Antes de show em Porto Alegre, Carla Bruni revela ser fã de Elis Regina e prega simplicidade para ser feliz

Por Luciana Schmidt Alcover, Especial

Ex-top model internacional, socialite, atriz, ex-primeira-dama da França, cantora. Musa multifacetada, é no papel de chanteuse que a franco-italiana Carla Bruni aterrissa em Porto Alegre pela primeira vez com apresentação marcada para o próximo dia 24 de agosto. No palco do Teatro do Bourbon Country, Carla e seu violão apresentam show da turnê de seu quarto álbum, Little French Songs, lançado em 2013. A artista sobe ao palco acompanhada do tecladista Cyril Barbessol e do guitarrista Taofik Farah para apresentar o novo trabalho, além das principais músicas que marcaram a sua carreira da estreia estrondosa com o sucesso Quelqu’un m’a dit (2002), que chegou a número 1 na França e foi top 10 em diversos países da Europa, passando pelos trabalhos seguintes, No promises (2007) e Comme si de rien n’était (2008). Casada desde fevereiro de 2008 com o ex-presidente francês Nicolas Sarkozy, Carla Bruni terá a companhia do marido e da filha de três anos do casal, Giulia, na passagem pelo Brasil. Carla também é mãe de Aurélien, fruto do seu relacionamento com o filósofo francês Raphaël Enthoven.

Nascida no norte da Itália e criada na França, Carla Bruni tem uma estreita relação com a música e com o Brasil. Sua mãe, Marysa Borini, era concertista de piano, e o pai, o industrial e compositor clássico Alberto Bruni Tedeschi. Depois de adulta, Carla soube que seu verdadeiro pai biológico era Maurizio Remmert, empresário italiano radicado no Brasil desde os anos setenta. Desde então, passou a visitá-lo com certa frequência em São Paulo.

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Carla Bruni conheceu a fama cedo. Dona de uma beleza e elegância clássicas, a jovem iniciou a carreira de modelo em 1988, fazendo parte da primeira geração de tops internacionais – ao lado de nomes como Claudia Schiffer e Naomi Campbell. Não demorou muito para que se tornasse uma das modelos mais bem pagas de sua época, participando de alguns dos maiores desfiles de moda do mundo e estampando dezenas de importantes campanhas publicitárias. Apesar do grande sucesso, Carla Bruni decidiu deixar a carreira de modelo no início dos anos 2000 para se dedicar à música, sua grande paixão. Seu primeiro disco, Quelqu’un m’a dit, despontou nas paradas e arrancou grandes elogios da crítica.

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Sempre elegante, a cantora nunca deixou de ser assunto na mídia – assim como seus supostos envolvimentos amorosos com roqueiros como Mick Jagger e Eric Clapton, além de atores como Kevin Costner e Vincent Perez e até mesmo o magnata Donald Trump. Em 2008, o casamento com o então presidente da França, Nicolas Sarkozy, trouxe novamente Carla às páginas das principais publicações do mundo, desta vez como a elegantemente sóbria primeira-dama francesa, papel que exerceu com naturalidade até o final do mandato de Sarkozy, em 2012.

Com frases pausadas e entonação delicada, Carla Bruni falou a Donna por telefone, diretamente do sul da França. Ao longo da conversa, frisou principalmente a expectativa em relação à turnê brasileira e sobre o seu trabalho com a música. Discreta em relação à vida pessoal, foi com amor e ternura, no entanto, que mencionou os filhos e o marido – ainda que, de maneira zelosa e diplomática, tenha evitado tecer maiores comentários sobre eles.

00b0f1d7Em 2002, com seu disco de estreia, Quelqu’un m’a dit, a Carla cantora chegou ao topo da parada na França e ficou no top 10 em diversos países da Europa

Donna – O que o público pode esperar do show que será apresentado em Porto Alegre?
Carla Bruni – Cada show deve ter algo de especial, algo que o diferencie dos demais. Por isso, é importante fazer alterações. Mas, o que o público pode esperar de semelhante com os demais são as minhas músicas. Quero cantar uma ou duas músicas brasileiras e, de preferência, interpretá-las em português ou em italiano.

Donna – Certamente vai agradar muito o público.
Carla – Eu espero. É por isso que faço esse tipo de mudança no show, visando agradar ao público que me assiste.


Donna – As músicas brasileiras tiveram alguma influência na sua carreira como cantora?

Carla – Do Brasil, sempre escutei muita bossa nova. A música da América Latina em geral tem muita importância para mim. Foram músicas que me acompanharam durante toda a juventude, tanto quanto as músicas dos Beatles, que me influenciaram no processo de composição, coisa que antes não fazia. Grandes nomes da música francesa, como Georges Brassens e Barbara, também exerceram influência na minha carreira autoral.

Donna – Quais são os artistas brasileiros que você admira?
Carla – Eu gosto muito, muito, muito, muito, muito do João Gilberto e da Elis Regina. Para mim, eles são os grandes representantes da música brasileira.

Donna – Quelqu’un m’a dit foi um grande sucesso. Você esperava essa grande repercussão?
Carla – Nem um pouco. Eu imaginava que iria vender quatro CDs, sendo três deles para a minha mãe (risos). Talvez, sendo otimista, venderia uns dez. Todos para a minha família.


Donna – Os músicos dizem que o álbum é o espelho do artista. Qual das suas músicas revela mais sobre você?
Carla – Tem um pouco de mim em cada música; eu não revelo tudo em uma só. Cada álbum traz um lado meu diferente. Cada música tem um sentimento, um aspecto, um pouco de mim.

Donna – A maternidade influenciou a sua carreira de alguma maneira?
Carla – Mudou muito, mudou tudo, principalmente o tempo. Não sei se você sabe como é essa questão, se você tem filhos ou não, mas quem se torna mãe passa a ter menos tempo para tudo – tanto física quanto psicologicamente. Porque você fica cansada, tem muita coisa para fazer e tem alguém que é mais importante do que você. O filho é mais importante do que tudo!

BRITAIN-FRANCE-HISTORY-WWII-DEGAULLE-CAMERON-SARKOZYDe 2008 a 2012, ao lado do então presidente Nicolas Sarkozy, Carla emprestou às aparições públicas como primeira-dama toda a elegância que já exibia nas passarelas

Donna – A sua voz é suave e muito sonora. A sensação que temos, no entanto, é que com o passar do tempo ela está mais forte, mais segura e mais profunda. Você acredita que isso possa ser um reflexo da sua maturidade?
Carla – Eu gostei da forma como isso foi colocado, como reflexo da minha maturidade pessoal… Acho que realmente tem a ver com isso. Agora estou mais tranquila porque trabalho muito a voz. A voz é como se fosse um músculo que necessita ser treinado para que atinja maior potência. O talento de que disponho, uso-o no sentido da evolução da voz.

Donna – O palco é um lugar mágico onde o artista revela a sua essência, a sua alma. Como é para você subir em um palco?
Carla – Eu não sei se é a adrenalina, mas eu me sinto muito energizada. Eu não sei definir muito bem, com uma palavra em particular ou específica, mas eu me sinto muito diferente.

Donna – Desde a época em que trabalhava como modelo, você esteve em evidência na mídia. Você se incomoda com essa exposição ou gosta dela?
Carla – Eu sou como todos os outros seres humanos. Quando é coisa boa, eu gosto. Quando não é boa, não. Comentários positivos e elogios eu aprecio, os comentários negativos, um pouco menos (risos). Mas desejei a notoriedade e o reconhecimento do meu trabalho.

MODE-GIVENCHYDesfile de 1997 para a maison Givenchy

Donna – Você sempre sonhou em ser cantora?
Carla – Cultivava mais o hábito de escrita e até queria trabalhar com música, mas não pensava em me tornar cantora. Era tímida, bizarramente tímida, apesar do trabalho como modelo. Era tão tímida que nem pensava em subir ao palco sozinha, mas sempre gostei de música. Agora, de pouquinho em pouquinho, começo a sentir um grande prazer em ser cantora. Antes, a timidez não permitia tal sonho.

Donna – E com essa timidez toda você chegou a pensar, em algum momento, em desistir?
Carla – Nunca. Jamais. Ao contrário, só penso em continuar.

Donna – Que música você costuma cantar para os seus filhos?
Carla – Eu canto berceuses (canções de ninar). Só o meu filho, que já está com 14 anos, não gosta tanto (risos), Mas, quando ele era pequeno, adorava quando cantava para ele.

Dalai Lama, Carla Bruni-SarkozyComo primeira-dama da França, Carla Bruni protagonizou encontros diplomáticos com líderes como Dalai Lama 

Donna – E você já compôs alguma música para eles?
Carla – É algo muito difícil, mas eu tento. Como escrevo com os sentimento semelhantes aos deles, resulta que as músicas todas também têm um pouco dos meus filhos.

Donna – Como concilia a vida profissional com a pessoal?
Carla – Para um homem é bem mais fácil. Para uma mulher, bem mais difícil, apesar da natureza ter nos concedido a felicidade de gerar os filhos, o que é uma coisa fantástica. Reconheço ter menos dificuldades do que a maioria das outras mulheres, pois disponho de ajuda, o que é um privilégio.

Donna – O seu marido sempre demonstra ser seu fã e sempre que pode está na plateia dos seus shows. Você costuma mostrar as suas músicas para ele?
Carla – Ah, sim! Eu mostro tudo, tudo para ele, que também é amante da música, e recebo em troca todo o seu incentivo e apoio.

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Donna – Você acha que os seus filhos vão seguir a carreira artística?
Carla – Isso eu não sei, porque ainda é cedo para pensarem sobre o futuro, mas, se eles quiserem, vou encorajá-los, porque é o trabalho mais lindo do mundo, ainda que o sucesso possa ocorrer em um dia e no outro não existir mais nem sombra dele.

Donna – Essa será a sua primeira vez em Porto Alegre?
Carla – Sim, é a primeira vez e espero que não seja a última. Espero poder voltar ao Brasil e cantar em todas as cidades.

Donna – No Brasil você já esteve antes e já disse ter uma relação forte com o nosso país. Quer voltar para algum lugar em especial?
Carla – Tenho uma relação forte com o Brasil, sim, pois meu pai mora em São Paulo e virá ao meu encontro. Nessa viagem. meu marido me acompanhará com a pequeninha, mas eles não estarão em Porto Alegre devido às distâncias territoriais. As distâncias aí não são como na França.

006d861c No cinema, contracenou com Owen Wilson em “Meia-Noite em Paris” (2011), de Woody Allen

Donna – É muito comum os artistas internacionais fazerem exigências para o camarim. Quais foram os seus pedidos?
Carla – Eu não tenho muitas exigências. Gosto de ter uma cervejinha… Mas me maquio sozinha, me visto sozinha, escolho tudo o que uso e gosto de me preparar para o show de maneira individual, dispor desse tempo que antecede o espetáculo para ficar concentrada.

Donna – Você é uma mulher extremamente bonita e charmosa – tem consciência desses atributos?
Carla – Quando jovem, no colégio, percebia que era muito alta e foi por isso que passei a ser modelo. E, quando modelo, me dei conta de que era medíocre, porque encontrei meninas que eram lindas. Uh lá lá! No Brasil, há mulheres lindas e maravilhosas! Não me acho particularmente bonita e, hoje em dia, tenho uma relação muito natural com o meu rosto e o meu corpo. Tenho uma gratidão muito grande por ter podido usar o meu corpo para modelar, mas não sou particularmente vaidosa com isso. E tampouco sou de usar muita maquiagem.

Donna – Qual é o seu segredo de beleza?
Carla – Dormir bem e fazer boas escolhas alimentares. Na verdade, em nada exagerar.

Barack Obama, Michelle Obama, Carla SarkozyEncontro com Barack e Michelle Obama, enquanto Carla era primeira-dama da França

Donna – Como será o seu figurino no show de Porto Alegre?
Carla – Depende da temperatura, mas sou bem clássica. Normalmente, coloco uma calça e uma camisa que acho bonitas. Gosto de ter uma boa silhueta no palco. Se está frio, coloco um blazer de veludo ou uma jaqueta de couro, mas normalmente é uma roupa preta e simples.

Donna – Você costuma seguir as tendências da moda?
Carla – Não sigo a moda. Admirava a moda quando modelo, mas gostava principalmente do contato com os cabeleireiros, com os estilistas – com o mundo da moda, mas não necessariamente com a moda em si. Prefiro colocar um jeans e uma camisa, que são confortáveis de vestir, uma roupa que seja prática para o dia a dia. Claro que, se eu vou sair ou me apresentar, troco o visual por outro mais arrumado, mas para o dia a dia jeans e camiseta prevalecem. Sou muito natural, tranquila e comum. Não sou fashionista!

Donna – O que é ser feliz para você?
Carla – Não ter infelicidades. A partir do momento em que nascem os filhos, tememos doenças e outras dores para eles. São privilegiados todos aqueles que dispõem de alimentos, que gozam de boa saúde e para os quais pouca coisa lhes falta, diante de tantas crianças que sofrem com a miséria. Eu sou feliz porque os nossos filhos estão bem e têm saúde. Quando tive a minha filhinha, visitei muitas crianças doentes e aquilo me deixou muito mal. Tento ajudar muito as crianças e os idosos a livrarem-se de suas dores.

Donna – Depois de tantas conquistas profissionais e pessoais, sente falta de algo? O que busca daqui para frente?
Carla – A vida tranquila.

Donna – Quando o show termina e o público aplaude o que você sente?
Carla – Ouvir os aplausos do público é uma sensação maravilhosa! É muito valioso sentir que as pessoas gostaram do meu trabalho. Uma da melhores sensações que eu já pude experimentar na vida.

 

Carla Bruni com o show Little French Songs

Dia 24 de agosto
Segunda, às 21h
Teatro do Bourbon Country (Av. Túlio de Rose, 80 / 2º andar – Shopping Bourbon Country) | www.teatrodobourboncountry.com.br
Classificação: Livre
Duração: 80min
Realização: Opus Promoções e Rompecabezas

Ingressos: de R$ 160 (galerias) a R$ 450 (camarote e plateia gold).
À venda pelo Ingresso Rápido – 4003-1212 (de segunda a sábado, das 9h às 22h, e domingo, das 12h às 18h); na bilheteria do Teatro do Bourbon Country (de segunda a sábado, das 10h às 22h, e domingo e feriado, das 14h às 20h); na Universidade Feevale (Campus II – Rua Coberta – ERS-239, 2755, em Novo Hamburgo – de segunda a sexta-feira, das 13h às 21h, e sábado, das 9h às 14h); no quiosque Teatro Feevale do Bourbon Shopping NH (Av. Nações Unidas, 2001, em Novo Hamburgo – de segunda a sábado, das 12h às 22h); e na Agência Brocker Turismo (Av. das Hortênsias, 1845, em Gramado – de segunda a sábado, das 9h às 18h30min, e feriados, das 10h às 15h).

 

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