Dia dos Pais: 4 estilos distintos de figura paterna com um mesmo amor incondicional

Quando começamos a discutir a pauta de Dia dos Pais na redação de Donna, a Melina Gallo, nossa designer, sugeriu:

– Tenho um ex-colega de faculdade que é perfeito! Ele nasceu pra ser pai!

O fotógrafo Diego Vara e eu seguimos a pista até a Serra e encontramos, em Canela, uma história inspiradora – um início com o pé direito para uma reportagem que pretende exatamente isso: inspirar.

Fomos atrás de quatro pais com perfis distintos, tanto em relação ao próprio estilo quanto em relação à maneira como conciliam a paternidade em suas vidas – e na vida dos filhos. Mas uma coisa todos têm comum, não apenas entre si, mas com todos os pais: o amor incondicional por seus filhos.

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A seguir, confira não apenas as lindas histórias, mas também atente aos estilos: ao reconhecer seu próprio papi soberano em algum deles, aproveite para inspirar-se nas sugestões de presentes. * Colaborou Cristiano Santos

Pai herói

– Perdi meu pai aos nove anos, e desde esta data eu penso: quero ser pai! – contava Eduardo Bonini Hoewell enquanto arrumava os dois filhos e a enteada para as fotos que ilustram essa reportagem, na sala da casa da família.

A história dele com a mulher, Carol, é daquelas que, quando a gente ouve, pensa: “Tinha que ser”. Os dois se conheceram em uma viagem de Pelotas a Porto Alegre, em 2007. Ele, pelotense, decidiu na última hora ir ao aniversário de uma amiga em Caxias do Sul (pegaria outro ônibus na Capital). Ela e a filha, que moravam em São Borja, tinham visitado a madrinha de Marjorie, então com seis anos. O designer e ilustrador, que foi um dos últimos a embarcar e sentou-se ao lado da dupla, não tinha feito o desenho que prometera de presente à amiga e improvisaria durante o percurso. Marjorie ficou encantada com as ilustrações que ele tirava da pasta: “Olha, mãe, parece uma foto!”.

Assim começou uma conversa, uma admiração, um amor: depois de uma semana de papos pela internet, Eduardo partiu rumo a São Borja e nunca mais voltou. Pelo menos, não sozinho: em três dias, decidiram casar e mudar-se para Canela, onde os pais de Carol têm casa, e um mês depois já planejavam o filho Miguel, hoje com seis anos. O caçula, Filipe, viria três anos mais tarde.

– Eu sempre quis uma família grande. Achei um pai e hoje tenho isso – diz Carol, sorrindo. – Criei Marjorie praticamente sozinha. Com os guris, não. Nunca levantei à noite. Dar de mamar era a única coisa que eu fazia.

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O pai de Marjorie é muito presente na vida da adolescente de 13 anos – falam-se por telefone, combinam férias juntos. Isso paralelamente à relação especial que a garota tem com o “paidrastro”:

– Quando o Eduardo chegou, gostou de mim e eu gostei dele. Ele sempre brincou comigo. Foi bem legal.

– Eu nunca imaginei que estivesse no lugar dele (o pai de Marjorie). Um dia ela (Carol) me disse: “Tu não precisas te envolver com isso”. E eu respondi: “Se eu não me envolver, serei meio, não serei inteiro, e eu quero ser inteiro” – conta Eduardo.

Eduardo sabe bem como é ser filho de pais separados e ter um pai presente: tinha três anos quando o seu saiu de casa. Tem uma irmã de pai e mãe, e uma irmã e um irmão por parte só de mãe.

– Quando eu ia para a casa dele (do pai), era o mundo! Ele era um cara muito culto.

00a2f6d1Cercado pelos pequenos Filipe (E) e Miguel (D) e pela enteada, Marjorie, Eduardo realiza um sonho: “Minha vocação é ser pai”

Dawson Hoewell era engenheiro civil e arquiteto, bom em matemática e desenho, e tocava vários instrumentos. Eduardo toca violão, piano, baixo. Mesmo não tendo convivido muito com o pai, Eduardo o tem como referência:

– Eu conheci meu pai pela boca dos outros. Sabia que ele planejava um monte de coisas pra fazermos juntos no futuro. Infelizmente, não deu tempo. Tentei me criar assim. (…) Uma das coisas que ele sempre me dizia e eu faço: “Meu filho, tu tens que tirar a água do corpo após o banho” – sorri, passando as mãos nas pernas e nos braços para ilustrar o que ensina para os filhos.

A farra preferida da família reunida é jogar videogame, sentados no sofá ou deitados em um colchão no chão da sala, ritual de toda sexta-feira à noite.

– Sendo pai, acabei ficando melhor no videogame: jogo sem um braço, puxando o controle, e também sou o passador oficial de fases – diverte-se.

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Seria o homem-elástico? Apaixonado por quadrinhos, preferia o Super-Homem ao buscar inspiração para os modelitos das festas da época da faculdade de Design, na Universidade Federal de Pelotas. Paixão que inspira os filhos Miguel, o homem-aranha, e Filipe, o superman nas fotos da reportagem.

– Quando Marjorie estava na 1ª série, eu disse que era o super-homem, mas tinha escolhido ficar com a família. Ela contou para todos os coleguinhas. Um dia eu fui na escola e todos eles olhavam admirados pra mim, no fundo da sala – diverte-se Eduardo. – Ela virou a filha do super-homem.

Talvez seu poder mais legal seja transformar uma adversidade da vida em uma das suas principais qualidades.

– Depois que meu pai morreu, eu via meu tio brincando de lutinha com meu primo e sabia que a única forma de ter isso era eu sendo pai. E a gente tem isso. (…) Minha vocação é ser pai.

O estilo dele 

Para brincar com os filhos e criar, Eduardo aposta em um estilo prático e despojado: calça jeans e camiseta (branca). Em casa, troca o jeans pela calça de moletom. Como ousadia, talvez um pouco de cor na camiseta ou camisa.

– Não me preocupo muito com a marca – sentencia.

 

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Pai parceiro

Os filhos de Paulo Zulu nasceram no paraíso. Eles são resultado de uma estratégia de vida que o eterno modelo carioca adotou quando estava no auge sob os holofotes, no final dos anos 1990. Já casado com a também modelo Cassiana Mallmann, eles desembarcaram na Guarda do Embaú em busca da brisa à beira-mar, uma horta verdinha e peixes frescos abundantes na porta de casa. A natureza como coadjuvante na composição da nova família. Se não bastasse, a paternidade tem um capítulo de fortes emoções na história de Zulu.

– Meu pai era um cara que bebia muito, tinha uma “noia” de que eu não era filho dele, que minha mãe teve um caso extraconjugal. Isso se refletiu em uma rejeição, de que só tive consciência depois – revela Zulu, aos 51 anos, com o trauma superado.

Surfista profissional, Zulu começou na carreira de modelo quase aos 30, idade em que a maioria está se aposentando. Antes de ser pai, tinha um contrato com a Rede Globo e um futuro reluzente no disputado mercado dos bonitões da novela das nove.

– Ser pai era tão importante que eu abri mão de ser galã da Globo. Um dos meus objetivos era vivenciar isso, esse amor de pai. Eu idealizei, conheci a Cassiana, ela tinha 18 e eu 28 anos, a gente não tinha estrutura, morávamos fora. Quando deu o boom da novela (Laços de Família, de 2000), construí a pousada e realizei o maior sonho da minha vida para resgatar este sentimento – relembra.

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Primeiro nasceu Patrick, hoje com 11 anos. Em seguida chegou Dereck, 10. Para completar o tom de ansiedade, o primogênito foi uma surpresa:

– O Patrick veio prematuro, com oito meses, bem magrinho. Enlouqueci, não deixava ninguém tocar, parecia um polvo, cheio de braços. Fiquei numa proteção absurda.

Os meninos logo entenderam a profissão do pai, um dos modelos mais atuantes do mercado brasileiro – quando pequenos, costumavam inclusive reclamar do assédio durante as brincadeiras do trio. Desde bebês participaram de campanhas e desfiles. Zulu sempre fez questão de separar uma espécie de “cachê”- a cada trabalho, uma grana ia direto para a poupança. O próprio figurino dos meninos é resultado dos presentes recebidos durante as incontáveis campanhas de moda.

Esportista e defensor de uma vida saudável, Zulu sabe que esse é um dos maiores legados deixados na construção da personalidade dos meninos. Mas não insiste, procura entender cada fase, não se preocupa se nas festas de aniversário a dupla encara as delícias calóricas da infância. Brinca que se eles quiserem ser modelos poderão agradar, ao contrário do pai, o exigente mercado europeu.

– Não quero ser pai de miss (risos). Eu adoraria que eles treinassem jiu-jitsu, eles até treinaram no ano passado, mas esse ano não rolou. Quero estar bem quando chegar aos 60 ou 70 anos para viver uma outra fase. Eles terão suas opções, claro, mas têm ao lado um exemplo como o pai deles, que não fica doente, que faz exercício – comenta.

 

 

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Pai gestante

É possível que você já tenha se emocionado ou dado risadas de roteiros do cinema que contam as aventuras de um casal que vê a vida mudar com a descoberta de uma gravidez. Pois esta passou a ser a história de Fernando Guimarães e Claudia Alves Guimarães desde o último dia 19 de janeiro. Juntos há cerca de dois anos, estavam noivos, moravam em um apartamento e planejavam se casar depois da formatura dele em Design de Produto, prevista para o final do ano, na UFRGS. Tinham planos de ter filhos, mas não datas. Helena, porém, antecipou um pouco as coisas.

– Se eu fiquei chocada, ele dizia, rindo: “Eu nasci para ser pai” – conta Cláudia.

Em meio ao ritmo da formatura em Gestão de Recursos Humanos, ela acabou esquecendo-se de tomar a pílula anticoncepcional. Depois de prestar atenção no calendário, mesmo sem sentir sintomas, em um sábado fez dois testes de farmácia: ambos positivos. Na segunda-feira, os dois seguiram para o laboratório, onde seria confirmada a notícia: Helena estava a caminho.

Conversamos com os futuros papais no espaço Amamãe, em Porto Alegre, já que a casa para a qual se mudaram está em reformas – uma das paredes ficará em branco para que Helena possa desenhar e, quem sabe, seguir os passos do pai. Mas todas as mudanças pelas quais estão passando, adaptando a vida para a chegada da filha, são descritas com muito carinho, cumplicidade e bom humor por eles, hoje casados.

– Meu papo não é mais “quero uma Ferrari”. Quando discutimos qual carro vai comprar, sabe que o porta-malas tem que ser grande – diverte-se Fernando.

– É mágico sentir os pezinhos dela – descreve Claudia, acariciando o barrigão: Helena deve nascer em setembro.

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Sensação essa que o pai só tem depois que o bebê nasce. E foi justamente esta ligação que a mãe tem e o pai não, pelo menos não imediatamente, que inspirou Fernando a trocar seu tema do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) – mesmo já tendo escritas 30 páginas sobre design social.

– Eu tinha a necessidade de entender como a criança se desenvolve e como eu posso participar. (…) Comecei a identificar um hiato na sociedade em termos de “qual é o papel do pai, o que se espera de um pai?” – conta Fernando.

Pesquisou, mas não encontrou informações destinadas aos pais homens: lia coisas sobre amamentação ou sobre como o corpo da mulher muda durante a gravidez. Mas queria ir além da troca de fraldas e mamadeiras: seu o objetivo era saber como poderia se envolver na construção afetiva do filho. O mais cedo possível.

– A relação da mãe é biológica. Se o pai não busca, a criança não tem o vínculo, aí acontece o que vemos hoje: pais distantes. Se (o pai) não é proativo no começo, querendo fazer a construção afetiva, e vai deixando isso pra trás, vai perdendo a chance.

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– Ela (Helena) tem uma comunicação com ele da qual eu já morro de ciúmes – entrega Claudia. – Ela reconhece a voz e o toque da mão dele. Outro dia, ele chegou da rua, parou na porta e a guria deu pulo! Uma das coisas que dizem é que a mãe tem que cheirar o pai para a criança reconhecer o cheiro.

– Na verdade, eu é que disse isso para ela – sorri Fernando, que se denomina um “cogestante”.

Na elaboração do TCC, Fernando estudou o desenvolvimento infantil, o papel do pai e organizou uma oficina que contou com a participação de pais e até algumas mães, com uma grande troca de ideias sobre a participação masculina.

– Existe um contexto contraditório que cobra que o pai seja assertivo, presente, provedor da família e, ao mesmo tempo, quer que ele seja sensível, carinhoso, disponível. E como é que tu lidas com isso? Como se enxerga um processo de transição que está acontecendo agora e como é que tu te posicionas em relação a isso?

A experiência foi tão construtiva que Fernando quer expandir: programou a próxima para quinta-feira, dia 14, a partir das 19h30min, no Nós Coworking (Avenida Cristóvão Colombo, 545, no Shopping Total, em Porto Alegre). Mais informações no site heliceexperience.wordpress.com

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Pai mãe

A ligação do cirurgião Henrique Fillman com a filha Paula é tão intensa que, após a separação, há 11 anos, foi natural que ela ficasse com ele, na casa onde moravam.

– Logo que nasceu, lembro-me dela berrando, eu a pegando no colo e dizendo: “Tá aqui com o pai”. E ela parou de chorar. Eu pensei: “Já sei, tá dominado”. Mas esta obediência nunca mais aconteceu – sorri.

Paula, hoje com 16 anos, tem a mãe, Edi, muito próxima – é quem dá conselhos sobre dúvidas no namoro, dicas de roupas e maquiagens, quem penteava seu cabelo e brincava de bonecas na infância. O pai, que só tem um irmão homem e precisou aprender a ser pai de menina, brincava de pega-pega e encontrou nas viagens um dos principais pontos em comum: já fizeram mais de 20 grandes roteiros, incluindo África, Oceano Índico, América Central, Caribe e muitos cantinhos do Brasil.

– Tem coisas que ela faz por mim, tem coisas que ela gosta e eu acompanho – conta Henrique.

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Acostumado a fazer escalada nos Andescom amigos e já tendo encarado um safári com Paula na África, o pai considera uma de suas maiores aventuras a ida a Nova York, no ano passado, comprar roupas para o début de Paula.

– Eu contava totalmente com o gosto dela. Digo que foi uma das nossas viagens radicais – diverte-se.

Sem poder entrar no vestiário feminino, precisou contar com a ajuda das vendedoras, que improvisaram biombos e espelhos para que ele pudesse participar da escolha.

– Mas eu não me guiei só pela opinião dele. Fui até a loja e perguntei para outras mulheres, fiquei com o mais votado – conta Paula.

Até porque roupa é mais um ponto de concordância entre os dois: melhor deixar Paula e a mãe cuidarem disso:

– A mãe olhava as fotos de viagens e só dizia: ‘Eu não acredito que tu colocou esta roupa nela. Vermelho com laranja não existe’. Eu deixava colocar a roupa que ela queria, mesmo com cinco ou seis anos. Olhando as fotos, hoje, vejo que tinham algumas combinações estranhas – ri Henrique, para quem ficar sozinho com a filha nunca foi problema algum. – A avó materna sempre dizia: se ela não come, chama o pai, se não dorme ou não quer comer, entrega pro Henrique.

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Henrique acompanhou bem de perto o crescimento da filha, e, como diz, aprendendo a cada dia. Brinca que “era mais fácil quando só eu falava”, mas garante estar tranquilo com o namoro de Paula, que já dura mais de um ano.

– Namorado é um mal necessário. Ela tem que ter namorado, eu sei. O que que eu vou fazer? – diz, sorrindo. – Ela é tranquila, tem juízo. O namorado também. É uma tolerância que a gente desenvolve.

– Eu faço muito esporte. Eu nado, pedalo e corro regulamente há bastante tempo. A Paula às vezes corre comigo. Para trabalhar, terno e gravata direto. É mais prático, não tem que montar muito a roupa. Final de semana, jeans e camisa.

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