Claudia Tajes reúne em livro as melhores crônicas publicadas em Donna – e tem lançamento nesta segunda!

O que era para ser somente uma amostra de remédio recebida na porta do colégio prática comum nos anos 1970 e 80 tornou-se o mico de uma vida. Depois de beber um vidro inteiro de Biotônico Fontoura, fortificante que tinha álcool na fórmula, a guria de oito, no máximo nove anos tomava seu primeiro e involuntário porre, com direito a vômitos. Corta para os dias atuais, em que a mesma pessoa, agora nos seus 50 anos, aventura-se em um show da banda inglesa The Cure em um Morumbi lotado, sendo quase soterrada por pisões de pé, cotoveladas e baforadas de maconha provenientes de uma turba mal-educada. E que, ao final, apesar do cansaço e da facada do táxi, ainda consegue enxergar poesia e humor na empreitada.

:: Espia algumas das colunas de Claudia Tajes publicadas em Donna

Se você é leitor assíduo de Donna no papel ou na internet, já reconhece essas histórias. Elas pertencem à escritora e roteirista Claudia Tajes, que compartilha conosco, toda semana, seu olhar de cronista irônica e bem-humorada a comentar as pequenas e grandes tragédias e felicidades a que todos os seres humanos – ela própria, inclusive – estão sujeitos. Com o mesmo desprendimento e leveza, Claudia reuniu os melhores textos publicados em Donna no livro Partes Íntimas – Crônicas e Outros Cortes, lançado pela editora Arquipélago com sessão de autógrafos nesta segunda-feira, dia 14, às 18h30min, na Livraria Saraiva do Moinhos Shopping, em Porto Alegre.

Partes íntimas é mais que um título: é a forma que Claudia encontrou para organizar as crônicas de acordo com a temática. Mas não espere encontrar as partes íntimas tradicionais. Divididos em Membros, Ventrículo Esquerdo, Hormônios, Calcanhar, Sistema Nervoso, Tímpano, Apêndice e Apêndice do Apêndice estão os 46 textos que compõem o livro, a maioria deles crônicas publicadas em Donna desde 2012, quando Claudia estreou como colunista fixa da revista semanalmente. Também há textos inéditos, produzidos exclusivamente para a publicação, como ensaios de roteiros, minicontos e um poema.

— Escrever é o que eu mais gosto de fazer. E o que eu escrevo semanalmente no jornal me dá a possibilidade incrível de me comunicar com as pessoas de uma forma intensa e constante, o que é muito legal — comenta Claudia, que já tem outros nove livros publicados.

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Rir de si mesma e não dar lição de moral são as principais regras das crônicas de Claudia, cuja temática pode variar da moda aos trabalhos domésticos, dos relacionamentos ao popular cofrinho, da espera em um ponto de ônibus à viagem dos sonhos:

— As menores coisas me inspiram. Tudo o que dá errado, tristezas, notícias de jornal, histórias do meu filho, enfim, tudo pode virar crônica. Talvez o traço comum dos textos seja o humor como um respiro na desgraça. Mesmo quando escrevo algo mais sisudo não consigo me levar muito a sério. Não posso evitar os comentários irônicos.

A psicanalista Diana Corso, que assina a orelha do livro, cita Rubem Braga para afirmar que a crônica é o imprudente ofício de viver em voz alta. “Para nossa sorte, Claudia Tajes não se deixa cercear pela prudência ao dividir conosco suas mazelas, tão iguais às minhas, às suas”, completa Diana. E é assim, vivendo em voz alta que a escritora produz, nas páginas de Donna e agora em Partes Íntimas, um relato divertido e honesto do próprio cotidiano, com o qual temos uma empatia imediata. Por seus textos é que soubemos, por exemplo, que ela odiou ser criança e que, para enfrentar os desafetos, escrevia um diário desaforado em que os personagens ganhavam adjetivos como “uma cavala cagada até os olhos”. Rimos dos comentários certeiros acerca de uma dupla de crianças mal-educadas que deram seu show de horrores durante um voo – e desejamos decorar aquelas frases para repeti-las na primeira oportunidade. Apertamos nosso coração quando o filho da escritora, Theo, enfrentou, em Nova York, a passagem do furação Sandy. Acompanhamos a mudança de Porto Alegre para o Rio de Janeiro, onde ela vive hoje, trabalhando como roteirista da Rede Globo.

Autora de títulos de grande sucesso como A Vida Sexual da Mulher Feia e Louca por Homem, Claudia afirma que, apesar de fazer o que mais gosta, nunca deixa de sofrer – não só para escrever, mas para viver de forma geral. Sofre para produzir seus textos, para tomar decisões, para dizer não, sofre quando chega e quando vai embora. E extrai daí o humor que é marca constante de sua escrita. Durante o bate-papo com a reportagem de Donna, que de sofrido não teve absolutamente nada, Claudia recebe três ligações do filho, que estava na estrada naquele momento. Quando resolve retornar, porém, o guri não atende. Liga uma vez, duas, três. Nada.

— Viu, já tô sofrendo, sou uma mãe neurótica. O cara é adulto, mas acho que vou sofrer para sempre.

Desculpa, aí, Claudia, mas, se depender de nós, teus leitores, podes continuar sofrendo à vontade. Assim não nos faltarão crônicas e bom humor.

 

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Partes Íntimas, de Claudia Tajes

Arquipélago Editorial, 176 páginas, R$ 35 (em média)
Sessão de autógrafos nesta segunda-feira, dia 14, a partir das 18h30min, na Livraria Saraiva do Moinhos Shopping (Rua Olavo Barreto Viana, 36), em Porto Alegre

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