“Eu nunca comi carne”: vegetariana conta como é possível (sim!) adotar uma alimentação sem carne desde a infância

Foto: Pixabay
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Como assim, nunca? Nunca mesmo. Nasci vegetariana de uma mãe muito determinada lá em 1986. Imagine o cenário: Santana do Livramento, terra que tem como uma de suas bases de economia a pecuária, uma jovem de 28 anos decide criar seus filhos vegetarianos. Para os meus avós, era quase um experimento científico, sabia-se lá se iria dar certo. A dúvida não era só da minha família, estendia-se a todos os curiosos que acompanhavam o caso de perto. Também não faltavam teorias de como tudo aquilo poderia dar errado. Não caberiam nos dedos das mãos o número de vezes em que dei explicações sobre minha dieta para estranhos. “Tu és branquinha assim porque não come carne”, diziam. Lembro perfeitamente de ouvir da mãe de uma amiga que eu teria problemas quando adulta, dizia ela que meus dentes não seriam fortes o suficiente. E não parava aí.

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Enfim, teorias à parte, na minha casa o clima era outro. Tínhamos consciência de que a nossa escolha estava ligada ao amor e respeito pelos animais – e a Xuxa, nossa ídola, também não comia carne –, e nossa alimentação era colorida e superbalanceada. Sobre a escolha que estava sendo feita por mim, nunca tive muitos questionamentos, pelo contrário. Teve um episódio em especial que me fez ter certeza: uma visita da turma da escolinha ao abate de uma vaca. Aquela cena que pode parecer estranha em 2018, mas, para uma turma de crianças da Fronteira nos anos 1990, nem tanto. Vaca pendurada pelo pé, facão, sangue, aquela coisa toda. De um lado crianças empolgadas com a função, de outro, crianças chorando pelo bichinho. E eu? Em paz com o estilo de vida que havia sido escolhido para mim e orgulhosa da força e da determinação de minha mãe.

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Se me fez alguma falta? Nenhuma. Não conheço o gosto de carne, e ninguém sente falta do que não conhece. Você certamente deve estar pensando agora: “Não sabe o que está perdendo”. Não sei de fato, mas me arrisco a dizer que você também não sabe o que está perdendo do lado de cá. Por exemplo, uma alimentação vegetariana muitas vezes acaba sendo mais rica e criativa do que a alimentação carnívora, geralmente restrita à carne como alimento principal. Mais: a alimentação vegetariana tende a ser mais leve, sem sobrecarregar tanto o organismo como a digestão da carne.

Ah! Vai aí a resposta de outra pergunta frequente. Tudo em ordem com os meus exames. Eventualmente uma reposição de vitamina B12 e, de resto, tudo balanceado – orgulho da nutricionista, que, sim, aprova a dieta.

Bárbara e Maria Jacqueline Zamberlan

Bárbara e Maria Jacqueline Zamberlan

Meu objetivo nunca foi convencer ninguém a ser vegetariano também. Moro com meu namorado, e cada um mantém a dieta que escolheu. Mas faço questão de deixar claro que é possível. Para as mães que hoje estão criando seus filhos sem carne, fica o recado da experiência científica aqui: deu tudo certo, e agradeço à minha mãe pela escolha.

 

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