Em seu primeiro livro, blogueira Ruth Manus explora todas as formas de amor em crônicas e poemas

Por Maria Fernanda Rodrigues, Agência Estado

Em julho de 2014, Ruth Manus estava de férias em Portugal quando a editora Benvirá ligou com o convite para que a advogada, professora universitária e então estreante blogueira, que estava fazendo barulho com seus posts, escrevesse um livro.

— Esse sempre foi um sonho, mas eu não levava muito a sério. Quando me ligaram, fiquei com muito medo. Já estava assustada com a dimensão do blog, mas decidi encarar. Afinal, a sorte não bate na porta duas vezes — conta.

O contrato foi assinado em outubro. Ela voltou a Portugal em dezembro, para uma pós-graduação, e foi lá que escreveu, em poucos meses, de café em café, Pega Lá uma Chave de Fenda e Outras Divagações Sobre o Amor (Benvirá, 136 páginas, R$ 24,90), que lança este mês.

— Eu não quis escrever um livro para mulheres. Com o blog, descobri um público masculino carente de uma literatura mais sensível — diz a autora, de 27 anos.

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Ruth tampouco quis fazer uma obra sobre relacionamentos, por achar que o assunto beirava a autoajuda. Escolheu, então, o amor como tema que permearia as crônicas e os poemas de seu livro de estreia. À editora, fez um pedido especial: que criassem um produto que homens pudessem ler no metrô sem vergonha.

Na obra, lemos sobre todos os tipos de amor – o duradouro e o efêmero, da avó pelos netos e vice-versa, aquele dedicado à mãe, ao pai, à amiga morta, ao filho ainda não concebido, ao sanduíche de pernil. O amor que se decifra pelo conteúdo dos carrinhos de supermercado, que se entreouve em conversas telefônicas, que se vê nascer no vagão do metrô.

Ruth conta que se preparou para escrever o livro com cabeça de advogada e de professora. Ao chegar à editora para assinar o contrato, já tinha o esqueleto do volume – e um título para cada um dos 50 textos que viria a escrever. O estilo apareceu naturalmente, ela explica:

— Mas tive que me policiar muito, porque gosto de escrever em rimas.

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O tempo que passou em Portugal interferiu, indiretamente, em sua criação.

— A vida em Lisboa é muito delicada, inspiradora. Acho que isso ajudou no livro – conta a autora, que no além-mar descobriu a obra da portuguesa Maria Judite de Carvalho e concentrou suas leituras nos lusófonos Ondjaki, Mia Couto, Valter Hugo Mãe, Miguel Sousa Tavares, Mário Zambujal etc, e aproveitou para frequentar a oficina de escrita criativa de José Couto Nogueira (“Querido Oswaldo”, um dos textos do livro, nasceu como um exercício do curso, quando teve de criar uma carta de desamor).

Amigo de infância de sua mãe e de sua tia, e com quem Ruth nunca tinha tido contato, o escritor Mário Prata acabou virando uma espécie de guru. O ator e cronista Gregório Duvivier, que assina o prefácio, também. A amizade começou por causa de textos dela no blog e continuou durante a escrita da obra. Nesse processo, ela concluiu que o amor é a razão de tudo e a base de qualquer relação. E que, apesar da atual conjuntura, é preciso investir nele.

— Estamos num momento em que vemos muito mais glamour na truculência do que na delicadeza. Mas o amor está aqui, só precisamos assumi-lo e valorizar mais isso do que o lado negativo de tudo.

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