Foco na música: o rumo da cantora gaúcha Carmen Correa

Foto: Mateus Bruxel / Agência RBS
Foto: Mateus Bruxel / Agência RBS

Por Rossana Siva, Especial

Carmen Correa define a si mesma como uma alma cigana. Basta ver o número de vezes que trocou de casa nos últimos anos: desde a chegada a Porto Alegre, no começo de 2013, já teve pelo menos 10 endereços. Aos 27 anos, a cantora de música popular começa a controlar o instinto andarilho:

– Em busca de sustentabilidade, mudei muito de moradia. Agora, já me sinto mais à vontade em termos de casa, de profissão e de vida. Estou me enraizando em mim.

Em São Leopoldo, onde nasceu, teve as  primeiras aulas de musicalização aos sete anos e dedilhou pela primeira vez o violão, aos nove. Em Porto Alegre, aos 12, começou a brincar de escrever e musicar canções. Já o primeiro show foi em Ipatinga, no interior mineiro, cantando Ella Fitzgerald. Tinha 18 anos.

“A Carmen é extremamente afinada, tem uma voz potente e bonita. Como se não bastasse, ela compõe as próprias músicas com uma maturidade que poucas artistas novas têm. Enxergo sua música sendo consumida por muitas pessoas”. Marcelo Fruet, músico e produtor musical

Formada em Produção Fonográfica pela Unisinos, Carmen ganhou a vida formatando projetos culturais até se dar conta de que poderia aproveitar o conhecimento na área para tentar custear o disco de estreia. Teve financiamento aprovado pelo Fumproarte já na primeira tentativa. Desde então, está “grávida de um disco”, como anunciou ao público do Teatro Renascença em junho, quando as 10 composições próprias foram apresentadas pela primeira vez com os arranjos do álbum.

– A gravação tem sido um processo de gestação. Eu tinha um plano bem formatado, mas vi que as canções foram tomando um rumo que não poderia prever. Por isso, estou esperando ver a cara da criança para escolher o nome – conta.

Foto: Mateus Bruxel / Agência RBS

Foto: Mateus Bruxel / Agência RBS

Suas composições abordam assuntos contemporâneos como a influência da virtualidade no cotidiano: “Onda virtual desceu a teia disfarçada de brinquedo, que captura o dedo, ligado no torpedo, agarra a falta de foco e amarra junto do bloco de quem vai atrás”, canta em Terra firme. Para manter o foco, Carmen faz aulas de yoga e meditação – as únicas atividades não relacionadas à música desde que passou a se dedicar inteiramente ao disco.

Com 1m80cm, cabelos soltos e saia comprida, Carmen sabe que tem chamado atenção pela presença no palco. Nem sempre foi assim: por se considerar tímida, se valeu da experiência com a biodança e da direção de cena de Adriana Deffenti para liberar os movimentos. Quem for aos próximos concertos deve encontrar uma Carmen de novo visual. Ela gostou tanto do penteado feito por Cassiano Pellenz e Diego Sarkisian para a sessão de fotos desta reportagem que pretende adotar algo assim:

– Nunca tinha usado o cabelo assim, mas adorei. Tem a ver com a busca de uma identidade visual que mantenha a minha verdade.

INFLUÊNCIAS: Vitor Ramil e Lenine
ONDE OUVIR: no Soundcloud.
QUANDO VER: Carmen faz show em parceria com Carina Levitan no dia 9, às 18h, na Fundação Ecarta, e interpreta Elizeth Cardoso no dia 14, às 20h, no Teatro Sinduscon
ELA RECOMENDA:“A cantora Camila Lopez, além de ter uma voz potente, compõe lindamente.”

:: O violão e a voz da cantora gaúcha Bibiana Petek
:: Samba, amor e música: os caminhos da cantora gaúcha Maria Luiza Fontoura
:: De Dom Pedrito para o mundo: a cantoria de Lara Rossato
:: O samba do sul: a voz de Pâmela Amaro

Ficha técnica do ensaio:
Fotos: Mateus Bruxel
Cabelos Diego Sarkisian (Diego Cabelos) e Thiago Roldão
Maquiagem: Cassiano Pellenz e assistente Índia Santos (salão Cassiano Pellenz)
Agradecimentos: Theatro São Pedro

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