruna Marquezine na Grécia: o impacto das redes sociais no turismo

Bruna Marquezine na Grécia: o impacto das redes sociais no turismo

Não sobrevive a espécie mais forte, mas a que se adapta à mudança. É o que dizia Darwin, lá atrás, no século 19. E foi a frase que encerrou a palestra do Gramado Winter Season. O convidado era Carlos Ferreirinha, consultor de negócios e gestão de luxo, que é um poço de conhecimento e um cool hunter – que deve viver, pelo menos, um semestre à frente da gente (já que quando uma tendência chega à mídia, está prestes a ser batida).

Ferreirinha reforçou, obviamente, o ecossistema digital, e trouxe diversas questões a respeito das mídias online e o turismo – mas que servem para qualquer negócio que se esteja gerenciando atualmente (aliás, se tiverem a oportunidade, façam um workshop com este cara).

O grande exemplo da semana: Bruna Marquezine e Marina Ruy Barbosa na Grécia. A primeira, com seus mais de 30 milhões de seguidores no Instagram, a brasileira mais popular na rede social, e a segunda, com seus 26,5 milhões, também tem alguma influência, né?

Leia mais:
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💙🌸

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Ambas terminaram de gravar uma novela e picaram a mula para a Grécia. Em poucos dias de fotos maravilhosas em piscinas, pôr do sol e bons drinques à beira do Mediterrâneo, Tatá Werneck gravou um vídeo (para seus 24 milhões de seguidores) engraçadíssimo, se colocando no lugar de todos os brasileiros que só observavam as cenas pelas redes e sofriam por estar em casa, com o bronze vencido e passando frio. Resultado: meme.

Aos poucos, diversas celebridades começaram a realizar montagens toscas se encaixando nos cenários de Santorini e Mykonos, querendo se incluir na função. Dos famosos para o público em geral foi um pulo.


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Fui pra Grécia também. 🤣😂🤣

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Eu visitei há Grécia há 10 anos. A Grécia já fazia sucesso há 15. Por conta da forte crise que enfrentou a partir de 2010, viu o turismo, a economia e todo o luxo afundar no Egeu. Foi substituída, é claro – como quase tudo nessa vida.

Com o passar do tempo, as celebridades voaram para Ibiza, Saint-Tropez e, mais recentemente, Croácia. E aí, alguém bom em marketing entende: opa, vamos resgatar o que é nosso de uma forma um tanto diferente.

Foto: Arquivo pessoal

Foto: Arquivo pessoal

Possivelmente, o investimento do governo tenha sido em passagens, hotéis, algum passeio. Creio que não muito quando comparado à repercussão. Depositar grana e energia em digital influencers é jogar na bolsa, além de ter que contar com a boa vontade do Seu Zuckerberg e seus algoritmos, é preciso entender que se está lidando com uma pessoa real – trata-se da vida íntima (ou parte disto) na tela.

Lembro que uma agência de viagens que estava começando no mercado me chamou para um trabalho de dois meses de divulgação, e passou a me pressionar por vendas. Salientei: não se trata de venda direta, é comunicação de marca. Influencer não é vendedor, é um cara que dá um conselho para um amigo – e é muito importante que este conselho faça realmente sentido, senão, a estratégia vai por água abaixo.

Mês passado, após quase um semestre do término da ação, um seguidor entrou em contato para dizer que virara cliente da tal agência e estava extremamente feliz com o serviço. Bingo. No final, fez sentido.

A sugestão que tenho para quem está querendo jogar uns pilas nessas carinhas cheias de likes, mas tem receio: primeiro, entenda seu público-alvo, depois, compreenda a ação de cabo a rabo. Quem eu quero atingir? Como? Por quê? É serviço? É desejo? É comunicação?

Feito isso, busque conteúdo. Até o Instagram já entendeu isso e só dá vazão aos posts que “dizem” algo à audiência. E vos digo: a ação da Bruna e da Marina foi linda, mais uma dessas com fotógrafo profissional e resultado óbvio de likes e comentários, mas, muito menos teria acontecido se não fosse Tatá, de moletom e cabelo bagunçado, gravando um vídeo de dentro do seu quarto brincando com a situação. Certamente, não era parte da estratégia, mas bem que poderia, viu?

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Volta ao Mundo: as 10 perguntas que mais fazem sobre a viagem que durou 270 dias

Volta ao Mundo: as 10 perguntas que mais fazem sobre a viagem que durou 270 dias

Ando com saudades. Saudades embrulhadas em melancolia. Saudades de pessoas que não verei mais, de risadas que ficaram soltas em um arrozal do Laos em que perdi meu chinelo na lama, do gelado do chão do aeroporto, de caminhar sem rumo, do diálogo com a minha mente, eu e ela. Ela e eu.

Ando nesta nostalgia doída. Passados oito meses de retorno da Volta ao Mundo, começo a perceber que ficou lá atrás. Puxa, terminou mesmo.  Já são lembranças.

É que agora a vida começou a se apresentar para mim novamente. Dar a cara nas obrigações, ter planos para o futuro, definir o que será hoje, depois e depois. E é estranho para quem passou um ano vivendo apenas o instante. O presente do presente. Sem saber nem qual seria a próxima refeição.

Fernanda Pandolfi/Arquivo pessoal

Fernanda Pandolfi/Arquivo pessoal

O sabático acabou de acabar. Na semana que vem, o Ida e Volta completa dois anos de história. Vocês acreditam? Dos 56 países que conheço, 43 foram visitados nestes 720 dias. Não consigo dimensionar o tanto que isto representa nesta vida de três décadas. E a cada aniversário, eu paro para refletir sobre o que está por vir – sim, foco lá adiante.

A minha alegria é saber que agora tenho as páginas da Revista Donna para deixar registado todas essas andanças. Costumo dizer que falar sobre minhas viagens é fonte de energia renovável. A cada volta mental a um destino me reabasteço com os meus reais valores e faço girar a máquina.

Fernanda Pandolfi/Arquivo pessoal

Fernanda Pandolfi/Arquivo pessoal

Por isso, ao fechar deste ciclo, reuni as 10 principais perguntas que me propuseram ao longo destes oito meses – e as que mais se repetem – para comemorar com vocês. Vamos?

O que lhe inspirou a fazer a viagem?

Mais um site de viagem? Mais um? Não, não será só um site de viagem. O foco não são as dicas, são os insights que tenho ao sair do meu lugar de comum. Eu defendia o conceito do Ida e Volta com unhas e dentes, mas sabia que, para ser respeitada, eu precisava de um grande projeto. Nisto, um amigo muito especial, me ligou certo dia – quando eu ainda trabalhava na redação de Zero Hora – para me dar a ideia da Volta ao Mundo. Ele havia realizado e achava que era a minha cara. Pensei: “é isto!” Comecei a ir atrás das informações e, em cinco meses, já estava na estrada para colocar em prática o projeto, que eu acreditava seria de trabalho, mas era de vida.

Como montou seu roteiro?

Sabia que não queria repetir países que já conhecia (mas, confesso, por forças do destino, acabei repetindo) e queria passar pelos cinco continentes. Assim, comprei a passagem de Volta ao Mundo – sim, existe uma, vou explicar mais abaixo – e, ao lado da minha agente de viagens, decidi as 10 principais paradas ao longo do ano. Não tinha hospedagens, hostels ou chegadas internas dentro dos continentes programadas. Ao desembarcar no destino, eu tirara o  primeiro dia para sentar em um café e fazer um planejamento para o período baseado em preços de hospedagens (Booking e Airbnb) e de passagens baratas (Skyscanner).

Qual o valor médio da passagem de Volta ao Mundo e como funciona?

Na época, e paguei US$ 5 mil pela Star Alliance – mas a One World também vende. Fiz o orçamento com ambas empresas, e optei pela primeira por uma questão de destino. Há regras para essa passagem. O viajante tem que andar sempre em sentido horário, não pode voltar nunca, e tem que terminar e começar no mesmo lugar (no meu caso, Brasil). Há um prazo para terminar a viagem e um limite de paradas. Quando você embarca, os seus destinos já estarão todos escolhidos e não poderão ser modificados, mas adiar ou adiantar a viagem é possível sempre, quantas vezes quiser, sem multa. Bom, né?

Costuma usar aplicativos de viagem? E qual chip de celular recomenda?

Rá! Dizem por aí que sou uma digital influencer, mas eu sou a pessoa menos tecnológica que você conhece. Antes de sair em viagem, eu saí de todos os grupos de WhatsApp, e, lá pelas tantas, desativei o perfil @fepandolfi e fiquei só com o @idaevoltaoficial. Então, vocês podem imaginar, que não tenho muitas dicas interessantes neste sentido. A não ser: não compre chip de celular. Viva de Wi-fi. Sim, se liberte. Acredite: eu dei a volta ao mundo sem chip – apesar de saber que existe um mundial. Só usava o telefone no hostel ou em restaurantes. Queria evitar ao máximo estar mais no virtual do que no real. Sobre apps: Maps.me me ajudou muito. Trata-se de um Google Maps que funciona sem internet, só no GPS, baixem! Uber salvou minha vida em diversos países e, é claro, Skyscanner, AirbnbBooking.

Como mulher, viajando sozinha, tem alguma dica em especial? Sentiu preconceito?

Na primeira etapa da viagem – Américas e Europa – foi supertranquilo. Na chegada a África e seguindo para a Ásia, a situação ficou um tantinho mais complicada. Não posso dizer que senti preconceito, mas estranhamento por parte das pessoas, de verem uma mulher, de 30 anos, solteira e viajando sozinha. O questionamento maior era “mas por que você não é casada?”. Entendi que era uma questão cultural e não me senti ofendida, confesso. Dica que dou para mulheres que gostam de desbravar o mundo sozinhas: estudem um pouco antes sobre os hábitos locais, tentem se vestir no padrão (infelizmente, é uma maneira de proteção) e evitem a noite. Eu acordava cedinho, batia perna o dia todo e , à noite, me recolhia – a não ser que tivesse alguma companhia. Ah, e confie na Uber. Foi fundamental para me transportar com segurança – os táxis ainda são um problema em determinados países.

Como começou teu planejamento para a Índia e quanto tempo passou lá?

Dentre os poucos países que eu queria visitar, a índia era um dos poucos que eu tinha certeza desde que decidi partir. Inspirada no filme Comer, Rezar, Amar e nas práticas de yoga que vinha realizando no Brasil, queria passar um tempo em um ashram. Busquei auxílio de pessoas que entendiam do negócio e fui parar no sul da Índia, em Madurai, para um retiro espiritual de 15 dias. Foi uma das experiências mais inesquecíveis da viagem. Depois, encontrei um grupo de mulheres – que saiu do Brasil para me encontrar lá – para percorrer o Golden Triangle, ou seja, os lugares mais conhecidos do país. Foi um mês de aprendizado intenso. Costumo dizer que a Índia não é para qualquer um, mas como disse um indiano que conheci por lá: “precisa ter cabeça aberta para vir para cá, o coração a gente se responsabiliza de abrir”.

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Qual o país que tu me gostou?

Gente, não me façam essa pergunta – é a que vocês mais fazem. É difícil demais! Mas, vamos lá, vou escolher um em cada continente tá? Canadá, Noruega, Tanzânia, Índia e Nova Zelândia.

Fernanda Pandolfi/Arquivo pessoal

Fernanda Pandolfi/Arquivo pessoal

Tem algum país que tu não voltaria?

Nenhum país que me oferecessem uma passagem eu recusaria, entende? Todos tiveram seu devido valor e encantamento. No entanto, o Vietnã, eu fiz de cabo a roca, de norte a sul, de moto, de barco, a pé, de sleeping bus, de carro e acho que já vi o suficiente. Eu estava em um momento difícil ao longo da minha parada no país dos vietcongues e, por ser um lugar com uma história pesada, não consgui tornar mais leve. Acho que já dei o check por lá. Mas, vamos lá: é lindo e vale muito a visita. Não me arrependo de forma alguma.

Qual o lugar mais paradisíaco pelo qual tu passou?

Sendo bem clichê: Maldivas. Fiji também foi maravilhoso, mas as Maldivas têm um contexto de areia branca e mar azul que não vi em nenhum outro lugar pelo qual passei. É um verdadeiro paraíso, sim.

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O que esperava satisfazer na tua vida com a Volta ao Mundo? Correspondeu?

Sendo sincera, quando saí para rodar este mundão eu estava focada em um projeto profissional. No entanto, descobri que estava muito mais atrás do meu ano sabático e em busca dos meus valores do que qualquer prova de texto ou vídeo. Lá pelas tantas, em alguma curva, me encontrei, me embrulhei na mala e me trouxe de volta. O trabalho foi árduo, teve seus altos e baixos, mas valeu cada segundo. Cada alto e cada baixo. Como repito com frequência: nunca teria a ousadia de indicar um ano sabático para qualquer pessoa. Exige dinheiro, tempo e organização – fatores que nem sempre estão ao nosso alcance. Mas, indico autoconhecimento. Busca pessoal. Livros, terapia, cursos, viagens, os recursos são diversos. Ainda nesta semana eu terminei de ler A Coragem de Ser Imperfeito, da francesa Brené Brown, e fiquei com uma frase martelando aqui: “Viver é experimentar incertezas, riscos e se expor emocionalmente. A vulnerabilidade não é uma medida de fraqueza, mas a melhor medição de coragem”.

Aos velhos guerreiros de estrada: obrigada, por me acompanharem nestes dois anos. Aos novos: sejam bem-vindos, apertem os cintos e vamos juntos. Sigam por perto, questionando, impulsionado e compartilhando, vocês são a fonte da minha energia renovável.

Aproveito para deixar um convite: na próxima quarta-feira, 15 de agosto, dia oficial do nosso aniversário, estarei no Gramado Winter Season, em Gramado, participando do evento Mesa de Cinema – Comer, Rezar, Amar. A ideia é falar sobre a viagem e dividir a mesa de jantar com vocês. Espero todos.

OBS: Deixo aqui a promessa, em escrito, de lançar o livro com todas as proezas de viagem o quanto antes. Se a gente não joga para o universo, não realiza, certo?

Fernanda Pandolfi/Arquivo pessoal

Fernanda Pandolfi/Arquivo pessoal

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6 dicas para transportar grandes bagagens para casa

6 dicas para transportar grandes bagagens para casa

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Lembro da minha primeira viagem para a Bahia, quando o guia do ônibus alertou: “gente, não compre um berimbau. Não compre. Depois, vocês não vão saber usar e ainda terão um problemão para levar de volta para casa no avião”. Ok, não comprei um berimbau. Mas já tive vontade de comprar um chapéu tailandês, por exemplo, um Buda gigante, em Bali, e um quadro, lindo, lindo, que vi em Portugal – a minha cara – mas que só o frete já custava o dobro do valor da obra.

Foto: Unsplash

Foto: Unsplash

Quando fui a Murano – já contei a experiência em outro post por aqui -, comprei. Pô, não teve como aguentar. Comprei carnavalescos de Veneza e uma dupla de cavalos que dão orgulho de ostentar na estante. Mas foi função. Eita, que foi. Pensa enrolar isto em plástico-bolha, socar dentro da mala e orar para Deus para cultivar nossos euros em forma de vidro? É adrenalina pura.

Por isso, fiquei contente da vida ao visitar a Cristais de Gramado, em Gramado, óbvio, e perceber que eles operam com opção de frete e translado com taxas bem amigas e em prazos ótimos. É uma solução de compra sem adrenalina e a garantia de que a peça chegará 100% para brilhar na prateleira, né? Ainda mais quando se trata de cristal. E, no mais, dá para lotar a mala com outros souvenirs.

Foto: Unsplash

Foto: Unsplash

De qualquer forma, resolvi separar algumas dicas bacanas aqui para quem gosta de ousar nas compras ao redor do mundo e depois quebra a cabeça para entender a melhor maneira de despachar. Vamos lá?

  • Não coloque as compras nas laterais da mala. Acomode no centro, proteja com as roupas (o ideal é até enrolar as peças com roupas usadas) e com os sapatos para evitar deslocamento e possível quebra.
  • Se você se conhece e sabe que não resiste a uma comprinha, passe em um supermercado e garanta plástico-bolha, papel pardo e fita adesiva e já leve na mala.
  • Antes de ter a Monstra, minha mochila companheira de volta ao mundo, era fã número 1 das malas rígidas. E sei que, para quem gosta de comprar artigos delicados, esta é a melhor opção e a mais segura – mas, atenção, tem que preencher bem o espaço para que as compras não se movimentem lá por dentro e corram o risco de quebrar.
Fernanda Pandolfi e a Monstra

Fernanda Pandolfi e a Monstra

  • Se o propósito for mesmo uma viagem de compras, coloque duas caixas de sapato vazias dentro da mala para já reservar o espaço do que voltará a mais com você e não correr o risco de lotar a bagagem já na ida.
  • Não seja aquela pessoa que paga mico e tem que refazer a mala na fila do check-in. Confira os quilos permitidos pela companhia aérea (lembrando que varia de voos nacionais e internacionais), pese a mala antes de sair do hotel e redistribua o conteúdo caso necessário.
  • E uma diquinha extra: coloque uma sacola vazia no fundo da sua mala. Na volta, ela pode retornar carregada e ser a sua bagagem extra. E faça os cálculos, dependendo, vale mais a pena comprar uma mala a mais do que pagar o excesso de bagagem, viu?

Have a nice trip!

*Conteúdo em formato branded content para Blogueiros Viajantes e Cristais de Gramado.

Vale a pena ver de novo: Parque Estadual do Caracol

Vale a pena ver de novo: Parque Estadual do Caracol

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Perguntas se repetem nas minhas palestras. É normal. Uma volta ao mundo ou a vida de uma viajante suscita dúvidas semelhantes: qual o lugar você mais gostou? Foi difícil viajar sozinha sendo mulher? Teve alguma situação de risco? Pelo menos uma dessas três estará lá, saindo de dentro de algum dedo, na plateia. Já sei bem como responde-las, óbvio, mas a primeira ali me incomoda um pouco (e é a mais frequente). Sempre rebato com um: posso escolher um lugar em cada continente? E lá vai – Peru, Canadá, Noruega, Tanzânia, Índia e Nova Zelândia.

Mas é complicado. Da mesma forma que é difícil relatar qual o lugar que menos gostei, por exemplo. Acredito que os lugares e as pessoas – sempre relacionados – vivem fases e estão suscetíveis a momentos. Barcelona não me agradou. E teve leitores que vieram quase de facão atrás de mim quando relatei isto. Estava muito quente, muito cheio, clima estranho – e uma semana depois de eu ir embora, a Las Ramblas sofreu um atentado, olha que loucura. Talvez, se eu tivesse visitado a cidade catalã mais nova, mais velha, acompanhada ou em outra época do ano, a experiência teria sido diferente.

Parque Caracol 3

Os lugares também estão muito propensos à fase que nos encontramos e à direção que o nosso olhar quer focar. Por isso, sou a favor de voltar – como vocês já estão cansados de saber. Se tem algum lugar que eu não voltaria hoje? Tem, mas prefiro não comentar. Não me sinto segura para tal. Sei o quanto eu estava vulnerável quando o visitei. E lugares para os quais eu voltaria imediatamente? Diversos! Principalmente aqueles que me remeteram a alguma pessoa especial e que gostaria de dividi-lo.

Há dois meses longe do Exterior, tenho viajado bastante pelas bandas do Rio Grande do Sul. E, principalmente, revisitado lugares. Um deles, que encheu meu coração de nostalgia e alegria, foi o Parque Estadual do Caracol. As escadarias famosas que levam até a beira da cascata, cartão-postal da cidade de Canela, estavam fechadas para manutenção, o que me colocou a pensar novas maneiras de apreciar aquela baita paisagem. Estou para dizer para vocês que me diverti bem mais do que nas três vezes que desci – e SUBI – aqueles 730 degraus. Aproveitei para percorrer diferentes trilhas pela mata nativa, que levam a imagens diferentes do Caracol, espiei os mirantes com mais cuidado e desbravei o lado esquerdo do parque. Sim, o povo só vai para o lado direito e esquece de dar a seta na encruzilhada.

Parque Caracol 1

Eis que percebo que há um espaço bacana para churrasco, redes para descanso, muito gramado para a criançada se divertir ou para se esticar no final da tarde e um museu megabacana sobre a história do espaço, apresentando cada detalhe da flora e da fauna da região. Perdi uma boa horinha lá dentro entre textos e fotos. Foi bom este passeio visto de outra perspectiva, sem estar toda suada, e mais cultural do que natural. É tudo ponto de vista, né? Por isso que eu digo, voltar é tipo um filme: sempre há um detalhe que você deixou passar na ansiedade da estreia.

*Texto feito em formato branded content para Blogueiros Viajantes e Prefeitura de Canela.

2 maneiras diferentonas de passear por Gramado e Canela

2 maneiras diferentonas de passear por Gramado e Canela

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Você é daqueles que acha que conhece Gramado e Canela de cabo a rabo e não tem mais nada de novo para descobrir por lá? Então, bate aqui. Eu também era esse ser. Minha família tem apartamento em Gramado há uns 15 anos, pelo menos, e passo boa parte dos invernos passeando pela Rua Coberta, batendo ponto nos meus restaurantes preferidos e tomando chimarrão no Lago Negro. Mas, na minha visita mais recente à Serra, recebi uma proposta para observar Gramado e Canela de outro ângulo, mais de cima, se é que vocês me entendem. Abaixo, eu revelo toda a experiência:

Voe tri - Gramado

Gramado e Canela nas alturas

Dá um certo friozinho na barriga em pensar em decolar em um helicóptero, né? Por isso, a turma da Tri Táxi Aéreo cuida para relaxar os passageiros já na recepção. Um lounge com sofás, espumante ou outras bebidinhas fica à disposição enquanto o voo é preparado e todas as dúvidas são respondidas. No momento do voo, é só alegria. É bacana interagir com o piloto pelo microfone e se sentir por dentro de uma cabine de comando. E, com certeza, é uma maneira bem diferente de observara as duas cidades mais visitadas do Rio Grande do Sul. A dica é pegar um voo de manhã cedinho, para pegar uma luz incrível na Cascata do Caracol, ou ao entardecer, com o crepúsculo e o acender das luzes da cidade e das igrejas. É tão tranquilo que quando termina a gente fica com gosto de quero mais. Já estou de olho no próximo passeio – agora, para os cânions, com direito a piquenique.

Vista Gramado - Voe tri

Por dentro de Gramado e Canela

Quem aqui sabia que “hop on hop off” entre Gramado e Canela? Gente, tudo bem que eu fiquei um ano fora, e estou um pouco desatualizada, mas amei essa novidade. Acredito que o estilo de ônibus de dois andares – que ganhou fama em Londres – eleva o nível de turismo dos lugares. Não é o status, é a facilidade e a praticidade que oferece aos viajantes. Na falta de metrô, apostei muito neste estilo de transporte ao redor do mundo. E, claro, fui experimentar o BusTour, da Brocker Turismo, entre Gramado e Canela. Adorei! Além de circular pelo atrativos mais conhecidos, passei por regiões que eu não conhecia, como as mais residenciais e antigas, com arquitetura original da colonização, é uma “mão na roda” para quem está sem carro na cidade – ou até de carro, já que estacionar em Gramado virou uma gincana. A dica é baixar o app para smartphone e ficar de olho nos horários em que o ônibus passa em cada parada. Ah, garanta o ticket do dia todo, vale a pena no desce e sobe de atrativos turísticos. Fiz o percurso inteiro porque sou dessas.

Bustour - Gramado

*Texto escrito em formato branded contente para Blogueiros Viajantes, Tri Táxi Aéreo e Brocker Turismo.

4 hotéis inspirados em arte e design que você deve conhecer

4 hotéis inspirados em arte e design que você deve conhecer

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Na minha incursão mais recente por Gramado e Canela, tive uma experiência hoteleira no Varanda das Bromélias Boutique Hotel que me remeteu a um tanto de outras situações que vivi pelo mundo: as de hospedagens que envolvem arte e design. Dá para perceber que a proprietária do Varanda é uma apaixonada por arte, já que desenvolve trabalhos lindos em vidro e mantém uma loja charmosíssima dentro do espaço.

Afora isso, o hotel é todo cuidadosamente decorado com peças assinadas e reserva algumas surpresas especiais dentro dos quartos para os hóspedes. Incluí o Varanda como o primeiro desta minha lista que é seguida por outros empreendimentos no Canadá, em Hong Kong, em Portugal e no México.  Coloquei-o no topo da lista por ser o mais prático e acessível para uma fuga de final de semana, certo? Vamos a eles.

Varanda das Bromélias Boutique Hotel – Gramado: localizado na Serra Gaúcha, o boutique hotel já ganha meu coração por ter apenas 17 quartos, o que deixa a experiência bem intimista para os hóspedes. As acomodações são um tanto rústicas, com lareira e móveis de madeira, mas não deixam de lado o glamour de uma boa obra de arte. Os “espaços de banho” dos lofts  levam a assinatura de artistas como Dali, Mondrian e Van Gogh e foram trabalhados dentro da temática. Sei que não tem nada a ver com arte (ou tem?), mas o café da manhã deste hotel foi um dos melhores que já provei na vida. Juro. Sem exageros.

varanda das bromelias

Chatêau Frontenac – Quebéc City: Bom, estamos falando aqui de um dos principais atrativos turísticos de Quebéc, no Canadá: o Chatêau Frontenac. Trata-se de um verdadeiro castelo, com torres, salões de baile, mobília antiga e um livro de visitas que ostenta nomes como o da Rainha Elizabeth, Franklin Roosevelt e Alfred Hitchcok. Para retomar a história do prédio, que foi levantado para incentivar o turismo ferroviário no local, exposições com peças antigas estão à disposição dos hóspedes e parte da decoração original é mantida. São 611 quartos no hotel, pasmem, e há um museu interno com exposições de arte itinerantes. Dei a sorte de que, quando me hospedei por lá, estava sendo realizada uma exposição com originais de Salvador Dali, que amo. E o melhor, era gratuita para hóspedes.

quebecidaevoltafepandolfi

Farol Design Hotel – Cascais: Não tive a oportunidade de ficar hospedada neste hotel, mas apreciei um jantar inesquecível no The Mix, restaurante próprio da rede, com vista para o farol, é claro, e para o mar. O hotel tem como embaixadores a escultora Adália Alberto e o pintor Diogo Navarro, que cuidam de todas as obras de arte selecionadas para compor a decoração do espaço. Ah, e um detalhe: tudo isto fica dentro de uma mansão restaurada do século XIX.

W Mexico City – Cidade do México: Uma das referências no mundo para quando se fala em “hotel design” é a rede W. Já fiquei em um dos hotéis de Nova York também, mas a minha melhor experiência foi na sede da Cidade do México. As cores, as peças, cada detalhe do quarto e o charme do bar me conquistaram. Sou fã da rede W e recomendo sempre para quem gosta de decoração arrojada e modernidade. Se você é daqueles que prefere um casarão histórico, não arrisque, o futurismo é o lance aqui.

Foto: Site W Mexico City

Foto: Site W Mexico City

*Texto em formato branded contente para o projeto Blogueiros Viajantes e Varanda das Bromélias Boutique Hotel

França X Croácia: quando o tema é viagem, qual destino vence o jogo?

França X Croácia: quando o tema é viagem, qual destino vence o jogo?

Eita que esta Copa do Mundo colocou a saudade em campo. Este clima amistoso entre diversas etnias e a mistura de culturas transforma o planeta em um grande hostel, vai dizer? Pois bem, eis que chegou o final da competição e, no dia 15 de julho, descobriremos quem é o melhor do mundo quando o tema é futebol. De qualquer forma, resolvi elencar alguns pontos sobre os países europeus que chegaram à final – França e Croácia – para, em tom de brincadeira, ver quem sai na frente quando o tema é destino de viagem.

França e Croácia

França e Croácia

Gastronomia

Não tem pra ninguém. Eu diria que nem para a Itália, hein? Quando o tema é gastronomia, a França larga sempre na frente. Croissant, brioches, queijos, omeletes, qualquer bistrô francês consegue satisfazer um amante da boa mesa. Fora que os vinhos das casa são garantia de qualidade.

Gastronomia na França

Gastronomia na França

Na Croácia, a alimentação fica por conta dos frutos do mar. São sempre fresquinhos e, em Dubrovnik, não faltam restaurantes estrelados. Os vinhos também são especiais, mas, contudo, todavia, nada bate a panela francesa.

França 1X0 Croácia

Povo

Os franceses já melhoraram muito o comportamento desde que visitei o país pela primeira vez. Há 10 anos, puxar um assunto em inglês com um parisiense, principalmente, era pedir para ser encarado com um olhar torto ou ser ignorado. O ar blasé impera no país e, definitivamente, não é  o melhor lugar pra fazer novas amizades. Eu tinha um amigo que morava em Lyon que costumava bradar uma autocrítica: “o que adianta viver em um dos lugares mais lindos no mundo e estar sempre de mau-humor?”. Não sei se é bem mau-humor, já acho que é até charminho, sabe? Na Croácia, o clima é outro. Os croatas foram bombardeados nos anos 1990, precisaram se reerguer e são muito gratos pela nova oportunidade que lhes foi dada. Como vivem basicamente do turismo, atualmente, estão sempre de braços abertos para os estrangeiros e prontos para ajudar, sorrir ou indicar o melhor café ou lojinha.

França 0X1 Croácia

Paris - França

França

Belezas naturais

Esta é difícil. Fiquei até em dúvida se não rolava um empate técnico aqui e temi ser injusta. Se por um lado temos a Côte d’Azur, a Provence, os jardins de lavanda e aquela cidadelas românticas e montanhosas do interior francês, pelo outro, temos praias deslumbrantes, parques enormes e lagos de um azul e verde espelhados na Croácia.

Marseille - França

Marseille – França

Neste caso, acabei desempatando para os croatas. Afinal, um minuto de silêncio para a lindeza de tirar o fôlego dos Lagos Plitvice e da ilha de Hvar.

França 0X1 Croácia

Croácia

Croácia

Cultura

A principal cidade da Croácia – que não é a capital -, Dubrovnik, passou por uma reconstrução há pouco e perdeu parte da sua essência e história antiga. É interessante demais caminhar pela cidade de pedra e redescobrir a tradição e os encantos de um país em evolução. Mas, para quem ama museus, prédios antigos e tradições, não há lugar como a França. As óperas, bibliotecas e parques são redutos da cultura mundial. Não tem para ninguém.

França 1X0 Croácia

França e Croácia

França e Croácia

Preço

Este é um fator decisivo para quem está pensando em viajar e quer economizar um bocado: o preço. A Croácia está na moda, sim, e os hotéis podem ser um tanto ousados nas tarifas. Mas sempre há um bed and breakfast ou um hostel bacana para encarar o passeio. Em contrapartida, a França segue entre os países mais caros do mundo. Sim, aparece em terceiro na lista da BBC, o que pode influenciar um tanto o turista na hora de marcar o gol. Croácia larga na frente.

França 0X1 Croácia

França

França

Neste momento, eu diria que ali, nos minutos finais, nos acréscimos, Croácia vence o embate. É um destino que está em alta, tem um tantão a oferecer nas áreas naturais e culturais e o preço não está entre os mais caros quando se fala de Europa. Mas, psiu, cá entre nós, se você me perguntar para qual dos dois destinos eu iria agora, não titubearia em vestir meu trenchcoat e voar para a terra de Mbappé. France, Je t’aime.

Gramado: Murano é logo ali

Gramado: Murano é logo ali

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“Gente, nem parece Brasil”. Este comentário, frequentemente, faz-me rir. Acho engraçado esta mania dos brasileiros de desvalorizarem o que é original daqui. Depara com um cidadão educado e diz que é comportamento europeu, repara na roupa bonita do amigo e larga aquele pitaco “é de fora, né?”, ou paga muito mais caro em um rótulo de vinho, por exemplo, por ser importado. Desde que tenho circulado um bocado por este mundão, passei a prestar mais atenção no que é nosso de produção e tentando alertar quem está à minha volta de que também poder ser muito bom, às vezes, até melhor. Que me desculpe a Veuve Clicquot, mas gosto mesmo é de um espumante rosé de Pinto Bandeira, que fica aqui do ladinho. Mals aí, Vera Wang, mas prefiro um vestido sob medida com renda brasileira (e mais fácil de realizar as provas e os ajustes). Lembro de um italiano que encontrei em Fernando de Noronha e que há um ano havia passado férias no Taiti. Perguntei qual praia ele preferia: não soube responder. E me deixou envergonhada por ter priorizado visitar Miami a Pernambuco em algum momento na minha vida.

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Mas a história que venho contar é sobre Murano, a ilha de Vêneto, na Itália. Estávamos em Veneza e, como bons turistas, decidimos que deveríamos alugar uma lancha para dar um pulo na região vizinha, famosa pela produção de vidro e cristais. Compramos o passeio no hotel e rumamos em direção a uma das principais fábricas do mundo – a qual, confesso, não lembro o nome agora. A visitação durou algumas horas, nos apresentaram alguns processos de produção e acabamos realizando boas compras ao final da imersão. Foi bacana, mas menos intenso do que imaginávamos. Vendo que estávamos pisando na chamada “terra dos cristais”, esperávamos algo mais experiencial, surpreendente, talvez.

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Passaram-se 10 anos desta ocasião, já visitei a maior loja da Swarovski em Viena, e jantei no restaurante da Bacarat, na França, mas buscando vivenciar experiências com cristais, sem me ligar tanto à fabricação. Quiçá, por isto, quando me sugeriram para conferir a Cristais de Gramado, em Gramado, torci um pouco o nariz. Ah, não, pensei. Deve ser mais uma daquelas funções sem conteúdo, só para reunir turistas. Mas, como já aprendi bem na prática, a gente não deve falar daquilo que não conhece, certo? Neste caso, lá fui eu verificar este empreendimento um tanto inusitado para a Serra Gaúcha. E qual foi a minha surpresa ao perceber que o que temos ali é uma verdadeira aula de história acerca da fabricação do vidro e do cristal. A entrada é gratuita e os shows, que rolam a cada 20 minutos, lotam a plateia de curiosos para acompanhar a explicação dos operários que usam tal e qual a técnica de Murano.

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Mas, o mais divertido, foi poder participar da atração. Escolhi uma cor, assoprei o vidro e aprendi direitinho como confeccionar meu próprio vaso. Soube depois que esta prática é frequente para os artistas que passam por Gramado por conta do Festival de Cinema e o que o Kikito de Cristal – um dos prêmios mais relevantes do programa – vem direto de lá. Bom, afora isto, vale conferir as taças de espumante personalizadas, a imensa loja de joias e até a cafeteria, que tem um chocolate-quente supimpa. No final das contas, um programa fora do comum e inusitado para a Serra. Não é que foi legal?

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Para mim, foi mais interessante do que a visita à fábrica de Murano, lá atrás. Só comprovando mais uma vez que devemos desistir de lançar meios olhares para o que é daqui e prestigiar e aproveitar as oportunidades que colocam pertinho da gente.

*Texto em formato branded contente para o projeto Blogueiros Viajantes e Cristais de Gramado.

Cabo da Roca: um caminho de autoconhecimento em Portugal

Cabo da Roca: um caminho de autoconhecimento em Portugal

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Depois de me empoleirar nos 45 centímetros de assento do avião, prender as meias por cima das barras da calça e abrir o computador no colo, a pergunta surgiu na tela dando a sensação de piscar ritmada por efeito do ponto de incursão: “quem é a sua criança interna hoje?”. Eu teria exatas 10 horas e 45 minutos entre Porto Alegre e Lisboa para fritar o cérebro, sem azeite português, com esta inquietação. Assim, era dada a largada para o Caminho Cabo da Roca, um workshop disfarçado de trilha liderado pelo palestrante e escritor gaúcho Gabriel Carneiro Costa.

Foto: Gustavo Bonotto

Foto: Gustavo Bonotto

Já que vamos falar de fatos de cunho pessoal, abro parênteses aqui para dividir um segredo: Costa é coach. Mas cansou dessa bagunça em torno do termo e da banalização da profissão que ganhou status fashion e vulgarizou o trabalho de educação emocional e comportamento humano que ele buscou com tanto afinco.  Se tivesse carteira de trabalho hoje, acredito que sua profissão seria “encantador de pessoas”, bem como aponta em um dos seus livros já lançados. E foi em um das suas tantas viagens a Portugal, buscando  dar gás à sua carreira internacional enquanto palestrante, que descobriu o ponto mais ocidental da Europa: o Cabo da Roca.

Foto: Gustavo Bonotto

Foto: Gustavo Bonotto

Ali, no farol, que por muitos anos serviu como último ponto de referência em terras firmes para os navegantes, Costa teve o insight de criar um curso acompanhado de uma caminhada. O objetivo era levar seus andadeiros a tomarem uma decisão: seguir navegando por costas conhecidas ou lançar o barco rumo ao inexplorado. A escolha viria ao longo dos passos esticados ao longo dos 50 quilômetros percorridos em 48 horas e de outros dois dias de dinâmicas, conversas e reflexões na companhia do escritor. Este é o link que me joga à cena que estou com os olhos estalados para a tela de um computador em um voo rumo a Lisboa.

Foto: Gustavo Bonotto

Foto: Gustavo Bonotto

Ouso afirmar que sei um tanto de mim. Tenho 10 anos de terapia nas costas, outros vários de acompanhamento psiquiátrico, uns cursos malucos de autoconhecimento no currículo e um ano sabático, completamente sozinha pelo mundo, na conta. Há pouco destas entranhas que eu ainda não saiba reconhecer no primeiro contorcer. Talvez, por isso, eu estivesse consideravelmente preparada para os dias em que teria que enfrentar o meu Cabo da Roca. Parecia até um tanto apática quando comparada aos outros 11 colegas. Ao contrário da caravana, demorei a acumular aquela dose extra de água nos olhos ao ser intimada pelo nosso guia a vasculhar a vida em lembranças, projeções e palavras escondidas no estômago por nunca terem sido vomitadas.

Foto: Gustavo Bonotto

Foto: Gustavo Bonotto

Aos trilheiros profissionais que podem achar uma dupla de dias de caminhada  básico: é sobre a quilometragem mental que me refiro. Aos ociosos que acreditam que não vão chegar lá: é preciso mais preparo psicológico do que físico. Acredite, no meu grupo tinha uma mulher prestes a completar 80 anos e um homem acostumado a percorrer 22 quilômetros em suas caminhadas diárias com sua mochila equipada. Para ambos, o desafio foi mental. Isto porque Costa não deixa que o caminhante se desconecte do objetivo. Pontos de referência são indicados junto ao mapa e, quando alcançados, cartas com determinadas tarefas emocionais devem ser abertas.

Foto: Gustavo Bonotto

Foto: Gustavo Bonotto

No final do segundo dia, quando dobrei a curva em Colares e avistei o farol do Cabo da Roca meu instinto era correr. Esqueci as sete bolhas espalhadas pelos pés, a queimadura do sol nos ombros e o lábio ressecado do vento. Venci. Conquistei. Cheguei. Parece que é esta a ansiedade humana, né? Chegar logo. O perigo é esquecer de curtir o caminho, ou, nas palavras de Steve Jobs: “a jornada é a recompensa”. Eu não corri, me segurei, mas apertei o passo. E lá, embaixo da cruz que homenageia os incontáveis navegadores que resolveram partir rumo ao desconhecido e nunca voltaram para contar a história, senti pelo final da viagem, por ter que me despedir do grupo em breve e por ter finalizado mais um roteiro.

Foto: Gustavo Bonotto

Foto: Gustavo Bonotto

Refleti sobre o trajeto e percebi que, por mais que eu bata no peito para reforçar o quanto sei viver sozinha, já extrapolei minha cota de solidão. Diversas vezes procurei companhia na caminhada e me senti desconfortável ao pensar que poderia estar perdida e sem ter com quem contar para debater direita ou esquerda nos entroncamentos.

Este era o meu Cabo da Roca: reforçar o lema pessoal de que ir é bem mais interessante quando voltar faz sentido. E que, no somar do cálculo da vida da gente, o que vale a pena não é para quê, mas para quem você volta no final da trilha.

Veja mais sobre o Cabo da Roca:

 

*A jornalista viajou a convite de Gabriel Carneiro Costa.

Portugal: a magia dos pastéis de nata

Portugal: a magia dos pastéis de nata

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Tem algo importante a respeito dos pastéis de nata de Portugal: não há como encontra-los fora do país. Ok, até é possível bater com algumas tentativas de, mas nunca terão a mesma essência. Em Portugal, não interessa a padaria, restaurante ou boteco de esquina: os pastéis de nata sempre terão o recheio no ponto e estarão quentinhos esperando o consumidor. Acaba se tornando um vício para qualquer turista que se preste a arriscar a primeira mordida. Até quem não é tão chegado em doçuras ou está focado na dieta pode se perder ao polvilhar de canela e açúcar em pó a primeira unidade.

Tenho um amigo gaúcho que ruma todos os anos a Lisboa, encara a fila dos pastéis de Belém – que são os originais – e pede seis de uma tacada. Só para ele. Volta nos outros dias e pede mais seis. Mais seis. Mais seis. Já soube de vezes em que pediu até 12. E não passou mal.

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Quando me despedi de Portugal no ano passado, tive abstinência, confesso. Chegava a sonhar com aquela pitada de baunilha em meio ao doce de ovos e o tostadinho charmoso por cima. Mas, tive que desapegar, pois rodei um bocado neste mundão que valha-me Deus e não achei nada nem parecido. Dizem que há um segredo guardado a sete chaves.

Os mestres pasteleiros da Oficina do Segredo da Fábrica dos Pastéis de Belém (sim, esse lugar existe, não é zoeira) são os poucos detentores da receita, assinam um termo de responsabilidade e fazem um juramento em como se comprometem a não divulga-la. Tipo vida ou morte. Justíssimo. Até Donald Trump poderia ser chantageado por aquela receita.

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Quando soube disto, desisti de buscar um pastel de nata fora de Portugal. Percebi que não fazia sentido. O que dava o tom do sabor era exatamente o cenário, o contexto, a história, a criação dos doces na sua mais ingênua forma dentro dos mosteiros. Não é novidade para viajantes que a gastronomia releva um lugar. Abre suas portas entre temperos, azeites e panelas. A gente consegue entender mais sobre um povo só observando a maneira como se alimenta.

Portugal precisou de muito açúcar. Foi triste por anos a fio. Ainda é. Chora ao som do fado e das senhoras com cabelos brancos e rugas na testa. Precisaram de doses cavalares de baunilha para engrossar o sangue na sua glicose a ponto de injetar um sorriso de canto de boca. Então, nada mais justo de que encalacrem o seu pó de pirilimpimpim no cofre das alquimias.

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Estou com a passagem marcada para retornar a Porto Alegre no dia 22 de maio. Fui agraciada com um convite: passar uma tarde na Feira de Padaria, Gastronomia e Hotelaria da Sulserve, em Novo Hamburgo, que será exatamente de 22 a 24 de maio, nos pavilhões da Fenac. Focada nos profissionais do setor, a feira tem como objetivo fortalecer o segmento no Rio Grande do Sul e contar melhor ainda a nossa história enquanto gastronomia e hotelaria. Entre as tantas palestras e workshops gratuitos, o que me chamou a atenção mesmo foi a ideia de poder encontrar insumos e especiarias da melhor qualidade para construir receitas. Confesso, sou um zero à esquerda quando o tema é fogão, mas pretendo incentivar o pessoal na elaboração do Pastel da Sulserve.

Vai que a gente chega perto ou consegue ir ainda mais longe e desenvolver o nosso próprio doce encantado? Eu tenho fé. É, dei todo este textão para me contradizer no final e descobrir que, apesar de falar bonito, eu ainda não recuei completamente do foco de encontrar um pastel de nata perfeito mais perto das nossas bandas. Ora, pois.

*Texto escrito por Fernanda Pandolfi para a Sulserve.