Chef e nutricionista Bela Gil vira referência nacional em alimentação com saúde – sem frescura!

Por Luciana Schmidt Alcover

Bela Gil poderia ser conhecida pelo público apenas por ser filha de Gilberto Gil, mas nascer de um grande ídolo foi só o começo da sua vida. Bela foi muito além da genética e descobriu talentos próprios, que hoje lhe garantem uma legião de fãs na área da gastronomia. Diferente de seu pai e de sua irmã, Preta Gil, Bela não sobe ao palco para cantar. Seu palco é outro: a cozinha.

Formada em Culinária Natural pelo Natural Gourmet Institute e em Nutrição e Ciência dos Alimentos pela Hunter College, ambos em Nova York, ela brilha agora no Brasil, vestindo roupas coloridíssimas, sob os holofotes das gravações do seu programa Bela Cozinha (exibido pelo canal por assinatura GNT), em um cenário familiar e acolhedor: a cozinha da casa dos pais. Diante das câmeras, o sorriso fácil e a paixão pela profissão revelam uma Bela segura e que sabe muito bem o que faz.

– Minha timidez já foi confundida por muita gente; já levei fama de mal-humorada – conta ela, exibindo aquele ar brejeiro que também é a marca registrada de Gilberto Gil.

Aos 26 anos, Bela pilota um dos programas cujo site detém a maior audiência do canal GNT. O sucesso foi tanto que uma segunda temporada já está pronta para entrar no ar a partir do próximo dia 16 de setembro. O grande diferencial do programa está no cardápio, recheado de comidas saudáveis, alimentos simples e sabores variados. Tudo para dar água na boca em qualquer mortal e o melhor: sem deixar culpa na consciência ou somar peso na balança.

– Quero mostrar que é possível se alimentar de forma saudável, sem abrir mão do sabor e das propriedades dos alimentos – explica a chef.

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Culinária sem rótulos

Bela cresceu em uma família em que as refeições atendiam aos mais variados gostos, como ela mesma explica.

– Meu pai seguia uma alimentação macrobiótica, e claro que isso me estimulou a conhecer um pouco mais os alimentos. Na mesa tinha, por exemplo, o arroz branco e o arroz integral.

Sua alimentação, porém, mudou efetivamente quando começou a praticar yoga, ainda adolescente (lá por seus 14 anos), por indicação da atriz Fernanda Torres.

– Hoje em dia eu pratico um exercício chamado os cinco tibetanos. Faço todas as manhãs. Medito e faço algumas respirações. Eu não estou mais podendo fazer ashtanga, que eu amo e é a minha yoga de paixão, porque tive um problema no joelho há três anos e até hoje ainda não está curado – lamenta.

O aprendizado começou no Brasil, ainda no Rio de Janeiro, com a prática da yoga. A atividade fez Bela prestar mais atenção no que estava consumindo:

– Com a yoga comecei a perceber o fato de a comida afetar o nosso corpo e a nossa mente; eu sentia que o que eu comia afetava o meu foco, a minha determinação; era uma coisa muito impactante e foi aí que comecei a me reeducar.

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Para aprimorar seu conhecimento, estudou a filosofia Macrobiótica e a Ayurveda e descobriu que as escolhas alimentares afetam não somente a nossa saúde mas a de todo o planeta. Para Bela, comer bem é um ato de compaixão consigo mesmo e com o meio ambiente.

– Eu gosto da nutrição holística, que é uma nutrição que ajuda você a ficar bem com o seu corpo físico, mental e espiritual. Não tenho rótulo para o tipo de culinária que eu faço. Eu acho que o nome mais abrangente é culinária natural – explica ela, que estagiou em dois restaurantes veganos muito populares em Manhattan: o Candle Café e o Candle 79.

“Meu pai é a minha grande inspiração”

Além de chef, palestrante e apresentadora do GNT, Bela também é esposa e mãe. Nem mesmo a agenda atribulada faz com que se descuide da alimentação familiar no corre-corre do dia a dia. Casada há 10 anos com o produtor J. P. Demasi, ela influenciou o marido para um novo estilo de alimentação.

– O meu marido comia McDonald’s quando a gente se conheceu, e hoje ele é vegetariano. As pessoas mudam, o paladar pode mudar – diz, e completa: – Eu mesma já tomei refrigerante e comi doce, eu já fui uma formiguinha. Hoje em dia eu não preciso mais disso. Todo mundo pode mudar, é só querer. Hoje eu faço questão de manter a minha alimentação só com o que me faz bem. Me sinto melhor assim.

Já com a filha do casal, Flor, de cinco anos, a história foi outra. A pequena é um exemplo de alimentação saudável.

– Durante a gravidez, cuidei muito da alimentação. As crianças formam o paladar delas no segundo ano de vida e na gestação também. As pessoas não lembram muito disso, mas quando a gente está grávida a alimentação é muito importante porque influencia no paladar da criança, na saúde e no desenvolvimento dela.

Flor também é a ajudante preferida da mãe.

– Ela cozinha superbem e adora – conta Bela, orgulhosa.

A segunda temporada do programa Bela Cozinha também conta com a participação do seu pai, Gilberto Gil, que é fã dos alimentos preparados pela filha.

– Meu pai é a minha grande inspiração. Como ele sabe muito sobre alimentos, existe uma troca, estamos constantemente um ensinando para o outro – comenta a apresentadora, que faz questão de preparar os pratos preferidos dos pais: sempre que Bela está no Rio, sua mãe, Flora Gil, pede para ela fazer mingau para o café da manhã.

-Família: Bela à mesa servindo os pais, Gilberto e Flora Gil, ao lado do marido, J. P. Demasi

Comer sem sentir prazer não é legal

Donna – Qual o maior desafio do Bela Cozinha, no GNT?
Bela Gil – Mostrar para as pessoas que dá para comer uma comida boa, gostosa e supersaborosa. É o que eu tento fazer. As minhas comidas não são mirabolantes. Não existem produtos difíceis de achar. O site do programa tem um dos maiores acessos do GNT por causa da praticidade e facilidade das receitas. Não é só entretenimento, você pode repetir em casa. Não precisa do maçarico do chef, nem de ingredientes de outro país. Eu tento usar os produtos mais locais possíveis. Tanto para o nosso corpo (físico, espiritual e mental) quanto para o meio ambiente, a comida local é melhor, além de mais simples e mais barata.

Donna – Você tomava refrigerante e comia doce. Como é a sua alimentação hoje em dia?
Bela – Eu sou caxias com algumas coisas. Eu vou para uma festa de aniversário, por exemplo, que tem docinhos, salgadinhos e bolo, e não como nada disso, porque eu me sinto mais feliz sem consumir. É isso que eu quero passar para as pessoas, para que elas não sintam mais esse desejo, essa vontade de consumir determinados alimentos que são industrializados e processados de uma forma para viciar. Mas, claro, em viagens com o meu marido, por exemplo, eu abro pequenas exceções para experimentar algum novo sabor. São exceções na vida.

Donna – Qual a influência do seu pai na sua alimentação?
Bela – Meu pai sempre foi macrobiótico, e isso me influenciou muito porque tive contato com esse tipo de alimentação desde cedo.

Donna – Qual o prato preferido do seu pai?
Bela – São vários. É tão bom cozinhar para o meu pai, porque ele é muito crítico e a maioria das coisas que eu cozinho ele gosta, ele fala e ele fala bem porque ele entende também do assunto, então a gente discute, troca. Então é muito legal cozinhar para ele, porque tem uma profundidade no assunto, é bem interessante. Ele gosta de tudo.

Donna – A sua filha, Flor, está com cinco anos. Ela gosta de cozinhar? Já participou de algum episódio do programa com você?
Bela – A Flor adora me ajudar na cozinha, ela come superbem e cozinha superbem. Adora! Ela me acompanha desde pequena. A Flor gravou um episódio do Dia das Crianças em que ela e outras várias amiguinhas me ajudaram. Ela adorou participar. Fizemos lanchinhos saudáveis para as crianças. Ela estava bem solta no set, foi bem legal.

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Donna – Você já pensou em ser atriz ou cantora?
Bela – Eu sempre fui muito tímida, tanto que as pessoas às vezes confundem timidez com antipatia; eu já passei por antipática várias vezes, porque sou muito, mas muito tímida. O programa tem até me ajudado a me soltar mais. Acho que a gente gosta de falar de uma coisa que a gente sabe; aí a gente ganha confiança para poder falar, e se solta mais. Mas se eu tivesse que exercer o trabalho de uma atriz, por exemplo, a coisa seria bem mais difícil (risos).

Donna – Na dieta que você sugere não existe alimento proibido. Como isso funciona?
Bela – A comida vai ser sempre nossa amiga. Acho que em uma alimentação saudável não existe alimento proibido. Acho que a gente deve consumir de tudo, contanto que a gente respeite a reação do seu organismo. Em uma alimentação saudável nada é proibido: você só tem que saber quanto, quando e como comer. Se você tem esses critérios todos, pode comer de tudo.

Donna – Você também não conta calorias?
Bela – Não. Porque acho que nenhuma caloria é igual. Por exemplo, 100 calorias de chocolate não são iguais às 100 calorias de um brócolis ou às de 100 calorias de uma couve.

Donna – Qual é a dieta ideal?
Bela – Depende de cada pessoa. Você comer uma comida saudável sem sentir prazer nenhum não é legal. Você comer só pelo paladar, mas acabar com o corpo fisicamente, também não é legal. Acho que a gente tem que achar esse equilíbrio.

Donna – A alimentação que você propõe ajuda a emagrecer?
Bela – Alimentação saudável coloca você no seu peso ideal. Se você está magro, engorda, e se está gordo, emagrece. É uma culinária que dá para o corpo o que ele pede e de que necessita. Comendo assim, você está muito menos apto a cometer exageros. Ninguém se empanturra de brócolis, ninguém se empanturra de couve-flor, de vegetais em geral… (risos) As pessoas gostam de exagerar na batata frita, no hambúrguer. Essa (a saudável) é uma comida que satisfaz muito, por isso não tem como engordar. Agora, obviamente, se você comete pecados aqui e ali, engorda.

Donna – A cozinha onde você grava o programa tem um formato de integração com a sala. Na sua casa também é assim?
Bela – O programa é gravado na casa dos meus pais, no Rio de Janeiro. Desde pequena os meus pais adoram receber gente em casa. Tanto que eu herdei isso deles e, quando a gente morava em Nova York, eu fazia aniversário de mês pra minha filha para receber os amigos. E cada mês aumentava o bolo. Eu fazia o bolo de um mês com um andar, o de dois meses com dois andares e assim foi indo. Para poder receber as pessoas. Na casa do meus pais, todo domingo era uma festa, tinha almoço na casa deles. A casa sempre vivia cheia; os meus pais são muito família e gostam muito de receber amigos. Até hoje é assim. Então eu acho que a cozinha é o melhor lugar da casa; os encontros acabam na cozinha por isso que eu acho que deve ser uma cozinha sociável.

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Donna – Qual é o seu maior sonho?
Bela – Tenho tantos sonhos! Mas o meu sonho é acabar com a fome no mundo, e acho que isso está próximo. Eu digo isso porque a gente está caminhando cada vez mais para um sistema alimentar melhor; então eu vejo esse meu sonho sendo realizado no meu tempo de vida.

Donna – Qual o seu prato preferido e a sua bebida preferida?
Bela – Eu amo comer! São tantos! Farofa, acarajé, abará (um bolinho de feijão-fradinho moído cozido em banho-maria embrulhado em folha de bananeira), caldinho de sururu. Para beber, gosto de caipirosca de siriguela sem açúcar (entre as bebidas alcoólicas) e de todos os tipos de chá.

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