A dona da Real Beleza: conheça Vitória Strada, a modelo gaúcha que estrela o novo filme de Jorge Furtado

Como muitas outras adolescentes de belos traços, cintura fina e alguns centímetros a mais do que a média em altura, Vitória Strada descobriu cedo que poderia encontrar nos flashes das câmeras o espectador atento para tudo o que precisava expressar. Seu tipo de holofote preferido, no entanto, mudou dos catálogos de moda e das passarelas para os palcos e as telas. E o début da gaúcha de 18 anos como atriz aconteceu direto no cinema, no mais novo filme do premiado diretor Jorge Furtado, Real Beleza, em cartaz no desde o último final de semana.

Apesar da pouca idade, o desejo de Vitória por incursionar pelo mundo da ficção não é recente – nasceu lá atrás, durante um dos primeiros trabalhos como modelo, aos 12 anos. Depois de participar de uma seleção, a guria de longos cabelos pretos rumou para São Paulo, onde se viu diante das câmeras pela primeira vez. Foi quando ouviu de um dos produtores que levava jeito: “Por que você não tenta fazer um curso de teatro?”. Inquieta que só, passou uma semana no Rio de Janeiro em um workshop de TV e cinema, período que talvez tenha definido algumas das escolhas que fez dali por diante.

— Já havia feito alguns comerciais como modelo, mas foi nesse workshop que percebi o quanto adorava atuar. Imagina, estava em um grupo de umas 40 pessoas que já tinham feito teatro e eu ali, na cara de pau, pegando texto para decorar. Até hoje eu assisto a uma cena do videobook em que eu levava um tapa na cara, tentando fazer a coisa mais real possível. E ficou real até, por incrível que pareça — relembra, entre risadas.

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Aos poucos, Vitória foi se acostumando aos flashes e passou a acumular sessões de fotos e desfiles. Foi no set de um de seus trabalhos, aliás, onde surgiu a comparação que faria o nome de Vitória aparecer em sites de celebridades atrelado ao de uma das mais notáveis atrizes da atualidade. E não é que ela realmente lembra Catherine Zeta-Jones?

— Quando falaram pela primeira vez eu até fiquei espantada, porque sempre admirei muito o trabalho dela e a acho linda, maravilhosa. Nunca tinha me achado parecida com a Catherine, mas adorei, achei incrível. Depois, durante as gravações do filme, o Vlad [Vladimir Brichta, com quem contracena em Real Beleza] também comentou. Aí. não parou mais — conta.

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Mas não foi somente o título de sósia da estrela de Chicago que ela ganhou. Durante uma temporada de três meses trabalhando na Itália, um amigo produtor convenceu Vitória a concorrer a Miss Mundo Brasil, representando a Ilha da Pintada. Acabou ficando com o segundo lugar no concurso, atrás de outra gaúcha, Júlia Gama.

— Como eu já tinha na minha lista de sonhos trabalhar como atriz e estudar teatro e ainda nem tinha começado a fazer isso, ser miss é algo que estava mais distante ainda, totalmente fora dos meus planos. Era algo que pensava em talvez participar um dia para ver como é, por experiência. Mas como percebi que conseguiria conciliar, participei. Assim como meu sonho sempre foi trabalhar com o que eu gosto, é muito bonito ver que o de muitas meninas é representar o país e ser uma miss. Mas é uma função louca acordar todos os dias muito cedo e já estar toda maquiada, viu? — diverte-se, relembrando a semana de maratona de beleza.

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Filha única, a jovem porto-alegrense sempre contou com o apoio da família para tentar a sorte no louco mundo da moda, mas com uma condição: que não descuidasse dos estudos. Não foram poucas as vezes em que chegou à noite de um ensaio fotográfico para cumprir mais algumas horas em frente aos livros de Matemática e Física. E deu certo. Enquanto concluía os últimos anos do Ensino Médio no Colégio Tiradentes, instituição militar tradicional da Capital, o sonho de entrar de vez na carreira de atriz ficou ali, na lista de prioridades para cumprir assim que recebesse o canudo de formatura.

— Eu sempre fui daquelas que queria fazer tudo ao mesmo tempo, aulas de dança, trabalhos como modelo. Mas a gente tem que escolher algumas coisas — justifica.
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E talvez a escolha mais acertada para dar o pontapé inicial na carreira que tanto desejava tenha sido inscrever-se em uma seleção da qual soube por uma amiga da escola: concorrer a um papel no novo filme do diretor Jorge Furtado, que procurava meninas gaúchas ou catarinenses com idade entre 13 e 17 anos. De 350 candidatas, Vitória foi a escolhida para dar vida a Maria, sua primeira personagem.

A história de Maria, aliás, se confunde bastante com a própria trajetória de Vitória: as duas enfrentam a resistência dos pais em deixar que a filha ganhe o mundo com a carreira de modelo. Mas, pelo menos no caso real, o desfecho, como se sabe, foi outro.

— Não foram os meus pais que me colocaram no mundo da moda. Na verdade nem queriam, mas sempre me apoiaram muito. Eles sempre tiveram a ideia de que é um mundo cruel de certos modos, e como não conheciam a vida de modelo e atriz, tinham essa apreensão, que é como a Maria enfrenta no filme. A minha história e a dela tem essa ligação — compara.

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Foi uma prova para decidir o que eu realmente queria 

Primeiro drama do diretor Jorge Furtado – que tem no currículo longas como O Homem que Copiava (2003) e Saneamento Básico (2007) -, Real Beleza traz um enredo bem familiar para muitas aspirantes a Gisele Bündchen. Um fotógrafo de moda (vivido por Vladimir Brichta) vaga em busca de um novo rosto entre milhares de meninas no interior gaúcho, terra fértil para as passarelas por conta da miscigenação de etnias. É quando ele conhece Maria, uma jovem que personifica em seus traços o que ele tanto buscava. Mas, bem como muitas meninas que sonham com o glamour do mundo da moda, a guria precisa convencer os pais de que a empreitada dará certo. É quando o fotógrafo decide ir à casa da jovem para conversar com a família, e lá acaba se apaixonando pela mãe dela, personagem de Adriana Esteves. A paixão é correspondida, mas a mulher precisa enfrentar o dilema de se render ao novo amor ou continuar com o marido, idoso e cego, encarnado por Francisco Cuoco. E como foi contracenar, de cara, com nomes de peso?

— Eles são muito humanos, parecia que já os conhecia de anos, não que eu os via somente pela TV. São pessoas fáceis de se trabalhar, me deram uma abertura muito grande. Eles estão acostumados com isso há tempos e acolherem uma menina que nunca tinha feito nada – elogia. – Desde o início, pedia dicas o tempo inteiro. Dizia “Jorge, tudo o que tu quiser me fala, porque eu quero melhorar sempre”, e o mesmo para os demais nomes do elenco.

Assista ao trailer de Real Beleza

Embora ainda não tenha caído a ficha de que estrelou um longa-metragem exibido em todo o país, Vitória já planeja os próximos passos. Aprovada no início do ano para o curso de Artes Cênicas na UFRGS, já está matriculada para o segundo semestre das aulas. E nem pensa em parar.

— Quando surgiu a oportunidade de fazer o filme, decidi: isso é um sinal, preciso continuar estudando teatro porque agora é a hora. E deu tudo certo. Não abandonei a carreira de modelo, mas o meu foco agora é ser atriz, é o que quero muito. Acho que consegui uma maneira de me expressar de vários jeitos, ser outra pessoa e fazer o que eu sempre quis. Vi que foi uma prova para decidir o que eu realmente queria. Agora é estudar e estudar.

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* Fotos: Carlos Macedo

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