“Barbie Fuck Forever”: espetáculo que questiona padrões de beleza estreia nesta quarta em Porto Alegre

Foto: Alexander Reis
Foto: Alexander Reis

Quantas vezes você já deixou de fazer algo porque não se sentia bem com a sua aparência? Ou, pelo contrário, fez algo que normalmente não faria, mas que, naquele momento, poderia te deixar mais perto do que é socialmente aceito como belo? A relação que temos com os padrões de beleza é o mote do Barbie fuck forever, espetáculo de dança e teatro que estreia nesta quarta-feira (dia 26) em Porto Alegre e se inspira na boneca Barbie para discutir ações em nome da estética.

Aline Jones, atriz e diretora da peça, conta que, durante os últimos cinco anos, estuda o que são os padrões de beleza e como são percebidos pelas pessoas:

– A ditadura da beleza atinge diretamente as mulheres e é muito silenciosa. Muitas vezes, é associada com prazer e autoestima quando, na verdade, se você parar para pensar, vê que vem carregada de dor ou depressão.

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A atriz – que nesta temporada sai dos palcos para se dedicar exclusivamente à direção (a peça já esteve em cartaz duas vezes em 2014) – afirma que a beleza é algo subjetivo, assim como a forma com que você se sente em relação ao assunto:

– Esta ditadura não tem rosto, então quando alguém a culpa, não tem exatamente para quem apontar. Vemos na televisão, nas campanhas de moda, nas campanhas publicitárias, mas quem inventou essas pessoas?

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Os questionamentos sobre os padrões de beleza motivados pelo trabalho com a peça se estenderam para as redes. No Instagram, a atriz convoca mulheres a postarem fotos sem maquiagem com a hashtag #barbiefuckforever e trazer suas percepções sobre o que é belo.

– A ideia é que a peça siga acontecendo e gerando reflexões mesmo fora dos palcos. Que pensemos mais antes de sermos, nós mesmas, ditadoras de um padrão que já está enraizado dentro de nós. Que paremos de nos cobrar pelo que vemos lá fora e que, principalmente, paremos de ser fiscais de outras mulheres, por exemplo.

Fui convidada pela amiga Aline Jones para participar da campanha #stopbarbie. Eu deveria postar uma foto sem filtros e sem maquiagem. A primeira do dia, sem ângulos, sem dureza e sem prisões. Não é fácil. Colocar a nossa cara/alma a tapa é libertador mas demanda esforço. Esse grilhão estético que nos prende é mais presente em nossas vidas do que pensamos. Obrigada pelo exercício e pela reflexao Alinoca. Façam isso guapas. Vale muito! ?❤ Seguem algumas palavras da Aline a respeito da campanha: “Essa campanha tá ligada ao espetáculo Barbie Fuck Forever que buscar resgatar a subjetividade da beleza e discutir nossos atuais padrões estéticos. Alguns dados atualizados que constatam que a loucura da beleza existe e tá do nosso lado. “Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica o número de cirurgias em adolescentes de 14 a 18 anos cresceu 141,3%. As intervenções cresceram em um ritmo três vezes maior do que entre adultos, lipoaspiração e implante de silicone são os procedimentos mais comuns” “Em busca orgânica no Google, as primeiras 400 imagens que aparecem para “Mulher Bonita” apresentam 7 mulheres negras ( 1,75%)” Tenho várias informações como estas, se interessar posso compartilhar outras. É mais do necessário estarmos atentas a estes dados e lutarmos pela liberdade da nossa beleza. Essa é a minha causa e dicotomia já faz um tempo… Somos mulheres e não precisamos de nada para sermos lindas.” #stopbarbie #barbiefuckforever #stopthebeautymadness

Uma foto publicada por Larissa Tavares (@lalaritavares) em

Barbie fuck forever
Estreia: quarta-feira (dia 26), às 20h, no Teatro Renascença (Av. Erico Verissimo, 307)
Ingressos: R$ 10 (com 50% de desconto para estudantes, idosos e classe artística)

Sessões
Sexta (04/11), sábado (05) e domingo (06), às 20h, na Sala Álvaro Moreira
Ingressos: R$40 (com 50% de desconto para estudantes, idosos e classe artística). Também à venda pela internet.

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