Donna 25 anos: 5 pessoas que tiveram suas vidas impactadas por histórias da revista

Fotos: Omar Freitas
Fotos: Omar Freitas

UMA CATHARINA DE VIDA

A capa desta edição contou com a sorte. Quando o aniversário da revista se aproximou, surgiu a ideia de fazer algum tipo de relação com a primeira capa de Donna, de 1993. A modelo, Ana Paula Sartori Mensak, então com 22 anos, havia se casado e vivia na Europa, mas o bebê ainda em gestação naquela foto estaria de passagem pelo Brasil. Catharina, que completa 25 anos em 2018 como Donna, veio a Gramado passar a Páscoa com os avós, Clary e João, que ela não via há cinco anos.

– Topo aparecer na revista, sim. Mas a foto não vai ser igual à da minha mãe, né? – brincou Catharina, que vive hoje em Haia, na Holanda, e trouxe o namorado Erik para conhecer os avós.

Segundo Ana Paula, a ideia de reproduzir em Donna a icônica capa de Demi Moore nua e grávida para a Vanity Fair veio espontaneamente durante o ensaio. Ainda que aparecer nua no jornal de domingo desse um frio na barriga (inclusive literalmente), Ana topou a publicação e amou o resultado. Na família, a repercussão do ensaio não foi problema. Muito pelo contrário.

– Minha avó gostou tanto que pintou um quadro reproduzindo a capa – conta Catharina.

Foto: Anderson Fetter

Foto: Anderson Fetter

Entre orgulhosa e encabulada, Clary mostrou à equipe da revista o quadro com a filha, enfatizando que aprimorou seus dotes artísticos desde então. Ela hoje é uma artista plástica conhecida em Gramado e terá a oportunidade de repetir a empreitada com a capa da neta.

INSPIRAÇÃO E SUPERAÇÃO

Por ocasião do aniversário de Donna, convidamos leitoras em nossas redes sociais para apontar reportagens que tivessem marcado as suas vidas. Um dos depoimentos enviados à revista foi Daniela Guimarães, 25 anos, estudante de Direito.

Foto: Omar Freitas

Foto: Omar Freitas

– Me emocionei com a capa da Paola Antonini. Me identifico com ela pela superação. No caso dela foi um acidente. No meu, a depressão e a dismorfia corporal – declara Daniela.

Daniela conta que ao longo da adolescência foi vítima de bullying na escola por ter “as pernas gordas”, segundo os colegas. Talvez por isso, ler uma reportagem sobre uma modelo que precisou amputar uma das pernas e levou numa boa foi tão impactante.

Como é de praxe em mulheres que sofrem de dismorfia corporal, o sofrimento para Daniela veio em dose dupla. Primeiro, porque ela simplesmente não se enxergava da mesma forma que os outros a viam, de modo que a real imagem do seu corpo não amenizava o sofrimento. Segundo, pela dificuldade de pessoas ao seu redor levarem o problema a sério. Daniela cita também outra entrevistada de Donna: a apresentadora Daiana Garbin, que sofre do mesmo transtorno e lançou um livro e um canal no YouTube para discutir a questão da autoimagem feminina.

Com o acompanhamento psiquiátrico, Daniela vem superando o problema. Aponta como um passo importante ter desfilado recentemente no Mostra Noivas, uma forma de confrontar os fantasmas da falta de autoestima. Curiosamente, subir em uma passarela também foi um dos passos importantes na trajetória de Paola.

– A reportagem sobre ela mostrou no que eu me espelho e do que milhares de meninas precisam. Ainda mais em um mundo com tantas redes sociais que só expõem pessoas “perfeitas” e “felizes” o tempo inteiro – conclui.

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PLUS SIZE DESDE SEMPRE

Hoje o termo “plus size” faz parte do mundo da moda. Em Donna, esse universo é tema de coluna e blog. Em 2002, não era bem assim. Naquele ano, a cantora Preta Gil publicou como encarte do seu CD (lembre-se de que estamos falando de 2002) um ensaio seu posando nua. Em meio à polêmica sobre um ensaio sensual valorizando um tipo de corpo fora do padrão, Donna foi a campo fazer uma reportagem sobre mulheres com a autoestima imune aos números da balança. Uma das entrevistadas, com 25 anos à época, era Taís da Silva, que trabalhava como modelo plus size antes mesmo de o termo existir.

– Aquele mercado estava recém engatinhando. Cresci vendo gordinhas tendo de mandar fazer roupas ou se vestindo como sacos de batata – conta a hoje técnica em enfermagem, aos 41 anos.

Foto: Andréa Graiz

Foto: Andréa Graiz

Naquela reportagem, Taís conta que havia emagrecido 25 quilos recentemente, mas a perda de peso havia tido o efeito inverso ao esperado. Alheia ao elogio de amigas, ela olhava para o espelho e não se reconhecia mais. Entristeceu e só voltou ao normal quando voltou ao seu peso habitual e ao manequim 46/48, com as devidas curvas ressaltadas por decotes sutiãs meia-taça. Aquele Donna, ela guardou como um marco de paz com a autoestima e com a balança.

– E desde então permanece. O que evoluiu bastante foi o mundo ao nosso redor. Embora o preconceito com pessoas fora do padrão ainda exista, a internet foi uma revolução para a moda plus size. Tanto em opções de marcas e lojas quanto por mostrar ao mundo que nós existimos – opina.

O EMPURRÃO QUE FALTAVA

Aos 38 anos, Ana Bettim vive com marido e filhos em Lajeado, onde trabalha como artesã de produtos infantis. Aos finais de semana, costuma vir a Porto Alegre para visitar as famílias dela e do marido. Ao sogro, assinante de ZH, sempre pede que guarde a Revista Donna para ela. Em 17 de fevereiro, a reportagem de capa daquela edição bateu diferente.

– Há tempos, procurava mexer algo no meu visual que refletisse a fase que estou vivendo. As leituras que venho fazendo, as coisas em que acredito. Quando li a reportagem sobre mulheres que haviam raspado a cabeça, te juro, parecia que havia sido escrita para mim – conta Ana.

Foto: Omar Freitas

Foto: Omar Freitas

Ana ainda carregou a revista por uma semana amadurecendo a ideia até tomar coragem. E a família, apoiou?

– Foi o meu marido que raspou, então podemos dizer que ele apoiou, sim (risos). Minha filha mais velha, de 12 anos, gostou tanto que quis raspar também. Conversamos, e ela raspou do ladinho só. A do meio, de seis anos, ficou meio assustada, mas normal. E o mais novo, de quatro anos, teve a reação mais bonita: me abraçou e disse “Mãe, eu te acho cada vez mais linda”.

Só de um familiar, Ana ouviu que era “um absurdo” ter feito aquilo “porque viu numa revista”:
– Respondi que a revista só me ajudou a encontrar algo que já estava em mim. Ao fazê-lo, senti algo de renascimento e força, exatamente o que estava procurando.

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:: Por ideologia, por praticidade ou pela pegada cool, mulheres escolhem raspar o cabelo

A PRIMEIRA DONNA DA CAPA

Em 1998, Donna deu início a um concurso de beleza sem saber muito bem se faria sucesso. A inscrição para o “Donna da Capa” era à moda da época: era preciso recortar a ficha de inscrição do jornal e enviar pelo correio com fotos da candidata. Os prêmios eram um book fotográfico, uma viagem a Cancun e estampar uma capa de Donna. A febre foi tamanha que as selecionadas tiveram de ser divididas em quatro grupos de seis finalistas, e a vencedora seria anunciada em um desfile no final de ano.

Aos 14 anos, Tatiane Cremonini Waldemarca tinha convicção de que não tinha chances:
– Eu era a número 24 das 24 finalistas enfileiradas na passarela. Quando chegou a hora de anunciarem a vencedora, estiquei o pescoço para o lado para enxergar a reação dela. Ouvir meu nome foi a maior emoção da minha vida.

Adolescente tímida, ela lembra que colocou a ficha de inscrição a contragosto no correio de Veranópolis por insistência da mãe na última sexta-feira do prazo. Depois do concurso, estudou em Cruz Alta e morou em Porto Alegre trabalhando como modelo e promotora de eventos.

Foto: Marcio Neves, Divulgação

Foto: Marcio Neves, Divulgação

– Mas era complicado, sou de família simples. Minha mãe precisava me bancar na cidade e tinha pouco trabalho – conta.

Certa vez, participando de uma ação em um supermercado, reencontrou uma amiga do círculo de modelos. Ela não se conformou de vê-la deslumbrante do alto dos 1m80cm ainda no Rio Grande do Sul e fez lobby em uma agência de São Paulo. Tatiane juntou o valor da passagem de ida e se mudou para a capital paulista, onde mora até hoje, aos 34 anos.

Tatiane se formou em Administração e agora trabalha no plano de negócios para estrear como empreendedora na capital paulista.

– Mantenho um book com fotos recentes para trabalhos eventuais. Sigo bonita, não sigo? (risos) Mas tudo começou aí no Sul. Aquele concurso de Donna me proporcionou uma vida que jamais imaginei.

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