Donna Indica: três livros para rechear ainda mais a sua estante

Para pensar sobre a própria vida, para refletir sobre o mundo de hoje, para simplesmente passar o tempo com uma boa história: vão aí três dicas de leitura.

Tudo o que nunca contei

Este é daqueles livros que vão seguir com você dias depois de virar a última página. Certa manhã, a estudante Lydia Lee é encontrada morta no lago da cidade. Enquanto a família busca motivos e culpados, o leitor vai descobrindo tudo o que a garota de 16 anos jamais contou sobre o peso de ser a filha-modelo. Mas não só ela guardava segredo sobre o que realmente sentia. Também o pai, imigrante japonês que nunca se sentiu aceito na sociedade americana; a mãe, dona de casa frustrada que sonhava com uma carreira brilhante, depositando toda a sua ambição em Lydia; e o filho mais velho e a caçula, que desde cedo entenderam que seriam coadjuvantes orbitando ao redor da irmã. Este envolvente romance de Celeste Ng (uma autora em quem vale ficar de olho) revela o poder das palavras não ditas. Depois de ler, difícil não pensar sobre tudo o que você nunca contou às pessoas mais importantes da sua vida – e também sobre aquilo que nunca se dispôs a ouvir.

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Intrínseca, 304 páginas, R$ 44,90

Querida filha

O thriller policial da escritora americana Elizabeth Little subverte a lógica do “Quem matou?”. Aqui a pergunta é: “Fui eu quem matou?”. A jovem socialite Janie Jenkins ficou 10 anos presa pelo assassinato da mãe, com quem tinha uma relação nada amigável. Detalhe: ela não tem certeza se é culpada de fato. Quando conquista a liberdade, a garota decide descobrir a verdade sobre o crime – e, por tabela, sobre a mãe e sobre sua própria história. Com um humor ácido que não poupa ninguém (nem ela mesma), Janie se esforça para despistar a mídia e os haters que a perseguem atrás de manchetes sensacionalistas, partindo para uma pequena cidade do interior, onde espera encontrar respostas. Um bom entretenimento.

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Rocco, 368 páginas, R$ 54,50

O Conto da aia

Talvez você não tenha ouvido falar deste livro de 1985, mas, sim, da minissérie baseada nele: The Handmaid’s Tale, que soma 13 indicações ao Emmy. A produção é do Hulu, serviço de streaming ainda indisponível no Brasil, mas, sorte nossa, o romance da canadense Margaret Atwood está de volta às livrarias – e às listas de mais vendidos mundo afora. O renovado interesse não se deve apenas à atração estrelada por Elizabeth Moss (de Mad Men), é também uma resposta à onda neoconservadora que ganha força na Era Trump. A trama flagra os Estados Unidos em um futuro ameaçadoramente próximo: depois de uma revolução, impera uma ditadura religiosa que subjuga as mulheres. Elas são divididas em castas: as inférteis ou questionadoras prestam trabalhos forçados até morrer, e as férteis, as chamadas aias, são emprestadas para casais poderosos que não podem ter filhos. Quem narra a história é Offred, de “of Fred” (“do Fred”, em português), indicando o nome do atual patrão, com quem é obrigada a manter relações sexuais sob supervisão da esposa dele, até engravidar e doar seu filho. Enquanto acompanhamos o absurdo dia a dia de Offred, ela relembra do tempo da democracia, em que tinha nome, carreira, família e liberdade.

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Rocco, 368 páginas, R$ 44,50

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