Escrito nas partituras! Casais contam como a música e a dança serviram de cupido para seus romances

A música é uma das formas de expressão que acessa nossas emoções mais profundas. Não há como escapar do sentimento quando aquela determinada letra toca fundo na alma e muitas vezes parece ter sido escrita sob encomenda para o enredo da nossa vida. Algumas canções fazem companhia uma vida inteira; outras são a resposta que precisávamos ouvir na adolescência. Há aquelas perfeitas para momentos íntimos, como a que ouvimos quando estamos com saudade, as que nos fazem lembrar o quanto gostamos de alguém. Poeta, compositor e cantor canadense, autor do tema Dance me to the End of Love, Leonard Cohen acredita que são as pessoas que dão significado para suas músicas e diz que sempre haverá alguém afirmando a importância de uma canção, seja tomando uma mulher nos braços para dançar ou ouvindo um som noite adentro.

Foi a reflexão de Cohen que inspirou esta reportagem dedicada a descobrir histórias de casais que se conheceram e se uniram por meio da música e da dança – encontrando em cada um desses momentos um motivo, uma justificativa para amar.

Conhecemos e conversamos com cinco casais atraídos pela mesma batida em tempos diferentes: eles não apenas encontraram um tema para os momentos de cumplicidade, mas também uma paixão digna de ser compartilhada.

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Aline usa Blusa Gverri, saia Juliana Pereira, meia, cinto e sapato de acervo. Emerson veste camisa Tric Tric, calça Spirito Santo, cinto e sapato Paquetá

Aline Deimiquie, 31 anos, e Emerson Deimiquei, 34 anos, tinham trajetórias profissionais distintas até vincularem-se emocionalmente.

– Danço desde que me conheço por gente, mas nunca pensei em levar isso a sério – conta Aline sobre a origem da dança em sua vida.

Foi preciso apenas um encontro, na última aula que Emerson dava naquela escola de dança, para que eles ficassem juntos. Com o tempo, Aline passou de namoradinha do professor a também professora em tempo parcial. Ele buscou na dança uma ferramenta para perder a timidez em público – ajuda que, durante sua formação acadêmica, ganhou status de profissão. Para ela foi mais pausado o processo até decidir abandonar a carreira jurídica.

– Mas hoje sou muito feliz e não me arrependo nem um pouco, é mais instável profissionalmente, mas é muito bom – garante Aline.

A trilha sonora dos dois é longa e dançante. Vai desde Cheek to Cheek, com Ella Fitzgerald e Louis Armstrong, passando por Ayer, de Juan Luis Guerra, até a balada Burning Love, de Elvis Presley. Ambos acreditam que a atividade proporciona nos colocarmos no lugar do outro, especialmente a dança de salão. Além de nos ensinar como nos relacionarmos, representa o comportamento do casal justamente por ser uma forma de expressão.

 

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Joana veste blusa, calça e sapato de acervo pessoal. Marcos usa camisa AMP, tênis Vert para Convexo e calça de acervo pessoal

Marcos Smith e Joana Henrich trabalhavam juntos em um banco, mas não se conheciam até toparem um com o outro nos embalos de um sábado à noite. Foi na pista do bar Ocidente, em Porto Alegre, que ficaram pela primeira vez – e foi também lá que dançaram a última música da noite no casamento. O economista Marcos, 28 anos, sempre fora frequentador de botecos e fã de bandas de rock, como Pearl Jam, Rolling Stones e Red Hot Chilli Peppers. O convite feito por Joana para ir ao show da banda irlandesa Cranberries, descrito como uma lembrança inesquecível, foi o momento pelo qual ele procurava para pedi-la em casamento, três meses depois da primeira noite.

O gosto pela música fez Joana, 31 anos, proprietária da loja AMP, iniciar um blog onde explora os sons que está ouvindo ou conhecendo no momento. Os shows fazem parte da vida deles e definem as viagens que fazem juntos. Adoram frequentar festivais como SWU, Terra Festival e Lollapalooza. A música Just Like Heaven, do The Cure, é especial e marcou o início da relação – até hoje, eventualmente, trechos da letra aparecem em bilhetinhos trocados entre o casal.

 

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Juliana e Rafael usam peças de acervo pessoal

Foi no Beco 203 que a empresária e sócia da Bananas Music Branding Juliana Baldi, 25 anos, e o músico da banda Wanna Be Jalva Rafael Rocha, 27 anos, ficaram pela primeira vez. Os dois se conheciam de vista e se enrolaram por mais de um ano. A ligação passou a fazer mais sentido quando começaram a compartilhar a paixão por vinis. Fissurado por música desde os 10 anos, Rafael ficava de plantão na extinta loja de discos Banana Records ansioso pela chegada dos lançamentos.

Os primeiros vinis de Juliana entraram em sua vida em 2004: a preferência ganhou espaço aos poucos e passou a ser compartilhada com Rafael a partir de algumas encomendas de vinil feitas por ele quando ela viajou aos Estados Unidos em 2012. Eles exercem influência um na percepção musical do outro. Ela despertou o interesse dele por David Bowie e Lou Reed, assim como ele a influenciou a curtir o som do cantor Devendra Banhart – e a música Won’t You Come Over é o atual tema dos dois.

Apaixonados por música, os dois refletem sobre a mudança do público em relação ao valor percebido. Digitalizada, ela possibilita maior acesso ao mesmo tempo em que se torna quase descartável, enquanto o vinil ainda preserva a possibilidade de experimentação. Eles consideram o vinil como alguma coisa que não é trabalho e que une os dois em momentos de relaxar. Um escape.

– Poder chegar em casa e ficar curtindo o vinil é lindo – concluem juntos.

 

 

00a712bfLuana veste vestido Tissat, acessório de cabeça Carolina Motta Nunes e colar de acervo pessoal. Luciano usa calça, camisa e colete Spirito Santo, gravata, chapéu e sapato de acervo pessoal

A música é também a responsável pela conexão entre o pianista Luciano Leães, 37 anos, e a cantora Luana Pacheco, 25 anos.

– Temos um amor de domingo – brinca Luana, referindo-se à canção A Sunday Kind of Love, da cantora Etta James.

Cantora desde criança, Luana definiu seu estilo musical enquanto cursava Música na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Explorando canções francesas e o blues em inglês desejou gravar um álbum. Amigos sugeriram que ela procurasse a ajuda do pianista Luciano Leães. Prodígio, Luciano tem uma relação com o piano quase lúdica. Para ele, o instrumento era uma brincadeira, tanto que foi aprendendo a tirar os sons de ouvido. A grande influência foi o tio, a quem ele ouvia tocando quando criança,

Ainda me emociono lembrando de, quando guri, eu o ouvia tocar olhando pelo buraco do piano – recorda.

Foi durante a gravação do videoclipe Céu da Noite, da banda Acústicos e Valvulados – da qual Luciano faz parte -, que Luana e Luciano fizeram o papel de casal pela primeira vez. A atriz que deveria contracenar com o pianista no vídeo não pôde comparecer – e Luana, que tinha sido convidada por uma amiga para fazer figuração na gravação, acabou sendo escolhida para substituir a moça.

– Ele dizia: “Posso colocar a mão na tua cintura?”. Ficou tirando casquinhas durante a gravação! – entrega ela, entre sorrisos.

Hoje, além de dar aulas particulares e trabalhar individualmente, o casal está em fase de criação de um projeto no qual devem interpretar blues e músicas francesas.

 

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Alexandre usa camisa AMP, calça Spirito Santo e tênis Monjuá. Fernanda veste saia Tissat, top, camisa, sapato e acessórios de acervo pessoal

O diretor de arte Alexandre Rodrigues, 39 anos, nem precisou planejar: a música Be my Baby era a que estava tocando no dia em que pediu em namoro a relações públicas Fernanda Jaques, 33 anos.

– Eu não conseguia acreditar que estava tocando justamente aquela música enquanto ele me pedia em namoro – conta Fernanda, ainda emocionada, referindo-se à canção que mais tarde acompanhou o “sim” no altar.

Originalmente interpretado pelo trio The Ronnettes, em 1963, o tema é um clássico que faz parte do repertório de sons antigos adorado pelos dois. Fernanda sempre foi nostálgica e curte Beatles desde os 12 anos de idade. Foi a presença dela em uma comunidade de rockabilly no Orkut o fator encorajador para que ele se aproximasse. Já namorados, além de frequentarem shows de rockabilly, fizeram aulas de dança desta modalidade e substituíram a valsa do casamento por Come on Let’s Go, do cantor Ritchie Valens – ainda que esse som escolhido represente outra modalidade de rock.

– Escolhemos uma música mais anos 50 porque era mais lenta e fácil de dançar – explica Alexandre.

O grande barato da dança para os dois fica por conta de Fernanda abrir mão do controle, permitindo o improviso e deixando que Alexandre a conduza. É um momento de grande intimidade, em que os medos precisam ficar do lado de fora. E quer ver como amor gera amor? Alexandre e Fernanda foram alunos do casal que iniciou esta reportagem, Aline e Emerson Deimiquei.

 

 

Ficha técnica

Direção criativa e produção executiva: Ana Bender
Fotografia: Leandro Caobelli
Produção de moda: Simone Gavillon e Ana Bender
Caligrafia: Shaiane Duarte
Beleza: Diessen Grasielen Soares e Lara Ax (Sevilha Salón BarraShoppingSul) e Rodrigo Silveira Kerescky (Sevilha Salón Moinhos Shopping)
Agradecimentos: Bar Ocidente e Sgt Peppers Pub Bar
Apoio: QG de Estilo
Lojas e marcas que participaram deste editorial: AMP, Carolina Motta Nunes, Convexo, GVerri, Juliana Pereira, Monjuá, Paquetá, Spirito Santo, Tissat e Tric Tric.

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