Brownies e cookies têm se mostrado excelente negócio para jovens empreendedores da Capital

De tempos em tempos, somos surpreendidos por algum modismo gastronômico. São delícias que começam a aparecer aqui e ali, ganham aprovação, viram negócio e, quando a gente percebe, transformam-se em um novo comportamento de consumo. As hamburguerias estão aí para não deixar mentir – como bem antecipou a tendência a revista Donna em sua edição de capa de 5 de outubro de 2014. Mas e a sobremesa? E a hora daquele docinho irresistível? Qual deles é a grande aposta do momento? Na verdade, são dois: cookies e brownies.

Cookies e brownies? Mas o que há de novidade nessa dupla perdição? Nada – e tudo. Nada porque cookies e brownies são velhos conhecidos, invenções de séculos passados. Tudo porque nunca ganharam tantas versões e serviram para tantos novos e bem-sucedidos modelos de negócio. Felipe Vilanova e Claudia Moro Barbosa perceberam o filão e inauguraram recentemente, no BarraShoppingSul, em Porto Alegre, um quiosque do Mr. Cheney, franquia de cookies com 10 sabores do doce e outras guloseimas tipicamente americanas.

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– Achamos um bom modelo de negócio porque é um formato inovador, a primeira e única cookie store brasileira. Além disso, a marca está muito bem estruturada, com uma identidade forte, um produto autêntico de excelente qualidade e grande apelo junto ao público – acredita Claudia.

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Trata-se de uma crença em sintonia com o mercado nacional. Atualmente, a Mr. Cheney possui 30 unidades em funcionamento nas principais capitais do país e acaba de investir R$ 1,5 milhão na criação de sua primeira fábrica. O nome Mr.Cheney é inspirado em Jay Cheney, um americano que trabalhava como gerente de uma loja de cookies e veio ao Brasil em uma missão mórmon. Durante a estada no país, conheceu e iniciou uma amizade com Lindolfo Paiva. Ensinou o amigo brasileiro a receita original do cookie americano. Paiva e a esposa começaram, então, a preparar e vender cookies de forma caseira e artesanal. Foi um sucesso. Decidiram abrir a primeira unidade da Mr. Cheney, em São Paulo, há nove anos. A meta é chegar a 300 lojas até 2017.

Casa do cookie

Os sócios Rosi, Andréia e Fernando trabalham na Casa do Cookie mantendo uma filosofia única: aliar à tradicional receita americana do doce o sabor artesanal que tanto prezam em oferecer. A preocupação está em oferecer produtos integrais e livres de gorduras trans. Entre os ingredientes, açúcar mascavo, fibras, aveia, mel, chocolate, alimentos integrais e gordura de Palma.

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A Casa do Cookie começou a ser idealizada graças à vinda de uma americana ao Brasil. Com ela, a especialidade em preparar o doce americano. Não precisou muito para que os três sócios enxergassem naquela guloseima ainda pouco explorada na Capital um excelente negócio e criassem um espaço exclusivamente para ele, que vem se reinventando ao longo de seis anos.

– A novidade são os cookies gourmet, com diversas opções de sabores, coberturas e toppings – festeja Andréia.

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Charlie Brownie

Em uma simpática casinha no número 1.270 da Avenida Mariland, Tiago Schmitz, 31, transforma diariamente o que era apenas um sonho em um ótimo negócio. É neste endereço que funciona a Charlie Brownie, uma loja cuja delicadeza revela-se nos mínimos detalhes. Tiago aprendeu a ser doceiro com a avó, Mila, em São Sebastião do Caí. Cresceu ao lado dela na cozinha, fazendo tortas e bolos de finais de semana. Foi de uma dessas receitas que nasceram seus brownies – e foi a partir do sucesso desses brownies que a Charlie Brownie abriu as portas.

– Queremos sempre passar a ideia de que somos mais do que uma empresa comercial que vende brownies. Nossa história está ligada à sensibilidade, ao cuidado, ao carinho e à valorização dos sonhos possíveis – esclarece.

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 Tiago utiliza alguns pedaços de chocolates populares na criação de algumas receitas. Não por acaso, levam o nome de Charlie Laka e Charlie Milka, por exemplo. Os personagens próprios da Charlie fazem parte das lindas embalagens e foram desenhados pelo artista porto-alegrense Giovani Domingues. A ideia para o futuro é criar tirinhas para os canais digitais e livrinhos que acompanharão os brownies. Temas como vida, medos, valores, afetividade, educação, colaboração, sentido e cuidado consigo e com o outro estarão em voga.

Consuelas Brownie

Uma adorável guria e sua adorável bicicleta recheada de brownies com casquinha crocante e interior molhadinho. Quem não solta um suspiro ao encontrar a estudante de Direito Bibiana Loureiro, 22 anos, pedalando por aí? Bibi é daquelas jovens empreendedoras que merece o sucesso que vem colhendo desde que decidiu recorrer à herança da receita deixada pela tia Consuelo para custear um intercâmbio na Espanha. Bancou a estadia em Madri vendendo os doces no tradicional Parque Retiro. Voltou para o Brasil e resolveu investir ainda mais no negócio.

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Montou uma linda “BiciBrownie”, associou-se com a mãe, Anamaria Rangel, e hoje vive com a agenda lotada participando de eventos de rua, corporativos e festas particulares. O segredo dos brownies da Bibi? O amor e o cuidado com que são preparados.

– Somos muito seletivas na escolha dos ingredientes e cuidamos pessoalmente da preparação das receitas. Tudo é feito com carinho e artesanalmente – conta ela.

Além dos tradicionais sabores doce de leite, nutella e mesclado (brownie de chocolate preto com pedaços de chocolate branco), a novidade do momento é o brownie com massa de chocolate branco.

– Este ninguém tem! – ela garante.

A BiciBrownie ainda possui um recurso à parte: aquelas máquinas de churros para rechear os brownies ao gosto do cliente.

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De onde surgiu o brownie?

O famoso livro Larousse Gastronomique afirma que o primeiro registro de uma receita de brownie apareceu para o mundo em 1896, mas alguns historiadores de culinária defendem 1909 como o ano em que o doce ganhou vida. Disputas à parte, a história mais curiosa do nascimento do doce remonta a 1906, nos Estados Unidos, resultado de uma situação desastrosa.

Uma dona de casa preparava um maravilhoso bolo de chocolate. O que aconteceu? Esqueceu de colocar fermento na massa. O doce, obviamente, não cresceu – e, quando ela percebeu, era tarde demais. Logo, tratou de buscar uma maneira de não desperdiçar o trabalho. Cortou aquela massa nanica em quadrados pequenos e serviu aos comensais alegando ter criado uma nova receita de bolo de chocolate. Foi uma comoção, a notícia se espalhou e a delícia ganhou o nome de brownie em homenagem a um popular personagem da época chamado Palmer Cox, conhecido por ter escrito uma série de publicacões infantis chamada “The Brownies”.

O brownie tradicional, aquele da cozinheira de mão cheia, é feito com apenas cinco ingredientes: açúcar, manteiga, chocolate, farinha e ovos.

Qual é a história dos cookies?

Cookie vem do holandês “koekje”, que significa pequeno bolo. Conta a história que nasceu na Inglaterra, no século 17. Antes de os cozinheiros colocarem a receita de um bolo para assar, tinham o hábito de fazer um pequeno teste. Separavam uma porção da massa e levavam ao forno a fim de testar a temperatura e minimizar o máximo possível qualquer erro. Pois foi durante um teste de forno que perceberam que aquela massa virava uma bolachinha deliciosa para ser consumida com o chá da tarde tradicional.

O cookie como o conhecemos hoje, com as gotinhas de chocolate, crocante por fora e macio por dentro, foi criação de uma americana – e também ocorreu de forma acidental. Ruth Graves Wakefield preparava biscoitos de forno quando resolveu misturar à massa pedaços inteiros de chocolate. Jurava que eles derreteriam. Não foi o que aconteceu (para nossa sorte!). Assim nasceu o incensado Chocolate Chip Cookies, que, até hoje, os americanos adoram devorar com um copo de leite puro. E tem coisa melhor?

OUTROS ENDEREÇOS PARA SER FELIZ

 BROWNIE BY AURA

Famosíssimos e encontrados em praticamente todas as lojas de conveniência do Estado, foram um dos primeiros a aparecer na cidade. Os sabores chocolate, chocolate com doce de leite e chocolate com nozes são os preferidos por quem escolhe comer no local mesmo ou levar para casa para saborear com um bolinha de sorvete de sobremesa.

BROWNIE DO LUIZ

Sucesso made in Rio de Janeiro, essa delícia desembarcou em Porto Alegre diretamente para as prateleiras do Mercado Brasco. Além do sabor, a identidade visual é o ponto forte, com embalagens em latas e caixas degustação, com recheios de Nutella, doce de leite e chocolate branco, entre outras tantas maravilhas.

CHOCÓLATRAS ANÔNIMOS

A loja que oferece delícias doces das mais variadas espécies não deixa de primar pelos seus dois sabores de brownies: o tradicional de chocolate (encontrado também em versão míni) e o Brownie Crunch, feito com chocolate ao leite, castanhas-do-pará e cereja amarena.

PRISCILLA’S BAKERY

Neste conceito de padaria americana, não poderia faltar diversos tipos de brownies – e ainda com a opção de serem servidos com sorvete de creme. Há sabores chocolate branco, manteiga de amendoim, nozes, macadâmia, menta, tradicional e chocolate meio amargo.

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