Dia da Cerveja: mulheres falam sobre preconceito e maior participação delas no mercado cervejeiro

Foto: Pexels
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Já aconteceu de você estar em uma mesa de bar com um homem, pedir uma cerveja e ele um drink, e o garçom servir a cerveja para ele? Pois isso tem que acabar! O público feminino também (e cada vez mais) cultiva o sagrado prazer pela cervejinha. E não só gosta, como entende.

Nesta sexta-feira, 3, é o Dia Mundial da Cerveja. Por isso, convidamos sommeliers, produtoras e amantes da bebida para falar sobre o assunto e mostrar que, sim, cerveja é coisa de mulher!

Leia os depoimentos abaixo:

Melissa Cole

Jornalista britânica e jurada da Copa da Cerveja de Porto Alegre

Foto: Divulgação

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“A cerveja sempre foi de domínio feminino. Com a opressão da Revolução Industrial, nos vimos saindo deste domínio por conta da imposição de um papel para mulher, como mão de obra explorada e secundária nos processos de produção e comercialização. Atualmente, no mercado cervejeiro mundial, assim como em outras áreas, as mulheres estão voltando a ficar ombro a ombro com seus contemporâneos masculinos novamente”.

Rosária Penz Pacheco

Sommelier e juíza de concursos cervejeiros

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“O feminismo ajudou a mostrar que a mulher pode fazer o que ela quer fazer. E isso também refletiu nas cervejarias e sommelieria. As mulheres começaram cada vez mais a se interessar e se destacar nos processos de produção e no conhecimento sobre o assunto”.

Andrea da Matta

Sócia-proprietária da Zitas Tap House e fundadora do “Ceva Por Elas”

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“Existe ainda muito preconceito. No nosso bar, por exemplo, vem vendedores perguntando quem é o dono e falando que a cerveja que fazemos é para mulher. Resolvemos criar o ‘Ceva Por Elas’ para nos unirmos contra essas e outras coisas. Precisamos da união destas mulheres que estão lutando pelas oportunidades de crescer ou se inserir no mercado”.

Larissa Simon

Sommelier

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“Cresce a participação da mulher no mercado cervejeiro, como mestres cervejeiras, nos laboratórios para controle de levedura e no chão de fábrica. Elas estão procurando seu espaço. Vemos pontos negativos ainda, como diversos processos seletivos de fábricas que discriminam as mulheres nas vagas, exigindo apenas homens. Também vemos algumas cervejarias colocando mulheres seminuas fazendo propagandas nos stands, objetificando a mulher para atrair consumidores. ‘Procuro mulher bonita e sensual para trabalhar na cervejaria tal’, é um dos exemplos reais que ainda utilizam a propaganda de forma sexualizada. Isso não deveria existir mais. A mulher consome muita cerveja e esse público consumidor não é exclusivamente masculino”.

Fernanda Ueno

proprietária da Japas Cervejaria /SP

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“Em 2009, quando comecei a trabalhar na área, o número de mulheres trabalhando em cervejarias ainda era muito pequeno. Felizmente, hoje temos uma participação muito maior de mulheres em diversas áreas e em posições de destaque em cervejarias, instituições de ensino, bares e distribuidoras/importadoras de bebidas. Ainda enfrentamos o machismo no nosso dia a dia, ouvimos muitas piadinhas e comentários desagradáveis, como o típico ‘cerveja de mulher’, sempre se referindo às cervejas fraquinhas e doces. Mudar isso é um trabalho de formiguinha, mas sinto que hoje há uma união muito forte entre as mulheres do mundo cervejeiro e esse é o caminho. Existem várias confrarias femininas e grupos de mulheres cervejeiras. A participação feminina em festivais cervejeiros também é cada vez mais alta. É muito legal se sentir acolhida nesse mundo, saber que temos com quem contar e poder compartilhar experiências de aprender juntas sobre diferentes estilos de cerveja”.

Janaína Timm

Diretora da Associação dos Cervejeiros Artesanais do RS (ACervA Gaúcha)

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“Hoje ainda temos muito a romper com essa imagem construída, inclusive pela publicidade, de que a cerveja tem gênero. Não é verdade! A mulher está para a produção, consumo e divulgação da cerveja assim como qualquer outra pessoa”.

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