Feminismo, racismo e “feminejo” pautam debates do novo Saia Justa

Foto: GNT Play, reprodução
Foto: GNT Play, reprodução

A data, claro, era propícia. Em pleno Dia Internacional da Mulher não tinha como os principais debates na reestreia do programa Saia Justa, do Canal GNT, não girarem sobre temas em torno do feminismo.

Porém, a nova formação do time de apresentadoras – a atriz Taís Araújo e cantora Pitty substituem Barbara Gancia e Maria Ribeiro ao lado de Astrid Fontenelle e Monica Martelli – leva a crer que o tema permeará a 15ª temporada do programa, que será toda transmitida ao vivo.

A mudança de apresentadoras, algo que não ocorria há quatro temporadas, foi saudada en passant por Astrid com uma citação ao poeta João Cabral de Melo Neto.

– É belo porque o novo a todo velho contagia.

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Entre as estreantes Taís e Pitty, a atriz foi quem demonstrou maior desenvoltura, ao menos no início. Quem assistiu à primeira meia-hora de programa via Facebook, por exemplo, quase não ouviu a voz da cantora baiana.

E não faltou deixa, já que Pitty foi provocada com um tema saboroso, o discurso de Michel Temer em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. Entre outras colocações infelizes, o presidente disse que a mulher tem grande participação na economia porque é “capaz de indicar os desajustes de preços em supermercados”. Pitty, porém, foi polida.

– Foi no mínimo anacrônico – avaliou a cantora, complementando: –  A mulher está também no supermercado, está também criando o filho, mas a mulher está em todos os outros lugares.

Já Taís foi contundente, por exemplo, ao citar com quais figuras históricas mais se identificava. Além de Dandara dos Palmares, mencionou a personagem que a revelou como atriz em 1996, Chica da Silva. Porém, a lembrança da telenovela, que ficou conhecida pelas cenas de nudez com a atriz, então com apenas 18 anos, foi crítica:

–  Chica foi uma mulher que financiou a Inconfidência Mineira, que estava sempre metida em política, só que como a história dela foi contada por um homem, ela foi reduzida a um objeto sexual.

Quando o debate se estendeu ao racismo, Taís criticou a escolha do título brasileiro do filme Figuras Além do Tempo.

– Em inglês o título é Figuras Escondidas. Mas foi mudado porque, claro, não se fala sobre esse tema no Brasil.

Já estava no script a participação da ex-apresentadora Barbara Gancia em um quadro externo de entrevistas. Neste, ela visitou um show de “feminejo”, apelido da vertente do gênero sertanejo cantado e composto por mulheres. A surpresa foi uma participação de  Barbara – retirada do time de apresentadoras após uma briga de bastidores com Maria Ribeiro – no sofá no último bloco. Ela terminaria o programa de braços dados com as apresentadoras da temporada 2017.

As músicas do feminejo fizeram com que Pitty se sentisse mais à vontade. A cantora falou sobre o empoderamento nas letras, do medo do rótulo de feminista entre algumas artistas e da importância de ter mulheres compondo e falando sobre temas caros ao universo delas em microfones de todos os ritmos. A baiana citou o seu início de carreira como compositora:

– As pessoas me perguntavam: “De quem é essa música que você está cantando?” Minha. Oi?

A empolgação da roqueira com as letras de “sofrência” do feminejo provocou o tuíte de uma espectadora: “Vivi para ver a Pitty recitando Maiara & Maraisa.” No que foi respondida de pronto pela baiana:

– Minha filha, você vai ver coisas aqui que nunca viu na vida, e nem eu.

As luzes do programa se apagaram ao som de um hit de Pitty, Descontruindo Amélia. Mais adequado, impossível.

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