Distante dos estereótipos, madrastas falam sobre a atuação e a relação com os enteados

O impacto de começar um relacionamento e, com ele, vivenciar esta experiência nem sempre é agradável

Da esquerda para direita: Mario, Mariana, Xande Fontes, Beth Misk, Xandinho e André. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação
Da esquerda para direita: Mario, Mariana, Xande Fontes, Beth Misk, Xandinho e André. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

As últimas décadas foram marcadas pelo surgimento de composições familiares distantes daquelas exibidas nos livros e filmes dos anos 1960. De lá pra cá, as mulheres garantiram seus espaços e passaram a encarar novos desafios dentro e fora de casa. Se tornar madrasta é um deles. O impacto de começar um relacionamento e, com ele, vivenciar esta experiência nem sempre é agradável. Quase sempre, o tempo corrobora para o reconhecimento e a aceitação da relação. Há mais histórias de convívios harmônicos do que relatos estampados em páginas policiais.

Autora dos livros Madrasta, Quando o Homem da Sua Vida já tem Filhos e 100% Madrasta – Quebrando as Barreiras do Preconceito, Roberta Palermo sugere em suas obras a desmistificação da figura da madrasta – transformar o velho rótulo de vilã em um conceito mais adequado ao século 21, onde a madrasta pós-moderna conquista, a cada dia, maior espaço no coração das crianças e assume, muitas vezes, um papel de grande importância.

O psicoterapeuta Paulo Pimont é categórico em afirmar que a relação do atual marido com a ex-mulher tem uma importância significativa no convívio entre a madrasta e os enteados:

– A postura do pai, que quanto melhor estiver resolvido com a mãe da criança, vai influenciar neste relacionamento. É isso que vai ditar o tom, seja tenso ou não, da relação dela com os enteados.

Outro ponto que ele destaca é o entendimento do papel de uma espécie de mãe que não é mãe.

– O primeiro desafio é aceitar isso. O segundo desafio é essa mulher trabalhar a relação com a mãe da criança. Nada mais importante do que a mulher que nos deu a vida. Uma mulher fracassa quando madrasta ao tentar assumir um papel que não é seu. É um papel bem humilde. Ela não pode entrar em uma relação querendo dar para a criança o que a mãe dela não deu – finaliza.

Anos de convívio

“Mineira, cheguei em Florianópolis há 22 anos e, algum tempo depois, me casei. Meu marido tinha dois filhos do primeiro casamento, Xandinho e Mariana. Eles eram pequenos e me vi em uma nova situação. Não foi fácil no início, tanto pra mim quanto pra eles. Não é como uma gravidez, mas existe um processo de identificação, de aceitação. Nunca tivemos grandes conflitos, mas, claro, adolescentes não costumam ser os mais fáceis (risos). Logo, tive meu primeiro filho e comecei a vivenciar a minha experiência como mãe, da mesma maneira com o segundo. Cada um dos meus enteados morou com a gente por um tempo com muita tranquilidade. Nossa relação sempre foi aberta, de carinho. Os meninos são surfistas, costumam pegar onda juntos. Na Páscoa, por exemplo, o pai deles estava viajando e vieram todos almoçar comigo. De todas as relações, o que vale é a forma como você quer ter a sua família. Sou uma mãe verdadeira, todo mundo tem suas dificuldades, os momentos mais difíceis. São 17 anos de um convívio muito bom. Nos damos superbem” por Beth Misk

Da esquerda para direita: Mario, Mariana, Xande Fontes, Beth Misk, Xandinho e André. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

Da esquerda para direita: Mario, Mariana, Xande Fontes, Beth Misk, Xandinho e André. Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação

Formato familiar

“Eu e o Carlos não somos casados no papel, mas vivemos uma relação estável há 10 anos. A Camila, minha enteada, tinha uns 15 ou 16 anos quando comecei a namorar com o pai dela. E fui muito bem recebida. Ela costuma dizer, inclusive, que sou responsável pela mudança do formato familiar, que agreguei bastante. Não sou eu quem diz, é ela (risos). Nunca tivemos um constrangimento. Inclusive, tenho o hábito de deixar meu lado maternal falar mais alto quando ela e o pai tem alguma discordância, o que é raro. Como mãe, posso dizer que sou tipo aquela galinha que não quer que os filhos saiam debaixo da asa. Claro, sei também dos meus sentimentos de que eles precisam seguir seus caminhos. Camila nunca morou com a gente, até porque eu e o pai dela moramos em casas separadas. Optamos por isso, o que faz muito bem para todos. Mas isso não significa não tenhamos momentos juntos, todos, incluindo meus dois filhos biológicos. Saímos para jantar, sou amiga, cúmplice e parceira de todos”  por Cida Motter

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