10 motivos para conhecer Bogotá, um destino de luxo, cultura, história e gastronomia

O novo destino da moda na América Latina fica 2,6 mil metros mais perto das estrelas, como se diz por lá. Porta de entrada da Colômbia, Bogotá deixou há muito de ser ponto de partida para Cartagena para se tornar a parada final de cada vez mais turistas. Com 7,9 milhões de habitantes, a cidade reúne tudo o que vale a pena em um tour urbano: uma vida cultural intensa, dos museus imperdíveis à arte de rua que colore muros e fachadas; um centro histórico charmoso e cheio de atrações; alta gastronomia, com direito a uma região dedicada a restaurantes descolados; e muita badalação em bares bacanas, incluindo o Andrés D.C., que te leva literalmente ao céu. E, para quem gosta de compras, estão lá as grandes grifes internacionais (Louis Vuitton e Dolce & Gabbana, só para citar algumas do shopping Andino), além de uma moda local que pede passagem. Tudo muito cool – ou chévere, na gíria local.

Não à toa, em abril a capital colombiana entrou para o seleto time de cidades com mais de um hotel da rede de luxo Four Seasons – e realizou este feito antes mesmo de Nova York.

– Bogotá é um dos lugares mais interessantes do mundo para se ter dois Four Seasons – afirma Ann Armstrong, diretora de marketing dos hotéis da rede na cidade.

– Há cerca de dois anos, não se pensava tanto em Bogotá como destino, mas agora é moda. Algo que os turistas consideram quase como uma aventura, porque poucos têm muitos amigos que já viajaram a Bogotá, então podem ser os primeiros.

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Exatamente o meu caso. Apesar das pesquisas antes da viagem, cheguei lá com a sensação de um destino a desbravar e direito a muitas boas surpresas. Quem ainda associa a imagem do país à violência do narcotráfico nos anos 1980 vai se surpreender com a tranquilidade das ruas largas e arborizadas de Bogotá, especialmente na parte norte, onde boa parte dos turistas circula e se hospeda. Mais: vai experimentar um descanso para os olhos, com a arquitetura da cidade. Predominam prédios de altura mediana e em tijolo à vista fosco, sem arranha-céus ou experimentações arquitetônicas para impedir a visão das montanhas que cercam a cidade. Para completar o passeio, a temperatura média é em torno de 20ºC. Aproveite o passeio pelas dicas a seguir!

1. O charme da Candelária

Quando voltar a Bogotá (e pretendo), a Candelária será o primeiro lugar a rever. O centro histórico é um misto de casas coloridas, hostels e bares descolados, dividindo a vizinhança com os principais museus, centros culturais e igrejas centenárias. Mas não é só isso. Lá é também um dos pontos obrigatórios do tour pelos grafites que são a cara da cidade. Bogotá é uma das capitais latino-americanas da arte de rua: o que começou como pichação em muros e fachadas evoluiu para cores e formas em grafites engajados ou simplesmente belos.

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Na Candelária, o resultado é um inusitado contraste com as construções antigas em ruas estreitas. Nos arredores, está a Praça Bolívar, cercada por prédios históricos como o Palácio da Justiça, o Capitólio Nacional, sede do congresso colombiano, e a prefeitura, além de uma infinidade de pombas sempre em movimento. De frente para a praça, está a imponente Catedral Primada da Colômbia, construída entre 1807 e 1823 – no mesmo local onde foi erguida a primeira igreja, em 1539.

2. Ouro, muito ouro

Joias, enfeites, utensílios do dia a dia: tudo no mais resplandecente ouro em um museu dedicado a contar uma pouco da história da Colômbia e a encher nossos olhos com tanto brilho e opulência. Resultado de uma ação iniciada em 1939 com o objetivo de pesquisar e preservar o patrimônio arqueológico e cultural do país, o museu reúne a maior coleção de peças em ouro do mundo. As obras remetem às tradições e aos costumes dos povos pré-colombianos, como ricas indumentárias indígenas, adornadas com colares, adereços de cabeça e anéis de ouro. Ao final do passeio, uma loja de joias e suvenires aguarda aqueles que não resistirem à tentação.

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3. Museu Botero

Em 2000, Fernando Botero deu um grande presente a Bogotá – e aos turistas. Um dos artistas latino-americanos mais reconhecidos, natural de Medellín, ele doou mais de 200 obras que deram origem ao museu que leva seu nome. Dono de um estilo tão inconfundível, que ganhou até apelido, o boterismo, o pintor e escultor de 84 anos tem como marca as personagens de formas volumosas, que flertam com a ironia e crítica social e estampam releituras como a da Monalis, na foto abaixo.

Mas o visitante tem um bônus: a doação inclui uma impressionante coleção de peças de outros artistas, como Chagall, Miró, Monet e Picasso. Mais? A entrada é gratuita por vontade de Botero, que também teria exigido que as peças jamais deixassem o museu localizado no bairro da Candelária. Ou seja, você terá que ir a Bogotá para ver tudo isso.

4. Badalação na Zona T

Ao norte, especialmente entre as ruas 80 e 85, a chamada Zona Rosa concentra os hotéis, as lojas, os designers de moda e os bares mais charmosos para onde migram os turistas e a classe média alta bogotana. Encravada nesta região, está a Zona T, um arborizado calçadão em forma de T com cafés, bares e lojas, que se torna ponto de encontro ao cair da noite. Nos arredores, a peregrinação noturna é grande. Minha primeira parada foi no Cachao, onde você pode tomar um mojito e dançar ao som dos rimos latinos, com banda ao vivo.

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A segunda foi na balada mais famosa de Bogotá: o deliciosamente exagerado Andrés D.C. é uma experiência obrigatória. Trata-se da filial bogotana do restaurante Andrés Carne de Res (da cidade Chía). São quatro andares destinados a provocar os sentidos, com boa música, da salsa ao eletrônico, drinques de tamanho descomunal (um mojito foi dividido entre duas pessoas), performances e decoração temática para encher os olhos. Pela ordem, você entra no inferno, chega à Terra, passa ao purgatório, até finalmente atingir o céu.

5. Zona G, de gourmet

Conheci três estrangeiros que vivem em Bogotá e, quando perguntei o que mais os atrai na cidade, todos destacaram a boa mesa. Não é para menos: um dos destaques é a Zona G, assim chamada pelo toque gourmet dos restaurantes descolados que se concentram (e não param de surgir) no norte da capital, especialmente entre as ruas 68 e 71. Em uma breve caminhada pelas calçadas arborizadas, você poderá escolher entre opções como cozinha espanhola (no Castanyoles, do Four Seasons Hotel Casa Medina), chinesa, árabe ou ainda steak house, winebar, oyster bar e até uma Starbucks, que avisa já na fachada: “Orgulhosamente, servimos café colombiano”.

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E a atração não está só nos cardápios – o visual bacana e a decoração descolada dos restaurantes são parte da experiência. Você só não pode se perder no horário. Os bogotanos costumam sair cedo para jantar – a função começa pelas 19h30min e vai chegando ao fim em torno das 22h30min.

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6. Turismo de bici

Em Bogotá, faça como os bogotanos: pedale. As ciclovias da cidade são referência mundo afora, inclusive no Brasil. Aos domingos, o trânsito de bicis aumenta: as principais vias da cidade são abertas exclusivamente para ciclistas, patinadores, pedestres e skatistas. Ao todo, são mais de 120 quilômetros extras onde automóvel não entra. Claro que os turistas não ficam de fora. Muitos aproveitam os pontos de empréstimo e aluguel de bicicletas para dar um passeio por conta ou embarcar em tours guiados. Então, você tem a chance de entrar naquele mar de gente sobre duas rodas – são milhares de ciclistas – e pedalar numa boa nas largas avenidas com sinalização especial para a ocasião.

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Especialmente de bike, uma opção de destino aos domingos é o mercado de pulgas de Usaquén, uma espécie de Brique da Redenção onde você encontra de bolsas e bijuterias a pomadas à base de coca.

7. Um café no Juan Valdez

Pausa para um café? Não deixe de conhecer o Juan Valdez Café, que está por toda parte, do tradicional bairro da Candelária ao shopping Andino. Mais ou menos como o Starbucks local. Entre opções quentes e geladas, você prova o renomado café colombiano e ainda pode escolher kits para presentear os amigos que não vivem sem cafeína.

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8. Vista panorâmica em Cerro até Monserrate

De teleférico ou funicular, você chega ao topo de Bogotá: o Cerro de Monserrate, com seus 3.152 metros acima do nível do mar e uma vista privilegiada da cidade. Lá, além de apreciar a paisagem, você pode visitar o Santuário del Señor Caído, centro de peregrinação de turistas e locais, curtir a gastronomia típica ou internacional dos dois restaurantes e a feira de artesanato e lembrancinhas.

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9. Logo ali, a Catedral de Sal

Uma das atrações mais visitadas na Colômbia, declarada a primeira maravilha do país, fica a 49 quilômetros de Bogotá, a 180 metros de profundidade: a Catedral de Sal. Em uma antiga mina de sal na vizinha Zipaquirá, o complexo oferece muito mais do que experiência religiosa. Ao longo dos amplos corredores escavados pelos mineiros no mesmo local onde os índios muiscas extraíam sal séculos antes, o turista percorre uma via-crúcis estilizada, lembrando o calvário de Jesus enquanto avança terra adentro: cruzes e imagens esculpidas nas paredes ganham um ar sobrenatural com o jogo de luz que quebra a penumbra.

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O efeito contra as rochas de sal é impressionante. Ao fim de cerca de uma hora de passeio, chegamos à nave principal, que culmina em uma imponente cruz escavada na pedra de sal, que ganha volume por ilusão de ótica. Momento contemplação garantido. E aí, como ninguém é de ferro, vamos às compras. Além de lembrancinhas ao estilo “eu estive aqui” e artigos religiosos, há peças de design e produtos de beleza à base, claro, de sal.

Uma dica extra:

No caminho entre Bogotá e a Catedral de Sal, a parada obrigatória é no charmoso restaurante Sanalejo, fundado há 47 anos como um antiquário.

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Lá você vai poder bater um papo com Catalina Herrera, que administra o espaço, servindo a tí- pica culinária colombiana, fiel às receitas de sua mãe. Entre as especialidades da casa, o ajíaco, uma sopa com batatas, frango e milho. Não deixe de provar as yucas, bolinhos de mandioca servidos com guacamole.

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10. Four Seasons em dose dupla

Four Seasons Hotel Casa Medina

Com suas colunas de pedra e fachada em tijolos, o hotel é em si uma atração: funciona em um casarão dos anos 1940, declarado patrimônio histórico pelo Ministério da Cultura colombiano, e que foi totalmente restaurado sem perder o charme e o clima da época. A começar pela bela escada de madeira original que você avista ao chegar, a viagem ao passado segue em detalhes como vitrôs, lustres e nos corredores atapetados, decorados com obras de arte e portas entalhadas à mão. O quarto completa a experiência: pé-direito alto e recortado, frigobar disfarçado em um armário de madeira trabalhada, livros com encadernação antiga e iluminação suave.

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Localizado em plena Zona G, ponto alto da gastronomia, o Casa Medina abriga o restaurante e bar de tapas Castanyoles.

Four Seasons Bogotá

os arredores da badalada Zona T, a uma curta caminhada dos bares mais bacanas, o Four Seasons Hotel Bogotá une luxo e conforto em ambientes decorados com elegância e detalhes feitos à mão. Inaugurado em abril, tem suítes amplas e acolhedoras – ideais para quem está viajando acompanhado. O spa oferece tratamentos como o Emerald Body Wrap, com lama rica em minerais, vinda das zonas produtoras de esmeraldas.

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São duas opções de restaurantes. No Biblioteca, tradicional espaço da cidade que foi reaberto no hotel depois de uma renovação, você pode, por exemplo, tomar um delicioso café da manhã no deque envidraçado, de frente para a rua. Mas a prata da casa é o Küru, restaurante-bar japonês com decoração contemporânea e clima intimista. O menu é uma tentação: dos pratos mais tradicionais a releituras com um toque da cozinha latino-americana, sob comando do renomado chef Diego Soriano. Além dos turistas, os bogotanos também já adotaram o Küru.

*A jornalista viajou a convite de Four Seasons Hotels and Resorts e Copa Airlines

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